terça-feira, 17 de dezembro de 2019
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
Voltamos sempre ao "Bom" clima
VOLTAMOS
SEMPRE AO “BOM” CLIMA
Fleming de Oliveira
1)-É importante ter um
bom clima para respirar, como tenho destacado nos meus últimos apontamentos.
É importante ter um
bom clima para trabalhar.

A partir da Revolução
Industrial a chegar tardia a Portugal envolvido numa invasão estrangeira e
depois numa guerra civil, as transformações sociais que se seguiram, ao mesmo
tempo que trouxeram progressos importantes que não eliminaram a pobreza,
colocaram o trabalhador perante perplexidades, que não pararam até à
atualidade. O cinema estrangeiro e mesmo a literatura nacional, deram-nos obras
que espelham as inquietações que acompanharam o progresso tecnológico.
A revolução tecnológica nunca foi vista como
um bem inquestionável em si e para o ser humano, e o ponto de vista dos “inovadores” está longe de ser pacífico.
Ela não se traduziu apenas na libertação e no bem-estar, pois arrastou efeitos
destrutivos a que o ambiente climático não foi alheio e em renovadas formas de
opressão e injustiça social, não obstante o consumo e a força do mercado terem
ganho uma relevância crescente. Se o trabalho, mais do que o consumo, é onde os
portugueses continuam a ser mais diretamente confrontados com a técnica, a
maior exposição do segundo, tende a secundarizar o primeiro.
Que digam os Centros Comerciais
em fins de semana ou em tempo de chuva.
Desafios e obstáculos
ao desenvolvimento tecnológico em Portugal com efeitos alienantes da técnica
sobre o trabalho, que o PCP denunciou e tentou obstaculizar “tout court” na mais pura ortodoxia depois
do 25 de abril, não impediu que a produção se expandisse.
3)-Desde
a segunda metade do século XX, a classe trabalhadora portuguesa manteve uma
relação ambígua com a tecnologia. Se por um lado, viu-a como uma ameaça aos
postos de trabalho (pessimismo que antevia cenários ameaçadores) por outro, a
inovação tecnológica não só permitiu a eliminação de algumas tarefas
laborais/braçais muito pesadas (visão “idílica”
de um mundo feliz em que as tecnologias substituiriam o esforço físico), como
favoreceu o reforço das organizações sindicais. Ambos os cenários foram
idealizados no quadro de ideologias de sentidos opostos, mas que a realidade
foi progressivamente recusando, visto que os efeitos da evolução tecnológica,
por se inscreverem na lógica da dinâmica social, sempre foram contraditórios.
A tecnologia e as suas
implicações no emprego e na vida social é tema recorrente nos estudos
económico-sociais e em certa propaganda política. O manual tem atestado a
necessidade de se evitar o “determinismo
tecnológico”, pois a máquina “nunca é
nem puro meio, nem puro fim da atividade social”. Para se compreender os
impactos e implicações sociais da inovação tecnológica, é importante sublinhar
que eles incidem simultaneamente em múltiplos domínios e níveis de análise. É
necessário, antes de mais, pôr em evidência as condições socioeconómicas e
culturais
que
favorecem ou impedem o desenvolvimento tecnológico. As tecnologias, tal como o
conjunto de artefactos materiais ainda que hoje tidos como elementares, uma vez
apropriados ou marcados pelo homem, ganharam um novo alcance no plano simbólico
e das subjetividades e revestem-se de múltiplos significados. Por isso, a
problemática da tecnologia, da presença ou da ausência de novas tecnologias,
repousa sempre em implicações sociais, antes, durante e depois da sua aplicação
concreta.
4)-Não, não subscrevo
a visão idílica, neutra e fictícia de uma globalização homogeneizante e
harmoniosa, como tem sido construída e divulgada pelos ideólogos neoliberais e
pelos “mass media” de serviço. O novo
liberalismo global entrou numa dinâmica vertiginosa, e os seus impactos sobre
as relações de trabalho fazem-se hoje sentir em todas as regiões do globo,
diria nas mais desenvolvidas.
Uma reflexão
sobre o caso português impõe que se tenha presente tratar-se de uma sociedade
que só há cerca de 30 anos começou a pôr em prática políticas de modernização
socioeconómica no quadro do processo de consolidação democrática.
O processo de
transformação que o tecido produtivo sofreu, obedeceu a um vasto leque de
incidências, de natureza económica, política, social, institucional, que se
prendem simultaneamente com fatores internos e externos.
Entre outros, há que
destacar os relacionados com a adesão à CEE, o conjunto de ações destinadas à
inovação tecnológica no sector empresarial, os programas de apoio à investigação
científica e tecnológica com os consequentes efeitos no crescimento de quadros qualificados,
as políticas educativas, sua evolução e debilidades, e a articulação entre os
investimentos estruturais e as práticas empresariais.
Não obstante as dificuldades
que Portugal continua a enfrentar neste domínio, pelo menos desde meados dos
anos oitenta, existem indicadores de que o processo de desenvolvimento
tecnológico, no que se refere ao recurso a serviços técnicos especializados e à
informatização, denota evolução. Segundo levantamentos efetuados há cerca de 30
anos e a que tive acesso, a grande maioria das empresas portuguesas já tinha
informatizado os serviços de contabilidade, cerca de metade alterado os métodos
de gestão do pessoal e 10% recorriam a serviços técnicos especializados, próprios
ou contratados, além de terem a sua gestão e o processo de produção informatizados.
Isto está longe de corresponder a um avanço significativo no domínio da
inovação tecnológica, principalmente de base empresarial.
5)-Um ponto importante
que importa ainda sublinhar, prende-se com a participação dos parceiros sociais
e dos trabalhadores nos processos de mudança organizacional e tecnológica.

