quarta-feira, 26 de julho de 2017

Tinha tudo para correr mal - Memórias de um comunicador acidental, opinião


Tinha tudo para correr mal.
Memórias de um comunicador acidental.



Recebi desta vez o livro de Luís Paixão Martins, com o título sugestivo Tinha tudo para correr mal. Memórias de um comunicador acidental.
Não conheço LPM, nem a sua empresa ou obra, pois a minha vida profissional e os interesses em geral, não passam pela área deste autor.
Por isso, a minha opinião sobre este livrinho, tem de ser devidamente entendida e circunscrita.
O autor tem uma escrita fluente, não especialmente elaborada (aliás não se reclama de “escritor ”) e facilmente inteligível, como compete.
Nunca apreciei especialmente o género Memórias ou Autobiografias, pois é frequente o autor escrever com uma persuasão em mente, o que me leva a encará-las com algum liminar ceticismo, o que é uma desvantagem.
Como leitor confesso poder sentir que o verdadeiro propósito do autor nesse género é persuadir, talvez embelezando aqui ou acolá, em vez de informar pura e simplesmente. Ao ler estas Memórias, relevo a firmeza com que LPM acredita que teve/tem uma vida, uma experiência tão interessante que justifica contá-la catedraticamente, para servir de modelo ou compartilhá-la com os seus pares. Mas como é vulgar dizer, não somos o que pensamos ser, mas aquilo que os outros pensam de nós.
O autor prodigaliza, é verdade, uma grande quantidade de “informação ”, pormenores e nomes, com minúcia e intimidade, que como leitor não “iniciado” me confundem, partindo ele do pressuposto que os localizo.
Verdade seja dita, se visse este livro numa livraria, tê-lo-ia talvez adquirido, com curiosidade (talvez mais pelo título que reputo “sugestivo”) e depois iria abandoná-lo, com alguma perplexidade, dado o conteúdo relativamente rarefeito e opaco.
Supunha que iria ter acesso a alguns “segredos”, mas ao fim de algumas páginas, cheguei à conclusão que podia apenas esperar escassa iluminação daquilo que o autor tem a dizer sobre a sua própria “arte”.
Ao longo desta de composição literária, o autor supostamente buscaria plasmar as experiências e vivências que foram tomando lugar, especialmente as que modelaram a sua personalidade e que tiveram que ver com a atividade desenvolvida, mas que a mim não chegaram…


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Portvs Graal

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1)  Que razões ou motivos justificariam, atualmente, uma montagem de uma epopeia, tipo OS LUSÍADAS? E a sua leitura?
Muito pouco.
Em primeiro lugar, e não obstante o valor e qualidade do texto, marco muitíssimo importante na história da literatura em língua portuguesa, e nenhum outro épico ter suplantado Camões, que tirou o português do atraso medieval e o elevou ao máximo possível no seu tempo. Todavia e desde então, os portugueses muito especialmente os mais jovens, vão-se alheando dos versos que não entendem, e que por isso não lhes despertam curiosidade, tendo em conta os interesses imediatos e o desinteresse decorrente da sua formação humanística (entendida quanto a estes últimos no sentido mais tradicional da expressão).
Em segundo lugar, porque a qualidade e a distância em que OS LUSÍADAS está da linguagem moderna, criou um condicionamento que leva muitos (nomeadamente jovens) a evitarem a obra. É verdade que têm sido feitas tentativas para a tornar popular, fazer com que através do teatro ou cinema as pessoas possam, ao menos, conhecer as belas histórias, verdadeiras ou não (questão não especialmente relevante), que ela nos conta: Inês de Castro, o Velho do Restelo, o Gigante Adamastor ou a Ilha dos Amores.
Em terceiro lugar, porque se o leitor, mesmo não especialista, tiver paciência para prestar de novo um pouco de atenção aos versos de Camões, verá em termos de conteúdo, que hoje não estão muito distantes do que ele nos apresentou.

2)  Se estas considerações me parecem minimamente adequadas a OS LUSÍADAS, não as poderei estender a PORTUS GRAAL, cujo autor, não obstante os seus bons propósitos (União entre os Povos na Defesa da Solidariedade, utopia tão apropriada ao Sec. XXI como a Teoria da Conciliação), não revela erudição, estilo (lírico?), ou desenvolve temas (da História de Portugal, mas não só) comparáveis aos camonianos, que alegadamente pretende desenvolver, defender e atingir, para Cumprir Portugal, devolver-lhe a glória e renovar a coragem de um Povo.

3)  Parecer-me-ia que os destinatários desta obra (o público alvo), PORTUS GRAAL, são os jovens, a quem alegada e especialmente competiria a Defesa dos Valores Pátrios e a Prossecução da Fraternidade.
A ser assim, esta obra nasceria do pressuposto de despertar o prazer/ou necessidade da leitura, o que não é tarefa fácil, visto que o envolvimento do jovem, exige desde logo dos professores empenho e persistência.
A ser assim, teria também por objetivo auxiliar o jovem no despertar do prazer pela leitura, por meio do Conto Maravilhoso, atraente, que envolve personagens que pertencem ao universo adolescente dos heróis e outros.
Pretenderia eu que os jovens fossem incentivados no gosto pela leitura, conhecendo os Contos Maravilhosos Clássicos e Maravilhosos Históricos, fazendo releituras, para desenvolver a capacidade de leitura literária.
A leitura, é uma das atividades com maior poder de mudar opiniões e valores. Por isso, para jovens em processo de formação, existem livros que podem ser importantes para o momento em que se inserem.
Quem não se lembra de uma bonita história contada/recontada pelos pais ou avós? Histórias que de boca em boca, vão passando através das gerações, e assim viajam pelo mundo, se entrelaçam, se modificam e seguem o seu caminho, eternizando-se. Em cada família, há um contador de histórias. Quem conta histórias na família? Que tipo de histórias se prefere? A leitura é um bom lugar para se contar histórias? O que se pode encontrar no mundo maravilhoso das histórias?
Desde há séculos, o Conto Maravilhoso tem encantado, permitindo um mergulho na fantasia, no mundo da imaginação. Esse mundo imaginário tem importância no desenvolvimento humano, ao propor de forma inteligível histórias que partam da realidade do dia-a-dia, passem por situações fantásticas e finalmente devolvem o leitor à realidade. Uma característica importante desses Contos é a presença do elemento mágico e a intenção de ensinar algo sobre o comportamento humano.

