sexta-feira, 27 de abril de 2012
Fleming de Oliveira - Nota Biográfica
Nasceu no Porto, a 22 de Fevereiro de 1945.
Licenciou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 15 de Novembro de 1969.
Foi Sub-Delegado do Procurador da República, no Tribunal Cível do Porto, Delegado do Procurador da República nas comarcas de Vila Franca do Campo (interino), Cinfães e Arraiolos.
Casou-se em 21 de Fevereiro de 1970, no Mosteiro de Alcobaça, com Ana Maria Salgueiro Pereira de Magalhães, professora do ensino secundário, licenciada em Direito, de quem tem três filhos e quatro netos.
Prestou serviço militar na Guiné, como Alf. Mil. Inf. e no Qartel General do C.T.I.G., em Bissau (Serviço de Justiça).
Em Bissau, começou a exercer a Advocacia, tendo sido Advogado da respetva Câmara Municipal.
No ano de 1973, pediu a exoneração do Ministério Público, e inscreveu-se na Ordem dos Advogados.
Desde 20 de Abril de 1974, reside em Alcobaça, para onde veio trabalhar, como Advogado, no escritório de seu sogro Dr. Amílcar Pereira de Magalhães.
Foi eleito, em listas do P.S.D., Substituto Legal Vice-Presidente da C.M.A., entre 1976 e 1979, Presidente da Assembleia Municipal, no triénio seguinte, Deputado à Assembleia da República, em 5 de Outubro de 1980, Deputado Municipal em 1985, e líder da respectiva bancada.
Colabora, regularmente em vários jornais da região de Leiria e Alcobaça e em revistas nacionais.
Exerce (não remuneradmente) a docência na USALCOA e realiza palestras e conferências, sobre temas históricos.
Foi fundador e autor dos Estatutos de algumas entidades do Concelho de Alcobaça e ainda fundador do P.S.D. (Leiria e Alcobaça).
Exerce a Advocacia há mais de 35 anos, num escritório que pertence hoje em dia conjuntamente ao Dr. Luís Pessoa Gaspar, que também tem escritório na Figueira da Foz, tendo trabalhado para algumas das principais Empresas privadas e Instituições Públicas do Concelho de Alcobaça.
É autor de três livros:
-No tempo de D. Pedro, D. Inês e outros. Histórias e Lendas que o tempo não apagou.
-No tempo de Salazar, Caetano e outros. Portugal e Alcobaça.
-No tempo de Soares, Cunhal e outros. O PREC também passou por Alcobaça
quinta-feira, 26 de abril de 2012
ENTRE POLÍTICOS E TECNOCRATAS, O CERTO E O ERRADO…
Fleming de OLiveira
Não que a História se repita, mas os interesses dos que declararam o Fim das Ideologias, permanecem os mesmos.
Em 1959, o norte americano de Harvard, Daniel Bell escreveu The end of ideology, onde aponta o esgotamento das ideologias, face ao sucesso do capitalismo liberal e o fracasso do comunismo, muito especialmente perante a recuperação da Europa (capitalista) após a II Guerra.
No entanto, o otimismo desses intelectuais e seus seguidores, foram abalados na década seguinte, com o sucesso da adesão de Cuba ao tipo soviético, as revoluções em África e Ásia (decorrentes do processo de descolonização) e os movimentos sociais, em particular dos estudantes, destacando-se obviamente o Maio de 68. Direta ou indiretamente esses movimentos questionavam o modelo capitalista e muitos deles ocorreram nas grandes praças do capital.
Na década de 70, os Estados Unidos deixaram o Vietaneme sem a glória de uma vitória e a expansão do modelo soviético, forçaram um discurso não redutor, reconhecendo a existência de mais uma força, além das duas tradicionais.
Mais tarde, voltamos a confrontarmo-nos com aq defesa da mesma tese, o Fim das Ideologias, na visão precipitada pela queda do Muro de Berlim, a desagregação da URSS e o seu bloco. Ao mesmo tempo, aquela associou-se à expressão o Fim da História, que aparece num artigo do norte-americano Francis Fukuyama, que posteriormente veio a desenvolver em O Fim da História e o Último Homem. Segundo Fukuyama, o capitalismo e a democracia (burguesa/formal), constituem o coroamento da História da Humanidade, que teria atingido o topo evolutivo, salientando que o liberalismo superou, com sucesso, as dificuldades e obstáculos, nomeadamente o fascismo e o socialismo.
