sexta-feira, 30 de setembro de 2011

UMA CARTA APÓCRIFA PARA A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE “EX-MILITANTE” DO MDP/CDE




Basílio Martins, foi protagonista de um incidente porventura lamentável, mas sem consequências.
Em 12 de Setembro de 1975, o Diário da Assembleia Constituinte publicou uma carta, lida no Período de Antes da Ordem do Dia, como tendo sido escrita por si:
Basílio José Martins, jornalista da Voz de Alcobaça, ex-militante do MDP/CDE, apoia a Assembleia Constituinte e repudia a conduta demagógica e antipopular dos membros do PCP e MDP/CDE.

Medeiros Ferreira, in História de Portugal, ed. Círculo de Leitores, defende que uma das principais discussões sobre o Regimento da Constituinte teve a ver com a existência ou não, da chamada Hora Prévia, em que se jogou a natureza política da Assembleia.
Isto relacionava-se com a questão das competências políticas gerais da Assembleia, em suma, de se defender como Octávio Pato, que se trata de uma mera Assembleia Constituinte e não um Parlamento, com outros objectivos. Esta carta de Basílio Martins, lida e registada no Período de Antes da Ordem do Dia, insere-se como uma manobra, embora apócrifa, de intervir no momento político. O mesmo Basílio Martins veio expressamente, a refutar a carta tendo solicitado de imediato o desmentido à própria Assembleia e a sua divulgação no jornal O Alcoa. O assunto teve nulo impacto local, apesar de, no dizer do visado, as reacções foram variadas. Uns-de cruz gamada no olhar vitorioso-acreditavam e sorriam satisfeitos; outros-seguros-disseram que já esperavam; outros ainda, achavam muito bem (até começaram a cumprimentar melhor…).


FLEMING DE OLIVEIRA

-MARCELO CAETANO, -HERÓIS DE ÁFRICA, -MONUMENTO AOS COMBATENTES NA BENEDITA



A vinda de Marcelo Caetano à Benedita, no ano de 1973 que referimos com algum detalhe na nossa obra NO TEMPO DE SALAZAR, CAETANO E OUTROS. Alcobaça e Portugal, constituiu um evento muito marcante, de modo que a Junta, entendeu, por bem, colocar um medalhão em bronze com a sua efígie, no largo principal, mandada fazer em Lisboa.
Mudaram-se os tempos e, portanto, as vontades, e em Março de 1975, com discrição, a Junta de Freguesia mandou retirá-lo do local. Durante a campanha para a Assembleia Constituinte, a placa da Rua Heróis do Ultramar, na Benedita, foi suja com tinta preta. Discutido o assunto em Assembleia de Freguesia foi decidido, por maioria, mandar pintá-la e manter o nome da rua.

Manuel Violante, então com 35 anos e já, como hoje, vendedor de calçado, mais conhecido como Gineto (palavra que de acordo com o dicionário corresponde a um animal carnívoro, semelhante à raposa), havia em princípios de Maio de 1975 feito em casa uma matança de porco, tendo solicitado ao amigo, Joaquim Carocho, dono de um talho, que lho desmanchasse. Quando ia levar o animal ao talho, viu dois homens, um com os pés em cima dos ombros do outro, a partir com uma picareta a placa da Rua Heróis do Ultramar, que já tinha sido vandalizada, tempos antes com tinta preta. Incomodado com a situação e a estupidez do ato, pois como muitos outros rapazes de Benedita e da sua geração prestara serviço militar em Angola, reprovou com veemência os indivíduos mas, como estava sozinho e sem ninguém à vista, resolveu ir ao Café do António do Carmo, pedir ajuda, o que não conseguiu, pois os presentes eram apenas uns velhotes, que jogavam a sueca.
Quando regressou ao local, já a pedra se encontrava partida, perante o ar espantado e também incomodado de algumas pessoas que, entretanto, haviam chegado a quem se foram rapidamente juntando muitas mais, dir-se-ia mesmo sem exagero umas centenas. Incapaz de se conter, o Gineto ainda tentou tirar desforço físico de um dos rapazolas, aos quais já se havia juntado um tal Adelino Nicolau, conhecido localmente pelo Manguinhas, que não tendo participado directamente no acto iconoclasta, fora sem dúvida o seu mentor. Mas os presentes supuseram ser este o autor material, pelo que o perseguiram, obrigando-o a refugiar-se no primeiro lugar que encontrou, o Café Talacha, cujo dono nada tinha a ver com o assunto e o repudiava, mas que mesmo assim, viu partida uma montra de vidro com o lançamento de um paralelepípedo. Como os ânimos continuavam cada vez mais exaltados, Luís Nicolau, o pai do Adelino Nicolau, decidiu telefonar para o RI 5, Quartel de Caldas, a pedir proteção para o filho, o que veio de certa forma a acontecer, tendo esse feito deslocar à Benedita, um jeep com uns três ou quatro militares armados, que todavia não precisaram de intervir, apesar de continuarem a chegar ao local cada vez mais pessoas, nomeadamente de Rio Maior.
Nessa noite, realizou-se um concorrido Plenário no Salão Paroquial, onde foi decidido recolocar na rua uma nova placa, a expensas dos vândalos/energúmenos, o que aconteceu no dia 1 de Junho de 1975.
O ambiente na Benedita passou a tornar-se tão difícil para o Adelino Nicolau, que foi viver para Lisboa e, ainda hoje trinta e cinco anos passados, só raramente vem à terra e envergonhadamente de fugida.
De acordo com José Vinagre, estes acontecimentos tiveram, localmente, bastante repercussão, pelo que o 25 de Abril tendo ali colhido de início bastantes adesões, passou a acarretar preocupações e reservas.

