quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Rui Rasquilho apresenta livro no Museu do Vinho

 

Rui Rasquilho apresenta livro no Museu do Vinho

 

No dia 10 de fevereiro, Rui Rasquilho apresentou no Museu do Vinho o seu trabalho “A Estrada-um percurso indefinido”.

Trata-se de uma compilação de textos, de conferências, prefácios e ensaios realizados ao longo de cerca de 60 anos. Este livro contém também poesias, entrevistas e textos sobre o autor.

Concomitante com o lançamento do livro, abriu uma exposição de arte popular marroquina e brasileira (Rui Rasquilho foi Conselheiro Cultural de Portugal), cujo acervo lhe pertence e à Mulher.

Perante numerosa e interessada assistência, o livro foi apresentado pelo editor Carlos Fernandes (“Hora de Ler”) e o autor dissertou sobre o conteúdo conversando com a assistência, muito partipante.

 

Inês Santos



 

FUTEBOL, CLAQUES E UM MESTRE NA PRISÃO

 

FUTEBOL, CLAQUES  

E

UM MESTRE NA PRISÃO

 

FLeming de OLiveira

 

 

- Liminarmente faço uma declaração.

- Aprecio o futebol (no tempo de universitário, não perdia um jogo da Académica, ainda que à chuva ou ao sol no peão do Estádio do Calhabé), mas desde então raramente vou a um estádio. Fico-me pela televisão a beber uma cervejinha.

Tripeiro nato e assumido, embora a viver há 50 anos em Alcobaça mas sem renegar as origens, inclino-me, afetivamente, para o FCP. Estive com o meu filho em Sevilha (2003) e em Gelsenirchen (2004), e não esqueço esses momentos memoráveis.

- Um primo, aliás muito próximo do FCPorto, creio que até foi diretor, explicou-me na semana passada que, nos tempos que correm, as claques seguem de perto a preparação de um jogo de futebol, despendem horas a estudarem coreografias, a pintarem telas e painéis gigantes, a fazerem distribuição de bilhetes.

O que começou por salutar carolice, virou negócio escuro, como intuímos sem assumir especial perspicácia. As claques são organizadas, vigiadas, entidades suspeitas. As direções de clubes, pelo menos dos chamados 3 grandes, ajudavam as claques, com a cedência ou venda mais barata de bilhetes, facilidades no aluguer de transporte, e apoio logístico. 

- Fernando Madureira (vulgo “Macaco”) é reconhecido como o rosto dos Super Dragões. Muito, e de há muito, se fala sobre ele, mas  nunca foi acusado em tribunal, sendo que com a “Operação Pretoriano” (investigação levada a cabo tendo como ponto de partida os incidentes verificados na Assembleia Geral do FC Porto, do passado 13 de novembro), o MP pediu a sua prisão preventiva. No caso de Sandra, sua mulher, o MP não considerou necessária uma medida restritiva da liberdade embora acredite que ela não teve um papel apenas secundário nas agressões que aconteceram aquando da assembleia-geral do clube.

- Detido na sequência da “Operação Pretoriano”, Fernando Madureira, ficou em prisão preventiva, Hugo Carneiro, conhecido como “Polaco”, elemento dos Super Dragões, vai continuar detido, o empresário Vítor Catão ficou em prisão domiciliária, com vigilância eletrónica. Todos eles ficaram proibidos de contactar pessoas envolvidas no processo, com exceção de familiares diretos.

Em causa estão, como referi, os acontecimentos da Assembleia Geral do FC Porto, e os crimes de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo ou em acontecimento relacionado com o fenómeno desportivo, coação e ameaça agravada, instigação pública a um crime, arremesso de objetos ou produtos líquidos e ainda atentado à liberdade de informação.

Aos demais seis arguidos ao fim de uma semana de detenção, não foram aplicadas medidas privativas de liberdade, mas ficam proibidos de contactar entre si, com exceção dos familiares diretos, bem como de entrar em recintos desportivos onde jogue o FC Porto, de aceder à sede dos Super Dragões e obrigados a apresentações às autoridades às segundas, quartas e sextas-feiras e sempre que jogue a equipa do FC Porto.