Entre parentesis, refiro que entendo ser um equívoco, colocar fascismo e socialismo em campos opostos, pois o fascismo foi uma forma de governo que se desenvolveu no interior de estruturas capitalistas, serviu os interesses de grandes corporações e por isso, as suas expressões e métodos, anti liberais. Por outro lado, o socialismo (científico) não é apenas uma forma de governo, mas um sistema acabado, com concepções políticas, económicas e sociais.
Mais do que defender a democracia e o liberalismo, faz-se com o Fim das Ideologias, a defesa do capitalismo.
No entanto, como defender a excelência do liberalismo, do ponto de vista político e económico, se dele estão excluídos mais de dois terços da população mundial, enquanto se não desenvolver um pensamento que não se contente com a aparência dos fenómenos históricos e se preocupe mais em questionar a essência contraditória da realidade social, aberta à possibilidade da emancipação e transformação do mundo?
Foi nos anos trinta do século XX que surgiu, nos Estados Unidos, a ideia de tecnocracia, como forma acabada e perfeita de organização da sociedade, ao admitir-se que a economia poderia passar a ser dirigida por técnicos e organizadores, independentes dos proprietários ou políticos, mas que não teve seguidores no Portugal corporativo.
O fenómeno, a que não foi imune o próprio estalinismo, transformou-se, pelo menos no Ocidente (aqule que conhecemos por experiência), numa ideologia que se radica no reservar um lugar central ao fenómeno económico, à sua construção e articulação em função da vida económica, com justificação na eficácia, na descoberta de soluções ótimas no campo do bem-estar social, mediante o emprego dos métodos das ciências físicas. Ao mesmo tempo, assegura confiança na técnica da planificação, para regulamentar e desenvolver a economia. Marcelo Caetano, com o seu Estado Social, terá ensaiado alguns pequenos passos.
Segundo alguns pensadores, a relação entre o saber, a ciência e o político pode ser encarada de forma decisionista, tecnocrática ou pragmática. No modelo decisionista, os políticos conservam fora dos âmbitos da praxis coactivamente racionalizados uma reserva em que as questões práticas devem continuar a decidir-se por meio de actos de vontade. O modelo pragmático considera que há uma comunicação recíproca, onde os peritos aconselham os políticos que, por sua vez, os encarregam, segundo as necessidades. No modelo tecnocrático, os peritos são os verdadeiros soberanos e os políticos apenas tomam decisões formais.
As máquinas apresentam-se com belas roupagens, aparecem como instrumentos de libertação do suor do trabalho, facilitando múltiplos afazeres. É como se houvesse, finalmente, lugar à redenção da conhecida e inequívoca maldiçao divina: Com o suor do teu rosto comerás teu pão.
Com este o avanço, não é mais preciso suor, nem esforço por parte dos homens, a máquina faz tudo. Soma-se a isto, outra benção da tecno–ciência, com as suas descobertas que prolongam a vida. A morte é sucessivamente postergada, já que, mesmo nos países subdesenvolvidos, aumenta substancialmente a expectativa de vida. É claro que não temos nenhuma intenção de negar o valor e a dignidade de todas as descobertas técnicas e científicas que, desde a gênese da modernidade, tem auxiliado o desenvolvimento da sociedade ocidental.
Por mais que queiramos fechar os olhos perante os grandes fatos da história contemporânea, é impossível não enxergar tantos fatos que mostram o paradoxo existente da cultura tecno-ocidental como as múltiplas bênçãos advindas do avanço tecno-científico que não levaram, necessariamente, e o ocidental a realizar-se como pessoa. Pelo contrário, a corrida pelo progresso devastou culturas, tradições, chacinou uma multiplicidade de ecossistemas e reduziu o homem a uma peça na engrenagem das indústrias, fábricas, órgãos do governo, etc. Tudo isso em nome do projeto sócio-cultural tecno-científico.
