terça-feira, 28 de janeiro de 2014

-AMÉRICO D´OLIVEIRA, A REPÚBLICA E ALCOBAÇA-

-AMÉRICO D´OLIVEIRA, A REPÚBLICA E ALCOBAÇA-
Fleming de OLiveira

Américo d’Oliveira propagandista da República (para cuja causa contribuiu com dinheiro que herdou), maçon e carbonário, teve ação relevante já no dia 4 de Outubro, na Rotunda ao lado de Machado dos Santos, que ao admitir o eventual falhanço do golpe, o incentivou com sucesso, permanecendo ambos lado a lado até à vitória se consumar. Efetivamente, as coisas não correram bem aos sublevados que se tinham concentrado na Rotunda. Perante a ausência dos principais dirigentes republicanos e em face dos boatos que começavam a fervilhara, alguns consideram que se deveria levantar o acampamento. Em 1908, Américo d’Oliveira vivendo ainda em Alcobaça, fundou e custeou o jornal O Republicano, do qual terão saído apenas seis exemplares e era principal redator Raul Proença que também vivia em Alcobaça. Este, figura cimeira do pensamento político português no primeiro quartel do século XX, marcou a intervenção cívica durante a I República, cujos vícios criticou duramente. Proença combateu o sidonismo e a Ditadura Militar que, em 1927, o condenou ao exílio em Paris. Tendo regressado a Portugal em 1932, já acometido da grave doença mental que o levaria ao internamento no Hospital do Conde de Ferreira, no Porto, aí faleceu.
Um grupo de amigos e correligionários de Américo d’Oliveira, ofereceu-lhe no sábado, 21 de Janeiro de 1911, no Grande Hotel de Inglaterra, de Lisboa, um dos mais conceituados da capital, (propriedade de A. Ramos, situado na esquina da Praça dos Restauradores com a Rua do Príncipe, hoje Rua do Jardim do Regedor, inaugurado a 15.04.1906, após profundas obras para ser adaptado a hotel e que com o 5 de Outubro, sofreu bastantes danos, embora tenha reaberto ao fim de poucos dias), um banquete de homenagem pelos serviços prestados à República, quando do movimento que a implantou. Diversos brindes foram proferidos, salientando a ação de Américo d’Oliveira, de quem o Ministro António José de Almeida, que assistiu ao jantar, frisou que era um dos mais heróicos combatentes da Revolução, ao qual a História haveria de fazer justiça.
O semanário lisboeta Colonial, querendo prestar homenagem ao revolucionário Américo d’Oliveira, inseriu o retrato num dos seus números, fazendo-o acompanhar de um artigo a salientar a sua coragem e determinação no decorrer do 4 de Outubro, na Rotunda.        
Nos primeiros momentos da revolta Machado Santos corre o acampamento e não encontra um oficial, a quem se pudesse entregar o comando.
Foi um momento de dolorosa angústia para o heróico marinheiro, republicano desde muitos anos e um doido pela grande ideia.
O que ele sofreu nesses momentos, ao ver que o movimento ia talvez fracassar, diante delle que estava ali resolvido a praticar todas as loucuras!
Olhou em volta de si e viu Américo de Oliveira, que procurava o mesmo que ele: uns galões de ouro.
Com a mesma ideia dirigem-se para outro.
-Estamos perdidos! Exclama Machado dos Santos. Estamos sós! Que fazer?
Américo de Oliveira exclamou, num ímpeto:
-Tocar a unir, e perguntar aos sargentos se aceitam o seu comando!
Machado dos Santos exultou, já não estava só, tinha ali ao lado um companheiro heróico. Silenciosamente, mas com grande decisão, caíram nos braços um do outro, e foi com uma voz potente de comando de Machado dos Santos mandou tocar a unir.
Felizmente, os heróicos sargentos aceitaram sem relutância o comando de um oficial da marinha, que nem sequer era combatente. De tal modo eles queriam ir para a frente!
Américo d’Oliveira participou no 28 de Maio de 1926, tendo sido um dos dois que, com Mendes Cabeçadas, foi ao Palácio de Belém parlamentar com Bernardino Machado, a entrega do poder. Foi o editor de Arquivo Nacional, que Rocha Martins dirigiu de 1932 a 1943, semanário que divulgava, aliás sem grande profundidade factos, acontecimentos, biografias e memórias de contemporâneos e de figuras de outras épocas, quase sempre marcadas por controvérsia.


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