Durante muito tempo, o
sindicalismo português manteve-se amarrado a estratégias de resistência na alegada
defesa das regalias conquistadas no pós-25 de Abril. Até aos anos de 1990, os
principais sindicatos da indústria, os filiados na CGTP, persistiram na
renitência face aos programas de reestruturação e centraram-se principalmente
na defesa do emprego e dos “alegados”
direitos adquiridos.
Assim cada um de nós queira e possa colaborar. (Por/Para um bom clima")
Assim
cada um de nós queira
e
possa
colaborar.
(POR/PARA
UM BOM CLIMA)
FLeming de OLiveira
1)-Ursula
von der Leyen, a recém-empossada Presidente da Comissão Europeia, definiu como
uma das prioridades da sua equipa, uma ação ambiciosa em matéria de crises climática
e da biodiversidade. Apoiado, diria até animado por reiterados e crescentes
apelos à ação, este mandato oferece a oportunidade para ampliar e acelerar uma
transição ecológica e justa para a Europa. Há muito que as políticas de alguns
estados europeus abordam a degradação ambiental e as alterações climáticas com
algum êxito e, sem dúvida também, com fracassos. Creio que, ainda aqui, a
questão não se pode aferir pela bondade da legislação existente, outrossim
pelas condições em a implementar. A Europa dispõe de um quadro legislativo bem
estabelecido, com objetivos a longo prazo e fiáveis sobre um grande número de
temas, desde as emissões de gases com efeito de estufa e áreas protegidas, até
à qualidade do ar e aos resíduos urbanos.

No entanto, os objetivos a longo prazo exigem reduções
maiores e um empenhamento coerente, sem esquecer o esforço persistente de cada
um de nós. A neutralidade climática que o governo português tem como alegado objetivo,
encontra paradoxalmente obstáculos quando setores, como os transportes, tem
dificuldade em conseguir redução, devido ao aumento da procura.