Nem sempre com a coerência e oportunidade desejáveis, o certo é que o MFA havia já emitido, a propósito de outra situação, que:

O MFA TUDO FARÁ PARA QUE OS HERÓIS NÃO SEJAM ESQUECIDOS

As Forças Armadas, não obstante se terem oposto à continuação de guerras no Ultramar, sentem-se frontalmente atingidas quando, de qualquer forma são visadas, através daqueles que, no campo da batalha, souberam cumprir o seu dever militar. O MFA vector dinamizador das Forças Armadas, e que com elas se identifica, não renega, não renegará, nem autorizará que sejam renegados os seus heróis do Ultramar. Pelo contrário, tudo fará para que não sejam esquecidos.

A 16 de Maio de 2010, mais de 35 anos passados sobre o fim da Guerra, foi inaugurado na Benedita um monumento ao Combatente do Ultramar (entre 1961 e 1974 foi cerca de um milhão de portugueses os que passaram como combatentes por África), numa cerimónia concorrida, representativa, digna e emocionante, onde este presente o Gen. Altino Pinto de Magalhães.
A conceção da obra de escultura, pelo jovem arquitecto beneditense Renato Franco da Silva, que apresentou à apreciação da Liga dos Combatentes (núcleo de Alcobaça), referia-se à construção de um monumento a edificar no largo do cemitério da Benedita. Aliás, no Concelho de Alcobaça existem outros memoriais, ainda que menos imponentes. Pelo País além, existem mais de cento e trinta.
Renato Franco da Silva, que nasceu quase com o 25 de Abril, e não passou pelo mato africano, apreendeu de uma forma notável, a importância do seu trabalho no contexto histórico nacional e local em que se ia inserir, e assim a frente/entrada do cemitério, as características naturais do terreno em declive, a orientação solar e as árvores foram factores determinantes para a execução do projecto. Formalmente a edificação apresenta uma forma paralelipipédica quase pura, composta por duas naves em paralelo na horizontal que acondicionam entre si uma passadeira em relvado que termina junto à base da árvore, existente, mais a nascente. O declive natural do terreno visa promover um afundar/sepultar natural dos blocos, terminando junto da árvore, central ao corredor, numa atitude de renascer, de ressuscitar, de esperança.
Os oito blocos que compõem as naves, quatro a cada lado, remetem a um formato tumular, sendo reforçada esta intenção pela aplicação dos símbolos de cada parcela do Ultramar Português:
1)-Angola, São Tomé, Guiné e Cabo Verde (a ocidente);
2)-Moçambique, Timor, Índia e Macau (a oriente).
A disposição dos mesmos, segue a ordem dos paralelos do Mapa-Mundo, com os símbolos gravados em relevo na pedra ou fundidos em bronze.
Nos oito blocos/túmulos aparecem também gravados os nomes das vítimas de combate, que pertenceram à Benedita, sendo a localização das gravações no centro no lado interior de cada bloco, respeitando o local de óbito.
Na pedra de fecho, elemento central, aparece a gravação de Monumento ao Combatente, em conjunto com o símbolo da Liga dos Combatentes. Nos topos nascente das duas naves poderão ser também gravadas inscrições alusivas à memória dos militares.



FLEMING DE OLIVEIRA

(II) O 1º DE MAIO DE 1975 EM ALCOBAÇA -Várias versões. -A festa era só para os escolhidos ?