Alguns paises europeus estão a seguir este caminho, uma vez que lhes venderam a ideia que a Democracia pode ser prejudicial (sobretudo para as intenções de outros países!), pelo que o melhor é jogar pelo seguro e deixar os técnicos tratarem do assunto, visto que afinal eles é que sabem dessas coisas da Economia e de governar, sem dinheiro. Efeitos da crise?
Contudo, tenho a confessar que não percebo o alarido à volta dos tecnocratas, quando nós já aderimos a esta estratégia há algum tempo, pelo menos em pastas tão pouco importantes como a Economia e Finanças.
O facto de termos Académicos, Professores-Doutores e aspirantes a passar pelo governo, a proferir conferências e dar palpites sobre o controlo do défice, cortes no Orçamento, talvez facilite a vida aos estudantes e jornalistas, que podem tirar apontamentos à vontade, mas dificulta imenso a vida aos meros Contribuintes, que são os destinatários deste interminável caso prático.
Mas uma coisa é certa, quando já não houver políticos dispostos a avançar, estes senhores iluminaos chegam-se à frente, com tudo a perder, incluindo o vencimento...
No mundo (moderno ou antigo, Portugal ou Estrangeiro), sempre se discutiu a questão do certo e do errado, tendo em vista que os termos tem vários sentidos. Políticos, filósofos e religiosos têm se debruçado ao longo dos tempos e textos, meditando sobre o que os/nos cerca, para tentar conseguir algum vislumbre sobre o que verdadeiramente significa certo e/ou errado. Todos definimos, a partir da educação formal, da aprendizagem em família e em grupo, o que é certo e o que é errado. Assim, chegamos a alguns conceitos básicos, como roubar (é errado) ou mentir (é errado). E isso é tanto aplicável às pequenas, quanto às coisas grandes.
Sou radical? Talvez. Mas, se temos uma ética, o que é certo o é para todas as ações e, do mesmo jeito, é o errado.
Seja como for, pode dizer-se que os políticos que temos (ou tivemos) dão cabo deste nosso Portugal com as opções que tomam (alegadamente certas), mas os tecnocratas, certamente, não vivem nele.
terça-feira, 24 de abril de 2012
VIVER A VIDA, SEGUNDO A SEGUNDO
Fleming de Oliveira
Por vezes, nem reparamos que a vida consiste em aproveitar cada segundo, pois vivemos sempre a pensar no próximo e este que vivemos passa logo para o passado, sem vida, sem vivência e, como tal, para o esquecimento. Tenho reparado que a vida é todos os dias um desafio diferente do que um dia pensamos, planeamos e vivemos. Não adianta muito traçar metas, porque no caminho da sua execução, inúmeras situações podem ocorrer e esse objetivo não passar de uma ilusão. Reparo que o passado é somente um conjunto de momentos que se evaporaram no tempo, mas que se mantêm na memória, não apenas por já terem passado, mas porque foram bem vividos. Abracei tanta gente, brinquei com tanta gente, partilhei momentos com tanta gente, nomeadamente na escrita, gente essa que hoje ou não está presente ou o tempo já levou. O presente é bem diferente daquele que um dia quando saí da Universidade ou vim para Alcobaça, menino e moço, imaginei e desenhe. Não, não quero mais idealizar algo que provavelmente pelo caminho se perderá no tempo. Prefiro viver cada momento e, tendo o que consegui, deixar os objetivos e futuros cenários aparecerem com o tempo, viver o segundo presente, não o torturando com a chegada do segundo seguinte, viver, somente viver!!!