4)  A minha Mulher, que foi professora, entende que não são os filhos que lêem pouco, mas os pais que não lêem nada. Acho que tem razão, pois é a geração que tem agora os filhos a estudar, que (quase) deixou de ler. As razões apontadas são várias. Uma vida quotidiana centrada no trabalho e não na casa e na família, livros a preço relativamente elevado, campanhas publicitárias de promoção da leitura fácil e do livro que se lê bem, crescente influência da televisão e agora da Internet, falta de apoio às livrarias que vão encerrando regularmente, ausência de leitura partilhada em casa e  escola.
5)  O Plano Nacional de Leitura e a escolha de livros com a menção Ler+, bem como o apoio às bibliotecas escolares, pretenderam combater a situação. Foi feito um esforço meritório e alguns resultados obtidos. Posso admitir que muitas crianças e jovens começaram a ler a partir de uma sessão na escola ou de um encontro com o escritor, numa Feira do Livro. O resultado global, no entanto, é desolador: são muito poucos os que têm o hábito de ler um livro (se dizem o contrário, enganam-se ou enganam-nos) ou muitos os que não chegam a ler um livro por ano! O desconhecimento de autores clássicos da literatura portuguesa é quase total e, mesmo no caso das leituras obrigatórias, são apenas consultados meros resumos.  Considero que a literatura light, por exemplo, a obra de Margarida Rebelo Pinto, é eventualmente best-seller, se filma (ou não) e depois de um tempo passa de moda e se esquece. Não é que defenda que a literatura light seja má, não haja livros bem escritos e bons como entretenimento, porém a boa literatura, a outra, a perdurável, a universal, a que incita a ler mais, a aprender mais, a estudar mais, ou seja, a que transcende e não passa de moda, seja passível de  comparação.
 Por exemplo, confesso que gosto de Rebelo Pinto, porém estou seguro de que nunca lerei uma segunda vez, o mesmo romance. Pelo contrário, li meia dúzia de vezes, OS MAIAS, pelo simples gosto de me deleitar com frases imortais.

6)  Qual o resultado real, em termos da promoção da leitura, a partir de uma sessão na Escola? Atrevo-me a dizer que é modesto. Os alunos que aparecem nas sessões ou estão lá com satisfação (os que já gostam de ler), ou são mandados comparecer ou preferem ouvir falar alguém que os retire da seca que é ter de ir às aulas.

A grande questão, é saber o que significa ler hoje em dia. O paradigma mudou. Cada vez a gente nova vê menos televisão e passa mais horas no computador, por vezes dependente de vários ecrãs ao mesmo tempo.
Ler, para os mais novos, já não significa estar sentado num sofá com um livro em suporte de papel.
Ler, hoje em dia, é receber informação a toda a hora, ver notícias ao minuto, pesquisar num sítio da Internet, verificar os comentários nas redes sociais. Qual o adolescente que visita uma livraria à moda clássica para escolher um livro? Qual o jovem que discute temas literários, como se fazia há 50 anos?
Se o paradigma mudou, a promoção da leitura, crucial para o desenvolvimento do cérebro e essencial para a qualificação dos portugueses, tem de mudar também.
A continuar sem mudar nada, os filhos de hoje, quando chegarem a adultos, ainda lerão menos que seus pais.
A partir do que está colocado, torna-se necessário repensar as concepções instituídas sobre a leitura, o seu espaço na sociedade, e as suas finalidades. É importante rediscutir modos de entender o ato de ler para que não se restrinja a leitura a modelos idealizados. A ampliação do conceito de leitura, do que é ler, do como se lê ou do que se lê, justifica-se cada vez mais, porque entramos no século XXI convivendo com os meios de comunicação de massas, instrumentos resultantes do avanço tecnológico, que contribuem significativamente na formação das pessoas, bem como influenciam sobremaneira a escolha das leituras, especialmente dos jovens.

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7)  Eu leio (e todos os alunos são assim, segundo dizem), o que os professores pedem, na maioria das vezes porque vai sair no teste.
Eu leio, o que os professores pedem, porque é para fazer um trabalho, uma pesquisa, uma coisa assim.
Eu leio porque preciso de nota, um dia vou acabar o ensino, e alguma coisa desse livro vai me ajudar.