Timóteo de Matos em diferentes momentos, veio a sofrer todas as punições constantes dos Estatutos do PC, excepto a da expulsão, certamente porque não tenho feitio para defender continuamente a opinião da maioria, só porque é a da maioria.
Só em Março do ano seguinte, voltou ao Partido, perante uma acesa discussão sobre a sua expulsão da Concelhia, reentrando pela mão de dois dirigentes do Comité Central, Osvaldo Castro e Lancinha, dirigente e homem de grandes qualidades, infelizmente já falecido e de quem vim a ser muito amigo e companheiro de muitas lutas e de alguns momentos de grande alegria. Voltei pois, cheio de força, de ideias e de ideais. Que diabo! Os tempos que se seguiram ao 11 de Março, eram necessariamente, para qualquer revolucionário, por mais ofendido que se encontrasse, tempos que não podia ignorar. Estar de fora nessas lutas, teria sido para mim inimaginável, embora deva confessar que nunca fui daqueles que confiavam que o socialismo fosse instalado em Portugal, assim já ali, ao virar da esquina. Sempre via (e ainda vejo) o PCP mais como um partido com uma influência decisiva na sociedade e na política portuguesa, mas muito mais no aspecto de não deixar descambar tudo para a direita, o que necessariamente aconteceria com o PS que temos, do que na assumpção do poder, num momento em que o capitalismo está por cima, pesem embora os óbvios disparates e manigâncias em que cada vez se enterra mais, na ânsia de sobrevivência.
A partir daí, e durante cinco ou seis anos, manteve-se em bastante actividade, tendo chegado a membro da Comissão Nacional de Desporto.
O PC, no Concelho de Alcobaça, atingiu, no seu melhor momento, os cerca de duzentos e cinquenta militantes, com considerável força no norte e centro e muito pequena no sul do Concelho onde, especialmente nas freguesias da Benedita, Turquel e Vimeiro, ser comunista equivalia a ter problemas no dia a dia.
Depois do 11 de Março, as nacionalizações, a reforma agrária, manifestações gigantescas e o PREC, a luta entre a direita e a esquerda agudizaram-se. É opinião de Timóteo de Matos, agora de conteúdo muito benévolo/reciclado, enfim cauteloso e politicamente correcto, que em todos os casos em que duas facções entram em confronto, a razão deixa frequentemente de imperar e as respostas são, muitas vezes, desproporcionadas em relação às acções que pretendem combater. Em Portugal, a linha do PC em relação à PIDE e ao fascismo em geral, sempre foi, após o 25 de Abril, a da defesa do julgamento justo e não a da vingança. Substituir, nos comícios, a palavra de ordem MORTE À PIDE! por JUSTIÇA! foi coisa que a extrema-esquerda nunca pode tolerar e que a maioria dos militantes comunistas tiveram dificuldade em engolir.
Timóteo de Matos justifica-o, porque acabava-se de ver o que ocorrera no Chile de Allende, onde a extrema-direita tinha perseguido selvaticamente os elementos da esquerda e os democratas em geral, os comunistas portugueses, ou melhor, alguns deles, não deixaram, aqui e ali, de responder com violência às provocações e, por vezes, serem eles próprios a iniciarem-nas. Mas pode dizer-se que, na Revolução Portuguesa, os que estavam do lado dos vencedores levaram mais do que deram.
Logo no 1º de Maio de 1975 as coisas azedaram.
Estava marcada uma manifestação, pelas ruas de Alcobaça, integrada numa festa na Praça D. Afonso Henriques, com razoável número de presenças e em que recordo que o actor José Viana foi um dos animadores. Da Praça partia-se para a manifestação, junto ao Café Trindade e à então sede do PPD. Como é sabido, nestas manifestações, o colorido de bandeiras e faixas tem papel primordial, em conjunto com as palavras de ordem que se gritam e o número de manifestantes. E lá estavam as bandeiras de alguns sindicatos, de alguns partidos de extrema-esquerda, também do PS e grande quantidade do PC. Aconteceu então descerem da sede do PPD com o fim de se integrarem na manifestação com outros manifestantes da sede do seu partido, Gonçalves Sapinho com uma bandeira nacional e Fleming de Oliveira empunhando a do PPD. Fruto do acaso, a distribuição das bandeiras? Ou “ratice” maior de Gonçalves Sapinho? O que é certo é que a presença da bandeira do PPD foi contestada imediatamente por parte do funcionário do PCP (Manuel Beja) que se atribuía o papel de comandante da manifestação e que era portador de um megafone para melhor iniciar as palavras de ordem. Não estavam pelos ajustes os do PPD e travaram-se de razões os de um e outro lados. Razões de rua, bem gritadas, mal ouvidas, as coisas aqueceram e o megafone experimentou a dureza de duas ou três cabeças. Lembro-me que o principal agredido foi o Dr. Fleming. Não me recordo, mas estou em crer que a bandeira se manteve na manifestação, até ao fim.
Manuel campos, inscrito no MDP/CDE, mas sem renegar totalmente o Estado Novo, reconhece que neste 1º de Maio, houve turbulência em Alcobaça, que não aprovou. Não participou na manifestação, tendo-se limitado a assistir do passeio, mas destaca o momento em que viu um grupo no qual seguia à frente o dr. Fleming, com uma bandeira do PPD, se ter envolvido em desavença com outro afecto ao PC.
Quanto aos acontecimentos com Natália Evangelista, embrulhada na bandeira laranja e correndo ao longo da rua, não se apercebeu de nada, mas ouviu falar deles.
Com a finalidade de esclarecer a opinião pública sobre a verdade das comemorações do 1º de Maio em Alcobaça, que alegadamente deveriam ser de concórdia e unidade entre os trabalhadores, independentemente do credo político, a Secção de Alcobaça do PS, veio a público informar que este foi contactado no sentido de organizar com o PC e o MDP/CDE, os respectivos festejos. O PPD, obviamente, não foi convidado, o que não o impediu de comparecer na festa. O PS defendeu que as comemorações deveriam ser apenas obra dos trabalhadores, levada a cabo por intermédio dos sindicatos, embora com o apoio dos partidos, que participando, não deveriam assumir a direcção dos trabalhadores. Acontece que acabou por não ser esse o entendimento que prevaleceu pelo que só o respeito pela classe operária, impediu que, pelo menos, no seu dizer o PS não abandonasse a organização.
O PS informou os alcobacenses que discordou da instalação de stands dos partidos com fins lucrativos, aliás no seu stand apenas foram distribuídos cravos vermelhos, e alertou para o perigo que poderia resultar da inclusão de bandeiras partidárias no desfile. O PS tinha razão e o mau exemplo não lhe pode ser imputado.
As comemorações foram, enfim, programadas nas costas do PS, sendo a reunião uma mera e vazia formalidade, pois que terminou na madrugada do dia 29 e o programa deu entrada na tipografia na manhã desse mesmo dia.
Tudo isto acarretou, segundo o PS, graves incidentes, imputados à cegueira partidária de alguns como PC e MDP/CDE.