Por vezes, nem reparamos que a vida consiste em aproveitar cada segundo, pois vivemos sempre a pensar no próximo e este que vivemos passa logo para o passado, sem vida, sem vivência e, como tal, para o esquecimento. Tenho reparado que a vida é todos os dias um desafio diferente do que um dia pensamos, planeamos e vivemos. Não adianta muito traçar metas, porque no caminho da sua execução, inúmeras situações podem ocorrer e esse objetivo não passar de uma ilusão. Reparo que o passado é somente um conjunto de momentos que se evaporaram no tempo, mas que se mantêm na memória, não apenas por já terem passado, mas porque foram bem vividos. Abracei tanta gente, brinquei com tanta gente, partilhei momentos com tanta gente, nomeadamente na escrita, gente essa que hoje ou não está presente ou o tempo já levou. O presente é bem diferente daquele que um dia quando saí da Universidade ou vim para Alcobaça, menino e moço, imaginei e desenhe. Não, não quero mais idealizar algo que provavelmente pelo caminho se perderá no tempo. Prefiro viver cada momento e, tendo o que consegui, deixar os objetivos e futuros cenários aparecerem com o tempo, viver o segundo presente, não o torturando com a chegada do segundo seguinte, viver, somente viver!!!
ALCOBAÇA: UMA SOLUÇÃO FALHADA E/OU ADIADA?
Fleming de OLiveira
Os alcobacenses, constituem o fator mais importante na estratégia de desenvolvimento local, uma vez que são eles a essência da Comunidade, os detentores dos conhecimentos e ideias que interessam. É por isso, essencial, promover soluções que possam dar resposta a direitos básicos de cidadania (não propriamente dos turistas japoneses, nem dos profissionais, ainda que supostamente muito laureados), de caráter social ou económico, soluções que vão gerar coesão social e propiciar, naturalmente, uma maior igualdade de oportunidades, aos que cá estão. A nossa Alcobaça é, diariamente, o nosso cenário. O esvaziamento populacional e o pouco, melhor dizendo nulo, dinamismo evidenciado pelas recentes soluções urbanísticas (todavia, nunca se fez tanto no Concelho de Alcobaça como nos mandatos de Gonçalves Sapinho e tão mal na Cidade, como nestes), veio progressivamente deteriorar, até tornar praticamente obsoleta, a vivência no Cento Histórico, do mais nobre que existe em Portugal. Neste sentido, o envelhecimento do tecido urbano alcobacense, colocou questões relacionadas com o desinvestimento sofrido na zona e ilustrou a preferência dos investidores por estratégias de descentralização. A riqueza do património edificado no Centro da nossa Alcobaça, deveria fazer com que a tarefa de o reabilitar estivesse permanentemente em curso, constituindo a conservação e reabilitação, uma ação de continuidade que é necessário continuar a impulsionar e para a qual se exige um pleno envolvimento, estudo e esforço de investimento, desde logo com o exemplo do setor público. É seguramente fundamental atuar na reabilitação de elementos patrimoniais, como igrejas, monumentos, praças, jardins, etc., contribuindo para o reforço da imagem e identidade da cidade e para o turismo, sem esquecer que o Património é a identidade de um lugar, de uma cidade, de um Portugal. A herança dos antepassados deve ser assumida pelos presentes que promovam a recuperação e modernização, contribuindo para a identidade e memória coletiva. Cidades com o estatuto de Património Mundial ou monumentos possuidores desses valores, possuem um especial valor emblemático, tendo por isso de ser especialmente avaliadas. Muitos de nós conhecem cidades cujo interesse patrimonial, também assinalável, foram objeto de especial cuidado na sua recuperação e requalificação. O Jardim do Paço, em Castelo Branco, a Cava de Viriato, em Viseu, os Castelos de Bragança e de Portalegre, ou Guimarães, sem esquecer o Castelo, assumem tal importância que os seus encantos não estão longe de quem lhes está perto. A reabilitação devolveu o brilho às pérolas dessas cidades. Caros leitores, se poderem, confirmem o que digo, como fiz por alturas da última Páscoa para poder escrever este desencantado apontamento! A cidade evolui ao sabor do tempo e o tempo traz consigo novos desafios. À necessidade de dar novos usos a espaços que se perderam com funcionalidades ultrapassadas (em Alcobaça não existe um Mosteiro, mas um ex-Mosteiro), a reabilitação sustentada deveria responder com novos e ponderados horizontes. A reabilitação do Centro de Alcobaça deveria evidenciar as características que permitam promover a actividade habitacional e económica.Deveria-o fazer suportada em fatores de competitividade, ligando os estudos da autarquia aos destinatários, sem esquecer o design, o marketing, a comunicação, a investigação e desenvolvimento de produtos e serviços, a logística, o conhecimento e a inovação, contribuindo assim para a recomposição do tecido habitacional e empresarial da cidade. Outrossim assistimos a um resultado (falhado) no reabilitar o nosso Centro Histórico, olvidando as características que permitam promover a sua atividade. Um cenário que perdeu qualidade, fruto de novos elementos introduzidos, acinzentou-se, ganhou cheiros estranhos e os alcobacenses deixaram de ser o ator principal, mesmo sem haver alternativa. Fleming de OLiveira
