quarta-feira, 8 de março de 2023

O dia da asneira

 

 

Antes de mais vou esclarecer que sou a favor do “dia da asneira”. Ontem fui levado a isso. Não existia nenhum evento importante, como um aniversário ou um almoço de família, nem era fim-de-semana, mas apetecia-me algo específico que não fizesse “sentido” com a rotina alimentar.

A minha Mulher talvez supõe que o meu entendimento do “dia da asneira” consiste em aceitar cometer algum excesso alimentar, seja pela qualidade nutricional ou pela quantidade alimentar. Embora tenha razão em muitíssimas coisas (as Mulheres sabem muito), não é este o caso.

Reconheço que há dias em que “estou com desejos”, pretendo matar saudades, sair do modo corrente, sem prejuízo de reiniciar logo a seguir uma semana de dieta cuidada e normal.

Segundo o meu médico esta pontual quebra na rotina, restrita a uma refeição “sem ou menos regras”, não tendo impacto negativo, tem o mérito de poder socializar sem a Mulher ou Filhos estarem a perguntar se estou (ou já não estou) a fazer dieta.

Além disso, como também diz o meu médico que é um bom nutricionista e psicólogo, essa quebra é emocionalmente uma mais-valia, me confere a boa sensação de que, sem descurar estar no caminho para dispor de uma vida saudável, sei que, afinal “posso fazer um pouco de tudo, ainda que não de tudo todos os dias”.

O “meu dia da asneira” não é um excesso concentrado num almoço, mas algo como manter o prato de dieta recomendado, com o acrescento pontual de uma entrada ou sobremesa, um copo de vinho do Douro ou ter à disposição batatas fritas quentinhas e a estalar.

Afinal o “meu dia da asneira”  não é, nem de perto muito menos de longe, um dia a cometer loucuras gastronómicas, mas sim, uma refeição algo diferente da habitual, eventualmente com maior teor calórico e quantidade, mas sem prejuízo de comprometer os objetivos que tenho em mente e a minha Mulher carinhosamente controla de perto.

 

 

 

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

O LEÃO DE RIO MAIOR

 

Em inícios de 1973, a história de um leão à solta npelas redondezas de Rio Maior, sobressaltou os habitantes locais.

  A notícia correu o país, chegou mesmo ao Ultramar, apareceu na RTP e nas primeiras páginas dos jornais. O Leão de Rio Maior, ainda hoje vive na memória dos mais velhos.

Na altura encontrava-me a prestar serviço militar em Bissau e, aí, me chegou se bem me lembro por aerograma da minha Mulher, a espantosa notícia. O meu chefe de serviço, sabendo que eu tinha familiares em Alcobaça, embora não se lembrasse da relação desta Vila com Rio Maior, perguntou-me se não havia risco de aqueles saírem à rua.

  Os habitantes de Rio Maior, não os de Alcobaça obviamente, viviam atormentados desde o dia em que um pastor fugiu a gritar que tinha visto um leão andar à solta.

  Carcaças de cabras, jumentos e ovelhas devoradas e largadas eram as provas,  provadas, para que as gentes de Rio Maior passassem as noites em branco, temendo pela segurança.

  O jornalista Fernando Pessa, a pé e de bicicleta, percorreu de bicicleta os campos para entrevistar pastores e agricultores que teriam avistado a fera. Juraram todos que o leão existia, era um perigo e andava a esquartejar o gado, refugiando-se depois na mata. Fernando Pessa, recorde-se, foi um famoso jornalista do século XX. Convidado para a secção portuguesa da BBC, viveu em Londres durante a II Guerra, de onde fez reportagens, via rádio, memoráveis.

  SMas só em 1984, se veio a descobrir que, afinal, a história do Lleão de Rio Maior é verdadeira, não uma lenda ou mito.

  José Diogo, assim se chamava o homem, contou  à imprensa local que, durante quase um ano, tomou conta do animal, depois de o ter encontrado na berma da estrada. Seria provavelmente a cria de uma leoa de um circo, que escapou e se perdeu. O leãozinho passou a viver com ele, alimentado nas primeiras semanas a leite e restos de comida. Foi crescendo, crescendo ficando cada vez maior, até que o dono percebeu que de cão nada tinha, era um leão. Podia ter alertado a GNR, podia ter chamado tratadores do Jardim Zoológico de Lisboa, mas já não conseguia viver afastado da fera, afeiçoara-se a eleela  como se tratasse de um animal de estimação se tratasse. Só que o leão era grande de mais e ele não podia tê-lo em casa. Levou-o, então, para um antigo barracão. O local estava há muito abandonado e José Diogo julgou que o seu leão e os habitantes estavam em segurança.

 Aflito com os relatos que chegavam, não conseguia dormir sossegado, pensando que um dia eoo animal poderia atacar uma pessoa habitante e então seria uma tragédia, agarrou numa caçadeira e saiu à sua procura do animal. Andou horas a chamar por ele,  até que ele ele veio ter com o dono. José apontou-lhe a arma à cabeça, e, com a  pesar,a custo disparou.

  Por coincidência ou não, nunca mais se ouviu falar do leão.

  Em 1974, já a trabalhar em Alcobaça como advogado, um cliente  a viver da zona da Benedita, que ainda ainda não sabia do triste fim do animal, contou-me que participou, com um cunhado e mais 4 caçadores, numa batida para o apanhar.