FLEMING DE OLIVEIRA

(I) O 1º DE MAIO DE 1975 EM ALCOBAÇA -Várias versões. -A festa era só para os escolhidos ?




A 1 de Maio de 1975, os Bombeiros Voluntários de Alcobaça, fizeram 87 anos de vida, pelo que organizaram um vasto programa que abrangia uma romagem ao cemitério, projecção de uns filmes com uns incêndios em que intervieram, baile, almoço-convívio, homenagens e a apresentação de uma nova ambulância. Ao mesmo tempo ficou a saber-se que se pretendia organizar um Corpo Feminino Auxiliar, aberto a meninas e senhoras com mais de 14 anos, indo começar em breve a instrução das primeiras aderentes.
Nesse dia a festa política, em Alcobaça, era só para alguns, pois o PC, MDP/CDE e outros, os organizadores da festa, não queriam a presença dos populares-democráticos, quer no comício da Praça D. Afonso Henriques, quer no desfile, muito menos aos portadores da bandeiras laranja.
Logo de manhã, a população de Alcobaça foi acordada pelo som estridente do foguetório lançado do Castelo e pela animação das bandas de música da Vestearia e da Maiorga, a desfilar pela rua.
Vamos ou não participar no desfile?
Como sempre, as questões discutiam-se na sede do PPD, como em plenário improvisado, pelo que após acalorado debate, em cima da hora, com as manifestações já a decorrer, foi decidido que o PPD, depois de grande instigação de Silva Carvalho e do casal Evangelista (Natália Evangelista saiu a empunhar uma bandeira do PPD, o que lhe acarretou momentos de glória quando alguém a quis tirar-lhe), e não obstante os apelos à moderação de parte de Gonçalves Sapinho, iria integrar o desfile, ainda que sujeito ao risco de uns mimos verbais e físicos, como aliás veio a acontecer, com Natália Evangelista e Fleming de Oliveira. Ao fim e ao cabo, à escala de Alcobaça, expressavam-se contradições de um processo que teve o seu ponto mais elevado no Estádio 1º de Maio, em Lisboa. Na verdade, ocorreram lá confrontos graves entre grupos de manifestantes alinhados com a Intersindical, que reclamavam a unicidade, a exclusiva representação dos trabalhadores e os defensores de um sindicalismo livre, com destaque para Mário Soares, Salgado Zenha e o PS. Os dirigentes do PS foram impedidos de entrar na tribuna do Estádio por militares e pelo PC. Como que à moda das claques de futebol, gritava-se do lado do PS socialismo sim, ditadura não e do MFA e PC socialismo sim, vigarice não.
(...) Quando Mário Soares, com Salgado Zenha e outros dirigentes do PS, se dirigiu à tribuna do Estádio 1º. de Maio, onde decorriam as festividades e onde se comemorava o que ali tinha acontecido um ano antes, não o deixámos entrar na tribuna. (...) Ele não ia entrar no palco para falar no Estádio 1º. de Maio. Aquele povo era nosso, e nós precisávamos dele. Na tribuna estavam, entre outros, o Presidente da República Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, para além dos dirigentes da Intersindical. Na véspera, o governo tinha aprovado o decreto da unicidade sindical. (...) Eles tinham chegado com a manifestação dos que não queriam a unicidade sindical. (...) Quando Mário Soares, com Salgado Zenha e outros dirigentes do PS, se dirigiu à tribuna do Estádio 1º. de Maio, onde decorriam as festividades e onde se comemorava o que ali tinha acontecido um ano antes, não o deixámos entrar na tribuna. (...) Ele não ia entrar no palco para falar no Estádio 1º. de Maio, cfr. Zita Seabra in Foi Assim.