8)  A gente não lê, umas vezes, por falta de tempo.
Mas lê, quando a gente tem que ter uma nota, se não também não vai ler.
É preciso entender que os jovens, como qualquer outro grupo que compõe a sociedade, necessitam de ser compreendidos de forma ampla e considerados a partir de determinadas variáveis, especialmente, as que se ligam às experiências sociais, culturais e económicas. E, no contexto da escola, isso deveria ser particularmente situado e posto em relevo, inclusive, como condição básica para que o processo de ensino e aprendizagem se construa de forma sustentável. As características trazidas pelos jovens sejam elas aprovadas ou desaprovadas pelos professores, são matéria-prima a partir da qual se constrói a possibilidade concreta do trabalho educativo. Por isso, a atual condição juvenil, deve ser vista como ponto de partida, e não como obstáculo para a escola. Implica aceitar que o processo educativo precisa de considerar efetivamente o que as pessoas são, fazem e pensam, e não o deveriam ser, fazer ou pensar.

9)  Os jovens que apreciam a leitura, têm segundo creio mais facilidade em aprender, comunicar melhor e acabam por assegurar um desempenho superior noutras matérias da escola, além do português.
Muitos pais, sabendo disso, estimulam os filhos a ler, desde cedo. No entanto, nem sempre esse empenho apresenta resultados correspondentes. Uma criança que adora livros não continuará necessariamente  a ser um leitor interessado na adolescência.
As crianças adoram ouvir histórias, assim como se interessam pela leitura após a alfabetização. O descobrimento das letras e a capacidade de adquirir conhecimentos por meio dos textos é algo muito motivador. Porém, com o passar do tempo, não é incomum que as mesmas crianças, que devoraram livros do Harry Potter detestem ouvir falar das leituras recomendadas pela escola. Segundo os especialistas, isso acontece, na maioria das vezes, porque o estímulo para ler, dentro de casa, pode não ter sido suficientemente forte.
A escola também pode pecar por tratar a leitura como uma obrigação, o que serve para afastar os jovens desse bom hábito. O adolescente lê o que a escola manda, em vez de ler o que dialoga com seus interesses e com os desafios que enfrenta para conviver, estudar e se tornar, futuramente, um profissional. Por não se identificarem com muitos títulos com os quais têm contacto, os jovens podem perder a vontade de ler. A obrigatoriedade rouba aos alunos o interesse da descoberta. Escolher uma leitura faz parte de um processo de encantamento com a obra.


      10) Em suma e s.m.o.:
-Não consigo localizar minimamente o público-alvo de PORTUS GRAAL de acordo com o meu critério, mais ou menos usual: conjunto de pessoas que possuem as mesmas características ou interesses, apurados em função, p. e., da idade, sexo, nível económico, estrato social, residência, entre outros.
-PORTUS GRAAL, não serve a esmagadora generalidade dos jovens portugueses.
-PORTUS GRAAL não serve a grande maioria dos portugueses mesmo mais velhos, pela novidade, valor e qualidade/clareza do texto.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

-OS GRANDES/PEQUENOS PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA- PORTUGAL E ALCOBAÇA-


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O homem comum, o soldado, o prisioneiro e o deslocado raramente são protagonistas nos livros de História.
Como escreveu o poeta brasileiro, a história humana não se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas; nas ruas de subúrbio, nas casas de jogo, nos prostíbulos, nos colégios, nas ruínas, nos namoros de esquina. Disso quis eu fazer a minha poesia, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz.
O século XX português e alcobacense teve grandes protagonistas que o marcaram e moldaram. Já perpassamos por D. Carlos (rei numa monarquia sem monárquicos) e Afonso Costa (outro Mata Frades), mas não podemos esquecer, Salazar (governava o País como uma dona de casa), Duarte Pacheco (uma curta vida para quem queria andar tão depressa), Egas Moniz (a lobotomia como técnica da operação ao cérebro), Óscar Carmona (sempre presente da Ditadura Militar, à Ditadura Nacional ao Estado Corporativo, mas em segundo plano), Vasco Santana (um Zé Povinho, do palco e da tela), Amália Rodrigues (Rainha do Fado), Humberto Delgado (abalou sem medo o regime), Mário Soares (republicano de percurso sinuoso, possuidor de um enorme ego, na maior parte das vezes socialista), Álvaro Cunhal (inabalável nas convicções, ainda que contra as evidências), Sá Carneiro (um meteoro político, de visão e de palavra), José Saramago (um mal amado, incompreendido por alguns, mas que sabia sobre o que escreveu), Paula Rego (artista de muitos contos e de histórias de colorida intensidade, aparentemente ingénuas) ou Eusébio (o senhor golo).
E em Alcobaça? Afonso Lopes Vieira, Manuel Vieira Natividade e outros.

Houve muitos vencedores no século XX, países que se reputaram vencedores saíram, porém, devastados, o sofrimento, a dor, a memória dos tempos conturbados e das lições amargas, vinham amiúde à tona.
As disputas que surgiram depois de qualquer uma das guerras, foram alegadamente destinadas a evitar uma outra, a criar um mecanismo e um estado de espírito conducentes à revolução pacífica dos diferendos. Essas disputas, fossem elas o confronto entre formas extremas de nacionalismo, entre o mundo comunista e o não comunista, entre as potências coloniais e os que estavam sobre o seu domínio, resvalaram frequentemente para a violência. Os ódios étnicos, pulsavam apesar de artificialmente recalcados e numa primeira oportunidade vinham à superfície, sem olvidar  limpezas étnicas.
A energia nuclear, a mais poderosa ameaça de destruição jamais pensada ou concebida, que se iria revelar também o mais poderoso instrumento de dissuasão, gerou um debate que, nas democracias, fez prevalecer os argumentos morais e médicos sobre as estratégias militares.
A partir da última metade do século XX, a televisão chegou às casas de centenas de milhões de pessoas e levou os elementos da luta global, como a fome e a guerra, a pessoas que estavam a milhares de quilómetros de distância e se supunham a ela imunes. Recorde-se, por exemplo, o seu impacto na Guerra do Vietname e os movimentos que despoletou. Mas, com o tempo, também funcionou como analgésico.
O verdadeiro progresso não é, afinal, uma lei da natureza, pois todos dias e nos mais variados lugares, registam-se avanços e recuos nada subjetivos.

