segunda-feira, 16 de outubro de 2023

PANTEÕES REAIS EM PORTUGAL.

 

O rei D. Dinis fez testamentos, em 1290,1322 e 1324, sendo que faleceu em 1325.

Nessas versões, a pretensão geral pouco se alterava, salvo o local da sepultura, o que sinalizou o fim da intenção de constituir o Mosteiro de Alcobaça como Panteão Real, acabando por vincar a errância dos locais de sepultura da primeira dinastia.

D. Dinis procurou contemplar doações a instituições religiosas (como Odivelas) e obras de caridade, garantindo a salvação divina, diversificando e aglomerando várias intercessões por sua alma, a obsessão em garantir o cumprimento da sua última vontade como forma de garantir a vida no Paraíso.

Em Portugal existem como Panteões reais St.ª Cruz (Coimbra), o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro da Batalha, o Mosteiro dos Jerónimos e o Mosteiro de S. Vicente de Fora.

A Dinastia Afonsina é aquela cujos reis têm as suas sepulturas mais dispersas. Em St.ª Cruz encontram-se D. Afonso Henriques e D. Sancho I; Alcobaça alberga D. Afonso II, D. Afonso III e D. Pedro I; D. Sancho II estará eventualmente sepultado na Catedral de Toledo, tendo resultado infrutíferas as tentativas para sua comprovação; D. Dinis tem a sepultura no Convento de Odivelas; os restos mortais de D. Afonso IV estão na Sé de Lisboa e
o corpo de D. Fernando I encontra-se na Igreja de S. Francisco (Santarém).

A Dinastia de Avis tem as sepulturas divididas pelos mosteiros da Batalha (D. João I, D. Duarte, D. Afonso V e D. João II);
e dos Jerónimos (D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião e D. Henrique).

A Dinastia de Bragança tem as sepulturas dos seus reis no Panteão Nacional (Igreja de S. Vicente de Fora), com excepção de D. Pedro IV, cujo corpo se encontra na Catedral de Petrópolis/Brasil e de D. Maria I, na Basílica da Estrela.

D. Sancho II faleceu em Toledo.

O seu isolamento político, terá começado em 1232, estando o Reino com profundas conturbações. Afonso de Castela entrou nesse ano pelo Norte do reino em defesa de Sancho II.

D. Afonso, irmão mais novo de D. Sancho II, denunciou em 1245 o casamento deste com Dª. Mécia. Nesse ano, a Bula “Inter alia desiderabilia” preparou a deposição “de facto” do monarca. O papado, através de duas “Breves”, aconselhou D. Afonso (Conde de Bolonha), a partir para a Terra Santa em Cruzada, bem como a estar na Hispânia, fazendo aí guerra ao Islão. A 24 de julho, a Bula “Grandi non immerito” depôs oficialmente D. Sancho II, e o irmão tornou-se regente. Os fidalgos levantaram-se contra D. Sancho II, D. Afonso cedeu às pretensões do clero, jurou guardar os privilégios, foros e costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos seculares do reino, abdicou das suas terras francesas e marchou sobre Portugal. Em1246, D. Afonso segurou Santarém, Torres Novas, AlenquerTomar, Alcobaça e Leiria. D. Sancho II fortificou-se em Coimbra. Covilhã e a Guarda ficaram nas mãos de D. Afonso. D. Sancho II procurou a intervenção castelhana na guerra civil. Assim, Afonso de Castela entrou em Portugal por Ribacoa tomando Covilhã e a Guarda e devastando o Termo de Leiria, derrotando a 13 de janeiro de 1247 o exército do Conde de Bolonha. Apesar de não ter perdido nenhuma das batalhas contra o irmão do Rei de Portugal, Afonso de Castela decidiu abandonar a empresa, levando consigo para Castela D. Sancho II, visto que a pressão da Santa Sé aumentava. Embora no Minho continuassem a haver partidários de D. Sancho II e ficassem no terreno guarnições castelhanas, a causa encontrava-se perdida.