Os alcobacenses, constituem o fator mais importante na estratégia de desenvolvimento local, uma vez que são eles a essência da Comunidade, os detentores dos conhecimentos e ideias que interessam. É por isso, essencial, promover soluções que possam dar resposta a direitos básicos de cidadania (não propriamente dos turistas japoneses, nem dos profissionais, ainda que supostamente muito laureados), de caráter social ou económico, soluções que vão gerar coesão social e propiciar, naturalmente, uma maior igualdade de oportunidades, aos que cá estão. A nossa Alcobaça é, diariamente, o nosso cenário. O esvaziamento populacional e o pouco, melhor dizendo nulo, dinamismo evidenciado pelas recentes soluções urbanísticas (todavia, nunca se fez tanto no Concelho de Alcobaça como nos mandatos de Gonçalves Sapinho e tão mal na Cidade, como nestes), veio progressivamente deteriorar, até tornar praticamente obsoleta, a vivência no Cento Histórico, do mais nobre que existe em Portugal. Neste sentido, o envelhecimento do tecido urbano alcobacense, colocou questões relacionadas com o desinvestimento sofrido na zona e ilustrou a preferência dos investidores por estratégias de descentralização. A riqueza do património edificado no Centro da nossa Alcobaça, deveria fazer com que a tarefa de o reabilitar estivesse permanentemente em curso, constituindo a conservação e reabilitação, uma ação de continuidade que é necessário continuar a impulsionar e para a qual se exige um pleno envolvimento, estudo e esforço de investimento, desde logo com o exemplo do setor público. É seguramente fundamental atuar na reabilitação de elementos patrimoniais, como igrejas, monumentos, praças, jardins, etc., contribuindo para o reforço da imagem e identidade da cidade e para o turismo, sem esquecer que o Património é a identidade de um lugar, de uma cidade, de um Portugal. A herança dos antepassados deve ser assumida pelos presentes que promovam a recuperação e modernização, contribuindo para a identidade e memória coletiva. Cidades com o estatuto de Património Mundial ou monumentos possuidores desses valores, possuem um especial valor emblemático, tendo por isso de ser especialmente avaliadas. Muitos de nós conhecem cidades cujo interesse patrimonial, também assinalável, foram objeto de especial cuidado na sua recuperação e requalificação. O Jardim do Paço, em Castelo Branco, a Cava de Viriato, em Viseu, os Castelos de Bragança e de Portalegre, ou Guimarães, sem esquecer o Castelo, assumem tal importância que os seus encantos não estão longe de quem lhes está perto. A reabilitação devolveu o brilho às pérolas dessas cidades. Caros leitores, se poderem, confirmem o que digo, como fiz por alturas da última Páscoa para poder escrever este desencantado apontamento! A cidade evolui ao sabor do tempo e o tempo traz consigo novos desafios. À necessidade de dar novos usos a espaços que se perderam com funcionalidades ultrapassadas (em Alcobaça não existe um Mosteiro, mas um ex-Mosteiro), a reabilitação sustentada deveria responder com novos e ponderados horizontes. A reabilitação do Centro de Alcobaça deveria evidenciar as características que permitam promover a actividade habitacional e económica.Deveria-o fazer suportada em fatores de competitividade, ligando os estudos da autarquia aos destinatários, sem esquecer o design, o marketing, a comunicação, a investigação e desenvolvimento de produtos e serviços, a logística, o conhecimento e a inovação, contribuindo assim para a recomposição do tecido habitacional e empresarial da cidade. Outrossim assistimos a um resultado (falhado) no reabilitar o nosso Centro Histórico, olvidando as características que permitam promover a sua atividade. Um cenário que perdeu qualidade, fruto de novos elementos introduzidos, acinzentou-se, ganhou cheiros estranhos e os alcobacenses deixaram de ser o ator principal, mesmo sem haver alternativa. Fleming de OLiveira
A PROPÓSITO DA QUALIDADE DE VIDA (na nossa Alcobaça e não só…)
Fleming de OLiveira
A questão da medição do Bem-estar ou da Qualidade de Vida dos alcobacenses, pela enormidade de indicadores necessários a considerar, não é uma tarefa fácil (mesmo à nossa pequena escala local). Mas creio que, para além do propósito ou ambições manifestadas em momentos político-eleitoralistas, nunca foi tentada a sério e se tal aconteceu, desconheço quando e seus resultados.
