sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Apresentação em Peniche do livro "No tempo dos Boéres em Portugal"- publicação no jornal região oeste

JRO – Jornal Região Oeste
FORTALEZA DE PENICHE RECEBE APRESENTAÇÃO DE LIVRO SOBRE A PRESENÇA DOS "BOÉRES" EM TERRITÓRIO NACIONAL
No próximo sábado, dia 7 de dezembro, pelas 16h, o Museu Nacional Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche, irá acolher a Apresentação do livro "No tempo dos Bóeres em Portugal, da autoria de Fleming de Oliveira. Esta sessão contará com a organização do Município de Peniche e da Direção-Geral do Património Cultural e a apresentação da obra ficará a cargo do editor Carlos Fernandes.
Neste livro, editado pela Hora de Ler, é descrita a passagem por Portugal, entre 1901 e 1902, de um contingente de refugiados bóeres, resultantes da 2.ª Guerra Anglo-Bóer (1899-1902) que à época decorria na região do Transval, na África do Sul. Durante este período a então vila de Peniche acolheu 368 bóeres que ficaram internados na Fortaleza, e noutros locais da povoação. Os refugiados bóeres estavam autorizados a andar livremente pela península e, em algumas ocasiões especiais, podiam deslocar-se ao exterior. Os tempos livres eram ocupados com caminhadas, eventos desportivos, associações de debate e troca de correspondência. Alguns bóeres trabalharam na construção civil e agricultura.
O autor, Fernando José Ferreira Fleming de Oliveira, nasceu no Porto, em 22 de fevereiro de 1945. A 15 de novembro de 1969, licenciou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Foi Delegado do Procurador da República em várias comarcas. Vive e trabalha em Alcobaça como advogado, desde 1974. Foi eleito, em listas do PSD, substituto legal/ vice-presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, assim como presidente da Assembleia Municipal, deputado à Assembleia da República e deputado municipal. Colabora regularmente em jornais e revistas, realiza palestras e conferências sobre temas históricos e faz crítica literária.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

O "Erro" de Lavoisier


O “ERRO” DE LAVOISIER

FLeming de Oliveira

1)-O meu Avô paterno, respeitável bancário, apreciava a bricolage e alguns ensaios, ditos científicos, que fazia na cave da casa, com algum incómodo da minha Avó.  Por isso, na família, dizia-se carinhosa ou jocosamente que era um bancário frustrado, não obstante ser homem de confiança de A. Cupertino de Miranda, com quem trabalhou durante mais de 30 anos, mesmo ainda antes de este constituir o Banco Português do Atlântico, no Porto.

 Um belo dia, ainda não frequentava eu a escola primária, cobriu uma vela acesa com um pote de vidro e anunciou-me que iria provar que, após pouco tempo, o fogo apagava por si. A experiência, obviamente, não o deixou mal colocado. Explicou-me que a combustão consumia o oxigénio do ar pois que, por outras palavras, sem oxigénio, não há fogo. Já tinha uma vaga ideia disto e por isso não fiquei de boca aberta.
-Queres saber quem descobriu a função desse gás na combustão? Foi um génio francês, que morreu há muitos anos, chamado Antoine Lavoisier.
-Está bem!

2)-Lavoisier nasceu em 26 de agosto de 1743 em Paris, e filho de um advogado, esperava-se que seguisse as pisadas do pai. Contudo, o rapaz interessava-se menos pelas humanidades e mais pelas ciências e, ao fim de algum tempo, tomou especial gosto pela química, uma área ainda pouco explorada.
Lavoisier que ficou conhecido por derrubar teorias científicas, demonstrou que a combustão e outros processos relativos (como a calcinação de metais) eram o resultado do oxigénio se combinar com outros elementos, que a massa dos produtos da reação era igual aos que deram origem a ela. Era o princípio da conservação de massas, conhecido pela celebérrima expressão: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
A relação entre Lavoisier e o oxigénio não se quedou por aqui, pois ainda descobriu a sua função na respiração, na oxidação, nas químicas. Identificando-o como um dos componentes do ar, renomeou em 1777 o “ar essencial” como “oxigénio” , com base no grego ὀξύς (oxys) (ácido, literalmente "amargo") e γενής (genēs) (produtor, literalmente "que gera"), porque pensava, erroneamente, que o oxigénio era um constituinte de todos os ácidos. Os cientistas comprovaram, depois, que Lavoisier estava errado, o hidrogénio constitui a base química dos ácidos. Entretanto o nome “oxigénio” já se popularizara o suficiente para assim permanecer. Afinal, tal como Descartes estava errado…
Lavoisier colaborou na construção do sistema métrico, na reforma da nomenclatura química, escreveu a primeira relação de elementos químicos, previu a existência do silício  e estabeleceu o enxofre como um elemento, ao invés de um composto. E demonstrou que, ao contrário do que se pensava, água é uma substância composta, formada por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio/OH2. Essa descoberta foi muito importante, pois, segundo a “Teoria de Tales de Mileto, então ainda aceite, a água era um dos quatro elementos terrestres primordiais, a partir da qual outros materiais eram formados. Por esta e por outras, foi chamado de pai da química moderna. 