Aos poucos, o Homem viu melhorar as condições de vida, mesmo em países que estavam à margem da política ou da ideologia predominantemente corretas. Não obstante, a luta por uma vida melhor não ter chegado ao fim, aliás nunca o alcançará, apesar das características dessas lutas terem sofrido frequentes e muitas alterações, a procura da realização humana ainda que com dor, vai continuar a desafiar e inspirar o século XXI.   

-Bolo Rei vs. Bolo de Natal ou Bolo Presidente- NOVOS SÍMBOLOS DA I REPÚBLICA EM PORTUGAL E ALCOBAÇA-


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A gastronomia pode, também, ser uma vítima (inocente) da revolução. Em Portugal, após a implantação da República, o alvo foi o inofensivo Bolo-Rei.
A impudente sanha dos revolucionários do 5 de Outubro na sua ânsia de criar fraturas com o anterior regime, abateu-se também sobre esta muito portuguesa iguaria natalícia, que não podia mais continuar a usar a palavra rei . Se tinham acabado para sempre os reis em Portugal, também tinham de acabar na doçaria. Os fabricantes, que queriam continuar a cozinhar, vender ou defender o velho Bolo-Rei, tiveram de lhe encontrar nomes alternativos e politicamente aceitáveis ou corretos.
Uns optaram por o rebatizar de Bolo de Natal, Bolo das Festas ou Bolo de Ano Novo, enquanto outros optaram por ex-Bolo-Rei. Houve ainda quem adiantasse que a melhor e mais consensual designação seria a de Bolo Nacional. Mas isto não satisfez alguns republicanos, que começaram a chamar-lhe Bolo-Presidente ou mesmo Bolo-Arriaga, em honra de Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da República, que terá achado ridículo o empenho e não o aprovou.
Em Alcobaça, terá havido um ou outro caso, de repúdio pelo nome tradicional, o que acarretou que, por via de dúvidas, o doce que era importado de Lisboa e chegava pela carreira do Valado, fosse vendido ao público (em muitas famílias era feito em casa) com a designação, mais aceitável, de Bolo de Natal.

A intenção da República prosseguir um programa político e cultural da modernidade, exigiu a visibilidade e o reconhecimento de um novo poder simbólico, político e cultural, que usou vários instrumentos simbólicos, entre os quais estava o Busto da República.
A imagem da República Portuguesa foi representada de várias formas, seguindo o modelo francês da Liberdade, da autoria de Delacroix, caraterizando-se, apenas, pelas cores vermelha e verde das roupagens. A partir de 1912, o Busto da República, da autoria de Simões de Almeida, tornou-se um padrão oficial da imagem da República Portuguesa e a ser considerado um dos símbolos nacionais, tal como o retrato do Chefe de Estado, o Brasão de Armas, a Bandeira e o Hino. Chegou a ser obrigatório a existência de uma reprodução do Busto da República, em local bem visível, nos edifícios públicos. Mas ao invés do que aconteceu com os demais símbolos, este foi caindo em desuso, sendo hoje, raro encontrá-lo. Em junho de 1910, o fotógrafo alcobacense Carlos Gomes reproduziu fotograficamente o Busto da República, que se encontrava no Quartel, vendendo cada reprodução ao preço de 500 reis. Na montra da Farmácia Campeão, veio a ser exposto um Busto da República, em imitação de bronze que, segundo os (devotos) republicanos, constituía um elegante adorno de sala, tão perfeita era a modelação, tão bem lançada e artística é a cabeça altiva e insinuante. Encarregava-se do seu fornecimento a Casa Catalá, de Lisboa, que tinha como proprietário o alcobacense António Lopes de Oliveira, custando cada exemplar a módica quantia de 12$500 Reis. Na Sessão de 2 de fevereiro de 1914, foi autorizada a Comissão Executiva da Câmara Municipal a adquirir um Busto da República para a Sala das Sessões, sendo o mesmo, ao que se admite como muito provável, o que ainda lá se encontra. O Centro Republicano por sua vez adquiriu um exemplar.

