quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

EVOCANDO O 16 de MARÇO de 1974 (Caldas da Rainha)

 

EVOCANDO O 16 de MARÇO de 1974 

(Caldas da Rainha)

 

FLeming de OLiveira

 

 

 

 

Fala-se fundamentalmente, com toda a razão e destaque, nos 50 anos do 25 de abril de 1974.

Embora muitíssimo menos relevante, é de assinalar os 50 anos do “levantamento” (abortado) de Caldas da Rainha, ocorrido a 16 de Março de 1974.

Por essa altura, encontrava-me na Guiné quase a terminar a comissão de serviço, este incidente teve ali forte impacto e deu esperanças para em breve mudanças significativas no “regime”  e no evoluir da questão colonial.

Provavelmente para alguns leitores, este incidente encontra-se esquecido, ofuscado, pois cerca de um mês depois ocorreu e com sucesso s revolução de que nos louvamos.

Alguns “ultra” do Estado Novo consideraram-no como “insurreição de opereta.” Marcelo Caetano, numa “Conversa em Família”(RTP 28mar1974), qualificou-o como “um triste episódio militar que a irreflexão e talvez a ingenuidade de alguns oficiais que lamentavelmente produziu há dias”.

O “levantamento” de Caldas da Rainha é, todavia, apontado por alguns autores como o catalisador que aglutinou o oficialato em torno do MFA, o fio condutor para a adesão de quase todas as unidades militares à Revolução de Abril.

Na madrugada de 16 de março de 1974, uma coluna de cerca de duas centenas de militares comandada pelo Major Armando Ramos saiu do Regimento de Infantaria 5, de Caldas da Rainha, e tomou a estrada rumo a Lisboa. O objetivo era derrubar o governo de Caetano, para o que esperava o apoio de outras forças militares, nomeadamente de Lamego, Mafra e Vendas Novas.

A marcha prosseguiu até às portas da capital, quando houve conhecimento que nenhuma daquelas unidades tinha iniciado movimentação. Perante este cenário, foi decidido abortar o golpe e regressar ao quartel. Perto do Rio Trancão, pelas 6h30, a coluna foi mandada regressar. Em Lisboa, a PIDE tinha sabido da saída e havia montado um forte dispositivo militar de resistência à entrada.

Depois de chegarem a Caldas, os insurgentes/revoltosos foram cercados por forças fiéis ao “regime”, vindas de Leiria e de Santarém. Pelas 17 horas, após várias horas de negociações, os surgentes/revoltosos renderam-se. Detidos foram levados para a Trafaria, enquanto alguns elementos do Regimento foram transferidos para outras unidades militares. Chegava ao fim a insurreição que ficou conhecida como “levantamento” ou “intentona das Caldas”.

O “Gazeta das Caldas” (edição de 20 de Março) na melhor ortodoxia, registou que “politicamente importa afirmar aos que, no ultramar e no estrangeiro lerem estas linhas sendo portugueses, que nada, absolutamente nada aconteceu. Não suponham os nossos filhos e irmãos que asseguram a perenidade de Portugal, que afirmam a presença lusíada além-mar e que sustentam os combates de supressão do terrorismo, haver algo mudado na retaguarda. Esta é uma rocha em que podem sentir firme apoio”.

Gonçalves Sapinho contou-me, por alturas de 2011, que havia de sua parte uma ligação especial a dois capitães e sobretudo ao Maj. Serrano, 2º. Comandante da Unidade, de cuja casa era visita, o que lhe permitiu perceber que este participava em reuniões do futuro MFA, em Óbidos, embora isso nunca lhe tenha sido dito expressamente.

Falávamos de muita coisa, com à vontade, como reivindicações, greves, democracia e o 2º Comandante num jantar em sua casa, com três convidados que não identifico, questionou-nos sobre a possibilidade de ser desencadeada uma Greve de Zelo, o grau de adesão e a utilidade. Convergimos sobre a “certeza” que tal greve não tinha hipóteses de sucesso. Estas e outras situações, mostravam o “lirismo” de alguns oficiais”.

A 16mar1974, sexta-feira fria de nevoeiro, quando Gonçalves Sapinho se levantou, tomou conhecimento do movimento da coluna de militares do RI5 rumo a Lisboa que saíra “por volta das 4horas, liguei para casa do Major, 2º. Comandante, para saber o ponto da situação. Atendeu-me a esposa, que me disse que o Major meteu baixa nesse dia, que não tinha participado, alegando que era pai de três filhos”.

Isto é, o Major Serrano “borregou”, rematou Sapinho na sua típica terminologia beirã. De acordo com comunicados e notas oficiosas, a 17mar1974 “Reina a Ordem em todo o País”.

