sexta-feira, 4 de outubro de 2019
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
É CRIME, SIM SENHOR E
CONTRA A HUMANIDADE !!!
(A AMAZÓNIA)
FLeming de OLiveira
1)-Inúmeras vezes,
quando somos confrontados com questões ambientais, deparamo-nos com abordagens
muito especializadas, com que vagamente nos identificamos, mas que nos leva a
sentirmo-nos marginalizados. Não esqueço que tratar o tema com alguma
profundidade pressupõe conhecimentos científicos que cobrem diferentes disciplinas
que não estão ao alcance do leigo.
No
entanto, se formos capazes de centrar como primeiro objetivo a questão
ambiental nas pessoas e na sua qualidade de vida e bem-estar, estamos a contribuir
para uma vida responsável, face a recursos deterioráveis, assumindo uma
responsabilidade social, com reflexos diretos e prontos o ambiente, na
economia, em suma, no desenvolvimento sustentável.
Falar
de ambiente, parece hoje uma questão de “moda”.
Mas não é, outrossim uma imperiosa necessidade de consciencialização que não pode
depender de mais ou menos conhecimentos técnico-científicos.
As
empresas, as famílias, e o Estado são os atores do desenvolvimento sustentável,
o qual implica modernização, otimização tecnológica, meios, conhecimento e
sobretudo, bom senso e sentido da responsabilidade.
2)-A água é
seguramente o recurso mais precioso do planeta, pois todos os seres vivos dependem
dela. A Terra é conhecida por Planeta Azul, porque vista do espaço,
assemelha-se a uma grande esfera azul, cor que decorre de cerca de dois terços
da sua superfície estar coberta por água. A quase totalidade da água é salgada,
encontra-se nos oceanos, e apenas 1% é doce e está nos rios, lagos e poços
subterrâneos. Apesar disso, muitas pessoas e empresas ainda poluem essa fração,
deitando lixo para os rios e lagos, e produtos químicos nos solos, no que tudo acabará
por contaminar a água subterrânea.
Durante
muito tempo, o homem atuou como se a água fosse um bem ilimitado, de tal
maneira que os processos que dela dependem aumentaram os consumos seja para
fins domésticos, agrícolas ou industriais. Todavia, e por causa do uso
excessivo, este recurso ultrapassou a sua capacidade de renovação dos sistemas
naturais. Apesar da água ser um recurso renovável a nível global, é menos renovável
a uma escala local, como consequência das alterações climáticas, e de um
aumento cada vez maior de atividades económicas, domésticas e industriais.
3)-Temos da Amazónia a ideia um enorme e vasto manto
verde, de águas e florestas sem fim, onde as copas de árvores escondem o sol e
o nascimento, reprodução e morte de mais de um terço das espécies que vivem
sobre a Terra.
Num território de 4. 196.943 km2, crescem 2.500
espécies de árvores, onde inclui um terço de toda a madeira tropical do mundo,
e 30 mil espécies de plantas.
A bacia amazónica é a maior bacia hidrográfica do
mundo, pois cobre cerca de 6 milhões de km2 e tem 1.100 afluentes. O seu principal
rio, o Amazonas, atravessa essa a região para desaguar no Atlântico, lançando
ao mar cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo.
Os
seus recursos naturais, que além da madeira incluem enormes reservas de
borracha, castanha, peixe e minérios, representam uma abundante fonte de
riqueza, que tem sido protegida através do uso e forma tradicionais de a
explorar sem esgotar, nem destruir o habitat natural. Mas essa grandeza não
esconde a fragilidade do seu ecossistema. A floresta vive a partir de seu
próprio material orgânico, e seu equilíbrio é extremamente sensível a quaisquer
interferências. Para além
da madeira, as árvores na Amazónia são cortadas para plantar soja ou para abrir
caminho para pastagens de gado. As queimadas são muito usadas para rapidamente
eliminar árvores e tal como os incêndios que assolam Portugal, embora em escala
incomparável, muitos começam pela mão humana dolosa ou negligentemente, mas
depois descontrolam-se.
A riqueza natural da Amazónia contrapõe-se aos
baixos índices socioeconómicos da região, de baixa densidade demográfica e crescente
urbanização, pelo que o uso dos recursos florestais é estratégico
para o desenvolvimento da região. Dilema preocupante para o capitalismo.