Ao cair da tarde, em Alcobaça, lambidas algumas feridas e com os ânimos mais serenados, houve um espectáculo de variedades com um José Viana engagé, Ermelinda Duarte, Uma gaivota voava, voava, e a estreia da Orquestra Típica da Maiorga, sob a regência do Maestro Ricardo Cunha.
A Comissão Política Concelhia de Alcobaça do PPD, reuniu e emitiu um seguinte comunicado, pleno de expressões ideológicas, bem de acordo com a terminologia da época:

A RAZÃO DA FORÇA SUBSTITUI A FORÇA DA RAZÃO

Dominada por forças partidárias, comemorou-se também em Alcobaça, o 1º de Maio, a Festa dos Trabalhadores, monopolizada pelos apregoados antimonopolistas PC, MDP/CDE. O PPD de Alcobaça, consciente da sua responsabilidade e do apoio que o eleitorado inequivocamente lhe conferiu no País e, nomeadamente, no Distrito e no Concelho, pretendeu sem reservas, associar-se às manifestações, apesar de ter conhecimento prévio que a sua presença seria contestada por tais anti monopolistas PCP e MDP/CDE. Durante o comício que inaugurou as cerimónias, pelas 15 horas, com a presença do MFA, não se registaram incidentes, tendo estes surgido apenas durante o desfile que percorreu as ruas da vila. Inicialmente, verificaram-se insultos vários a militantes do PPD, os quais atingiram o ponto máximo diante do edifício da Conservatória do Registo Civil. Ali, as forças anti-democráticas organizaram o ataque físico comandado com altifalantes. Usando o microfone como arma, um destacado membro do PCP local, agrediu um militante do PPD o que fez também a soco e a pontapé. Dois militantes do PPD vieram a ficar feridos, tendo um deles ido receber tratamento no Hospital desta Vila. Pensamos que estas forças antidemocráticas agem apenas movidas por despeito e que a única via que se lhes oferece, e que aproveitam, é a razão da força. E isto tem de ser definitivamente desmascarado pelos verdadeiros democratas que só aceitam a força da razão.
ABAIXO O SOCIAL-FASCISMO!
ABAIXO A DITADURA!
VIVA A SOCIAL-DEMOCRACIA!
VIVA PORTUGAL!

De acordo com o Voz de Alcobaça, as coisas não se passaram assim. A festa foi muito solidária, abrangente e agradável, para um dia recordar com muito afecto. Bandas na rua, um comício, uma manifestação, uma tarde de pintura infantil, vários espectáculos e muitas horas de confraternização popular, assim foi assinalado o 1º de Maio de 1975, em Alcobaça.
Este programa foi organizado pelo PC, PS e MDP, correspondendo a um apelo da União dos Sindicados do Distrito de Leiria. No comício, que teve lugar pelas 15h, falaram Armando Correia, pela União dos Sindicatos Livres do Distrito de Leiria, Basílio Martins, do MDP/CDE, Rui Alexandre, do PC, Joaquim Matias Ferreira, do PS e Ten. Carvalhão, em representação do MFA.
Gilberto de Magalhães Coutinho, defendeu anos mais tarde que, na época, as coisas viviam-se muito intensamente, com paixão, e às vezes surgiam aqui e acolá excessos, comportamentos menos serenos, palavras menos correctas. Mas o panfletário/esquerdista Voz de Alcobaça, nas suas notícias passava ao lado desses pequenos pormenores.
Vergílio Ferreira, numa carta a Vasco Gonçalves, após as acidentadas comemorações do 1º de Maio de 1975, criticou a tese de contrapor uma cultura elitista a uma cultura popular, pois que cultura é uma só.
É bom que assim seja, para que nela ao menos nos sintamos irmãos e o povo tenha acesso ao que foi dos privilegiados.