Embora não tivessem conversado com detalhe sobre a situação político-militar após o 16 de Março, Gonçalves Sapinho ainda lhe disse que era de opinião “que isto já tinha ido longe demais, e que era inevitável que acontecesse alguma coisa ainda”.

No dia 26 de abril, apareceram os primeiros militares saneados, e entre eles encontrava-se o 2º Comandante do RI5.

Otelo Saraiva de Carvalho ao “Gazeta de Caldas” (edição de 23mar2007), declarou que o “16 de março foi para mim um acontecimento de grande importância, independentemente de ter nascido de uma ação militar desorganizada e aventureira. A verdade é que essa ação acabou por constituir um ensaio de grande utilidade para elaborar o plano de ações para o 25 de Abril. Como “assisti” na rotunda da Encarnação, em Lisboa, à montagem do aparato bélico que esperava a coluna que vinha das Caldas, pude ficar a saber com que unidades não podíamos contar, quais as que havia necessidade de controlar e de que forma se organizavam as unidades militares e os órgãos militarizados. A missão para o 25 de Abril era muito concreta ao contrário do 16 de Março, que apenas serviu como balão de ensaio. O acontecimento em si foi uma derrota que não merece grande comemoração, mas para os que participaram ativamente naquele dia é um marco histórico”.

 

 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

O alvorecer de abril

                                                O alvorecer de abril

                                                                                    

                                                                                       Cecília Franco Miguel

Naquela madrugada ao despertar, 

Os capitães unidos por um objetivo, 

A ditadura, conseguiram desmoronar, 

Em busca de paz e futuro merecido. 

No campo, na cidade, rua, ou lugar, 

A voz do povo, cantou libertação, 

Cravos na mão e corações a palpitar, 

Em busca de saúde, paz, educação. I

gualdade e justiça foram reivindicadas, 

A liberdade, um direito conseguido, 

Depois de sacrifícios e lutas travadas, 

O alicerce da nossa sociedade foi erguido. 

Cinquenta anos depois, a revolução ressoa, 

A memória da luta, jamais será apagada, 

Nos versos do tempo, a história ecoa,

Hoje, o povo recorda e celebra a jornada.

 Que o futuro seja construído com amor, 

Em cada dia haja um novo amanhecer, 

A esperança seja sempre o esplendor, 

E que os cravos continuem a florescer. 


domingo, 25 de fevereiro de 2024

IGUALDADE… ENTRE O QUE É IGUAL

 

 

 

IGUALDADE… ENTRE O QUE É IGUAL

 

FLeming de OLiveira

 

 

Os direitos fundamentais são princípios básicos, reconhecidos pelo Direito português, europeu e internacional, com vista à defesa dos valores e interesses mais relevantes que assistem a pessoas singulares e coletivas, independentemente da sua nacionalidade, sem exclusão dos apátridas.

O Estado Português, 50 anos depois do 25 de abril, tem a absoluta obrigação de respeitar os direitos fundamentais, de tomar medidas para os concretizar, seja através de leis, práticas administrativas e o exercício do poder judicial. Estão obrigadas a respeitá-los tanto as entidades privadas como as públicas, tanto os indivíduos quanto as pessoas coletivas.

À luz da nossa Constituição (1976), existem duas grandes categorias de direitos fundamentais; os “direitos, liberdades e garantias”, e os “direitos e deveres económicos, sociais e culturais”.

No respeitante aos primeiros, destacam-se o direito à liberdade, à segurança, à integridade física e moral, à propriedade privada, à participação política, à liberdade de expressão, à participação na administração da justiça, que correspondem ao núcleo fundamental da vivência numa sociedade democrática e de direito. Os direitos económicos, sociais e culturais, como por exemplo, o direito ao trabalho, à habitação, à segurança social, ao ambiente, enfim à qualidade de vida, são por vezes, de aplicação diferida.

Porquê? Dependem da alegada ocorrência de condições sociais, económicas ou políticas, sendo que a sua não concretização não atribui ao cidadão, em princípio, o poder de obrigar o Estado ou terceiros a agir, nem lhe confere o direito de ser efetivamente indemnizado por essa falta.

 

O princípio da igualdade, consagrado na nossa CRP é estruturante do Estado de Direito e implica que se dê tratamento igual ao que for essencialmente igual, e que se trate diferentemente o que for essencialmente diferente. Os Portugueses, hoje em dia, protestam muito, seguramente com razão, invocando o direito/dever a serem tratados com justiça e sem descriminações. São os agricultores, os agentes de autoridade, os utentes e servidores do Serviço Nacional e Saúde, os professores e tantos mais que este espaço seria pequeno para os referir.