D. Sancho II redigiu o seu segundo e último testamento a 3 de Janeiro de 1248 enquanto exilado em Toledo , e morreu a 4 de janeiro de 1248. Julga-se que os seus restos mortais repousem na Catedral de Toledo.Não se encontrando, porém, o seu túmulo, nunca foi possível trasladá-lo para Portugal, nomeadamente para Alcobaça, como na década de 1950 foi aventado “fatansiosamente “, n´O Alcoa, que assegurou que o túmulo fora localizado.

UM AVIÃO NA ESTRADA.

 Luís Machado, da Benedita, que usava o pseudónimo “Zito”, contou que em 1983, aconteceu um caso invulgar na nossa região, senão único no País. 

Um avião, depois de sobrevoar a zona, viu-se forçado a aterrar na EN1, próximo da Venda das Raparigas. Um piloto da FAP, desceu com o seu avião na principal estrada do país, em local onde os desastres de viação eram constantes e mortais, sem sofrer beliscadura, mantendo o aparelho incólume e sem esbarrar em qualquer das viaturas que percorriam a estrada. 

Um avião de treino da FAP (um shipmunk da Base da Ota) perdera o motor, o que na gíria da Força Aérea significa que o motor deixou de funcionar, ao sobrevoar a zona da Venda das Raparigas. 

A manhã chegava ao fim. O trânsito era na menos intenso do que o normal. O piloto não hesitou entre aterrar num campo lavrado, em que o aparelho muito sofreria e talvez ele próprio, e a pista que a estrada Lisboa-Porto lhe oferecia, pelo que escolheu esta. Aproveitou uma clareira no trânsito e poisou num local a cerca de três quilómetros do entroncamento para Alcobaça. 

Testemunhas oculares disseram que o piloto mostrou coragem e sangue-frio ao aterrar na estrada e ao desviar o avião para a erma, como se estivesse a arrumar um automóvel na Avenida da Liberdade.

Condutores que então por ali circulavam, surpreendidos por um “objeto desconhecido” rolar na estrada e faiscar reflexos do sol do meio-dia, pisaram o acelerador e afastaram-se rapidamente por via de dúvidas. 

E quando o avião se imobilizou e o piloto saiu lesto da carlinga para se pôr de pé sobre uma asa, tentando identificar a paisagem que o cercava, poucos se afoitaram a acercar-se dele.Pediu para chamarem a Base

O avião seguiu depois num camião da Ota, após retiradas as asas para poder circular.


A PROPÓSITO DE UM CASAMENTO.

 

Assisti pela televisão, com alguma curiosidade admito, mas como se fosse um “reality show”, ao “casamento real”, celebrado no passado dia 7 de outubro. Não sou monárquico, mas relevo com respeito, o regime que vigorou em Portugal durante cerca de oito séculos.

Não foi este um casamento como muitos outros que se celebram na Basílica de Mafra ou no Mosteiro de Alcobaça. A noiva era Francisca, filha de Duarte Pio, pretendente ao trono de Portugal (voltássemos a ser monarquia), e esta cerimónia foi o que de mais semelhante aconteceu no género em Portugal desde o casamento de seus pais, em 1995. Dois dias depois da celebração da implantação da República, uma parte da mesma República, foi a Mafra mostrar-se (tirar fotos para colocar no facebook) e cumprir uma tradição com que não se identifica. O PPM, onde até tenho dois ou três amigos, todavia não comemora o 5 de outubro de 1910, que considera uma data menor e sem relevância na história portuguesa. Os mais de dois mil convidados apresentaram-se horas antes da marcada para a missa, para se sentarem nos lugares protocolarmente destinados. A noiva chegou pelas 15h30, numa caleche (pechisbeque na minha opinião…), acompanhada pelo pai, que se protegeu do Sol com um pitoresco, popular e informal panamá. Nas ruas por onde Francisca foi passando, postavam-se alguns mafrenses, enquanto se ouvia o tocar dos carrilhões. No Terreiro D. João V, frente ao monumento, juntaram-se umas centenas de populares/turistas a quem a noiva acenou com um ramo de flores brancas.