Na Amazónia, os fogos tem ocorrido este
ano com tanta intensidade que o fumo cobriu as cidades próximas e mesmo mais
afastadas, com uma nuvem negra.
Afirmam os cientistas/ambientalistas que
é consequência do recente aumento da desflorestação.
Os ambientalistas tem chamado
veementemente a atenção para os problemas da desflorestação, desde que Jair
Bolsonaro, foi eleito em 2018, tanto mais que parte da sua campanha eleitoral
assentou na abertura da Amazónia à exploração empresarial. E quando chegou ao
poder, cumpriu o que prometeu.
De acordo com os mesmos cientistas, nos
anos anteriores os incêndios estavam normalmente correlacionados com a falta de
chuva, mas este ano tem sido muito húmido, pelo que são levados a concluir que
os fogos se devem à desflorestação. A desflorestação seca a região, potencia a
perda florestal, pois grande parte da chuva amazónica é gerada pela própria
floresta. Os especialistas temem que esta espiral descendente possa secar a
floresta até ao ponto de não retorno, e a Amazónia vir a acabar mais parecida
com uma savana do que com uma floresta tropical.
A proteção da Amazónia é muitas vezes
apontada como uma das formas mais eficazes de mitigar o agravar das alterações
climáticas. Anualmente, o ecossistema amazónico absorve milhões
de toneladas de emissões de carbono.
Quando as suas árvores são cortadas ou queimadas, não só libertam o carbono que
armazenam, como a humanidade concomitantemente perde um meio de absorção de
carbono.
Não será preciso ser cientista diplomado
para perceber que floresta destruída é uma ameaça à biodiversidade e às pessoas
que dela dependem (afinal todos nós e não apenas os brasileiros) e que se o
mundo quiser evitar os maléficos efeitos das alterações climáticas, não pode
perder as florestas.
A não ser assim, será uma tragédia, um
Crime contra o Planeta, um Crime contra a Humanidade.
E ENTÃO…
SEREMOS
TODOS INTELIGENTES
(Inteligência
artificial)
FLeming de OLiveira
(II)
Há dilemas éticos que se afiguram, por enquanto, irresolúveis. O
algoritmo, pode ser contaminado/condicionado pelas
características/ideologia/condição do criador/programador? Calculo que sim…
Para que a inteligência humana e as máquinas
inteligentes possam coexistir pacífica e eficazmente, existem desafios a
superar, desde logo a regulação, com a criação de leis, bem como a atualização
das existentes, que acompanhem o ritmo da mudança tecnológica, destacando-se a
criação de um código de ética para IA, acompanhados por regras concretas e
melhores práticas no desenvolvimento e utilização de máquinas inteligentes.
O
neurocientista António Damásio, defende que, “o risco principal é o perigo das pessoas não compreenderem que a IA é
de facto artificial e muito diferente daquilo que é a inteligência humana. A
inteligência humana é um derivado da biológica ( …) os medos são um bom exemplo de uma reação normal que vem do
desenvolvimento biológico. Uma forma de defesa, que todos os organismos a
partir de um certo nível de complexidade têm. Respondem de forma a defender a
integridade do seu corpo e a integridade da sua vida”.
Se não é
possível evitar o rumo à IA, a definição dos
seus limites éticos parece imprescindível, para o mundo novo que se desenha.
Cientistas afirmam a necessidade do estabelecimento de regras
quanto a aplicação da IA em questões militares, pois já existem estudos e usos
com armas, aviões e sistemas de defesa para a seleção e eliminação de inimigos,
sem a condução direta de pessoas.
A tensão
suscitada pelas inovações tecnológicas sempre existiu. O uso
em massa da tecnologia pode ameaçar empregos e eliminar o envolvimento do ser
humano em diversas funções, além do perigo de a Inteligência Artificial conseguir superar
o mercado financeiro ou manipular líderes mundiais.
O desenvolvimento integral da IA
pode implicar o “fim” da raça humana,
defendeu Stephen Hawking adiantando temer que a IA
evolua mais rapidamente do que os seres humanos, limitados que estão pela
biologia. Importa não perder de vista a lição da energia atómica, que
começou por ser pensada para fins pacíficos. Aquando da
II Guerra experienciou-se a necessidade do avanço tecnológico para fornecer
mais e melhores instrumentos no combate bélico. O dinheiro de pesquisas
científicas estava à disposição dos cientistas, que se preocuparam em breve em
desenvolver a mecanização da morte pelo poder tecnológico.