Na verdade, o princípio da igualdade, entendido como limite objetivo da discricionariedade (legislativa e/ou governativa), não veda a adoção de medidas que estabeleçam distinções. Todavia, proíbe as que que estabeleçam desigualdades de tratamento materialmente não fundadas ou sem fundamentação razoável, objetiva e racional. O princípio da igualdade, enquanto princípio vinculativo, traduz-se numa ideia geral de proibição do arbítrio, da discricionariedade.

A CRP, ao submeter os actos do poder legislativo e executivo à observância do princípio da igualdade, pode implicar a proibição de sistemas legais internamente incongruentes, integrantes de soluções normativas entre si, desarmónicas ou incoerentes. O carácter incongruente das escolhas do legislador e/ou governante, no entanto repercute-se na conformação desigual de situações jurídico-subjetivas, sem que para a aferição da desigualdade seja achada uma determinada razão. Em termos de constitucionalidade, setor onde nunca foi propriamente especialista, mas por força da atividade profissional tive de estudar, cumpre desde logo assegurar que, os normativos se mostrem racionais pelo conteúdo, impeçam disciplinas jurídicas que diferenciem pessoas e situações que mereçam tratamento igual ou, dito inversamente, que igualizem pessoas e situações que mereçam tratamento diferente. Só quando se concluir que a diferença, ou a igualização, entre pessoas e situações que o regime legal estabeleceu não é justificada por motivo que se afigure compreensível face “a ratio” que ele pretendeu prosseguir, é que se pode censurar, por falta de razoabilidade, as escolhas do legislador ou do governante. Fora destas circunstâncias, e, nomeadamente, sempre que estiver em causa a mera verificação de uma menor racionalidade/razoabilidade ou congruência de um sistema, que se não repercuta no trato diverso de posições jurídico-subjetivas, não se podem emitir juízos definitivos. Nem através do princípio da igualdade, nem através do princípio mais vasto do Estado de Direito, o qual em última análise sustenta a ideia de igualdade perante a lei e através da lei, se pode garantir que sejam congruentes (ou não) as escolhas do legislador ou/e do governante.

O que os princípios proíbem inequivocamente, é a subsistência de regimes legais que impliquem para as pessoas, diversidade de tratamento não fundado em motivos razoáveis. Sei bem que é mais difícil assegurar a bondade destas asserções, que a sua concretização.

Uma animosa manifestante que não recusa a rua, disse-me recentemente sem acrimónia, mas com ostensiva condescendência, que falo como um doutor da velha “Escola de Coimbra”, que tudo isto é teoria, que careço de competência ou habilidade para governar (o que não refuto), que a sua a contestação, é equacionadas em termos realistas e imediatos, pois vida há só uma, e as oportunidades não se repetem.

Caros leitores, peço que me ajudem a responder-lhe de forma consistente e, eventualmente, voltar aqui com considerações mais práticas e percetíveis.

 

 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

EVOCANDO ARTUR JORGE E ALGUNS FACTOS DA “BRIOSA”

 

 

EVOCANDO ARTUR JORGE

E

ALGUNS FACTOS DA “BRIOSA”

 

FLeming de OLiveira

 

 

 

 

Embora não seja um grande aficionado do futebol, fiquei incomodado com o falecimento (embora não imprevisto), aos 78 anos de Artur Jorge (Braga de Melo Teixeira). Tal como eu nascido no Porto, e quase da mesma idade, brincamos jogando bola de trapos, saltando ao eixo ou lançando o peão.

Como jogador de futebol a sério, foi avançado e começou a carreira no FC Porto, antes de rumar à Académica de Coimbra, onde estudou na década de 1960 e com quem privei regularmente, embora ele fosse aluno na Faculdade Letras. Ao tempo os jogadores da AAC eram estudantes, na maioria universitários. Encontrávamo-nos no Café Mandarim (na Praça da República) e por vezes nos copos, no que era comedido por natureza e razões desportivas, muitas vezes com a companhia do Toni.

Foi na Académica que começou a afirmar-se como um dos melhores avançados do campeonato (creio que aí o seu estatuto era semi profissional), o que confirmou como profissional no Benfica, onde jogava o Eusébio, somando  golos e troféus. Quando o Benfica jogava em Coimbra, Artur Jorge era recebido com carinho, sem azedume e, raramente, com assobios.

Quando arrumou as chuteiras, iniciou a carreira de treinador no Belenenses, depois no Portimonense, antes de assumir, com Pinto da Costa na presidência, o comando técnico do FC Porto. Em 1986/1987 viveu o momento alto da carreira, ao conquistar a Taça dos Clubes Campeões Europeus em Viena de Áustria, com um memorável triunfo por 2-1 sobre o Bayern, de Munique e o golo de calcanhar do Madjer.

Rumou depois a França, para orientar um Paris Saint-Germain, menos conhecido do que atualmente. E guiou os parisienses à conquista da Taça de França e, depois, ao que ao tempo foi o segundo título de sempre como campeões francês. Por essa altura, em virtude do sucesso, já muitos lhe tinham dado o cognome de Rei Artur.