3)-Lavoisier comprou ações da “Ferme Générale”, que sendo rendáveis ganhou bastante dinheiro e animosidade. Tratando-se de uma sociedade que o povo em geral odiava, impopular por causa dos abusos que praticava na cobrança de impostos, esse sentimento tornou-se extensível aos sócios e agentes. Com a Revolução Francesa, elementos da “Ferme Générale” foram presos, levados a julgamento e Lavoisier condenado à guilhotina. Cientistas de toda a Europa, ainda enviaram uma petição para que Lavoisier fosse poupado, e o presidente do tribunal, Jean-Baptiste Coffinhal, em resposta ao último e desesperado apelo da esposa para que pudesse prosseguir a pesquisa científica, recusou e proferiu uma frase que ficou marcada nos livros de história: "A França não precisa de cientistas."
Em 8 de maio de 1794, aos 50 anos, Lavoisier foi guilhotinado. O matemático Joseph-Louis Lagrange, no dia seguinte, resumiu o dramático episódio numa frase: "Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo."
4)-Amazónia, a maior floresta tropical do mundo, esteve ou ainda está a arder. O mundo protestou contra esses incêndios e a partir deste espaço alcobacense fiz uma mais que “irrelevante” denúncia, seguida de apelo. Na Amazónia, vive a maior biodiversidade registada numa só área do planeta. Que consequências têm os fogos para o resto do mundo? E será mesmo a Amazónia, como se diz o “pulmão do planeta”?
Esta expressão não é completamente correta (é uma forma apelativa de referir), uma vez que a floresta também consome oxigénio e há outros organismos que podem ser maiores contribuintes, como as algas. No entanto, o papel de sequestro de carbono confere-lhe um papel inquestionável nesse equilíbrio. Logo, essa de pulmão do planeta não confere, rigorosamente falando. São as algas marinhas que fazem a maior parte desse trabalho, pois lançam na atmosfera quase 55% de todo o oxigénio produzido. Florestas como a Amazónia, segundo os cientistas, são ambientes em clímax ecológico, o que quer dizer que consomem todo, ou quase todo, o oxigénio que produzem. As estimativas variam, mas todas indicam que a parcela de oxigénio excedente fornecida pela Amazónia para o mundo é relativamente pequena.
Correndo risco de ser acusado de meter foice em seara alheia, mas por que o assunto me perturba deveras e deveria ser extensível, tenho procurado obter mais alguns dados, que nada me tranquilizam. Com os incêndios e a desflorestação, há uma perda relevante de carbono associado à biomassa florestal e aos solos (solos e plantas da Amazónia, em conjunto representam cerca de 25% do carbono armazenado nos sistemas terrestres) o que tem profundas implicações.
A regeneração da floresta tropical é quase impossível. A remoção da vegetação significa a remoção de quase 90% dos nutrientes que estão nas plantas, não no solo. A desertificação dos solos é um processo muito rápido e é um dos problemas ecológicos mais graves e complexos que resulta destes incêndios de grande escala.

4)-Lavoisier ainda diria hoje que Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”?


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Viva o Verde!



VIVA O VERDE!

FLeming de OLiveira

1)-Espaço verde urbano e as respetivas funções, têm sido objeto de ajustamentos mais ou menos elaborados ao longo do tempo, sendo aceite de forma quase unânime (seja por “Mestres” ou “Aprendizes”) terem efeito no bem-estar da população citadina.
A necessidade dos espaços verdes, é uma das consequências da evolução que as cidades têm sofrido, nomeadamente a partir da revolução industrial. Foi com o êxodo da população rural para a cidade, que surgiu o conceito e necessidade de “espaço verde urbano”, que teve por primeiro objetivo recriar a presença da natureza no meio urbano. Deste então, os espaços verdes funcionaram como agradáveis locais de estar, de encontro, ou de passeio público.
 
