quarta-feira, 28 de setembro de 2011

COMO OS FLEMING DE OLIVEIRA ERAM BONITOS ANTIGAMENTE

MONTAGEM
Fleming de Oliveira
Bárbara Vitorino

PRODUÇÃO

Fleming de Oliveira
Luís Pessoa Gaspar
Gabinete de Advogados





26/FEVEREIRO/2011
ANOS DA PAULA


COMO ÉRAMOS BONITOS ANTIGAMENTE…


PARTE I


ALCOBAÇA/MIRAMAR/FIGUEIRA DA FOZ/GUINÉ/E MAIS ALGUNS OUTROS SÍTIOS…


UM COMEÇO.







RECOLHA DE IMAGENS
N.F.O.& F.F.O.









OUTRO COMEÇO DA HISTÓRIA.
























































































































































































































































CONTINUA

terça-feira, 27 de setembro de 2011

AS NOSSAS MEMÓRIAS FLEMING DE OLIVEIRA


(VII)


MIRAMAR,
-O PARQUE DA GâNDARA,
-O TÉNIS,
-O GOLF…(anos 50 e 60, muito selectinhos)
E
-AINDA (mais recentemente) AS EMPANADAS
DA PALOMA


Como diz o Nuno FO, nada é como dantes.
Para o exemplificar evocou para nós um episódio, em que interveio na verdura dos seus doze a catorze anos, mas que eu mesmo reconheço como se se tivesse passado comigo há perto de cinquenta anos, nesse saudoso ponto de convívio e gerações que era então o Parque da Gândara. Recorde-se que o Parque da Gândara, hoje com perto de 80 anos de idade, foi fundado em 1930, entre outros, por Alberto Júlio Pereira e Manuel Menéres, conforme uma pequena lápide que havia (há?) no Jardim de Inverno. Frequentado pelas melhores famílias de Miramar, Porto e arredores, nos anos 50, 60, promovia excelentes festas e exposições, com destaque para os torneios de ténis. Demos a palavra ao Nuno, era Verão e como todos os anos começavam as grandes provas de ténis. Sempre havia muitos espectadores, Miramar nesse tempo era muito chique e social, tal como a Assembleia da Granja, a Quinta da Conceição, na altura ainda não se ia para o Algarve, as pessoas do Porto alugavam casa na praia para passar o Verão, e reuniam-se à volta do ténis, que se iam juntando no relvado do morro em frente do court 2 (o que ficava mais a oeste penso…). Era a final de pares senhoras. Dum lado, iam bater-se a Julita Pinto Leite e suponho a Gracinha Costa Pereira (as duas melhores jogadoras do norte) contra outro onde estava a filha do Alberto Abreu (creio que queres dizer o Aníbal Abreu, pai) fazendo par com alguém, talvez de Lisboa.
Antes do jogo, era natural o árbitro procurar quem o coadjuvasse, como os juízes de linha. Também, era comum, toda a gente se desenfiar, principalmente em jogos de responsabilidade (como era o caso de uma final, em pares femininos!!!). Alguém terá pensado em mim que ali estava e que sabia o que era uma arbitragem (o Nuno FO era melhor árbitro, que jogador de ténis!, embora batesse bem da bola). Penso que terá ido o Ramiro Magalhães. E não me deixaram dizer que não, depois de me terem convencido de que não iria haver problemas, de jeito nenhum. Lá me sentei numa cadeira do campo sul. A certa altura, uma bola vinda do outro campo cai muito perto da linha final, talvez queimando o risco. Numa fracção de segundo ( eu explico que o Nuno FO sempre foi um rapaz muito expedito, talvez por isso é que a Paloma o aprecia) avaliei se deveria pronunciar-me ou não e fi-lo com toda a determinação, para logo a seguir gritar fora (antigamente era de bom tom, dizer britanicamente out). Errado, pois pareceu-me ouvir da assistência muitos protestos como se a bola devesse ter ficado dentro. Eu muito enfiado, lá ia sustentando o que me tinha parecido. Mas o que aconteceu foi que os pais Abreu e Pinto Leite quiseram adoptar o critério que mais favorecia cada uma das filhas, um achando que a decisão do juiz de linha (eu) era soberana e o outro valendo-se do que parecia ser a demonstração da maioria do público, tentando com que o árbitro invalidasse a minha decisão. E aqueles (verdade seja dita, pessoas de bom nível social e trato) que eram amigos de longa data, começaram a travar-se de razões, arregaçaram as mangas e envolveram-se em pancada...
Em pancada mesmo, ao sopapo? perguntei ao Nuno FO ainda hoje um pouco incrédulo e desmemoriado, apesar de me lembrar bem, a paixão em que decorriam aqueles jogos de ténis, muito amadores, selectos e sociais. E concluiu o Nuno FO, que de exagerado não tem, que aí o jogo parou, até serem afastados (os contendores do sopapo) um do outro. O tempo suficiente para o Abreu (da Agência Abreu!!!) abandonar o recinto ficando o Pinto Leite (conhecidíssimo radiologista do Porto e pai de uns dez filhos!!!) a ver o resto da partida.