Também foi dada muita importância à Bandeira verde e vermelha (que foi hasteada pela primeira vez em Lisboa na Festa da Bandeira, a 1 de dezembro de 1910), ao Escudo (5 quinas e 7 castelos), à Esfera Armilar (manuelina), ao Hino Nacional (A Portuguesa), à Moeda (o escudo que substituiu os reis), ao Calendário (novos feriados e festas nacionais), à Divisa (Saúde e Fraternidade), à Festa da Árvore, ao Panteão Nacional (a Igreja de Santa Engrácia foi escolhida como monumento para o instalar), às condecorações (a Torre e Espada foi a única Ordem que se manteve), à Toponímia, à Numismática ou à Filatelia (Coleções Ceres em 1912, 1917/1920, 1921/1922, 1923/1926).
Para entender a evolução dos diferentes processos de legitimação simbólica, política e cultural, há que ter em conta a posição do Presidente da República António José de Almeida, longe do tempo dos primeiros governos e de Afonso Costa, manifestada em vários momentos, como no discurso que proferiu no Congresso, a 7 de abril de 1921, em honra dos transladados Soldados Desconhecidos, que teriam permanentemente no Mosteiro da Batalha uma Guarda de Honra, a Chama da Pátria e a proteção do Cristo das Trincheiras.
Mas se a escolha do átrio do Congresso, para exposição dos corpos dos heróis, foi acertada, a deliberação de os levar em definitivo para a Batalha traduz o melhor preito que à sua memória se podia prestar. O Mosteiro da Batalha é, conjuntamente, uma obra de poetas, de guerreiros e de crentes (…). O crente católico pode ajoelhar e rezar, porque como Casa de Deus, não a há mais pura e acarinhadora. Quem tiver outras crenças sentir-se-á comovido pelo aspeto imponente das naves, que proclamam grandeza, ou pela solidão enternecida dos claustros, que traduzem recolhimento, lenda, mistério, tudo envolvendo uma tradição que vem de longe (…). Toda a gente lá pode entrar, toda, a principiar pela própria República/Regime, pela própria República/Estado, que, sem adotar nenhuma confissão religiosa, mas respeitando todas as religiões, não pode deixar de sentir especiais deferências por aquela que, além de ser a da grande maioria dos portugueses, tem por suprema divindade o mesmo Cristo que (…), não é só o Deus dos católicos, mas também, na História de Portugal, o companheiro de armas de Nun’Álvares (…).
No dia 9 de abril de 1921, foram transladados para a Batalha, os restos mortais de dois Soldados Desconhecidos, vindos da Flandres e da África Portuguesa representando os mortos anónimos das expedições enviadas aos referidos teatros de operações e o sacrifício do Povo Português.
Os primeiros governos republicanos, conforme o ideário político-social de republicanização e nacionalização do Estado e da sociedade, com derivas radicais para o secularismo e o laicismo inseridos num alegado processo de secularização e de laicidade, investiram na politização das forças (GNR, missões civis e militares de propaganda, sociedades de instrução militar preparatória) e do capital simbólico (símbolos nacionais, memória e história nacional, tempo e calendário republicano, heróis e grandes homens, separação do Estado e das Igrejas, laicização do ensino, educação cívica).
O aprofundamento da secularização fez-se através do culto cívico da Pátria e da religiosidade profana do Estado, com a finalidade de retirar o controlo simbólico e social da intervenção eclesiástica, e até da religiosidade sagrada à Igreja. Valorizaram-se, idealmente, as expressões da liberdade e da consciência individual, para a construção do Estado de Direito, mas o mito revolucionário, que escorreu nos múltiplos pronunciamentos militares, acompanhará permanentemente o regime, inviabilizando a normalidade institucional de uma República que, na Constituição de 1911, consagrava um princípio inovador (embora amiúde postergado), a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, artº 3º/4.
A resistência aos governos republicanos multiplicou-se, ajudada pelas dificuldades decorrentes da I Guerra.
Tal como alguns tinham previsto, a Lei da Separação deu ao clero um sentido de vitimização e de solidariedade que reforçou a hierarquia e a relação com Roma, tornando a Igreja portuguesa mais integrada e combativa. Apesar da forte carga anticlerical que a propaganda republicana sempre manifestara, com a implantação da República não se ocorreram logo grandes atos de violência contra membros do Clero ou a Igreja, salvo alguns episódios em Lisboa e a sul do Tejo.
A legislação anticlerical iniciou-se com a reposição das leis pombalinas que expulsaram os Jesuítas (quando partiram para o exílio, sob a vigilância da tropa republicana, no tentativa de humilhação foram obrigados a usar chapéu e fato escuros) e extinguiu as ordens religiosas.
Depressa, o governo acabou com os feriados religiosos, as enfermeiras substituíram as irmãs de caridade, o ensino da doutrina cristã foi retirado dos programas escolares e extinta a Faculdade de Teologia de Coimbra. No início de novembro foi publicada a Lei do Divórcio e em fevereiro de 1911, o Código do Registo Civil (legislação que no conjunto foi sendo trabalhada e desenvolvida), que tornou obrigatório o registo civil dos nascimentos e casamentos. A medida mais polémica, foi a Lei da Separação do Estado das Igrejas (abril de 1911), que consagrava a separação entre a Igreja Católica e o poder político. As relações entre o Estado e a Igreja foram-se degradando sucessivamente, de maneira que a 10 de julho de 1913, foram cortadas as relações diplomáticas com a Santa Sé.