2)-Nas cidades industrializadas de Inglaterra, surgiu a necessidade de “pulmão verde”, ou seja, um espaço com dimensão adequada para produzir o oxigénio necessário à compensação das atmosferas poluídas especialmente pelo carvão. Foi de certo modo à luz deste propósito, que foi construído em Lisboa o Parque Florestal de Monsanto, a necessidade de a paisagem natural penetrar na cidade. É o principal pulmão da capital, o maior parque florestal português e um dos maiores da Europa. Inclui belos espaços que proporcionam atividades como desportos radicais, caminhadas, atividades ao ar livre, peças de teatroconcertosfeirasexposições, e vistas magníficas sobre Lisboa e concelhos limítrofes. Este objetivo conseguido, tem levado à criação de outros espaços, sejam da recuperação dos existentes, da sua interligação através de corredores verdes, caminhos preferencialmente pedonais. Em Monsanto, optou-se pela imagem de bosque selvagem, interrompido por percursos essenciais, aproveitando-se as vistas e ambientes que a serra oferece. É ótimo passear por lá. É esta a lógica que os “Mestres”, como o meu primo Arq. Raúl, ensinam na Universidade e tentam aplicar nos seus “ateliês” com vista a assumirem uma crescente relevância na política municipal, procurando uma solução vivificadora do tecido urbano e de ligação ao espaço rural envolvente.
Qualquer citadino em Portugal tem a necessidade e o prazer em usufruir de uma estrutura que englobe os espaços verdes, localizados em áreas de interesse ecológico ou importantes para o funcionamento dos sistemas naturais, como a vegetação, a circulação hídrica e climática, ou o património paisagístico. Entendo eu como “aprendiz”, que aquela estrutura lisboeta deve ser prosseguida noutros locais com soluções que penetrem nas zonas edificadas, lhes confiram um carácter mais urbano, e que se modificando ao longo do percurso, venham a constituir um espaço de jogo e recreio, ou meramente um separador físico entre o trânsito automóvel e a circulação de peões.

3)-Medidas como estas são importantes na ligação dos espaços diferenciados entre si e na amenização do ambiente, pelo contraste entre a suavidade do material vivo inerente à vegetação e o carácter inerte e rígido dos pavimentos e outras superfícies, nomeadamente as construídas em altura. Nas funções de integração, de enquadramento, de suporte de uma rede contínua de percursos para peões, o espaço verde urbano pode visar o incentivo à apreensão e vivência dos objetos e dos conjuntos em que se organizam. As espécies vegetais, nas suas diferentes formas, cores e texturas, constituem elementos com os quais se pode aumentar o valor estético dos espaços urbanos.
A observação e contemplação da vegetação pela população urbana (e não me refiro apenas aos estudantes e a Alcobaça) possibilitam o (re)conhecimento da sequência natural do ritmo das estações e de outros ciclos biológicos, o (re)conhecimento da fauna e flora espontânea e cultivada, o (re)conhecimento dos fenómenos e equilíbrios físicos e biológicos.

4)-O novo Parque Verde de Alcobaça, que permitiu requalificar 60 mil metros quadrados de terrenos citadinos nas margens do rio Alcoa, obviamente, não pretende competir com Monsanto, nem ser um modelo para o resto do País.
A conceção deste espaço incluiu, e bem, 3 percursos distintos, pedonais e cicláveis, uma praça, um anfiteatro, duas clareiras, uma zona de restauração e lazer, um parque infantil e um sistema integrado de jogos de água, espaços desportivos, uma galeria ripícola (explicou-me o meu primo Raul, que esta é um instrumento para o funcionamento dos ecossistemas fluviais com ação como filtro biológico de nutrientes e de diversas substâncias poluentes), um sistema hidráulico cisterciense e um parque de estacionamento.
Seja como for, na minha opinião, é uma obra de sucesso e das mais marcantes do mandato de Paulo Inácio. Espero que, numa segunda fase, o parque pouco ambicioso por agora, cresça para o dobro do tamanho atual, como prometeu o autarca e a população apreciará.