Em Miramar havia também o golfe, esse menos frequentado por nós, e quase só pelo Zico, que aliás chegou a ser seu Presidente da Direcção, do que muito se orgulhava. O Club de Golfe foi fundado nos anos 30, pouco depois do Parque da Gândara e se bem me lembro, entre outros, por Frank Gordon. O campo é pequeno, apenas de 9 buracos, mas muito bem cuidado e dele desfruta-se uma bela paisagem sobre as dunas e o mar.
Nessa altura, o golfe era considerado por nós, os rapazes, um desporto menor, de sociedade, pois não fazia músculo. O golfe era praticado pelos mais velhos, lembro-me do Xavier, do Mariani ou do Pablo Gali, mais por causa da barriga do que pelo desporto e ainda menos pela competição, assim pensávamos nós. Era para respirar o ar puro, dar umas voltas a pé e ao fim da sessão, um pouco cansados os velhotes, terminar no bar a beber um whisky ou uma cerveja, enquanto recordavam uma (boa ou má) pancada.
Não sei se o Zico enveredou pelo golfe, dada a experiência que trazia do hóquei em campo, que à mocada jogou com sucesso em rapaz no Leixões, suponho que chegou mesmo a ser convocado para a selecção para jogar contra a Espanha, mas por qualquer razão não pode ir, levando se necessário com uma bola na tola, dando uma sticada nas canelas, ou ficando com uma cicatriz no alto da testa.

Ó Nuno, de empanadas sabes mais alguma coisa de interessante, para além daquilo que a Paloma abundantemente já me disse? Ela não sabia nada até ontem à tarde claro, e por isso remeteu-me para umas pesquisas que efectuou, que parecem destinar-se mais a uma tese de mestrado ou doutoramento. Os argentinos (para onde os Espanhóis as exportaram) observam alguns cuidados com as empanadas. Escolhem em geral boa carne, cortam a peça em bifes, a seguir em finas tiras e depois picam com a faca, pacientemente. Desaconselham o uso de carne moída, porque seca rapidamente e requer mais gordura para o cozimento. Afinal, uma das características das melhores empanadas é o recheio húmido. Recomendam pegá-las com a mão. As bancas de jornais e revistas do país vendem um poster que difunde essa etiqueta. Uma das lições, sugere sacudir a empanada antes da primeira dentada, a fim de distribuir o suco no seu interior. (e este hein?) Para maior deleite, as pessoas devem estar sentadas. As mulheres, são aconselhadas a puxar as saias acima dos joelhos e os homens a abrir as pernas (tomem bem nota desta regra, minhas pudibundas senhoras…, Esposa, Manas, Filhas, Sobrinhas e clientes brasileiras) para o suco não escorrer e sujar a roupa. O deleite estende-se ao vinho. Segundo os argentinos, as empanadas de carne pedem companhia de um belo tinto de Mendoza.

Como disse, não quero fazer daqui um livro de recordações, mais ou menos grosso, qual sábio que pretende compilar a sua sabedoria, enquanto é tempo. Nem encontrar uma alternativa menor à fonte da juventude, qual ávido alquimista, à procura da transmutação do metal, da espécie ou da vida.
Nunca quis o Homem deixar-se enlear pelo poder, benefício duvidoso ou épico de não morrer jamais, ainda que de acordo com lendas tão moralizadoras como a dos jovens cristãos de Éfeso, ou tão amaldiçoados como o Judeu Errante, que foi castigado de modo a ter de viver pelos séculos dos séculos, além!
Algumas lacunas, no que se refere a pessoas queridas, surgiram nos últimos anos. Dentro de alguns anos mais, quantas outras? Como ia dizendo, afinal, aqueles de quem mais gostamos e mais gostam de nós, são os com quem passamos menos tempo.

Fleming de OLiveira

AS NOSSAS MEMÓRIAS FLEMING DE OLIVEIRA


(VI)




-ALÔ F.C.PORTO,
-DAQUI ALCOBAÇA !!!