Isto servirá de exemplo? Não creio.

- De acordo com uma recente uma reportagem da CMTV, que por acaso vi, os rendimentos de Madureira e mulher não explicam o ostensivo estilo de vida, uma vivenda de luxo em Canidelo (Gaia), automóveis topos de gama, um restaurante, um hostel e um bar na zona da Ribeira (Porto).

- Em 2016, Madureira realizou mestrado em Gestão do Desporto no ISMAI, onde obteve 17 valores, a tese disponível na internet, é desinteressante, redigida em mau português e cheia de erros ortográficos.

- Portanto reconheço que, ele pelo menos, de facto e de direito é mesmo Mestre.

 

 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

25 de Abril- o florescer de uma nova era

 

 

25 de Abril-

o florescer de uma nova era

 

 

Cecília Franco Miguel

 

 

No final de abril, a cidade estava envolta numa atmosfera de mudança. A revolução era muito recente, tinha acontecido no dia vinte e cinco, e, as pessoas eufóricas saíam à rua. O cravo no cano das armas dos militares, não simbolizava apenas a queda do regime autoritário, mas o florescer de uma nova era repleta de liberdade, esperança e oportunidades.

Clara saiu da casa, onde estava hospedada, sem se aperceber que calçava um sapato diferente em cada pé. Enquanto caminhava automaticamente pelas ruas familiares da cidade, a sua mente vagueava por um labirinto de questões não resolvidas, que lhe afloravam o pensamento dos seus recentes dezoito anos.

As pessoas, alheias à tempestade de ideias que a atormentava, juntavam-se na praça principal da cidade, para festejar a liberdade, mas Clara continuava imersa nos pensamentos que trazia consigo, não apenas, provocados pela transição para a vida adulta, mas também por uma enxurrada de conceitos e reflexões sobre o passado, o presente e o futuro. Ela ansiava por respostas que transcendessem as convenções sociais e os ideais políticos. Queria descobrir o significado de liberdade a um nível mais profundo, encontrar a trilha que a conduzisse à verdade sobre si mesma. As vozes da emoção e da razão debatiam-se na sua mente. A primeira lembrava-a da educação recebida e de como ela, por vezes, se chocava com algumas decisões racionais, a segunda convidava-a a seguir um caminho lógico e a prosseguir com os seus objetivos. A busca por identidade e propósito tornara-se um labirinto, onde cada decisão era uma bifurcação num caminho incerto. Clara, sentou-se num banco de jardim e, apercebendo-se finalmente da diferença no calçado que usava, sorriu consigo mesma, e pensou que os sapatos desiguais mostravam a história da dualidade de pensamento que a incomodava. Do lado esquerdo o sapato castanho, desgastado pelo uso do dia a dia, representava o peso da educação recebida, focada em valores tradicionais, restrita e moldada pelos interesses do Estado Novo, que colidia com os seus ideais e com o paradigma emergente no pós-revolução, que trazia consigo uma explosão de mudanças. Do lado direito o sapato domingueiro, preto e cuidado, refletia a parte de Clara, que procurava ordem, lógica e o anseio de se expressar sem medo de censura. O peso das escolhas e o desejo de não se perder na vastidão do futuro eram desafios que a atormentavam ao ponto de ter trocado o calçado.

Levantou-se e decidiu enfrentar o seu labirinto interior com coragem, explorando cada caminho com a determinação de quem busca compreender seu próprio destino, e, sem se incomodar com a diferença visível nos seus pés, juntou-se às pessoas para festejar a liberdade. Afinal o cravo vermelho não era apenas uma flor, mas um símbolo do renascimento de uma juventude que florescia em liberdade, e Clara estava empenhada em moldar ativamente o curso do seu próprio destino. Agora, ela buscava a revolução pessoal que transformaria sua própria história e o eco da revolução continuaria a guiá-la.