Estranho?
A opinião pública europeia exige ação em
matéria de alterações climáticas e de sustentabilidade. Milhares de
jovens incentivados por Greta Thunberg, marcham pela Europa, lado a lado com os pais
e avós. Tendo em conta o apelo e a magnitude das tarefas, não surpreende que
estas questões estejam no centro das ambições políticas da UE. A composição do
Parlamento Europeu reflete estas exigências públicas.
3)-Ao longo dos últimos anos, as avaliações da Agência Europeia do Ambiente/AEA
têm chamado a atenção para questões relacionadas com os principais sistemas
sociais, incluindo a mobilidade, a energia e, mais recentemente, os alimentos.
As políticas europeias refletiram esta abordagem nos pacotes legislativos,
incluído o que diz respeito ao clima e à
energia. A AEA tem vindo
ainda a salientar a necessidade de uma transição para a sustentabilidade e o
papel da política na facilitação da mesma, o que também é sublinhado na agenda
de von der Leyen.
O que se pode fazer para que o Pacto Ecológico Europeu se
concretize?
Embora não me assuma como “expert”, admito que tal pressupõe uma
reformulação de sistemas-chave, como a forma de deslocação, produção e uso de energia,
produção e consumo de alimentos. Mas os desafios que é preciso enfrentar no
sistema de mobilidade ou de energia não são os do sistema alimentar.
Será que teremos mesmo de abdicar do belo
bifinho como adiantou a Universidade de Coimbra?
Nos últimos anos, as energias renováveis
tornaram-se uma componente fundamental do sistema energético, enquanto o
transporte rodoviário continua por enquanto a depender de veículos privados.
A urgência e a magnitude dos desafios,
significam que não podemos adiar mais a resolução de questões difíceis como
estas. Como podemos produzir alimentos sem prejudicar o ambiente (lá voltamos ao bife…) e apoiar as comunidades rurais?
Como podemos conseguir que essas comunidades
não fiquem ainda mais para trás?
Como é que conseguimos compatibilizar os
fundos públicos e privados das atividades que causam degradação ambiental e alterações
climáticas, com as que promovem a sustentabilidade?

que precisamos para colocar a Europa no
caminho da sustentabilidade. Para facilitar esta transição, a Agência
Europeia do Ambiente, alegadamente, continuará a apoiar os decisores políticos
e o público, fornecendo os melhores conhecimentos sobre questões atuais e
emergentes.
Assim cada um de nós “queira” e “possa”
colaborar.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
Apresentação em Peniche do livro "No tempo dos Boéres em Portugal"- publicação no jornal região oeste
JRO – Jornal Região Oeste
FORTALEZA DE PENICHE RECEBE APRESENTAÇÃO DE LIVRO SOBRE A PRESENÇA DOS "BOÉRES" EM TERRITÓRIO NACIONAL
No próximo sábado, dia 7 de dezembro, pelas 16h, o Museu Nacional Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche, irá acolher a Apresentação do livro "No tempo dos Bóeres em Portugal, da autoria de Fleming de Oliveira. Esta sessão contará com a organização do Município de Peniche e da Direção-Geral do Património Cultural e a apresentação da obra ficará a cargo do editor Carlos Fernandes.
Neste livro, editado pela Hora de Ler, é descrita a passagem por Portugal, entre 1901 e 1902, de um contingente de refugiados bóeres, resultantes da 2.ª Guerra Anglo-Bóer (1899-1902) que à época decorria na região do Transval, na África do Sul. Durante este período a então vila de Peniche acolheu 368 bóeres que ficaram internados na Fortaleza, e noutros locais da povoação. Os refugiados bóeres estavam autorizados a andar livremente pela península e, em algumas ocasiões especiais, podiam deslocar-se ao exterior. Os tempos livres eram ocupados com caminhadas, eventos desportivos, associações de debate e troca de correspondência. Alguns bóeres trabalharam na construção civil e agricultura.
O autor, Fernando José Ferreira Fleming de Oliveira, nasceu no Porto, em 22 de fevereiro de 1945. A 15 de novembro de 1969, licenciou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Foi Delegado do Procurador da República em várias comarcas. Vive e trabalha em Alcobaça como advogado, desde 1974. Foi eleito, em listas do PSD, substituto legal/ vice-presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, assim como presidente da Assembleia Municipal, deputado à Assembleia da República e deputado municipal. Colabora regularmente em jornais e revistas, realiza palestras e conferências sobre temas históricos e faz crítica literária.
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