D. Manuel II, morreu no exílio com 42 anos e não deixou descendentes. Era o segundo filho do rei D. Carlos e esposa Dª. Amélia de Orleães, tendo ascendido ao trono após o assassinato daquele e do irmão mais velho D. Luís Filipe.  Saiu do país, com a família, através da Ericeira, tendo em Mafra dormido pela última vez em Portugal. Primeiro aportou em Gibraltar e finalmente o soberano inglês acolheu-o no Reino Unido, onde o ex-monarca português irá passar o resto da vida, nos arredores de Londres. Ali, procurou recriar um ambiente português, à medida que fracassavam as tentativas de restauração monárquica. Manteve-se activo na comunidade, frequentando a igreja católica de St. James, e sendo padrinho de batismo de dezenas de crianças. A sua passagem no lugar, ainda se recorda em topónimos como "Manuel Road", "Lisbon Avenue" e "Portugal Gardens". Apesar de deposto e exilado, D. Manuel II teve sempre um elevado grau de patriotismo, o que o levou em 1915, a declarar em testamento a intenção de legar os bens pessoais ao Estado Português, e a vontade de ser sepultado em Portugal. Sendo anglófilo D. Manuel defendeu a entrada de Portugal na I Guerra, uma participação ativa no conflito, instando os monárquicos a não lutarem contra a República, a porem de lado as tentativas restauracionistas enquanto durasse o conflito, e a unirem-se com os demais portugueses na defesa da Pátria, chegando a solicitar a incorporação no exército português. Tendo-se colocado à disposição dos Aliados para servir, ficou de início algo desapontado quando o colocaram como oficial da Cruz Vermelha britânica, o que o não impediu de participar em conferências e recolha de fundos, visitar hospitais e feridos. O seu esforço, nem sempre foi reconhecido. Em entrevista a António Ferro, lamentou-se, "A sala de operações do Hospital Português, em Paris, durante a guerra, foi montada por mim. Sabe o que puseram na placa da fundação? De um português de Londres." A ele se deveu a criação do departamento ortopédico do Hospital de Sheperds Bush que, por sua insistência, funcionou até 1925, assistindo aos mutilados de guerra. Uma prova de reconhecimento dos ingleses para com D. Manuel e Portugal, foi Jorge V o ter convidado a ocupar um lugar a seu lado na tribuna de honra do Desfile da Vitória, em 1919. O regresso a Portugal só acontecerá em 1932, após sua morte, encontrando-se sepultado no Panteão dos Bragança.

D. Miguel I  após o termo da Guerra Civil  (1832 – 1834), e por força da Convenção de Évora Monte, seguiu para o exílio. A 19 de dezembro de 1834, D. Maria II promulgou uma Carta de Lei, conhecida como “Lei do Banimento, pela qual D. Miguel (então já destituído do estatuto de realeza), e todos os seus descendentes, ficariam para sempre obrigados a viver fora do território português e sem direitos de sucessão ao trono de Portugal. Casou em 1851 na Alemanha, com Dª. Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, de quem teve um filho e seis filhas. Faleceu a 14 de novembro de 1866, e sendo sepultado no Convento dos Franciscanos de Engelberg, em Grossheubach, o corpo vindo para Lisboa, em 5 de abril de 1967, para ser trasladado juntamente com a consorte para o Panteão da Dinastia de Bragança. A Lei do Banimento foi reforçada com a promulgação da Constituição de 1838, na qual o artº. 98º. estipulou que A linha colateral do ex-infante Dom Miguel e todos os seus descendentes estão perpetuamente excluídos da sucessão. Esta Constituição revogada aquando da reinstituição da Carta Constitucional em 1842, não continha qualquer cláusula de exclusão da linha miguelista. Porém, ainda assim, D. Miguel e descendentes mantiveram-se no exílio até à segunda metade do século XX, reconhecendo que o reinado dos monarcas da Casa de Bragança  (D. Maria IID. Fernando IID. Pedro VD. Luís ID. Carlos I e D. Manuel II)  lhes retiraram os direitos de sucessão dinástica. A Lei do Banimento (do ramo miguelista, absolutista, usurpador) e a Lei da Proscrição da Família Bragança  (Decreto de 15 de Outubro de 1910) vieram a ser revogadas pela Assembleia Nacional a 27 de maio de 1950, permitindo o regresso a território português dos descendentes de D. Miguel.