(CONTINUA)


Fleming de OLiveira

O COMDT. RAMIRO CORREIA VAIADO EM ALCOBAÇA -AS CAMPANHAS DE DINAMIZAÇÃO CULTURAL




Em meados de Maio ou Junho de 1975, o Comdt. Ramiro Correia, devidamente fardado e na companhia de mais dois camaradas, passou a meio da tarde por Alcobaça, de ou para Lisboa, ocupando um Volkswagen preto, e cujo motorista não abandonou, e entrou no Café Trindade, para tomar um café.
Por acaso, cruzou-se com Carvalho Lino. Em breve, juntaram-se à porta alguns populares, que começaram a mimosear aquele militar, com impropérios e gestos obscenos. As pessoas reconheceram ali o rosto das Campanhas de Dinamização CulturallAcção Cívica do MFA e Ramiro Correia, esse generoso Capitão de Abril, o comandante-médico que até fazia versos (…) no dizer de Vasco Gonçalves e que em Caldas da Rainha tinha um excelente e dedicado seguidor, o Cap. Gonçalves Novo.

No sentido de orientar as massas trabalhadoras no sentido do marxismo, a 5ª Divisão do EMGFA, promoveu uma ampla acção de dinamização cultural que teve início em finais de 1974 e se prolongou pelo ano seguinte. Tal ação estendeu-se por todo o país, nomeadamente rural, dinamizada por um conjunto de oficiais e soldados conotados com a ala radical do Movimento, e pretendia incutir na população, a necessidade da revolução assumir um cunho marxista, no estilo de uma democracia popular.
Depois de expulso do Conselho da Revolução e de lhe ter sido retirada a direcção da 5ª Divisão, foi desgraduado do posto de capitão-de-mar-e-guerra por Portaria do Conselho da Revolução, em 21 de Outubro de 1975. Poucos meses depois deu-se o 25 de Novembro e a Codice - Comissão Dinamizadora Central, estrutura da 5ª Divisão, foi extinta, juntamente com as últimas e desacreditadas campanhas de dinamização.
Malquisto pelo poder saído do 25 de Novembro, e depois de uns meses durante os quais escreveu o panfletário MFA e Luta de Classes, Ramiro Correia e família seguiram para Maputo onde foram colocados, ele e mulher, médicos, no Hospital Central, pois que Moçambique aparece-me no horizonte como experiência de solidariedade internacional.
Para muitos portugueses, Ramiro Correio continua conotado com as despudoradas lavagens ao cérebro, denominadas Campanhas de Dinamização Cultural, promovidas pela 5ª Divisão do EMGFA, em colaboração com a Direcção-Geral da Cultura e Espectáculos.

Vasco Gonçalves, enquanto Primeiro-Ministro e seu protetor, entendia que um dos principais objectivos desta iniciativa era levar os militares, o MFA, às populações e apoiá-las no desenvolvimento, nas tomadas de consciência dos problemas que elas tinham. (…) Pretendíamos, sobretudo, transformar as ideias de fundo dessas populações. Não pretendíamos transformar essas populações em socialistas ou em comunistas. Queríamos transformá-las em gente democrática, gente aberta a analisar as situações e arrancá-las de toda aquela carga de fascismo que durante 48 anos tinha pesado sobre elas.
Os alcobacenses que se juntaram à porta do Café Trindade não esqueciam uma presença recente na RTP, com Ramiro Correia a explicar que a alcatifa em casa, o carro ou o frigorífico eram bens de luxo com que a burguesia untava a sua ganância de classe e que, em consequência, havia que a punir de todas as maneiras e feitios, inclusivamente a maneira fiscal.
Mas ele era como Frei Tomás...

Num dos cartazes que desenhou, João Abel Manta pareceu representar a esperança e a confiança que Vasco Gonçalves depositava na iniciativa, ao atribuir-lhe uma centralidade no célebre cartaz MFA-Vasco-Povo-Povo-Vasco-MFA (1975), onde surge ladeado por duas figuras híbridas, meio soldado, meio povo, reforçadas pela frase Força, Força Companheiro Vasco/Nós Seremos a Muralha de Aço. Vasco Gonçalves referindo-se a este cartaz disse que o cartaz é muito terno, eu era o companheiro Vasco, mas para certo sector da população, não para o país.


FLEMING DE OLIVEIRA

UM DOUTOR GANHAR O MESMO QUE UM CAVADOR ? -NEM NOS NOVOS TEMPOS




Altino do Couto Ribeiro, natural de Alcobaça, aonde nasceu há mais de 90 anos, fez a sua vida pessoal e profissional em variados locais, desde Alpedriz, Caldas da Rainha e Coimbra.
Quando ocorreu o 25 de Abril, era proprietário de uma empresa de cerâmica, a ALTICOR, Ldª, com sede em Alpedriz, que chegou a ter ao serviço 54 trabalhadores e manteve até 1981, altura em que a vendeu e se reformou.

Embora o seu grande prazer, fosse a pesca desportiva de mar, foi na cerâmica que desenvolveu a atividade profissional. Trata-se de uma personalidade interessante, a quem já nos referimos, com algum detalhe, na obra No Tempo de Salazar, Caetano e Outros. Alcobaça e Portugal. Grande conversador e contador de histórias, gosta de relembrar alguns episódios insólitos, absurdos ou impensáveis, ocorridos nos tempos do PREC, na sua condição de empresário.