O
crescente uso da IA na rotina das pessoas, desencadeou uma série de debates.
Cientistas como estes, não estão a dizer, se bem entendi, que a máquina vai
colonizar os seres humanos e dominar a Terra. O que afirmam é que a IA, até
agora, tem sido usada de forma aparentemente inofensiva, mas tudo indica que
não será assim ao longo dos anos.
De facto
constata-se que diversas tecnologias transformarem a vivência da humanidade,
como a televisão, o desenvolvimento da internet e as comunicações em geral.
E ENTÃO…
SEREMOS
TODOS INTELIGENTES
FLeming de OLiveira
(I)
As mudanças tecnológicas, muito especialmente nas duas últimas
décadas, são inegáveis e espantosas. Os dispositivos móveis e a agora a computação
em nuvem alteraram profundamente a forma de viver e trabalhar. Tornámo-nos mais
produtivos, comunicamos mais, aprendemos mais, tudo ao alcance de um dedo na
tecla. Todavia suscito-me, liminarmente, saber se nos estamos a tornar mais “gente”.
A Inteligência
Artificial/IA constitui um tema bastante controverso, uma vez que envolve
questões relacionadas com a consciência e dilemas éticos, pois criar máquinas
inteligentes implica construí-las com capacidade de ter conhecimento e
eventualmente (?) emoções.
Anunciam-nos que a IA vai trazer para o nosso dia-a-dia, sistemas
e aplicativos que podem ver, ouvir, aprender/repreender e
argumentar/contrariar, criando potencialidades de melhorias na saúde, a
educação e até atenuar, se não resolver, grandes desafios, como as alterações
climáticas ou a fome.
O conceito de IA é tarefa bem complicada, já que são incontáveis
as definições sugeridas. Não sendo eu um perito na matéria, e consistindo este
um mero apontamento ainda que para leitores mais evoluídos que eu, entendo que
a IA implicará a utilização de uma máquina que, seguindo algoritmos definidos por especialistas,
simule a capacidade humana de perceber e resolver um problema, analise os dados
inseridos por pessoas, pois não se esqueça que os algoritmos que permitem ao
computador processar as competências, resultam de uma intervenção humana.
Esta síntese, muitíssimo primária bem sei, decorre da sugestão
recolhida de alguns filmes ditos de ficção (que nem aprecio especialmente),
embora, na atualidade, ainda estejamos muito longe desse estádio. Por muito “hábil” que seja o computador, ainda não tem capacidade para produzir inteligência
“per si”. A sua inteligência será, portanto, um tipo de
“inteligência” construída pelo homem,
portanto, uma IA. Todavia, o conceito abarca mais do que a inteligência da máquina,
pois pretende-se capacitá-la de um comportamento “inteligente” apto a criar linguagens e manipular símbolos que levaram à criação
da cultura e da tecnologia, duas características específicas dos seres humanos.
O que não conseguimos,
por ora, antecipar é se um dia ou quando, o computador conseguirá desenvolver
pensamento próprio, comportar-se/reagir como um ser humano em idênticas
circunstâncias. Eles não têm por
ora a capacidade de “per si” formar
memórias. Também não podem usar experiências passadas sobre as quais basearão as decisões presentes. A inteligência consiste num conjunto de funções
inatas que se desenvolvem no decorrer da vida e que possibilitam a adaptação ao
meio envolvente, como a memória, o raciocínio, a linguagem e as emoções, que
promovem a autonomia e aptidão para sobreviver. Uma pessoa inteligente é capaz de
se adaptar ao meio ou situação, articulando a dosagem de razão com emoção. Para
isso, o computador teria, pelo menos, de adquirir consciência, capacidade de
ter sentimentos e emoções !!! Aprendi em psicologia, que isso é
chamado de "teoria da mente". Implica
a compreensão de que pessoas, criaturas e objetos, podem ter pensamentos e
emoções que afetam seu comportamento, o que se revela crucial para o modo como
os humanos formam as sociedades, porque permite a interação social.
Por ser o único racional, entende-se o humano como o único
ser inteligente. Há quem atribua inteligência a certos animais e vegetais (inteligência
irracional), consistindo esta numa certa capacidade de adaptação às
circunstâncias do respetivo meio. É desta forma que se transita este conceito
para a máquina, definindo uma inteligência de máquina.