Recorde-se que de acordo com a atual versão da Constituição da República, “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária”.

Alguns monárquicos, pretendem uma alteração do artº. 288º. da Constituição, de forma a tornar possível um referendo sobre República ou Monarquia, pois aquele prescreve que as leis de revisão constitucional terão de respeitar a forma republicana de governo.

EÇA DE QUEIRÓS NO PANTEÃO NACIONAL.

Eça de Queiroz morreu em Paris a 16 de agosto de 1900 e foi sepultado em Lisboa, no Alto de S. João. Em setembro de 1989, os seus restos mortais (cujo jazigo se encontrava abandonado, sem cuidados, nem manutenção pelos descendentes) foram transportados para o cemitério de Santa Cruz do Douro/Baião.

A trasladação para o Panteão Nacional, esteve prevista para 27 de setembro de 2023, data agendada em julho. A resolução, aprovada por unanimidade em plenário da Assembleia da República, a 15 de janeiro de 2021, foi uma iniciativa da Fundação Eça de Queiroz impulsionada pelo grupo parlamentar do PS. A iniciativa partiu de um repto lançado pela Fundação e inseriu-se no espírito da Lei que define e regula as honras de Panteão Nacional,conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa”.

Ficou também decidido, através da mesma resolução, “constituir um grupo de trabalho composto por representantes de cada grupo parlamentar com a incumbência de determinar a data e de definir e orientar o programa de trasladação, em articulação com as demais entidades públicas envolvidas, bem como um representante da Fundação Eça de Queirós”.

No Panteão Nacional, em Lisboa (inaugurado em 1966), encontram-se sepultadas figuras da história política portuguesa, como Teófilo Braga, Sidónio Pais, Óscar Carmona (e outros presidentes da República), Humberto Delgado, assim como personalidades das letras que vão de Almeida Garrett a Sophia de Mello Breyner e Aquilino Ribeiro, passando pelos populares Amália e pelo futebolista Eusébio.

Eça de Queirós inspirou-se nas paisagens durienses para escrever “A Cidade e as Serras”, onde, compara a tranquilidade da casa de Tormes, com a vida agitada de Paris, onde trabalhou. Diplomata de profissão, passou largas temporadas longe do país (Cuba, Inglaterra e França), lançando na sua obra um olhar crítico sobre a vida em Portugal, onde vinha sempre que podia, e assinando textos que, mais de 120 anos depois, continuam a ser de leitura “obrigatória” na Escola e na sociedade, a serem adaptados com sucesso ao teatro, cinema e televisão.

Porém, nunca viveu ou frequentou Tormes (terá lá ido meia dúzia de vezes se tanto), pelo que a sua relação com esta localidade ou casa se circunscreve às personagens literárias que criou.

Seis dos atuais 22 bisnetos, antigos dirigentes políticos locais (a política está sempre disponível para intervir…) e algumas pessoas de Baião (quem e a que título?), estão contra a trasladação para o Panteão Nacional.

Em 2023, um grupo de descendentes do escritor escreveu ao Presidente da Assembleia da República a propor que em vez desta trasladação, fosse colocada uma lápide evocativa no Panteão Nacional, permitindo que os restos mortais permanecessem em Tormes. Num momento inicial, o coordenador do grupo de trabalho parlamentar para o tema, indicou que nada tinha mudado e que o processo iria seguir seus termos. Seis bisnetos avançaram, então, com um pedido de providência cautelar no Supremo Tribunal Administrativo/STA para impedir a trasladação. O Tribunal admitiu o pedido, citou a Assembleia da República para  se pronunciar e considerou, pese embora numa decisão neste momento ainda provisória, que a trasladação é legítima.