São às dezenas, para não dizer centenas, as variáveis que influenciam apreciação da qualidade de vida dos alcobacenses, mais ou menos fáceis de quantificar, seja pela natureza qualitativa (e por isso difíceis de avaliar), outras pela natureza quantitativa (e por isso mais fáceis de contabilizar). Contudo, aquilo que daqui da minha secretária reputo mais complicado fazer, é misturar essas variáveis de molde a obter um indicador comparável com idêntico de outros Municípios, nomeadamente os nossos vizinhos, e que permitria estabelecer um interessante ranking entre todos.
Hoje em dia, ao vivermos um momento de exuberância tecnológica, constatamos que a Ciência e a Economia, apesar dos progressos, não correspondem, às expectativas ditadas pelas necessidades do Homem. E, em Portugal, não podemos assacar esta conclusão e os resultados que sentimos no lombo apenas ou mesmo principalmente ao Engenheiro que, fique sossegadinho e a estudar em Paris.
Muitos termos, são utilizados como sinónimos de Qualidade de Vida, tais como bem-estar, boas condições de vida e satisfação na vida. Olhando a história, num primeiro momento, a expressão Qualidade de Vida aparece à volta de temas como o meio ambiente e a deterioração das condições da vida urbana. Já nos meados do Século XIX, caracterizado pelas reformas liberais, diversas medidas foram definidas e implementadas na Europa (e depois timidamente em Portugal) com o objetivo de melhorar o padrão de vida da nossa população, ainda especialmente a urbana. Durante os anos 50 e início dos anos 60 (sec. XX), o crescente interesse pelo bem-estar e a preocupação pelas consequências da industrialização da sociedade, fizeram surgir (não obstante o Estado Novo) a necessidade de medir esta realidade por critérios e dados objetivos. Surgiram, então, as Ciências Sociais a iniciar o desenvolvimento de indicadores de tipo estatístico, que permitissem medir dados relacionados com o bem-estar da população. Mas os meios e os interesses em confronto não permitiram grandes progressos.
O desenvolvimento e aperfeiçoamento dos indicadores sociais, nos finais dos anos 70 e inícios dos anos 80 do século passado, levou a um processo de diferenciação entre estes indicadores e o conceito Qualidade de Vida. A expressão começou a definir-se como um conceito integrador de todas as áreas da vida, e faz referência tanto a condições objetivas, como a componentes subjetivas.
A definição de Qualidade de Vida não é consensual, embora seja unanimemente reconhecido que ela pode ser descrita em domínios, cada um dos quais associado a um diferente aspecto da vida. De um modo geral, a Qualidade de Vida relaciona-se com a satisfação das necessidades da população a nível económico, social, psicológico, espiritual e ambiental, proporcionando tranquilidade, segurança e esperança de um futuro melhor, não muito longínquo.
O estudo da Qualidade de Vida deve ser cada vez mais um instrumento que permita idealizar políticas e delinear ações que promovam o aumento dessa mesma qualidade de vida nas populações. Para tal, é necessário que esses estudos acompanhem a evolução quer das necessidades das pessoas, quer do conjunto de componentes (materiais mas não só), que envolvem o dia-a-dia de uma população.