A partir daqui só nos encontramos uma ou duas vezes, sendo a última em 2004 em Gelsenirchen, por acaso e à entrada do estádio.

O falecimento de Artur Jorge leva-me a trazer algumas evocações.

No dia 25 de Junho, de 1939 a Académica conseguiu a maior conquista desportiva da sua História (até então), ao ganhar a primeira Taça de Portugal, competição que substituiu o denominado Campeonato de Portugal. Depois de eliminar o Covilhã, o Académico do Porto e o Sporting, a Académica teve pela frente, no jogo decisivo, o Benfica. Perante cerca de 30 mil espectadores, no Campo das Salésias, a Académica venceu os lisboetas por 4-3. Os festejos duraram dias e Coimbra recebeu em êxtase os seus heróis. Foi nesta altura que se tornou famoso o grito de vitória dos adeptos da Académica: “São horas de emalar a trouxa/ Boa noite, Tia Maria./ Que a Briosa ganhava a Taça,/ Obrigado! Já cá se sabia!”.[

No verão de 1961 um jogador da Académica protagonizou a primeira grande transferência de um futebolista português para o estrangeiro. Jorge Humberto, estudante de Medicina, transferiu-se para o poderoso e famoso Inter de Milão.

No campeonato de 1966 /1967 a Briosa terminou na segunda posição atrás do Benfica, naquele que foi um intenso duelo e que durou até final e acompanhei de perto. Três pontos separaram as duas equipas no final do campeonato, que coroou Artur Jorge como segundo melhor marcador da competição, apenas ultrapassado por Eusébio.

Em 1969, a Académica atingiu a final da Taça de Portugal. O jogo decorria com superioridade da Académica que chegou a estar em vantagem, mas o Benfica deu a volta ao resultado no prolongamento. O encontro entre a Académica e o Benfica foi muito mais que um jogo de futebol. A final da Taça de 1969 foi seguramente a mais politizada de todas que se disputaram. A crise estudantil de 1969 estava ao rubro, a Académica estava solidária com os estudantes e a Direção Geral da AAC aproveitou o jogo para dar visibilidade às suas reivindicações. Foi a primeira vez que a final da Taça não teve transmissão televisiva e nem o Presidente da República, nem o Ministro da Educação marcaram presença.

A 25 de maio de 2012, após um jejum de 73 anos, a Académica conquistou a sua segunda Taça de Portugal com vitória frente ao Sporting.

A Associação Académica de Coimbra, que atualmente joga na terceira divisão do futebol português, é herdeira da Secção de Futebol da Associação Académica de Coimbra, o que lhe vale o epíteto de "equipa dos estudantes", já que até à década de 1970 a grande maioria dos jogadores eram universitários, como referi.

É hoje, na prática, um clube independente em relação à casa-mãe, que de resto mantém uma secção amadora de futebol que disputa as distritais, bem como modalidades, como basquetebol, rugby, canoagem, natação, voleibol, ténis, ou andebol.

Como as equipas da casa-mãe, é designada normalmente apenas como "Académica", e carinhosamente de "Briosa", alcunha que advém da entrega com que normalmente se batiam as suas equipas de estudantes.

Um dos acontecimentos mais importantes na década de 1920 foi o nascimento do símbolo que a Associação Académica de Coimbra/AAC adotaria de forma definitiva. Após tentativas que não foram do agrado, a Académica decidiu utilizar um novo símbolo, que contemplava as iniciais “AAC”, numa partida com o Sporting e cujo objetivo era “vingar” a derrota na final do Campeonato de Portugal. Contudo, a Académica seria derrotada e as “culpas” foram atribuídas ao novo emblema que, por isso, foi ostracizado. Na época 1927-1928, o estudante de Medicina, Fernando Ferreira Pimentel, a pedido do dirigente Armando Sampaio, desenhou o atual símbolo, que passou a ser usado e se mantém.

 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Rui Rasquilho – narrativa curricular parcial-

 

Rui Rasquilho

– narrativa curricular parcial-

 

Esta coisa dos currículos faz parte da curiosidade de quem tem o desejo, evidentemente legítimo, de saber quem somos. Trata-se de saber da nossa carreira, do nosso percurso.

Mas como currículo, no dicionário, também pode ser ‘caminho’, ‘atalho’ ou até ‘desvio na estrada’, aqui está a estrada!

Não vou seguir a cronologia habitual, porque ela se processa num quadro árido. Escolhi acontecimentos, alguns com datas, outros sem elas, uma narrativa necessariamente incompleta, aliás até podia ser outra.

As reflexões com que termino fazem parte do meu olhar sobre o lado sombrio da estrada.