Pouco depois de 11 de Março de 1975, no meio da euforia exaltante que se vivia, Altino Ribeiro passou a frequentar regularmente a Delegação do Ministério do Trabalho, em Leiria, quer por força da ação da Inspeção, quer pela menos boa ou leal ação de alguns delegados sindicais, que se pretendiam intrometer na empresa. Esta era considerada por empresários ou trabalhadores, como modelar no distrito, graças à mecanização, bom gosto e qualidade dos artigos.
Mesmo assim, Altino Ribeiro recebia com frequência avisos postais, para comparecer na Delegação do Ministério do Trabalho, para tratar de assuntos do seu interesse. Normalmente essas convocatórias eram para meio da manhã, e prolongavam-se, sem vislumbre do termo para a parte da tarde, com os incómodos e despesas inerentes.
No dia-a-dia, de manhã antes de sair de casa, Altino levava consigo o almoço numa marmita que aquecia e tomava com o demais pessoal, no respetivo intervalo. Em Leiria, quando tinha que almoçar, frequentava o Capelinha do Monte, perto do Hotel Lis. Num determinado dia, pouco depois de 11 de Março de 1975, estando em Leiria, por solicitação do Ministério do Trabalho numa reunião inconclusiva e infindável, teve que ficar para almoçar, o que fez no referido restaurante. De outras vezes que lá esteve, conhecia de vista um senhor que normalmente almoçava sozinho, e que ouvia tratar por doutor, que soube ser da Vieira de Leiria, embora desconhecesse, concretamente, quem era e a profissão. Quando chegou naquele dia, o restaurante estava quase cheio, pelo que apenas encontrou disponível uma mesa de canto, aliás perto do referido doutor.
Entretanto, chegou uma cinquentona com uma molhada de papéis que, na falta de outro lugar, pediu licença para se sentar à mesa, ao que ele anuiu. Sobre a mesa e com à vontade, colocou os papéis que trazia espalhando-os desajeitadamente. Sem que Altino se tivesse apercebido do que ambos haviam conversado, notou que o doutor se levantou de repente e irritadíssimo, tanto mais que a cadeira aonde estava se virou no chão, e em voz alta começou a barafustar: Ganhar o mesmo que um cavador? E a mim quem me paga o tempo que gastei a queimar pestanas e a estudar ao longo da noite?
Altino e os demais comensais, estupefactos, perceberam que a dita senhora, aliás bem conotada politicamente, terá dito que um doutor deveria ganhar o mesmo que um cavador, pois ambos tem barriga e família para cuidar.
Ao mesmo tempo que barafustava, o doutor fazia manguitos, e virado para a senhora, dizia-lhe toma, toma, ora toma !
Esta, talvez surpreendida pela reação, calou-se, e não pronunciou mais qualquer palavra. Mesmo antes de ter terminado o almoço, o doutor pagou a conta, foi-se embora e, tanto quanto Altino apurou, nunca mais aquele voltou ao restaurante.
Pessoas que estavam presentes, imediatamente passaram a comentar entre si com um certo ar de censura, que o doutor não se tinha ainda ajustado aos novos tempos que se viviam…


FLEMING DE OLIVEIRA

SANEAMENTOS NO PC DE ALCOBAÇA-1974/1975 -LCI, revisionistas, estalinistas e afinal vamos aos copos.





Terminados as festivas e unitárias comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio de 1974, arrancou em força e no terreno, à luz do dia, a organização do PC, a nível nacional e em Alcobaça onde, no início do Verão, se fez um comício no Cineteatro.
Abriu uma sede no local onde ainda hoje se mantém, por cima da Farmácia Campeão, e a Comissão Concelhia começou a funcionar em pleno, incumbindo Timóteo de Matos de superintender na angariação de fundos e na organização da célula dos professores. O seu controleiro, expressão que vinha do tempo da clandestinidade, era o corpulento Manuel Beja. Embora tendo passado a ser funcionário, Beja nunca conseguiu libertar-se de ser, afinal, um simples controleiro. Para ele, Timóteo de Matos, não passava de um intelectual o que, à data, não era cartão de apresentação no Partido. O PC, não dispensava, mesmo em democracia o controlo, pois a confiança foi sempre um problema difícil de resolver, dado não ser fácil confiar em absoluto em alguém. O Verão de 1974 passou-se entre lutas verbais com a direita, que em Alcobaça era representada pelo PPD, pois o CDS estava ainda em gestação, com algum PS e extrema esquerda, constituída por uma infinidade de partidos, aliás pouco representativos e efémeros, como FEC (ML), LUAR, AOC, OCMLP, UDP, MRPP, LCI, MES.