 

 

 

 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Novo volume de “Anais Leirienses” foi lançado em Alcobaça

 

O livro contempla, entre outros, quatro estudos relativos ao concelho de Alcobaça e dois textos em memória de Adriano Monteiro e Fernando Miguel Bernardes.

O número 12 de Anais Leirienses – estudos & documentos foi lançado, dia 28 de janeiro, às 16 horas, no Museu do Vinho de Alcobaça, numa sessão apresentada pelo coordenador científico da obra, Saul António Gomes.

Editado por Hora de Ler, o volume conta com 488 páginas sobre temas do Distrito de Leiria, nomeadamente quatro estudos relativos ao Concelho de Alcobaça:

Acerca dos pelourinhos da vila de Alcobaça, de Mário Rui Simões Rodrigues;

Alcobaça, momentos do Mosteiro e da Vila: o Asilo de Mendicidade de Lisboa em Alcobaça, de Rui Rasquilho;

A Rainha Isabel II em Alcobaça (1957), de Fleming de Oliveira; e

Museu do Vinho de Alcobaça: uma visita guiada, de António Valério Maduro e Alberto Guerreiro.

O livro contempla ainda:

Os contratos das sisas de 1527-1528 dos antigos concelhos do Norte do Distrito de Leiria, de Saul António Gomes;

Fábricas de vidros, fornos e vidreiros em Portugal: relação por ordem cronológica da sua fundação ou do conhecimento da sua existência, de Luís Neto;

Pisões, Azenhas e Moinhos na bacia hidrográfica do rio Lis, de Ricardo Charters-d’Azevedo;

A revolta da Azoia (Leiria) – um núcleo da intentona monárquica de 1912, de Carlos Fernandes;

Polémicas políticas no concelho de Ansião na Primeira República, de Manuel Augusto Diase

 A cerâmica no ‘Estado Novo’ ao serviço de um ideário, de Aires B. Henriques.

 

Do artigo A Rainha Isabel II  em Alcobaça 1957) foi feita uma separata que pode ser encomendada via 962925444 ou flemingdeoliveira@gmail.com e se encontra disponível nas livrarias de Alcobaça.

 

 

AS MINHAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA

FLeming de OLiveira

 

 

Ando a fazer umas obras na minha casa nos Montes que, parece, não mais terminarem.

Um dia destes, a minha neta mais velha, perguntou quando estavam prontas, tendo a Avó (minha Mulher) respondido que não sabia e que lhe pareciam as obras de Santa Engrácia.

-O que são as obras de Santa Engrácia?

-Pergunta ao Avô que sabe  tudo e te explica melhor.

Na verdade, os avós sabem um pouco de tudo e também explicar bem e com paciência.

Todos ouvimos dizer que, algo que demora muito tempo, é como “as obras de Santa Engrácia”. Mas qual é, afinal, a razão desta expressão?

A Igreja de Santa Engrácia é uma das mais importantes de Lisboa, senão mesmo do país. Mas se  falarmos do Panteão Nacional, certamente que é mais fácil identificar o monumento a que me estou  a referir

Ambos se referem à mesma construção, uma das últimas  do barroco português. Contudo, o que ficou para a história foi o tempo que durou a construção e que deu origem à expressão que entrou na gíria popular.

As obras começaram em 1568, no local onde havia um templo antigo. Foi a Infanta Dª. Maria, filha de D. Manuel I e da sua terceira esposa Dª. Leonor, quem ordenou a construção, para guardar o relicário de Santa Engrácia. Provém daí o nome do edifício. O relicário em prata de Santa Engrácia, segundo autores, exibe um retrato parecido com os que se conhecem da Infanta, e tem sido exposto ao público.

Dª Maria chegou a ser no seu tempo considerada a mulher mais rica de Portugal. A sua instrução e virtudes ganharam fama, teve muitos pretendentes, mas morreu solteira, sem filhos. Dedicou a vida à Igreja, fundou conventos. 

Porém, a igreja demorou cerca de 400 anos a concluir. Só na década de 1960 ficou pronta, tendo Salazar decidido convertê-la no Panteão Nacional, onde jazem portugueses ilustres.

A demora na construção deu azo a histórias e lendas.

Contava o povo de Lisboa que o edifício não ficava pronto por causa de um amor impossível e de uma maldição. Violante, filha de um fidalgo, ter-se-ia apaixonado por Simão, um cristão-novo. O fidalgo não aprovou o relacionamento e decidiu internar a filha no Convento de Santa Clara e fazê-la noviça, convento este que fica perto da Igreja de Santa Engrácia, na altura ainda em construção.

Uma noite a Violante e namorado decidiram fugir. Mas, por azar,   nessa mesma noite, o relicário de Santa Engrácia foi roubado. Pelo facto de Simão muitas vezes rondar à noite aquela zona, acabou acusado de roubo, de profanação da igreja, preso e condenado à morte numa fogueira da Inquisição.

Antes de ser executado, terá lançado a maldição: “É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!”.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

 

Acabo de lançar o opúsculo  A  RAINHA ISABEL II EM ALCOBAÇA (1957), separata de  ANAIS LEIRIENSES-Dezembro de 2022.

 

Tratou-se de uma visita memorável a Portugal e  Alcobaça, que ainda hoje perdura na memórias de muitos, e é considerada a visita do século.

Deu-me muito prazer fazer a revisitação deste evento, pelo que tenho gosto em o compartilhar com os interessados.

O livrinho pode ser adquirido via 962925444,  flemingdeoliveira@gmail.com e enviado por correio ou nas livrarias de Alcobaça.