quarta-feira, 5 de junho de 2013

Os Monges Agrónomos do Mosteiro de Alcobaça - J.Vieira Natividade





Ficha Técnica

Autor:
Joaquim Vieira Natividade

Título:
Os Monges Agrónomos do Mosteiro de Alcobaça

Revisão, Fixação de texto e Prefácio:
Fleming de Oliveira

Nota Introdutória:
Manuel Pimentel Castelhano

Edição:
Cooperativa Agrícola de Alcobaça (2013)

Capa:
-Daniela Santos
-Fleming de Oliveira

Mapas:
-Daniela Santos

Imagens:
-Arquivo Particular do Autor
-Biblioteca Municipal de Alcobaça
-Mosteiro de Alcobaça
-Internet

Composição, impressão e acabamento:
Relgráfica – Artes gráficas, Lda. – Benedita


Nota: Para eventual aquisição contacte Cooperativa Agrícola de Alcobaça (262597556) ou Fleming de Oliveira (962925444 ou flemingdeoliveira@gmail.com)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

OS DIAS DA MÚSICA 2013



Decorreu este ano (2013), e durante um fim-de-semana de Abril, no Centro Cultural de Belém, mais uma edição, a sétima, de “OS DIAS DA MÚSICA”, sob o égide de “O Impulso do Romantismo”.
Afinal o que é “O Romantismo”?
Vou tentar caracterizá-lo de uma forma simples e compreensível, muito especialmente por não nos estamos a dirigir a especialistas ou académicos. “O Romantismo”, foi um movimento de origem europeia, estético e artístico (que se expandiu pelas Belas Artes, Literatura e Música), político e filosófico, e que perdurou por grande parte do século XIX, embora se tenha iniciado no século anterior. Assumiu-se como uma sensibilidade, na visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os Estados nacionais.
Inicialmente, sendo apenas uma atitude, o “Espírito Romântico” passou a designar a visão de mundo centrada no indivíduo, tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo. Os autores românticos voltavam-se cada vez mais para si, retratando o drama humano, os amores trágicos, os ideais utópicos, o desejo de “fuga”. Se o século XVIII, foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela Razão, “O Romantismo” do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo “Eu”, rumo a uma cultura da libertação que, politicamente, encontra se radica na Revolução Francesa
A exaltação da pessoa, a redescoberta da “Cultura Medieval” em contraposição com a “Greco-Romana” (arte equilibrada e perfeccionista), a libertação dos sentimentos e a apologia das paixões, em oposição à “Ditadura da Razão”, são os valores explorados pelos românticos. A ironia e a melancolia caracterizam este estado de dúvida e de anseio, bem como a crítica distanciada da sociedade e o sonho de qualquer coisa nova.
O “Espírito Romântico”, como sonho e fantasia, baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva, a fé, o sonho, a paixão, a intuição, a saudade, o sentimento da natureza e a força das lendas nacionais. Com o tempo e muito graças ao impacto do romantismo sobre a cultura do século XVIII, a expressão ganhou outra dimensão que chegou aos dias de hoje, embora restringindo-se, usualmente e vulgarmente, ao plano afetivo. O romântico é neste sentido o enamorado, o apaixonado, o sonhador ou o utópico. Perguntamo-nos, pois, o que é hoje “O Romantismo”, no sentido de se saber se alguém ainda pode ser considerado romântico neste século XXI.  
As primeiras manifestações de “O Romantismo” na música, que de certo modo é o que de momento me interessa considerar, apareceram segundo os especialistas com Beethoven, cujas Sinfonias, a partir da Terceira, revelam uma temática profundamente pessoal e interiorizada, tal como algumas de suas sonatas para piano.
Outros compositores como por exemplo, Chopin, Tchaikovsky, Mendelssohn, Liszt, Grieg, Brahms e Berlioz, levaram ainda mais longe o “Espírito Romântico” de Beethoven, abandonando o rigor formal do Classicismo para escreverem músicas mais de acordo com as emoções
Na ópera, os compositores mais notáveis foram o italiano L. Verdi e o alemão R. Wagner. O primeiro compôs óperas, plenas de conteúdo épico ou patriótico, como “Nabucco, “I Vespri Sicilianni”, “I Lombardi nella Prima Crociata, sem prejuízo de ter escrito também outras baseadas em histórias de amor, como “La Traviata”. Wagner foi à procura da mitologia germânica, como “O Anel do Nibelungo”, “Tristão e Isolda”, “O Holandês Voador”, ou sagas medievais como “Tannhäuser,Lohengrin” e “Parsifal. Mais tarde na Itália o romantismo na ópera assumirá mais expressão com Puccini.
Desde cedo, Hector Berlioz, nascido a 1803, identificou-se com o “O Romantismo” francês. Eram seus amigos, entre outros,  Alexandre Dumas, Victor Hugo e Balzac. Posteriormente, T. Gautier escreveria que “Hector Berlioz parece formar, juntamente com Victor Hugo e Delacroix, a Trindade da Arte Romântica”.
A morte de seu pai, levou-o a compor a ”Marcha Fúnebre para a última Ceia de Hamlet”(inserida na programação deste ano, que foi interpretada com sucesso pela Banda da GNR seguramente o expoente máximo deste tipo de agrupamentos musicais em Portugal ou mesmo na Europa e que continua a prosseguir o admirável objetivo de levar a cultura musical a todo o país) e a cujo concerto assisti e aqui destaco.
Sempre que ouço Berlioz, recordo-me (desculpem-me este aparte, eventualmente, deslocado) dos meus tempos no “Orfeon Académico de Coimbra”(com os maestros Raposo Marques e depois Joel Canhão) enquanto estudante universitário e, muito mais tarde já pai de filhos e Advogado em Alcobaça nos “Antigos Orfeonistas”, onde o “Amen”, da “Danação de Fausto”, era de certo modo o hino do nosso coro, que fazia a ponte entre as sucessivas gerações e encerrava com emoção, desde há muitas dezenas de anos, as atuações em público. Pergunto-me se teria Berlioz ofendido, escarnecendo, o sentimento religioso dos fiéis nessa passagem da Danação de Fausto?
Na verdade, não se pode dizer que seja um “amen” muito edificante, o cantado na peça pelos convivas duma taberna de Leipzig e por nós (coro masculino) com alegria, garra e certeza de sucesso.
Seja como for, é magistral o modo como, independentemente do enquadramento, esta área se vê impregnada de ironia, uma caricatura em “estilo fugado” onde, com minúcia, Berlioz exagera os contornos do contraponto tradicional, numa aparente cacofonia.
Caros leitores:

embora com menos meios “OS DIAS DA MÚSICA” são um marco importante no nosso meio cultural e recomendo vivamente que quem tiver oportunidade não perca a edição do próximo ano.

terça-feira, 23 de abril de 2013


AMULETOS, TALISMÂS E BOA SORTE!!!
Fleming de Oliveira

De acordo com certas culturas, ou mentalidades, a lisonja acarreta ou tem subjacente uma maldição. O mesmo se aplica à inveja. Desde tempos remotos, tais pragas, denominadas como mau olhado, partem da crença que um individuo pode causar male, simplesmente olhando (dardejando) para os bens de outra pessoa, senão mesmo nela própria. A proteção seria possível com talismãs ou amuletos usados, transportados ou pendurados muitas vezes nas casas. Ainda há, como creio que haverá sempre, pessoas que vivem a explorar, o que poderíamos caracterizar, linearmente, como “crendice popular”.
Com os progressos do cristianismo, desde logo a partir dos primeiros séculos, foi desencorajado o uso de amuletos, tidos como objectos pagãos. Porque muitos dos primeiros cristãos (recém convertidos mostravam o desejo de usar talismãs e amuletos), a Igreja fez esforço para divulgar novos objetos sagrados, como imagens de Jesus, Virgem Maria e Santos.
Os amuletos da sorte tem a “grande” função de proteger a pessoa a quem pertencem, da má sorte, perigo ou doença. A palavra amuleto parece provir do latim “amuletum”, isto é,  objecto usado para a defesa, ou do árabe “hamalet”que , por sua vez, significa o que está suspenso.
O escritor e filósofo romano, Plínio, o “Velho”, terá sido o primeiro a registar a existência de amuletos de sorte. Na sua obra “História Natural”, que remonta ao ano 79 dc, Plínio, menciona como categorias de amuletos, os que oferecem proteção contra a negatividade e a má sorte, os que contém substâncias profiláticas e ainda os que se destinam a serem usados como remédio.
Nos países banhados pelo Egeu, os indivíduos de olhos claros são considerados mais poderosos, e os amuletos na Grécia e Turquia são, geralmente, globos oculares azuis. Quando há uns anos estive na Turquia, a minha Mulher fez questão de trazer como mera recordação turística (o que fazia questão de ressalvar, para que não restassem dúvidas…) alguns destes amuletos, que colocou à  porta de casa e ofereceu aos filhos. O olho turco é um amuleto azul muito comum naquele país, sendo exportado para todo o mundo. Tradicionalmente é usado contra mau olhado. Na Turquia, segundo nos explicaram, as mães colocam o amuleto na roupa dos filhos, pelo que se é encontrado rachado, significa que funcionou e protegeu a criança. Ao carregar um “olho turco”, a energia negativa direcionada ao portador será atraída pelo amuleto, ainda que seja por meio de um elogio, já que os turcos acreditam que elogios podem revelar, inconscientemente, a inveja.
Bastante antigo, e ainda relativamente usual entre nós é a ferradura, um talismã com o poder de atrair o bem e expulsar o mal da casa que a tiver colocada. Para ter mais força ainda, deve ser aplicar-se atrás da porta de entrada. Diz-se ser eficaz para expulsar pessoas invejosas, além de atrair dinheiro e prosperidade.
Na verdade tem havido mudanças de formatos dos amuletos ao longo dos anos mas, mesmo assim, o seu poder permanece inalterado. Além de atrair sorte, os amuletos também servem para afastar a energia negativa. Alguns Portugueses, usam chifres ou símbolos fálicos destinados a “distrair” os lançadores de pragas ou os invejosos, ressalvando normalmente que não acreditam nisso, mas na dúvida…. Um conhecido meu, usava um “pé de coelho” no carro, e não era propriamente um “primário”. Porquê?, perguntei uma vez. Recorde-se que o coelho é considerado um símbolo de fertilidade, portanto, quem tiver um pé de coelho como amuleto, está a afastar as más energias que impedem a fertilidade, seja na vida, família, amor ou negócios.
Segundo se dizia em casa de meus Pais, quando nasci um tio deu-me uma pequenina figa em metal, mas que engoli para grande preocupação de minha Mãe, acabando por ser expelida pela “via natural”.
Quando andava a estudar em Coimbra, um colega de casa trazia sempre consigo um “trevo da sorte”, para o acompanhar no jogo e aconselhava que se alguém achar um trevo-de-quatro-folhas, guarde-o com todo o carinho até secar,“sabendo” que ele atrai muita sorte na hora de jogar. Mas caso não se consiga ter um de verdade, pode-se comprar um, desde que usado com a mesma fé.
Nestes tempos de crise, muito jeito nos faria um eficaz amuleto, trevo da sorte ou outro, não é verdade?