A perspetiva evolucionista de Sampaio Bruno manifestou-se ao insistir, que o fio da tradição tinha de ligar-se à trama da renovação, para que não se produzam hiatos nem se rasguem lacunas, e, assim, uma pátria nova quer simplesmente dizer a pátria antiga depurada, melhorada, aperfeiçoada, civilizada, progressiva, firmada nos conceitos da razão pura e nas admoestações da tradição histórica.
Após vinte anos de interregno, na cerimónia diplomática de imposição do barrete cardinalício ao Núncio Apostólico, Monsenhor Achilles Locatelli, ocorrida a 3 de janeiro de 1923 no Palácio da Ajuda, afinal nada mais que uma praxe ou ritual diplomáticos como descrevia a imprensa republicana, o Presidente António José de Almeida salientou a importância do catolicismo na sociedade portuguesa e na definição da identidade nacional, ressaltando o simbolismo da Cruz de Cristo, presente nalguns momentos identitários da construção de Portugal, em terra, nos descobrimentos e, agora, no ar.
(…) a quase totalidade da Nação segue o credo católico e o Estado republicano, sem desdouro para os princípios neutrais, ou menoscabo das suas leis, já declarou um dia, por meu intermédio, e com aplauso unânime, na soleníssima cerimónia patriótica em honra dos Soldados Desconhecidos, que tem especiais deferências para com essa mesma religião, que é tradicionalmente a da grande maioria dos portugueses (…). Os vossos votos para que este belo país conserve, conforme dizeis, a nobre característica cristã do seu caráter e do seu génio, terão fácil realização, porque, como sem esforço verificais, os intuitos cristãos da grande massa dos portugueses são evidentes e tão assinalados que a Cruz de Cristo aparece sempre com um prestígio a cada momento revigorado, através da sua história, ou nos épicos acontecimentos que determinaram a formação da nacionalidade, ou nos nossos famosos empreendimentos marítimos de há séculos, ou nos nossos magníficos feitos aéreos de há meses (…).
Nesse dia, e como reação contra essa cerimónia, os livre-pensadores de Lisboa realizaram uma romagem ao cemitério, onde se encontram sepultados Helidoro Salgado, Miguel Bombarda, Manuel Buiça e José Costa, cobrindo as respetivas campas com flores e cartões. Desta manifestação dissociaram-se os republicanos, embora não a tenham contestado.
O reatamento das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé ocorreu a 10 de julho de 1918, embora apenas tivessem sido normalizadas com Salazar e a Concordata. Em 6 de julho de 1928, a Ditadura Militar decretou a reposição da paz entre Portugal e a Igreja Católica, após Sidónio Pais ter recebido dias antes o enviado de Bento XV, Monsenhor Ragonesi e, em abril de 1919, o Núncio Apostólico Monsenhor Locatelli ter entregue as credenciais ao Presidente da República Canto e Castro.
Na Mensagem do Cardeal Patriarca António Mendes Belo a Sidónio Pais, seis dias de ser assassinado, estava patente o reconhecimento da nova postura do Estado face à religião e em especial à Igreja Católica: As injustiças e violências, os atentados e perseguições, de que a Igreja Católica tem sido alvo em Portugal, desde que foi nele implantado o regime político em vigor (…); essa tão humilhante e dolorosa situação principiou de suavizar-se desde que V. Exª. Sr. Presidente, assumiu o governo do Estado, publicando desde logo, com geral aplauso, medidas importantes, e, entre elas, a que anulou os efeitos dos Decretos que impunham a alguns Bispos, Párocos e outros membros do Clero, o desterro para fora das suas Dioceses, Paróquias e até do País (…), e mais recentemente, o reatamento das relações de Portugal e a Santa Sé, que haviam sido bruscamente interrompidas (…).
Os Bispos portugueses haviam feito questão de revelar disponibilidade para aceitar uma separação da Igreja do Estado, desde que fosse salvaguarda a liberdade de exercício de culto e o seu múnus em geral, bem como a posse e domínio dos haveres.
Foram confrontados, não com uma separação, mas com um Estado hostil e violento.
Os republicanos argumentavam, porventura retoricamente, que o Vaticano estava preocupado com a atitude de uma parte do clero português, pelo que o Pontífice, na sua última conferência com o Núncio em Lisboa, Monsenhor Locatelli, o teria incumbido de proceder a um inquérito sobre o assunto e de fazer ver ao clero que a verdadeira missão não é interessar-se pela política, muito menos pelo combate político.
O Semana Alcobacense que não perdia uma oportunidade de se manifestar anticlerical, ainda que com picardias por vezes de qualidade muito discutível, escrevia que (…) se o Senhor Locatelli de tal missão vem incumbido, deverá não se esquecer nas suas investigações de certo padre que paroquia ali para os lados das Alcobertas que num sermão recente ali na Benedita – pois onde havia de ser? – importou-se mais com a monarquia do que com a religião que o tem por ministro, e de tal maneira de Paiva Couceiro levou a falar, que dir-se-ia ser este, e não o infeliz Nazareno, aquele cuja trágica odisseia no momento se comemorava…(…).