Embora vivendo há cerca de 30 anos em Alcobaça, ao contrário do que acontece com Coimbra, onde vivi e estudei uns anos de Faculdade, nunca deixei de me considerar um a pessoa do Porto, o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias, como escreveu Sofia de Mello Breyner. Não esqueço onde se come bem e ao mesmo tempo são servidas doses abundantes, como na Adega Vila Meã ou no Ribeiro, restaurantes à moda antiga, que confeccionam o que de melhor há na comida portuguesa, como as pataniscas de bacalhau, o serrabulho (em Semana Santa, mais tarde com o Paulo), o cabrito assado, os filetes de polvo e, claro, as Tripas à Moda do Porto, que já têem uma Confraria para as defender. Mas não se esqueça ainda, que uma das especialidades do Porto, um dos seus ícones, são as francesinhas, cuja receita também evoluiu e agora já se serve com ovo a cavalo e batata frita ao lado a acompanhar.
Como não esqueço, por exemplo, a sofisticada Avenida Marechal Gomes da Costa, a rotunda que serve de antecâmara à Foz, aonde se situava o de saudosa memória Colégio Brotero, a Casa de Serralves, cor de rosa, onde viveu o Conde de Vizela, que mandava buscar um neto ao colégio, num carro deslumbrante, com motorista fardado a preceito (luvas incluídas).
Nesse tempo, eu e os meus amigos andávamos muito democrática e principalmente de Carro Eléctrico, que tomava junto ao colégio feminino da Nª Srª do Rosário, na Boavista, para ver a saída e fazer a boca, ir almoçar a Matosinhos, passeava pela Rua de Santa Catarina, passando ao lado do Majestic, que ainda conserva neste ano de 2004, a atmosfera aristocrática da Belle Epoque com os seus espelhos, dourados e sofás de veludo vermelho, que nem os célebres cafés da Áustria, dava uma saltada à Batalha, ia ao Palácio de Cristal ver os campeonatos do mundo em hóquei em patins com a Zica, ouvindo os épicos relatos do Artur Agostinho, tendo por perto a Torre dos Clérigos, o máximo em matéria de grandeza à beira da qual tudo empalidecia mesmo em Espanha, como se dizia, ao Jardim da Cordoaria (aonde existiu em tempos a infame árvore de forca) e a Cadeia (da Relação), então com presos atrás das grades, que estendiam a mão à caridade pública, e onde na cela 12 Camilo escreveu o Amor de Perdição, se encontrou com o Zé do Telhado, ultimamente tão falado na nossa RTP. Por fim, dirigia-me a pé ou de eléctrico à Estação de S. Bento, com o seu magnífico conjunto de azulejos azuis alusivos aos transportes e à nossa história pátria, para comprar bilhete e apanhar o comboio para Miramar, passando sempre algo receosamente sobre a Ponte D. Maria Pia, essa sim a projectada por Eiffel, entretanto desactivada, como se sabe.
Com os meus 12 a 14 anos, nunca fui precoce como sabem, já gostava de ver as meninas finas de pelos rapados debaixo do braço ou sem buço e boca pintada à mariline, como passava no catálogo das beldades que folheávamos gulosamente ou nos filmes do Trindade ou Coliseu e, desde que não quiséssemos armar ao pingarelho, se ficássemos pelas soquetes do primeiro ciclo, ainda conseguíamos alguns resultados, para na segunda feira por com a malta a escrita em dia, embora com algumas regadelas pelo meio. Histórias de passarinhos, dirão hoje. Cresceram? Envelheceram? Morreram? Rostos que se perderam na cidade e no País, como algumas que na altura nos pareceriam para sempre inesquecíveis e não entrariam no rol das desilusões da vida.
Como disse sou adepto do FCP, mas não obcecado. Não canto, mas gostaria de cantar, o hino que embalou a equipa para as mais recentes e retumbantes vitórias, de 2003 e 2004: Allez Porto, allez. Queremos esta vitória. Conquista-a para nós. Com o FCP, não propriamente com o Sr. Pinto da Costa, constatei, aprendi, que é possível vencer, desde que se trabalhe muito e bem não nos fiemos na sorte, só a arte triunfa!
Eça de Queiroz escreveu a propósito do Porto, Jesus! Que terra! Verdadeiramente inabitável.
Embora seja um dos meus autores preferidos, não o acompanho nesta máxima arrasadora.

Fleming de Oliveira