 

Como muitos, depois de nascer batizaram-me. A curiosidade deste acontecimento é a de ter sido diretor, entre 2005 e 2008, do Mosteiro de Alcobaça, o mesmo onde na Sala dos Reis me derramaram a água benta dizendo chamar-me Rui. Esta situação aconteceu, segundo a minha mãe, num dia de sol, a 4 de julho de 1945, quatro meses e um dia depois de haver visto a luz em Lisboa na Maternidade Alfredo da Costa. Abria-se a estrada literalmente falando. Teve graça coincidir o batizado e a reforma no mosteiro que foi de Cister. Imparáveis coincidências.

 

Posto isto, a vida deslizou, na escola, no liceu e no começo da universidade. Nunca no mesmo sítio. Estava a cumprir o serviço militar obrigatório quando o Salazar cai da cadeira, e aí casei-me. Foi no dia 14 de setembro de 1968 com a Maria Manuel, a Manezinho como carinhosamente lhe chamava o meu pai e eu Né, em Lisboa após cinco anos de namorico. Com 17anos fui presidente do Interact Club. Hoje sou sócio honorário do Rotary Club de Alcobaça.

O nosso filho nasceu no Uíge, em zona de guerra. Tem hoje 52 anos e fez na barriga da mãe milhares de quilómetros, num louco passeio de carro entre o norte de Angola e o centro de Moçambique, quase sempre por asfalto, de Carmona, no Uíge, até à beira do Zambeze, em Tete. O regresso foi feito por outras estradas, descndo pelo Parque Nacional da Gorongosa.

O Deserto da Namíbia, o Cabo da Boa Esperança, as Quedas Vitória, a Swazilândia, as explorações de diamantes em Kimberley foram referências num bárbaro mundo onde o apartheid sul-africano nos tolheu a paisagem. Tal como em Moçambique, embora aí fosse mais subtil.

 

Em 1971 a guerra colonial ficara para trás, voltámos a Portugal, terminámos, eu e a Né, os cursos interrompidos pela guerra, eu História e ela Farmácia. Deu-se o 25 de Abril, e a partir daí tudo se passou mais velozmente, avançámos então pela estrada da docência.

 

O património associativo, a ADEPA 1978 e o VIII centenário do mosteiro cisterciense de Alcobaça, o primeiro Congresso Internacional para a Defesa do Património foram o desafio seguinte. Em 1979 o primeiro livro, obviamente sobre o Mosteiro e o seu território. Logo depois a construção dos primeiros cursos sobre o Património Cultural, na Faculdade de Letras, para professores do ensino secundário. Dos que o fizeram morreram todos, só falto eu. Mas estou seguro de que lá chegarei saudável.

Hoje há ensino universitário nesta área em todo o país.

 

Em Fevereiro de 1980 iniciou-se, sob a minha presidência, a Campanha Nacional da Defesa do Património. Eu, o Pedro Canavarro e o Jorge Custódio a corrermos o país, a reunir com as autarquias, a conversar e entregar documentação internacional. Sob o lema “O Património é a memória de um povo, proteja-o”, podia ler-se nos jardins dos municípios.

Viajámos, acho que milhares de quilómetros, no Mercedes 240d que acabara de herdar por morte do meu sogro, médico e antigo presidente da Câmara de Porto de Mós, um liberal antes do tempo.

No segundo canal passou em vários episódios o programa “Património, o que é?”. Está disponível no site da RTP. Também neste ano fui Deputado Municipal de Alcobaça, liderando aí o grupo do PS.

 

A Faculdade de Pedagogia da Universidade de Lisboa fora criada na década anterior. Se tem durado a comissão instaladora, eu e o Adragão, linguista da FLUC, teríamos ido para os EUA doutorar-nos em Educação. A realizar-se tal facto, a minha narrativa curricular era outra. O presidente, o Prof. Quadrado, já nos deixou, tal como o Dr. Adragão. O Eng. Lopes da Silva, outro dos três vogais, está de boa saúde. Professor catedrático do IST, andou depois da campanha a semear universidades país além.

No final de oitenta, surge a XVII Exposição do Conselho da Europa, os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento. Fui Comissário Técnico para a imprensa e escolas. Milhares de alunos, até ao encerramento em 1983, vieram de todo o país. Hoje muitos já são avós com estrada própria. Tenho um amigo em Alcobaça que foi guia desses jovens, o Dr. Jorge Prata, professor do Agrupamento de Escolas de Cister.

No final, o Presidente Ramalho Eanes condecorou cinco comissários, liderados pelo Dr. Pedro Canavarro, coadjuvado pelo Dr. João Bettencourt. Coube-me a Ordem de Benemerência no grau de Comendador.

 

Em 29 de Março de 1983, fui membro fundador e Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Comissão Nacional Portuguesa do ICOMOS, organismo consultivo da UNESCO para o Património Mundial Cultural.