O político e antigo presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz do Douro, António Fonseca, defendeu que “o lugar de Eça só pode ser mesmo à sombra de Tormes” e que a maioria da população local é da mesma opinião. “Os políticos, em vez de trazerem algo de Lisboa para cá, ainda nos querem levar o pouco que temos”.

Desde já refiro que sou um apaixonado pela obra queirosiana que conheço razoavelmente bem, e que nunca encontrei determinação escrita ou velada sobre onde Eça gostaria (ou não) de ficar finalmente.

A decisão do STA ainda não é definitiva, pelo que deverá ser agendada uma nova data para a cerimónia de trasladação, que muito gostaria de presenciar.

Não como político, mas como mero cidadão, sou de opinião firme que os restos mortais de Eça de Queirós (expoente da glória nacional), deverão ir de vez (e não simbolicamente) para o Panteão Nacional.

 

Pedido colaboração para o jornal O Alcoa.

 Aproxima-se o dia 25 de abril de 2024, em que o País celebra os 50 anos da Revolução de 25 de abril de 1974. O Alcoa pretende, dentro dos seus condicionalismos, associar-se a esse importante e memorável evento nacional. Assim, a partir do próximo mês de novembro, vai reservar em cada número (salvo motivo imponderável), um espaço para os seus leitores exprimirem opinião, sobre o que foi a revolução em si, bem como os efeitos nestes últimos 50 anos, tanto em Alcobaça (preferencialmente), como no País. Nestes termos, aceita, desde já, colaboração, traduzida em textos originais e inéditos, devidamente assinados, enviados via correio electrónico, não excedendo 2.000 caracteres. Para sua apreciação, foi criado um grupo de colaboradores do jornal, que ajuizará sem recurso, a respetiva qualidade. Os textos serão publicados, pelo menos, até 25 de abril de 2024.


terça-feira, 8 de agosto de 2023

OBRIGADO PAPA FRANCISCO

 

OBRIGADO PAPA FRANCISCO

 

FLeming de OLiveira

 

Como cristão/católico e português sinto-me muito satisfeito, reconfortado e orgulhoso pela forma como decorreu a “Jornada Mundial da Juventude/Lisboa 2023”. Há 4 anos, poucos calculariam o enorme sucesso em que se converteria.

Isto recordou-me quando, a partir do Porto, com familiares e amigos (em 1993 ano de “Xacobeo” e em que ainda me movia bem), fiz uma peregrinação a Santiago de Compostela. Nesse ano, o dia 25 de julho,  coincidiu pois com um domingo. 25 de julho, é o dia de Santiago Maior, cujos restos mortais supostamente se encontram na Catedral, o que a converteu no principal destino de peregrinação cristã na Europa durante a Idade Média a seguir a Roma,  através do chamado “Caminho de Santiago, uma rota iniciática que seguia a Via Láctea. Existem registos de locais de peregrinação ofuscados pelo cristianismo, como o caso da Santiago de Compostela, cuja catedral pode ter sido construída onde passaria uma rota mais antiga, a peregrinação a Finisterra  (fim-da-terra), para ver o deus Sol "morrer no Ocidente" e no dia seguinte “ressuscitar no Oriente”.   A celebração do “Xacobeo”, “Ano Santo” ou “Año Jubilar” (na versão espanhola), inicia-se com a abertura da “Porta Santa”  na tarde de 31 de dezembro do ano anterior. Este evento não ocorre de 7 em 7 anos, os anos bissextos não podem ser esquecidos, pelo que teremos apenas 14 jacobeus por século. Como um símbolo da dureza do “Caminho”, o Arcebispo de Santiago bate três vezes com um martelo de prata do lado de fora no muro que veda o acesso. A “Porta” ficará aberta ao longo dos doze meses seguintes e será o acesso que, segundo a tradição, os peregrinos devem usar para entrar no Templo, como foi o nosso caso. As exigências formais para ganhar o “Jubileu” são simples, visitar a Catedral, rezar pelo menos uma oração, fazer a confissão e receber a comunhão no dia da peregrinação ou quinze dias antes ou depois, sendo que estes sacramentos podem ser cumpridos em qualquer lugar. Para mim e companheiros foi um momento especial a peregrinação a Santiago de Compostela (aonde já tinha estado várias vezes como turista), pois, para além da indulgência plenária, a cidade está cheia de eventos e celebrações e a atmosfera é única.