-A NOVA BANDEIRA EM PORTUGAL E ALCOBAÇA COM A I REPÚBLICA-


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O debate sobre as cores da Bandeira Nacional será um bom momento para Sampaio Bruno refletir sobre a compatibilidade da tradição com a revolução. Dez dias após o 5 de Outubro, defendeu que a bandeira vermelha e verde era a bandeira da Revolução rompendo com a tradição nacional, correspondente ao período revolucionário e à memória republicana, e a bandeira da Nação renovando a tradição nacional, tinha que continuar a ter as cores azul e branco, substituindo a coroa monárquica, por uma estrela de ouro republicana: (…) a bandeira azul-e-branca, com o seu escudo e disposição, é a única que o preto de África conhece como representativa da soberania de Portugal. (…) é o símbolo de Portugal para o indígena das nossas colónias. É a única que ele conhece. Fazê-la desaparecer implica comprometer a nossa soberania colonial (…).
Após a implantação da República, foi nomeada uma Comissão para apresentar um projeto de bandeira que representasse a ligação entre o Regime Republicano e a História, que resumisse a vontade nacional.
Vários projetos foram analisados, mas com a primeira apresentação pública da bandeira a dia 1 de dezembro de 1910, foi este dia declarado o da Festa da Bandeira. A cor vermelha que já estava presente no estandarte português desde D. João II, era uma cor viril, a cor da conquista e do risco e o verde a cor da revolução e do futuro. O escudo das quinas, com a esfera armilar, interpretava o génio aventureiro português. 
Em 7 de dezembro de 1910, a Câmara Municipal de Alcobaça deliberou encarregar um vereador de adquirir em Lisboa uma Bandeira Nacional, para ser hasteada em dias solenes nos Paços do Concelho. Todavia, foi Alberto Vila Nova quem fez essa aquisição, aquando de uma deslocação à capital.
A Junta da Paróquia de Maiorga, só em setembro de 1911, teve condições materiais para adquirir na Cordoaria Nacional, uma bandeira nacional, a qual foi hasteada na sua sede depois de uma missa solene, numa cerimónia onde se deram, Vivas à Pátria, à República e ao Governo Provisório, se lançaram foguetes, abrilhantada pela Banda de Música local que interpretou A Portuguesa, e ainda pelo discurso do Pároco Pe. António Duarte Patoleia, que enalteceu a ideia da República associada à de Pátria.
Realizada a parte principal da festa, música e povo percorreram algumas ruas da localidade em boa ordem, dirigiram-se à habitação do Pe. Patoleia, onde foi servido um lanche a alguns convidados.
Outras Juntas de Paróquia também adquiriram a Bandeira Nacional.
Nalguns casos mediante subscrição popular.


-O HINO E A MOEDA COM A I REPÚBLICA-

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A Portuguesa foi composta sob os efeitos da comoção nacional decorrente do Ultimato, cantada pelos revolucionários de 31 de janeiro de 189.
Aquando da implantação da República irrompeu de novo e espontaneamente entoada pelo povo que acorreu às ruas de Lisboa pelo que naturalmente a Assembleia Constituinte a proclamou como Hino Nacional.

Em junho de 1911, o Real deu lugar ao Escudo/ouro, unidade monetária com o valor nominal de 1000 réis que se encontrava dividida em 100 centavos o qual passou a ser base do sistema monetário nos territórios portugueses, salvo no Estado da Índia.
A nova moeda continuava, ao fim de algum tempo, a causar confusão/perturbação popular, o que dava azo a que alguns oportunistas procedessem a emissão e passagem de notas falsas, ainda que de qualidade inferior, como aconteceu em outubro de 1914, em Alcobaça.
Segundo as declarações prestadas pelos próprios aquando detidos pela polícia em Alcobaça, apurou-se que se haviam deslocado de Lisboa, um tal rapaz que se chamava Palaz de Lencastre, carpinteiro de 20 anos e um outro Manuel dos Santos, vendedor ambulante, de 72. Desembarcando na estação de Valado de Frades de manhã, começaram logo a sua faina fraudulenta.
Porquê em Alcobaça?
O Manuel dos Santos, tinha saído há muitos anos da Vestiaria, de onde era natural, quando foi prestar serviço militar. O Palaz era seu conhecido de há pouco tempo e reputado pela habilidade manual que desenvolveu na Casa Pia, aonde o Manuel dos Santos o encontrou.

Em Alcobaça, havia pessoas aflitas, por causa da troca de antigas notas de 5$000 e 20$000 reis. Segundo responsáveis do Centro Republicano, que sugeriam aos mais velhos uma deslocação à sua sede para lhes serem prestados esclarecimentos, não havia razões para receio, pois os possuidores de notas de qualquer daqueles valores, podiam estar descansados, já que não lhes iria faltar tempo para as permutarem por novas, tanto mais que o prazo das notas de 20$000 reis foi prorrogado até 5 de Outubro de 1911, sem prejuízo de sempre se poderem trocar numa agência ou correspondência do Banco de Portugal. A mais próxima era em Leiria, pelo que o estabelecimento do Zé Militar facilitava a troca a quem lá fizesse aquisições de géneros alimentares. O mesmo acontecia com as notas de 5$000 reis, para cuja troca não havia dificuldade no mesmo estabelecimento, pelo menos enquanto o Governo reconhecer que há razão para continuar a prolongar o prazo.

A escrituração do Estado principiou a ser feita de acordo com o escudo, no dia 1 de julho de 1913. Não seria apenas na contabilidade pública que, doravante, se iriam usar escudos e centavos, pois que os documentos particulares só valeriam em Juízo ou nas repartições públicas, se escriturados de harmonia com a nova moeda. A moeda de 5 reis ou meio centavo, iria subsistir durante algum tempo nas transações particulares. Nas contas do Estado, iria efetuar-se arredondamento em centavos, para mais, sempre que se trate de receita ou, na despesa, a fração de 5 ou menos.

Em janeiro de 1915, deixaram de ter curso legal no continente, ilhas não incluídas, as moedas de 500 reis/D. Pedro V, pelo que os seus possuidores com dificuldade em as trocar nas repartições oficiais, podiam faze-lo no Zé Militar, ainda que da mesma forma referida.