 

 

                                                                                                                 

 

O meu antes e depois do 25 de Abril no Ensino

 

O meu antes e depois do 25 de Abril no Ensino

 

Piedade Neto


 

Quis o tempo que vivesse entre dois tempos. Antes do 25 de Abril e após a Revolução dos Cravos. Por alguns anos ainda exerci a profissão de Professora em meio rural, numa época parca em liberdade, em arrojo e com absoluta ausência de condições. Tempos acanhados e decrépitos. Grande parte das crianças provinha de famílias muito pobres, sem agasalhos no Inverno e sem material escolar que se visse. Eram raquíticas, de cabelo crespo, dentes irregulares e pele sem brilho. A escassez de bons e necessários alimentos e a abundância de vinho deixavam visíveis marcas de fácil leitura. Aliás, o vinho era o rei de grande parte das casas, e não eram poucas as crianças que o bebiam e cujo cérebro ficava incapaz de uma aprendizagem normal. A Escola era ainda o local de algum carinho, de adquirir conhecimentos, normas de melhoria de vida, de pensamento, de alegria e convívio. Embora com poucas condições de conforto, acabava por ser acolhedora e um local de valorização e socialização. Do pouco se fazia muito. Os manuais escolares eram únicos com textos criteriosamente escolhidos a vincar os valores do Estado Novo; pobrezinhos, humildes, pai, mãe, filhos, lareira da cozinha, compunham temas e ilustrações. Tudo sentado a rezar, a aceitar o que Deus dava, seguido do necessário agradecimento. Eram assim as orientações na Escola daqueles tempos. Os Professores, para exercerem a profissão, declaravam-se anticomunistas por escrito, numa folha timbrada de papel azul. Que raiva aquilo me deu! Mas, ao não o fazer seria proibida de exercer. Coisas de má memória. O Governo era rico em ouro, como se dizia. Porém, o País era pobre. Pobre de bens, pobre de ideias. Atrofiado, medroso, obediente, estupidificado como convinha a uma Ditadura. Pensar diferente nada! Fazer diferente? Impossível. Mas, como diz o poeta, “não há machado que corte a raiz ao pensamento”. Em 25 de Abril de 1974 tudo começa a mudar. A História conta. Na Escola do meio rural não foi rápido. Paulatinamente as ideias abrem, as maneiras de pensar diferem, a Escola prepara-se para a Liberdade. Fotos de governantes fora das paredes, textos de autores antifascistas tomam a dianteira do Ensino.  Ambiente democratizado, canções de Liberdade e intervenção. A rápida mudança de alguns Professores foi dos factos que mais me marcaram. Antes, convicta e absolutamente conotados com a Ditadura e todos os seus parâmetros foram lestos a erguer as bandeiras da Democracia e da Liberdade. Coisas que não lhe assentavam nada bem porque a nossa memória não é curta. Era vê-los a enaltecer Samora Machel, Che Guevara e outros paladinos de abril, ir a manifestações, participar em comícios e repudiarem o fascismo com toda a convicção. Era hilariante! Claro que em termos de aprendizagem, abertura e sentido crítico o Ensino mudou com o 25 de Abril. Escolas mais cuidadas, aposta na formação, na cultura e modernidade, abertura, conceitos e pedagogias novas. Nada ficou igual e ainda bem. Sinto-me rica por ter vivido duas épocas tão diferentes; o antes e o depois do 25 de Abril que, apesar das vicissitudes e excessos, nos trouxe uma nova aurora, uma nova forma de pensar e viver. Saudades do antes? Nenhumas! Vivi intensamente esses tempos de mudança e, posso dizer, que foi a data mais importante da minha vida enquanto cidadã.

 

 

 

 

 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

PRENDER PREVENTIVAMENTE, MAS NÃO COM O OBJETIVO DE ARRANJAR PROVAS

 

PRENDER PREVENTIVAMENTE,

MAS NÃO COM O OBJETIVO DE ARRANJAR PROVAS

 

FLeming de OLiveira

 

A prisão preventiva dos ditos famosos, muito especialmente nos processos de crime económico-financeiro, e muitas vezes com grande encenação, tem suscitado interpretações controversas nos meios de comunicação social e de que os juristas não se encontram excluidos.