A IA tende a aproximar-se do conhecimento humano, porém
continua muito afastada da emoção e, por isto, depreende-se o quão difícil será
atingir a emoção artificial. No ser humano, quando se trata a emoção,
sabe-se que o Homem luta, foge ou permanece imóvel. E a máquina?
A emoção nos computadores é um aspeto meramente latente,
que se resume a uma espécie de instinto programado, apesar de estarem cada vez
mais aptos para interagir com o ser humano e acompanhá-lo no mundo real, em
tempo real.
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
UMA QUESTÃO DE
TEMPERO!
FLeming deOLiveira
A)-Há
uma razão bem para que, há vários anos para cá, tenha começado a escolher no
restaurante, o mesmo prato que a Ana Maria. Posso dizer, ela escolhe melhor. E
nunca recusa o bacalhau, quando consta do menu.
Quando
antes fazia o pedido pela minha cabeça, ela muito benévola e generosamente
dividia o seu prato, para eu não ficar desconsolado.
Na
verdade, como antiga senhora professora, nesta e outras matérias, além de saber
ensinar, sabe fazer e, portanto, decidir por ela, por mim, pelos filhos e
netos.
Durante muitos anos
mantive-me conservadoramente preso às regras que trouxe da casa de meus Pais,
nomeadamente em matéria de temperos, onde se seguia uma prática muito
conservadora. A Ana Maria temperava-me, por isso, com paciência a salada de
alface, tomate e pepino (por vezes com couve roxa), conforme as minhas rigorosas
e teimosas especificações. Isto durou até ao dia em que, com algum ceticismo, provei
a sua salada e constatei que o seu tempero era bastante melhor que o que
herdara de casa da minha Mãe. Para não dar parte de fraco, fingi que não me importava
de partilhar da sua salada, pois assim iria poupar-lhe tempo e trabalho…
Eu
julgava que sabia o que era salada russa, porque sou maluco por salada russa e
nunca na minha vida recusei uma que fosse. A salada russa da Ana Maria era tão perfeita,
ao ponto de eu descobrir que afinal nunca tinha na vida provado salada russa.
Tudo
o que ela faz, tem de envolver grandes riscos, pois é a única maneira de não se
aborrecer. Por exemplo, decidiu fazer a maionese caseira com um garfo (em vez
de colher) e utilizar três vezes mais a tradicional quantidade de vinagre.
Talhou? Não talhou, não Senhora. Ficou deliciosamente leve e é de chorar por
mais.
No
sábado passado, estávamos a acabar de almoçar em Peniche quando chegou uma
caldeirada para a mesa vizinha, onde ansiosamente salivava e palrava
alegremente um grupo familiar.
Reconheço
que a cobiça é por vezes muito forte e cedo a ela. Mesmo com o estômago cheio,
cobicei a caldeirada da mesa vizinha com o seu cheiro e colorido, e admirei-me
com o silêncio repentino que precedeu ao ataque do grupo de comensais com talheres
em punho.
Já me tinha acontecido
há anos no Porto uma coisa algo parecida, com a chegada de uma dobrada (prato que
aprecio, como bom tripeiro) para a mesa de uns lisboetas espertos (apesar de
benfiquistas…) em contraposição com o Bacalhau à Gomes de Sá, em que seguimos a
orientação da professora Ana Maria.
Desta
vez ela não teve razão. Afinal os professores também se enganam. Será assim
Professor Marcelo? Rimos, mas tivemos de ficar pelo Bacalhau à Gomes de Sá,
apesar do aspeto assombroso da Dobrada à Moda do Porto.
B)-Nos
fins de julho estive na baixa de Lisboa, o que hoje em dia poucas vezes me acontece.
É infernal, não há moradores, só turistas. Centros como este, tornaram-se
cemitérios coloridos e tontos, onde já se chora a morte da cidade que foi.
Caros
leitores, o que destrói uma cidade é a impermanência, não as casas em que há
pessoas, portuguesas ou estrangeiras, que passam lá a vida. Não são diretamente
os turistas que estragam a cidade, mas a falta de moradores que vivam na cidade
e lhe deem vida.
Até
já imaginei compartilhar o centro da cidade de Lisboa com comunidades
estrangeiras, mas creio que o Medina não acharia boa a ideia de compor esta
salada. Desde que lá morassem e se sentissem em casa, devolver-lhe-iam a vida.