-OS FERIADOS NO PAÍS E EM ALCOBAÇA COM A I REPÚBLICA-

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A 12 de outubro de 1910, o Governo Provisório aprovou cinco novos feriados, Fraternidade Universal/1 de janeiro, Precursores e Mártires da República/31 de janeiro, Heróis da República/5 de Outubro, Autonomia da Pátria Portuguesa/1 de dezembro e Família /25 de dezembro, acrescentando-se em 1 de maio de 1912, o do Descobrimento do Brasil/3 de maio, dada a convicção de ter sido este o dia da chegada de Álvares Cabral.
Este calendário perdurou até 29 de julho de 1929, momento em que o Governo de Ivens Ferraz, embora mantendo-o decidiu que o 1º. de dezembro passasse a evocar a Restauração da Independência, e criou o Dia de Portugal/10 de Junho, que passaria a ser  o mais importante. Desde a Lei nº 1783, de 25 de maio de 1925, este era já considerado o Dia de Portugal (honrando Luís de Camões), até então evocado a partir de 1911, pela Câmara Municipal de Lisboa, numa concorrência laica com as Festas de Stº. António.
Ao longo da I República foram decretados, em diversas ocasiões, feriados excecionais, inscritos na sua vivência laica e patriótico-liberal. Entre eles, o 20 de abril de 1913/2º. aniversário da Lei da Separação do Estado e das Igrejas, o 18 de outubro de 1917/1º. centenário da execução de Gomes Freire de Andrade e seus camaradas, 9 de abril de 1921/trasladação para o Mosteiro da Batalha dos restos mortais dos Soldados Desconhecidos/aniversário da Batalha de La Lys ou o 5 de fevereiro de 1924/homenagem a Camões.
Uma resolução do Papa Pio X, em 2 de julho de 1911, estabeleceu oito dias santos, Circuncisão/1 de janeiro, Epifania ou Reis/6 de janeiro, Ascensão do Senhor/dia móvel, Apóstolos S. Pedro e S. Paulo/29 de junho, Assunção de Nossa Senhora/15 de agosto, Todos os Santos/1 de novembro, Imaculada Conceição/8 de dezembro e Natal/25 de dezembro. Em meados da década de 1920, juntou-se o dia de S. José/19 de março e o do Corpo de Deus/dia móvel, perfazendo um total de dez dias santos. 
Coincidiam com os feriados laicos da I República Portuguesa, o 1 de janeiro e o 25 de dezembro, apesar das respetivas evocações.
O Dia da Imaculada Conceição/8 de dezembro, padroeira de Portugal, será também feriado nacional com o Estado Novo, a partir de junho de 1948. Em 4 de janeiro de 1952, após acordo entre Portugal e a Santa Sé, estabeleceu-se o novo calendário dos feriados civis e religiosos, 1 de janeiro, Corpo de Deus/Quinta-feira, móvel, 10 de Junho, 15 de agosto, 5 de Outubro, 1 de novembro, 1 de dezembro, 8 de dezembro e 25 de dezembro.

A resistência de Salazar em estabelecer os novos feriados levou o Cardeal Patriarca Gonçalves Cerejeira ao seguinte comentário: (…) a demora na solução do caso está causando reparos (…). E por outro lado, urge resolvê-la, para se não acabar de todo com o que resta de costumes cristãos no povo. O trabalho aos domingos  e aos dias santos afasta o povo da Igreja (…).
O primeiro feriado republicano a ser comemorado foi o 1 de dezembro, deliberando o Governo Provisório, em 23 de novembro de 1910, com a aprovação do projeto definitivo da Bandeira Nacional, que esse fosse o dia da Festa da Bandeira, considerada na linguagem oficial do diploma a representação objetiva da Pátria e o precioso símbolo que resume as suas aspirações, sentimentos nobres e energias.
A Festa do Patriotismo/Festa de Nuno Álvares Pereira, foi instituída em 13 de agosto de 1920, para ser celebrada a 14 de agosto, dia da Batalha de Aljubarrota, também conhecida como Festa da Pátria dinamizada pela Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira em articulação com o Governo, Igreja e Exército. A outra festa nacional foi a referida Dia/Festa de Portugal/Luís de Camões, consagrada desde 25 de maio de 1925, para ocorrer no dia 10 de Junho, dia da morte do vate que já era comemorado como feriado municipal pela Câmara Municipal de Lisboa, desde 20 de junho de 1911.

Tendo o Governo Provisório da República, aprovado os feriados nacionais, facultou às Câmaras Municipais o poderem escolher o ferido local.
Qual deveria ser, em Alcobaça, o dia do Feriado Municipal? Entre a nova classe política local, as opiniões divergiram, como começava a ser usual. A Junta de Paróquia de Prazeres de Aljubarrota, propôs o dia de S. João/24 de junho, alegadamente por ser um dia consagrado às festas populares, enquanto que a de Alfeizerão o dia 15 de agosto e as de S. Martinho do Porto e Alcobaça o dia 1 de maio. As Juntas de Paróquia de Alpedriz, Pataias (embora esta de certo modo preferisse o dia 1 de maio), e Maiorga, comunicaram concordar com qualquer solução que a Câmara tomasse sobre o dia do Feriado Municipal, desde que não estivesse dependente da religião….
Perante esta divisão de opiniões, nos termos do art. 2º. da Lei de 12 de outubro de 1910, a Câmara deliberou escolher o dia 1 de maio para Feriado Municipal de Alcobaça.
Porém, em 10 de abril de 1912, a Câmara atendendo à opinião manifestada por várias instituições do Concelho, nomeadamente o influente Centro Republicano, deliberou revogar a deliberação resolvendo que, em vez do dia 1 de maio (dia de folga, quase universal), escolher o dia 15 de agosto, aniversário da inauguração do Hospital da Misericórdia, esse magnífico padrão do altruísmo alcobacense.
Esta data, veio a ser mudada, para 20 de agosto, dia de S. Bernardo, o que se mantém. Em Alcobaça/Bahia/Brasil, este é também o dia do feriado local.