É preciso, por isso, compreender a natureza e finalidade da prisão preventiva. Como antigo Delegado do Procurador da República (início da década de 1970) e Advogado com mais de 40 anos de exercício, sedeado nesta comarca de Alcobaça (ora reformado), tenho uma opinião que pretendo exprimir, tendo em conta a minha formação e experiência.

A prisão preventiva, dada a natureza excecional, não pode confundir-se com a prisão para o cumprimento de pena, não pode ser decretada, nem mantida, sempre que for possível substituí-la por medidas de coação menos gravosas para o arguido. Quanto à factualidade subjacente, tem como pressuposto indispensável a existência de fortes indícios da prática de crimes puníveis com prisão superior a cinco anos, com prisão superior a três anos nos casos de criminalidade violenta, altamente organizada ou terrorismo. Acresce a exigência de suspeita fundada sobre os perigos resultantes da manutenção em liberdade do presumível autor do crime, que representem uma ameaça para o normal e salutar desenvolvimento processual. Os perigos têm de ser objetivamente ponderados e expressos, tendo em nota a gravidade do caso, a destruição de provas, de contactos nocivos, de intimidação das testemunhas, de continuação da atividade criminosa, de fuga, de alarme social, em suma, de riscos para a eficácia da investigação em curso.

A prisão preventiva tem, em suma, assim se entende (e entendo) democrática e juridicamente, a finalidade de impedir que sejam colocados entraves à recolha das provas, e ao desenrolar da investigação. Visa proteger a aquisição e a conservação das provas, um fim associado à competente administração da justiça, cautelar obrigatoriamente. A avaliação da bondade da prisão preventiva e do seu tempo, depende da evolução do processo desde a detenção até à sentença transitada em julgado.

A avaliação dos perigos resultantes da manutenção da liberdade, decorre do quadro de perigosidade do arguido, não da sua culpa. Esclareça-se. Nada tem a ver com a presunção da inocência, princípio exclusivo da apreciação da prova e da culpa, na posterior fase do julgamento.

A prisão com esta finalidade e sempre reduzida ao mínimo de tempo indispensável, obedece portanto a exigências taxativas de necessidade, adequação e proporcionalidade.

Longe vão os tempos da Inquisição (mais de 200 anos) ou da PIDE (50 anos), onde se prendia para averiguar, se prendia para arranjar forma de incriminar o sujeito, onde não havia escrúpulos em prender preventimente, em torturar e depois mandar embora, considerado, afinal e sem responsabilidade, que não havia matéria.

Parafraseando um jurista famoso e ainda estudado nos meus tempos de universitário em Coimbra como Prof. Eduardo Correia, a prisão preventiva funciona como mera custódia até o cidadão ser condenado.

 

 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

CICLISMO E FUTEBOL EM ALCOBAÇA-1981-1982

 

No campeonato de futebol da época de 1981/1982, o Ginásio Clube de Alcobaça, sob a presidência de Guerra Madaleno, subiu à I Divisão Nacional, depois de uma (porfiada) luta na secretaria com a Associação Académica de Coimbra. A equipa de Coimbra beneficiou inicialmente da decisão da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência de um jogo com o Guarda, que teve de ser repetido. O recurso e os protestos dos alcobacenses acabariam por surtir efeito e valer-lhes a subida direta, quando já disputavam a Liguilha.

  Em protesto com a decisão da Federação, adeptos alcobacenses decidiram cortar a Estrada Nacional e interromper a corrida Porto-Lisboa. Ficou o pelotão parado em frente ao Mosteiro. Coisa inédita, uma corrida de ciclismo interrompida por causa do futebol. Apesar da confusão, foi explicado aos ciclistas os motivos do protesto, e ao que correu alguns terão ficado sensibilizados e ao lado dos alcobacenses.

  Pese embora a subida (garantida) à Primeira Divisão, o Ginásio de Alcobaça teve de deslocar-se a Penafiel para a decisão do título de campeão da II Divisão. Foi uma viagem demorada e inquieta pois, por causa do litígio com a Associação Académica, a comitiva (à cautela) não passou por Coimbra.