 

Depois de 1984, terminada a XVII, vou trabalhar, eu e a Maria Manuel, em Marrocos e no Brasil durante quase vinte anos, nas embaixadas de Rabat e Brasília. O Rui filho frequentou a escola americana e depois, no Minnesota, o Macalester College, onde se licenciou em Ciências Políticas e Antropologia. Em 1995 já estávamos no Brasil, onde comecei a escrever sobretudo poesia e a publicar versos. As conferências intensificaram-se.

Representar o país como Adido, primeiro em Marrocos, e Conselheiro Cultural, depois em Brasília, foi uma responsabilidade esplêndida. Participar na organização de espetáculos de Música, Teatro, Cinema, colóquios de escritores, congressos, bolsas de estudo, e colaborar em projetos de cooperação internacional foi muito estimulante. Um mundo de contactos com colegas estrangeiros, portugueses da diáspora e autoridades locais foi um exercício funcional e uma gratificante experiência sem fim.

 

Começámos a vida no exterior em Marrocos, num país árabe. Fui Adido Cultural junto da embaixada em Rabat, e lembro o Embaixador Lopes Vieira, já no fim de carreira, que nos tratou como filhos e nos proporcionou uma bela integração no espaço diplomático. As universidades foram o campo fértil de trabalho.

Eu e a minha “ajudante”, Maria Manuel, montámos exposições em praticamente todas as Faculdades de Letras das universidades marroquinas. Normalmente, expúnhamos os preciosos painéis da Comissão dos Descobrimentos e depois eu falava para auditórios cheios sobre a Pátria marítima.

Um dia, em Oujda, cidade na fronteira com a Argélia, após falar de Portugal nos séculos XV e XVI no Magrebe, fui convidado por um grupo integrista de estudantes para me converter ao Islão, por via de se ouvir o meu respeito pelo “outro”. Lá me safei, e a Maria Manuel continuou de cabelo ao vento.

 

Mário Soares, em visita a Marrocos, era membro da Academia Real, fez-me Oficial do Infante D. Henrique em 1990. A Gulbenkian restaurou a Torre de Arzila e o Mário Soares, o José Blanco e o Ministro da Cultura marroquino, Benaissa, lá estiveram a participar na inauguração dos trabalhos. Escrevi então um texto memória alusivo ao acontecimento, meteu-se o papel num canudo metálico que foi selado na muralha e esqueci-me de guardar uma cópia! Daqui a uns séculos veremos o que foi escrito. Ainda em Rabat, o rei Mohamed V concedeu-me em 1993 o Ouissam Alaouita no grau de Comendador.

 

No âmbito das relações bilaterais foi muito importante a criação, em Maio de 1994, do Gabinete de Salvaguarda do Património em Mazagão, tendo Portugal contribuído generosamente para o seu equipamento. Eu e o arqueólogo Cláudio Torres tivemos intervenção direta.

Escrevi muitos artigos, participei de muita atividade de aproximação cultural, chegando a ajudar na preparação, em Lisboa, da Semana Cultural de Marrocos em Portugal, a pedido de Rabat, situação rara e reconfortante.

Em 2002 voltámos para Portugal vindos do Brasil, e o Rui, que estava em Timor, regressou em data próxima. Acabámos a casa de Aljubarrota, os meus pais morreram, os dela já haviam cumprido o seu tempo também.

 

No regresso do Brasil demos mais umas aulas, a nossa profissão de origem era o Ensino. Eu ainda fui três anos Diretor do Mosteiro de Alcobaça onde continuei a lutar pelo meu projeto, que começara em 1978, de conservação integrada do Claustro do Rachadouro do mosteiro. No jantar de despedida, que decorreu na Sala dos Monges, o Município atribuiu-me a sua Medalha de Homenagem.

A 19 de Novembro de 2022 abre o Hotel Montebelo no mosteiro, o meu sonho permanente de quatro décadas e o cumprimento de um desejo “profissional”. O Marcelo Presidente, o seu colega Nyusi, de Moçambique, um representante de António Costa e umas centenas de pessoas festejaram com um jantar na antiga sala da Biblioteca. Claro que eu estive lá. Era só o que faltava não estar. O atual Cardeal, Américo Aguiar, abençoou a obra.

 

Continuei a escrever livros, sobre Cister e de poesia, a fazer conferências, e continuo a festejar a reforma há 18 anos. Dou aulas na Universidade Sénior de Alcobaça, sou vogal do Museu do Vinho de Alcobaça e fui presidente do Conselho Geral da Escola Secundária Inês de Castro, primeiro, e, depois, do Agrupamento de Escolas de Cister. Daqui a um ano completo 80 anos de “vida airada”, e a Né menos um.