4)-Lastimo, porém, que ainda não tenha havido “coragem” para corrigir a zona circundante do Mosteiro, falhada à nascença. A falta de manutenção do saibro, é um problema apontado recorrentemente pelos cidadãos locais e visitantes. O piso com década e meia, não recebeu o devido acompanhamento por parte das entidades responsáveis, como a população apreciaria.
 
5)-Estou viciado com o verde e não pretendo ser tratado.
Dado dispor, felizmente, de um espaço onde é possível ter um mobiliário de jardim para passar algum tempo de tranquilidade, pude adicionar-lhe um toque de verde, dando-lhe mais vida. Ali, a Ana Maria e à nossa medida, criou um pátio interior, colocando vasos e diferentes plantas verdes, contrastando com o restante pavimento acinzentado.
É o verde que posso ter à “mão”.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

EFEITO ESTUFA


EFEITO ESTUFA

FLeming de OLiveira

1)-Salvar o planeta?
Sim, hoje em dia todo o mundo diz que sim e creio que o quere. Mas se falar é uma coisa, fazer é outra. Medidas que sejam tomadas para combater a poluição, sem a ajuda da população, que é o fator mais importante, ficam muito aquém do efeito útil e pretendido. Num mundo onde as pessoas escolhem liminarmente o desenvolvimento, e o progresso a curto prazo, a situação fica cada vez mais difícil. Entre fechar uma fábrica para ajudar a natureza ou mante-la para conseguir mais poder e empregos, prefere-se em geral continuar com a indústria, mesmo que poluente.
2)-Perante isto, já ouvi falar no “novo tabaco”. As mortes atribuídas pela má qualidade do ar nos últimos anos ultrapassaram as dos fumadores. Se o mundo está a virar as costas ao tabaco, deve fazer o mesmo com o ar tóxico que se respira.
As fontes poluentes são inúmeras, a queima de combustíveis fósseis para produção de eletricidade, uso nos transportes, na indústria e nos aglomerados domésticos; a utilização de solventes nas indústrias, especialmente a química e a extrativa; a agricultura e o tratamento de resíduos. Mas há outras causas, fora da ação humana, que também contribuem, como as erupções vulcânicas, as poeiras transportadas pelo vento, a água do mar vaporizada e as emissões de compostos orgânicos das plantas.
3)-Estamos condenados a respirar um ar de fraquíssima qualidade? Não, se o pequeno esforço que tem sido feito nos últimos anos, for prosseguido e aumentar. Na Europa, entre 2002 e 2017, observou-se uma tendência de aumento do número de dias em que o índice de qualidade do ar foi classificado como “Muito Bom”, ou “Bom”.
Mudanças climáticas, tal como decorre da expressão, correspondem  a mudanças no clima que estão a ocorrer por todo o planeta e que apresentam efeitos, tão visíveis, quanto a extinção de espécies, derretimento de glaciares e calotes polares ou o aumento do nível do mar.
aquecimento global, é a intensificação do efeito estufa, fenómeno em si natural e importante, que permite que o planeta fique e se mantenha aquecido adequadamente. O efeito estufa acontece, por na atmosfera existirem gases que garantem que parte do calor que chega ao planeta fique retido. O aumento desses gases acarreta uma maior retenção de calor e, portanto, o aumento da temperatura. Quando se fala em aquecimento global, associa-se a um aumento anormal da temperatura média do planeta. Para se ter uma ideia, a temperatura média global de superfície do planeta aumentou, aproximadamente, 0,74º. C. nos últimos 100 anos, e pesquisas indicam que esse aumento está diretamente relacionado com a ação do homem, que, ao longo dos anos, aumentou as emissões desses gases de efeito estufa.
Segundo o Greenpeace, a emissão de gases de efeito estufa, aumentou ao longo dos últimos 10 anos mais rapidamente que o período entre 1970 a 2000, o que significa que o descontrolo dessas emissões, dará lugar a consequências devastadoras. Preocupados com as mudanças no clima governantes e instituições traçam planos e indicam metas…Mas…
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU que tem como função fazer avaliação de informações sobre as alterações climáticas, se medidas urgentes não forem tomadas para estabilizar as emissões dos gases até 2100, o aumento da temperatura global excederá 2º. C. dos níveis pré-industriais (Sec. XVIII), o que poderá ser catastrófico.
Segundo relatórios do mesmo IPCC, países como o Brasil poderão sofrer sucessivas e cada vez maiores inundações e outras devastações, graças à proliferação de tempestades e períodos de estiagem longa, com deslizamento de terras e aumento das enchentes. As zonas costeiras, correm risco com o aumento do nível do mar, graças ao degelo decorrente da elevação da temperatura média do planeta. As áreas secas sofrerão, ainda mais, com a falta generalizada de água. A água potável, já escassa em algumas regiões, poderá ser mesmo motivo de disputas políticas, quem sabe guerras.
Perante este quadro, é fácil perceber que mais espécies de plantas e animais entrarão em extinção e produção de alimentos poderá sofrer queda, pois a mudança climática afeta diretamente o cultivo de certas espécies.
saúde humana, a questão mais relevante, e as condições de vida, podem ser afetadas gravemente com as alterações climáticas. A insolação, alergias, doenças transmitidas por mosquitos, desnutrição e fome serão intensificados com o aumento da temperatura global.
4)-Segundo o IPCC, ainda que a emissão de gases do efeito estufa diminua, a Terra continuará a sofrer danos residuais irrecuperáveis e terá que aprender a lidar com o aumento gradual da temperatura.
Apesar de serem irrecuperáveis alguns danos apontados, a diminuição da emissão de gases com efeito estufa é absolutamente necessária para que a intensidade daqueles seja contida e depois diminuída. E então voltamos a falar em ações sustentadas de defesa do planeta !!!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Apresentação do livro "No tempo dos Boéres em Portugal"