  Depois da subida à I Divisão e do brilharete numa disputada meia-final da Taça de Portugal em Alvalade, seguiu-se a época de 1982/1983. O registo, foi muitíssimo fraco, quatro vitórias caseiras em 30 jogos que valeram o último lugar e a descida de divisão.

  O projeto de Guerra Madaleno, entretanto a contas com a justiça, tinha pés de barro.

  A Volta a Portugal, que decorreu de 26 de abril a 16 de maio de 1927, em 18 etapas, totalizando 1960 quilómetros, teve a participação de 42 ciclistas e a média geral do vencedor, António Augusto de Carvalho, foi de 24,700 Km/hora. Os ciclistas dividiram-se por três categorias, fortes, fracos e militares. Em 1931 o circuito renasceu, tendo o ciclista benfiquista José Maria Nicolau sido o vencedor e aí começou a fulgir a aura de popularidade que durante anos o envolveu, bem como o sportinguista Alfredo Trindade, seu rival, que iniciou nesta prova a carreira desportiva e viria a vencê-la no ano seguinte.

  Uma das etapas passou por Alcobaça, em frente ao Mosteiro, e a animação popular voltou à rua.

 

A BANDA DO MESTRE ARNESTO

 A BANDA DO MESTRE ARNESTO- Ernesto Joaquim Coelho(Cristo)

Ernesto Joaquim Coelho (vulgo Cristo) sem saber uma nota de música, foi maestro vitalício da banda de música da Festa da Sr.ª dos Enfermos, a Banda do Mestre Arnesto. A alcunha Cristo, herdou-a e desconhecia a origem.

  No último domingo de maio de 1973, realizou-se, como habitualmente na Ataíja de Baixo, a festa em honra da Senhora dos Enfermos, importante no contexto da Igreja Católica.

  Os cristãos portugueses, como foi salientado, sempre tiveram uma especial veneração à Mãe de Cristo, que os conduz a seu Filho, sempre pronta para os socorrer com o afeto maternal. Por isso cedo começaram a invocá-la sob ternos títulos que recordam o seu auxílio, Consoladora dos Aflitos, Saúde dos Enfermos e Refúgio dos Pecadores.

  No sábado, pelas 7h, houve alvorada com lançamento de morteiros. Às 9h entrou a Filarmónica de Serra de El-Rei, seguindo-se peditório pelos lugares da Ataíja de Baixo e Casal do Rei. Às 13h celebrou-se Missa Solene com Sermão. Da parte de tarde, o arraial foi abrilhantado com a referida Filarmónica e pela Banda do Mestre Arnesto. No domingo realizaram-se passatempos como corridas de bicicletas e pedestres, como o pé-coxinho ou em sacos. No recinto houve o, apreciado e imprescindível, serviço de petiscos e vinhos.

  Antes de se deslocar a Ataíja de Baixo, a Charanga percorreu  ruas da Vila de Alcobaça, com muito apreço dos alcobacenses que destacaram a sua forma afinada mais do que seria de esperar. O regente muito descontraído e senhor da função, usando laço encarnado e chapéu de palha mexicano, era a grande atração, tal como a sua batuta mágica. Deste grupo destacavam-se Zé Pedro, Ricardo e o Zé (Ganau). Ao lado da banda, seguiam os fogueteiros, o Manuel Lemos e o Nanã[1] a transpirar por todos os poros, mas a encherem dois saquinhos com notas. A banda parou à porta de casa do falecido industrial Raúl da Bernarda para evocar a sua memória e, depois, foi apresentar cumprimentos ao Presidente da Câmara (Tarcísio Trindade) que veio à rua agradecer a gentileza.



[1] Fernando Pedro da Luz (vulgo Nanã), faleceu a 26 de dezembro de 2003 com 84 anos. Pessoa em geral estimada e inofensiva, dedicava-se a fazer pequenos recados. Tendo limitações físicas nomeadamente na fala, sem saber ler ou escrever, era muito rigoroso e certeiro no que diz respeito a  dinheiros. Tudo isto lhe conferia simpatia e alguma credibilidade. Os seus últimos tempos foram passados no Lar da Santa Casa da Misericórdia.

-JERO (2011)