É certo que a noção de Qualidade de Vida que temos, não é a mesma dos nossos antepassados, tal como não será igual à das gerações futuras, daí a imperiosa necessidade da investigação em torno deste tema existir e nunca estática, mas sim ter um carácter dinâmico e inovador (mesmo sabendo ou, por isso, mesmo esperando que a crise há-de passar, mesmo em Alcobaça).
LIDAR COM O (DES)EMPREGO
Fleming de OLiveira
Por que é tão difícil lidar com o desemprego? Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que fazemos é: Onde é que vc. trabalha? O que é que vc. faz?
Parece que muito do valor de cada um, encontra-se diretamente relacionado com o seu trabalho. O trabalho é a sua identidade. O que se fazemos torna-se no que se valoriza! Quem perde um emprego ou enfrenta uma mudança de carreira, muitas vezes sente-se como se tivesse perdido o valor. Lidar com o desemprego pode gerar uma profunda e insanável crise de identidade.
M…. perdeu o emprego que tinha há vinte e cinco anos, depois que a fábrica foi lá para as bandas do Oriente. Enquanto trabalhava, tinha orgulho e satisfação (ia ver o Benfica e depois bebia um copito), valorizava a experiência, a longevidade da carreira e as capacidades.
Agora, nada disso existia mais.
De repente, aquelas coisas que tinham sido tão importantes, não valiam nada. Quando perdeu a carreira, M… sentiu-se como se tivesse perdido muito mais do que apenas um trabalho, ficou perturbado e com tão profunda depressão, que nenhum Valium o ajudou.
M… deixou de estar certo sobre quem psassara a ser ou se tinha a capacidade de fazer alguma coisa. A auto-estima foi destruída. Qual é o valor da sua vida agora? A vida parecia sem sentido. A jornada para aprender a lidar com a perda de emprego foi, todavia, cheia de perda de algumas ilusões.
M… perguntava-se se o Poder se preocupava com a sua situação.
Mais de dois ou três anos depois de o País ter entrado no pior período de estagnação que conheceu, aconteceu uma coisa estranha e perturbadora no discurso político português. O Governo parece ter perdido o interesse pelos desempregados.
De vez em quando a maioria, tal como a oposição, fala de emprego. Ou desemprego. Apesar disso, não se vislumbram medidas com o objetivo de criar emprego, planos com esse fim, pois a política (à portuguesa), de maneira geral, parece concentrada em reduzir a despesa. Os portugueses que não conseguem arranjar emprego ou se vêem obrigados a contentar-se com trabalhos menores ou a tempo parcial, quando o que queriam era empregos a sério e a tempo inteiro, acabaram por desistir. As coisas não seriam tão dramáticas se os que estão nesta situação, tivessem esperança de arranjar trabalho a curto prazo. A verdade é que o desemprego se transformou numa armadilha de que é difícil (impossível) escapar.
Porque é que o Poder parece não querer saber disto?
Parte da resposta pode ser que, enquanto os que estão desempregados tendem a continuar desempregados, os que ainda têm emprego sentem-se mais seguros que há um ano.
Neste momento, o nosso tecido empresarial sofre com um baixo nível de contratações, e não propriamente com o alto nível de despedimentos (o que é diferente da cessação das relações de trabalho), por isso as coisas não parecem assim tão más, desde que não nos preocupemos demasiado com os desempregados.
Acontece que as sondagens, mostram que os portuguess continuam mais preocupados com o emprego que com o défice, o que torna ainda mais surpreendente que, nos Corredores do Poder, se pense o contrário e que os argumentos usados para justificar a obsessão com o défice, não têm sido confirmados pela experiência.
Por um lado, somos avisados que os mercados não vão voltar a apoiar Portugal, a não ser que cortemos na despesa de forma drástica e imediata.
Por outro, foi-nos assegurado que a redução dos custos faria maravilhas pela confiança dos investidores (estranjeiros). No entanto, nada disso aconteceu nos países que adotaram políticas de austeridade.