Apresentação do livro "No tempo dos Boéres em Portugal"

JÁ ESTÁ AÍ O SEGUNDO VOLUME
DOS “ANAIS LEIRIENSES – estudos & documentos”
O segundo volume de “Anais Leirienses – estudos & documentos” foi lançado no dia 28 de Setembro de 2019 no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça, com apresentação do seu coordenador científico, o Professor Saul António Gomes. Tem 464 páginas e é uma edição da Hora de Ler, com a colaboração de duas dezenas e meia de investigadores.
Na apresentação, Saul Gomes salientou que este segundo número dos “Anais Leirienses” traz a público um conjunto significativo de informação histórica inédita sobre a região. Vivendo-se anos de comemorações centenárias, em relação a primeiras e segundas edições da obra literária de Francisco Rodrigues Lobo, especialmente “Corte na aldeia” (400 anos), a revista destaca justamente um estudo que convida à compreensão da obra de Rodrigues Lobo e dos significados intemporais.
Soure tem laços históricos remotos com Leiria, como bem o demonstra o estudo do Prof. Jorge Alarcão. A marca, na paisagem histórica da região, das antigas ordens religiosas é abordada, aqui, com estudos acerca do património das antigas granjas dos monges cistercienses de Alcobaça, da botica dos frades dominicanos da Batalha e das rendas dos cónegos regrantes de Santa cruz de Coimbra em Leiria.
As manifestações religiosas laicas merecem trabalhos acerca de «brucos e bruxas no Bispado de Leiria», notas históricas sobre a Misericórdia de Leiria e o apuramento da décima eclesiástica no arciprestado de Arega, no começo do século XIX. Na centúria oitocentista se integram os títulos relativos a famílias do lugar de Siróis (concelho de Leiria), à formação de associações musicais alcobacenses e à promoção do ensino e a alfabetização no distrito de Leiria. Neste ponto, aliás, oferece-se um apurado estudo sobre o ensino técnico no município da Marinha Grande.
O fabrico de sinos em Alvaiázere ou a publicação, devidamente comentada, da Fábrica de Moagem de Leiria, trazem a lume páginas sobre o património industrial moderno tão relevante nos anais históricos do distrito leiriense, património que aqui mais se fica a conhecer com os artigos acerca da museologia e coleções alcobacenses e recordando-se o arquiteto que traçou a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Os areais de mar e verde pinho de S. Pedro de Muel e o eco do búzio do seu grande cultor, o Poeta Afonso Lopes Vieira, merecem páginas inéditas, refletindo-se, por último, em torno da guerra, dos seus combatentes e das suas memórias arqueológicas e imateriais.
Um breve dossiê deixa-nos reflexões e testemunhos acerca da educação e cultura como serviço de cidadania tanto entre as políticas autárquicas como no campo das bibliotecas públicas e das suas relações com as comunidades em que se inserem e a que devem servir.
Rubricas finais traçam a memória de biografais relevantes na vida cultural da região, noticiam eventos culturais levados a cabo e inventariam contributos bibliográficos para o seu conhecimento.