Foi no fim desse Verão que as coisas se começaram a complicar entre Timóteo de Matos e a estrutura local do PC. Na primeira reunião da Comissão Concelhia, após 28 de Setembro, Timóteo de Matos acusado pelo controleiro, de se ter alheado dos acontecimentos, foi afastado da comissão local.
Não surtiu efeito a sua defesa e, humilhado, sobretudo porque não correspondia à verdade, teve de abandonar a Comissão Concelhia com efeitos imediatos, o que significou o abandono, também imediato, da própria reunião em que estava a participar.
Saiu da sala, desceu as escadas em direcção à rua e logo no primeiro patamar, quem havia de encontrar, subindo em sentido contrário, e com ar decidido?
Os seus amigos José João Costa e Rui Perdigoto (hoje médico e Professor).
-O que é que querem daqui?
-Olha lá, não chateies! Vimos, em representação da LCI, protestar contra a provocação dos teus camaradas.
-Não digam disparates. Em Alcobaça vocês os dois não representam a LCI. Vocês são a LCI.
-Olha-me este provocador! Arreda lá, que a gente quer subir e esfregar este cartaz no focinho dos teus camaradas!
-Lá em cima? Querem mas é levar na tromba, é o que é! Não vale a pena subirem! A concelhia está em reunião.
-Em reunião? Se a concelhia estivesse em reunião, também tu lá tinhas de estar.
-Fui expulso…
-O quê? Do Partido!?
-Não! Só da concelhia!
-Espera aí…

Um sorrisinho maroto desenhava-se na cara espantada do Zé João, enquanto o Perdigoto olhava, parado e incrédulo.
-Verdade? Estás mas é a gozar!
A cena era surrealista.
Na verdade os dois decididos ativistas, empunhando o resto de um cartaz da LCI, arrancado de uma parede, tendo por cima colado um outro resto de um cartaz do PC, pretendiam ir à sede (Centro de Trabalho) fazer uma entrada triunfal, com piropos do género estalinistas de merda!
E ali estava eu pior que estragado, o suposto estalinista, acalmando os intrusos, meus amigos que se regozijavam com a minha expulsão e a quem eu tentava livrar de uma mais que certa capoeira de murros, já que, conhecendo-os como conhecia, sabia que, tendo já no bucho umas boas imperiais, não se calariam e iriam por ali a fora com doses de impropérios e provocações redobradas. O mais certo era descerem as escadas com ajuda e não por vontade própria e, por isso, lá lhes fui dizendo que esquecessem o Trostky e o Estaline e que o melhor era descermos os três e irmos ao Luís, da Piçarra, enxugar mais umas canecas.
E assim fizeram, especialmente porque a curiosidade e sede eram grandes.
Como é que é isso de um gajo ser expulso da concelhia?
Estalinistas de merda! Expulsarem o meu amigo…, insurgia-se o Zé João, disposto a subir de novo as escadas, animado de enorme fervor militante.

A Liga Comunista Internacionalista (LCI), fundada em 1973, tendo como primeiro líder João Cabral Fernandes, considerava-se como a secção portuguesa da IV Internacional, de cariz trotskysta e esteve mais tarde na génese do Partido Socialista Revolucionário. Nunca soubemos, porém, para além de uns chavões, o que é que Rui Perdigoto e companhia pensavam, diziam ou queriam. Será que eles próprios tinham mesmo alguma ideia?

O que pensavam sobre Estaline, que matava os adversários reais ou imaginários, para atemorizar e servir de exemplo? Ou Krutchov, que depois de eliminar Beria, prendia-os, embora tenha implementado formas de perseguição e tortura, supostamente, mais moderadas? É certo que para Perdigoto, mais tarde conceituado médico e realinhado com o PSD, ainda não tinha chegado o tempo de Breznev, que inventou os asilos psiquiátricos para curar os dissidentes. Pois, como é que, sem profundas perturbações mentais, se podia negar a realidade prodigiosa do socialismo, a magna sabedoria dos líderes, a inquestionável racionalidade do comunismo? Só um louco, demente, doente, podia repudiar a força do Sol da Terra, Os Amanhãs que Cantam?
Logo o lugar desses marginais era o manicómio.
-Deixa-te disso, pá! Anda daí!, retorquiu-lhe Timóteo de Matos, tentando evitar o escândalo.
-Bem, que se f…!
E lá seguiram os três, rumo às imperiais, porque um militante, nem por isso deixa de ser um apreciador de um bom copo. E, ao passar pelo caixote do lixo, já entre o apaziguado e o curioso, virou-se o Zé João para o Perdigoto:
-Dá cá essa porra !
E, com ar muito teatral, atirou ao caixote os pedaços rasgados, ao mesmo tempo que, displicente, ruminava um que se f… o cartaz.

E viva os copos!

Fleming de OLiveira