Lisboa ganharia muito em ter como tempero, uma pequena Angola, um pequeno
Moçambique, um pequeno Cabo Verde, um pequeno Brasil, e por aí fora. Isso sim
seria compatível com uma bem temperada capital cosmopolita, como Lisboa. Não
estar cheia de viajantes vestidinhos de calção e panamá, a correr de um lado
para outro de livrinho guia e telemóvel em punho, e sem vontade ou habilidade
para falar português.
Mas
não, creio que o Medina não aceitaria este tempero.
terça-feira, 23 de julho de 2019
É APENAS NO BRUNEI ?
FLeming de OLiveira
1)-O Conselho da
Europa, que monitoriza os direitos humanos na Europa, anunciou há pouco, a adoção
de um texto que inclui a primeira definição à escala internacional de “sexismo”, como forma de acabar com o
fenómeno.
O texto, uma recomendação apenas, define
sexismo como “uma manifestação de
relações de força historicamente desiguais entre homens e mulheres, que levam a
discriminação e impedem a plena emancipação de mulheres na sociedade”.
Sexismo e violência para com mulheres ou meninas estão ligados,
insiste a recomendação, “já que o sexismo ‘ordinário’ faz parte de um continuum de agressões”, criando um clima de intimidação, medo, discriminação,
exclusão e insegurança.
O texto, adotado na sequência do movimento #MeToo,
convida os países a intensificar a luta contra o sexismo, alegando tratar-se de
um fenómeno presente em todas as áreas, todos os sectores e todas as
sociedades. A recomendação dá ênfase àquilo que é comportamento sexista e
propõe aos diferentes atores formas concretas de o identificar e enfrentar. Estabelece
ainda uma lista de medidas e situações onde ocorre o sexismo, desde a publicidade aos meios de comunicação,
passando pela justiça, a educação e o desporto.
2)-O pequeno reino do
Brunei, lá longe, perto da Malásia e da Indonésia, impôs o apedrejamento até à
morte para casos de adultério e de sexo entre gays. A decisão apanhou de surpresa as organizações de Defesa
dos Direitos Humanos, que condenaram a adoção de “punições perversas”, pelo sultão Bolkiah.
Apesar de se destacar, há muito, como um
dos mais conservadores países do Sudeste Asiático, só a partir de 2014 é que o
Brunei começou a prever penas como o apedrejamento, a amputação para casos de
roubo ou a flagelação.
Nesse ano, o sultão anunciou um código
penal assente na “sharia” islâmica, que impõe castigos corporais.
As novas leis aplicam-se exclusivamente
aos muçulmanos, num país com menos de 450 mil habitantes, onde dois terços da
população seguem esta religião.
“É horrível, o Brunei está a seguir o exemplo
dos Estados árabes mais conservadores. A
aplicação da sharia vai
levar a penas severas contra as relações consensuais entre pessoas do mesmo
sexo, incluindo o apedrejamento até à morte”, comentou comigo Luísa Amaral,
conhecida ativista de causas feministas, que muitas vezes não acompanho. Neste
caso estou de acordo com ela.
Em 2014, uma onda de veementes
reprovações internacionais, levou o Brunei a adiar a última fase da mudança do
seu sistema de leis penais. Numa primeira fase, em 2014, foram impostas sanções
como multas ou prisão para mulheres que engravidem fora do casamento e para
quem faltar às orações de sexta-feira.
A Amnistia Internacional/A.I. exigiu ao
Brunei que “trave imediatamente os seus
planos para a aplicação de punições perversas no seu Código Penal, em
conformidade com as suas obrigações em termos de direitos humanos”. Mas sem
resultado.
Segundo a A.I., o novo Código Penal do Brunei
prevê ainda, entre outras punições, a amputação de um pé ou de uma mão para
casos de roubo, incluindo crianças.
Outros países da região, como a
Birmânia, a Malásia ou Singapura (a minha neta andou por esta área no início do
ano, mas como estrangeira não se apercebeu deste tipo de riscos), também têm
endurecido as suas posições tendencialmente conservadoras, mas o Brunei
destaca-se por ser o primeiro a adotar a “sharia”.
Em 2014, quando anunciou a alteração do
Código Penal, o sultão, disse que o seu Governo “não espera que outras pessoas a aceitem
e concordem com ela, mas seria suficiente que respeitassem a nação”.
Assim vai o
mundo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