 

A propósito de viagens, lembro mais duas. Em Marrocos, no início da década de 90, descemos de Tanger para Rabat no lento comboio real. Acompanhávamos Mário Soares que vinha a Marrocos para participar na reunião da Academia Real. A convite do príncipe herdeiro, atual Mohamed VI, almoçámos durante a viagem, numa mesa longa e conversadora. Participaram o encarregado de negócios da embaixada, Rui Félix Alves, e a mulher, dois conselheiros do palácio, o Dr. Mário Soares e obviamente o anfitrião. Se participou mais alguém, não me recordo, mas a viagem foi bem interessante.

 

Outra viagem, inesperada e insólita, foi também com Mário Soares, que foi ao Brasil para receber o grau Honoris Causa, dessa vez em Manaus. Viajámos eu, na qualidade de conselheiro cultural, a Maria Helena Neves, número dois da delegação da União Europeia em Brasília, e, claro está, o Dr. Soares.

Viajámos no Boeing presidencial que ia ao norte cumprir horas de treino. Fernando Henrique ofereceu transporte ao seu amigo Mário e aí fomos os três e a tripulação. Durante quase três horas voámos no grande palácio voador conversando e bebendo sumos – no avião do presidente não há álcool – até à cidade das seringueiras.

A cerimónia académica realizou-se no Teatro da Paz, em Manaus na Amazónia. Teatro de Ópera luxuoso construído no meio da floresta, no século XIX, pelos abastados produtores de borracha. Regressámos a Brasília num vulgar voo comercial três ou quatro dias depois.

 

Durão Barroso transferiu-me para o Brasil, onde nasceu a nossa neta Catarina, em 2000. Por isso, em 1994, atravessámos o Atlântico a caminho de outro posto. Fui Conselheiro Cultural junto da embaixada em Brasília até 2003.

Aí o Instituto Camões nomeou-me Diretor para o Brasil. As instalações são de alta qualidade. Um auditório polivalente com piano de cauda, salas de exposições e um espaço de convívio, o Café Camões, que criei com paixão. Nunca nos faltou público, nem nos colóquios, nem nas mostras, nem nas conferências, nem nos lançamentos de livros e serões de poesia.

Durante quase uma década percorri o Brasil trabalhando quer nas universidades quer junto das importantes associações culturais portuguesas, muitas delas tendo-me titulado Sócio Honorário, cujos diplomas guardo com orgulho. Refira-se que alguns deles são de grande beleza gráfica.

O ponto mais alto dos meus quase dez anos no Brasil foram as Comemorações dos 500 anos da Viagem de Cabral, nas quais fui o representante do Governo Português. Falando de tempo, a minha neta Catarina nasceu a 9 de Maio de 2000.

Os espectáculos animados sobre o Padre António Vieira, que chegaram a Portugal, foram um êxito. O jesuíta padre Aleixo lia uma conferência sobre Vieira e eu, com a voz de português, e o embaixador Lauro Moreira, com a voz de brasileiro, habitualmente colocados em púlpitos frontais, líamos excertos dos sermões, incidindo alguns deles sobre a vergonha da escravatura de índios e negros.

A convite de autoridades académicas argentinas, Universidade do Nordeste, falei, pasme-se, para mais de mil professores no Domo de Resistência no Chaco. Falei, em castelhano, cerca de uma hora sobre o Ensino em Portugal após o 25 de Abril, com tradução feita pelo meu colega da Embaixada Argentina em Brasília.

 

Já em Lisboa, em 2003, fui condecorado pelo Governo Brasileiro de Lula com a Ordem de Mérito Educativo do Brasil no grau de Grande Oficial. As insígnias foram--me entregues na Embaixada em Lisboa pelo Ministro da Educação do Brasil. Vários estados e organizações atribuíram-me láureas e condecorações. Refiro apenas as comendas da Ordem de Mérito Cultural do Distrito Federal e a de Mérito de Brasília. Também vários Clubes Rotários brasileiros me distinguiram.

 

Ingressei no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal como Sócio Efectivo – cadeira n.º 16 – e Correspondente do Instituto Geográfico e Genealógico de Sorocaba, do Instituto Geográfico e Histórico de Salvador, e ainda da Academia Brasileira de Ciências, Artes e Letras de São Paulo. Nessa época abri a delegação do ICA em São Paulo em colaboração com a Casa de Portugal.

 

“O senhor Conselheiro quer tomar um cafezinho?” Eu tomava, mas não via como na pequena avioneta poderia fazê-lo. Voávamos sobre o Pantanal por convite do Governador do Estado, um território lindíssimo e imenso. “Eu tomava...” Então não é que aterrámos numa pequena unidade hoteleira para a nossa bica?