Mesmo assim, a obsessão com a redução da despesa continua em alta, sem que o Governo a ponha em causa. Estimado leitor e alcobacense, a próxima vez que ouvir um político (da maioria ou da oposição) dizer que está preocupado com o défice que põe em causa o futuro dos nossos filhos, lembre-se que o problema dos nossos jovens não é o défice, mas a falta de emprego. O que me leva a perguntar quando é que voltarão os nossos políticos a preocupar-se com essas centenas de milhares de nossos esquecidos.
EM TORNO DA FAMÍLIA BIPARENTAL, MAS NÃO SÓ.
Fleming de OLiveira
Em Portugal, em termos político-eleitorais, é vulgar ouvir reclamar por políticas integradas para a infância. Embora à escala local, a ação de apoio à criança seja alegadamente integrada, importa que globalmente se faça bastante mais, pelo cumprimento dos seus direitos.
Numa coisa estamos todos de acordo, cada vez mais se proclamam os direitos da criança mas, paradoxalmente, crescem os atentados contra as crianças de todo o mundo. Não há Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco que o resolva, mau grado o esforçado trabalho que vai desenvolvendo, e me apraz registar (concretamente no nosso caso de Alcobaça).
Muito embora a globalização tenha aspetos positivos para o desenvolvimento das sociedades, o certo é que também veio acentuar as desigualdades sociais. No caso de Portugal (Alcobaça, tanto quanto sei, não será uma exceção), tem-se registado uma diminuição percentual da pobreza global, mas é na infância e nos idosos, que os índices de qualidade são mais diferenciados, é nos meios mais pobres (carenciados materialmente) que as crianças correm maiores riscos, a começar na situação dramática do desemprego parental.
Menos filhos, menos casamentos e uma população envelhecida, são dados amplamente conhecidos no respeitante ao Portugal deste século XXI. A Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família, salientou, recentemente e com toda a sua autoridade, que é urgente cuidar da família. Subscrevo inteiramente.
Portugal viu aumentar o número de famílias residentes nos últimos anos, mas as famílias portuguesas são mais pequenas, com menos filhos, menos casamentos e… mais divórcios, dados que fazem parte da caracterização estatística da família portuguesa, como é fácil de reconhecer.
Posso ser considerado démodé. Mas apesar dos indicadores serem muitos negativos em relação à família, é justamente por isso, que defendo que ela é cada vez mais o núcleo que melhor pode responder às inquietações que a sociedade coloca hoje.
O conhecimento da vida, permite-nos reconhecer as alterações nos padrões de nupcialidade, divorcialidade e da fecundidade, bem como o aumento da esperança de vida, com o consequente envelhecimento da população portuguesa. A taxa de nupcialidade diminuiu enquanto, concomitantemente, se assistiu ao aumento da taxa de divorcialidade.
Para além da redução do número de casamentos, assistiu-se, no mesmo período, ao retardar da idade ao primeiro casamento (legal…).
A sociedade civil também não ajuda (talvez para parecer moderna, up to date). No núcleo estável de pai, mãe e filhos, que gostosamente apelidamos Família Tradicional, expressão embora utilizada nalguns casos com um teor pejorativo, a família biparental continua a ser a que dá melhores garantias para a criação e educação dos filhos. Outro dado significativo tem a ver com o aumento da proporção de casais sem filhos, sendo necessário acrescentar que as mulheres têm menos filhos e mais tarde.
A redução da dimensão média da família em Portugal é, assim, explicada pelo decréscimo das famílias mais numerosas, a par com o crescimento particularmente acentuado do número de famílias unipessoais.
Será esta uma inevitabilidade?
Estimados leitores e conterrâneos alcobacenses, também assumo como uma inevitabilidade, mais do que nunca, cuidar da família, o núcleo, a unidade onde a vida nasce, cresce, e se desenvolve.
Bem desejaria que hoje, amanhã, em qualquer ponto do País, as famílias se reúnam e se divirtam, gostem de estar juntas.
Compartilho, neste momento convosco, o breve apontamento de Vergílio Ferreira:
Toda a gente admira um grande artista e ergue-lhe mesmo, às vezes, um monumento a confirmar, mas nunca ergueu um monumento a um homem e uma mulher por terem gerado um filho, que é obra infinitamente maior.
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