A um alcobacense ou amigo que hoje em dia visite o Porto e o Terreiro da Sé, informo que encontra um Marco Jacobeu, uma peça de granito, que se coloca próximo de uma “Ruta Xacobea, para indicar aos peregrinos a direção correta e a distância até Santiago e que contém dois dos símbolos mais reconhecidos do Caminho, a seta amarela e a concha de vieira.

Foi nesta JMJ-2023 que ocorreu a maior concentração de pessoas, que alguma vez aconteceu em Portugal. Mais, bastante mais que em 1967 em Fátima aquando da visita de Paulo VI, e o Comício da Fonte Luminosa em 1975 com Mário Soares.

Se tivesse tido oportunidade de me encontrar com o Papa e de lhe dizer alguma coisa, seria apenas OBRIGADO PAPA FRANCISCO.

SOBRE O QUE É IMPORTANTE

 

SOBRE O QUE É IMPORTANTE

FLeming de OLiveira

 

 

Nestes meus apontamentos para O ALCOA, tenho evitado abordar questões políticas tout court, sejam elas locais ou nacionais.

Desta vez, neste regresso ao trabalho e das férias que o jornal também usufruiu, vou fazer uma exceção (perdoem-me a nossa diretora Catarina Reis e os leitores), comentando o “tempo que passa por aí” e evitando vestir a camisola “laranja”, que gostosamente adquiri há perto de 50 anos e tenho na gaveta para utilizar em momentos especiais.

Como muitos portugueses e a maioria dos alcobacenses, entendo que o Governo Costa está a desperdiçar a maioria absoluta, por se centrar no imediato, no impacto da guerra na Ucrânia, sem revelar capacidade de, a par disto, se debruçar sobre questões de médio/longo prazo ou alcance, ao invés de procurar com idoneidade consensual as questões estruturantes, em suma, de intentar uma política consensualizada.

A Justiça, a Educação (sem esquecer a arrastada questão dos professores…e o veto presidencial), a Saúde, a Segurança Social, são matérias sobre as quais haveríamos que ter uma política consensualizada. Não quero dizer com isto que todos os partidos tenham que pensar ou propor o mesmo (PSD e PC ?), falar em uníssono, mas que tem que haver eixos estruturantes. Claro que a ideia não é nova, nem original, mas uma pecha nacional. É mau, muito mau mesmo para o País que, sempre que venha um novo governo, se confronte com o desfazer o que anterior andou a fazer. 

Neste sentido recordo um político, aliás comprometido com o partido do atual governo, que disse há dias que Portugal é uma cobaia.

Sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito  sobre a tutela e política de gestão da TAP, entendo que o essencial (“a gestão das empresas públicas, a situação da TAP e o seu futuro”)  não foi verdadeiramente discutido, pelo menos tendo em nota o que a televisão mostrou à saciedade e ad nauseam. A CPI foi alimentada com questões laterais, menos relevantes, afinal com a intriga política e as notícias sensacionalistas, fáceis de noticiar, de digerir e que dispensam análise por quem sabe e não se socorre do improviso.

Bom trabalho, paz e saúde, caros leitores, neste regresso ao quotidiano.

E deixemos a intriga.