A viagem de ida terminou em Bonito. O Prefeito levou-nos a almoçar no restaurante de um jovem casal de Cascais, acabado de chegar para mudança de vida. À noite fiz uma conferência no espaço português da cidade de Campo Grande, sobre as nossas andanças no mar no século XVI.

No quadro das Comemorações da Viagem de Cabral falei, para além do Brasil, em universidades canadianas, argentinas e chilenas.

 

Para currículo ilustrado já chega.

Está-se bem em Aljubarrota no meio do nosso pinhal de árvores mansas, a produzir pinhões ainda este ano. Entretanto, espero nos próximos dez anos continuar a dar aulas na USALCOA, Universidade Sénior de Alcobaça. A Catarina e o marido, Diogo, que vivem em Londres, visitam-nos todos os anos.

 

Pensei vários dias em ficar por aqui mas, e embora saiba que para nada serve, quero lembrar três grandes conflitos em curso. O Sudão, Gaza e a Ucrânia. Virão mais, é a nossa forma. Precisamos desesperadamente dos mortos para dar sentido à vida.

 

Nota: A 3 de Dezembro há notícia de milhares de mortos no sul de Gaza. Os russos estão a recuperar território, os mortos atingem números impensáveis no Sudão, além da guerra é a fome que trucida o povo.

 

Para terminar este alinhavo de vida não resisto a citar uma reflexão do general William Sherman, que a 19 de Junho de 1879, na Academia Militar do Michigan, dizia: “Estou cansado e farto da guerra. A glória da guerra não é senão uma quimera. A guerra é o inferno.”




 

-50 ANOS DO 25 DE ABRIL- VIVER COM UMA GUERRA NO HORIZONTE

 

-50 ANOS DO 25 DE ABRIL-

VIVER COM UMA GUERRA NO HORIZONTE

 

José Alberto Vasco

      Ser um rapaz que entrava em 1974 com 18 anos de idade era muito complicado para qualquer jovem português, numa época em que Portugal se envolvera numa mortífera guerra colonial com várias frentes de conflito. Estudasse ou trabalhasse, o inquietante horizonte era o mesmo, numa época em que o serviço militar era obrigatório e apenas implacáveis razões de saúde permitiam evitá-lo, bem longe dos tempos da nossa agora vigente democracia e de possibilidades de denegação legal como a objeção de consciência. Em tempos de ditadura e hostilidade política compulsiva ao Estado de Direito e às suas fundamentações, o panorama para esse mancebo vinculava-se coercivamente ao cumprimento do serviço militar obrigatório, tendo como alternativa mais lógica a deserção, com os inerentes problemas legais e vivenciais que essa atitude envolvia a quem por ela optasse.

       A guerra colonial, que os movimentos de libertação do ultramar africano logicamente apelidaram de guerra da independência, resultou de séculos de discutível ocupação portuguesa em países como Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, tendo-se iniciado em 4 de fevereiro de 1961, quando um batalhão afeto ao MPLA atacou em Luanda instituições locais como a Casa de Reclusão Militar, a Cadeia da 7ª Esquadra da Polícia, a sede dos CTT e a Emissora Nacional de Angola, seguido por um desmedido massacre perpetrado pela UPA, no norte de Angola, em 15 de março, que se tornou decisivo por ter despoletado uma resposta imediata do governo do Estado Novo, liderado pelo insensato Oliveira Salazar, ordenando a mobilização nacional obrigatória de resposta com o envio de tropas para aquilo a que chamou de Zona Sublevada do Norte, correspondente aos distritos do Zaire, Uíje e Cuanza-Norte. Seguiram-se 13 anos de hediondo conflito, extensível aos outros países ocupados por Portugal em África, cujos movimentos de libertação também se organizaram militarmente nesse sentido, enfrentando idêntica resposta do impulsivo governo salazarista.

        Viver nesse contexto de previsível e quase inevitável participação forçada numa guerra truculenta e brutal era uma perturbante expetativa de futuro  para um adolescente que vivia esse ciclo da sua vida, pendente da obrigatoriedade de ir combater numa guerra sanguinária com a qual muitos não concordavam, como era o meu caso, e para a qual foi aflitivamente mobilizada noventa por cento da população jovem masculina do país, com um funesto saldo final estimado em cerca de dez mil mortos e vinte mil inválidos entre as nossas tropas. Iniciei 1974 alarmado pelo desassossego e pela incerteza quanto ao meu destino, tendo logo no início do ano sido convocado para a inspeção militar obrigatória, que antecedia a temida convocatória. Cumpri esse desígnio, embora já robustecendo dúvidas sobre se iria ou não sujeitar-me à previsível mobilização, mas fui beneficiado pela ventura imensa de ter sido adiado o resultado daquela inspeção, pois, entretanto, um grupo de inesquecíveis e corajosos militares concretizou esse inolvidável ato revolucionário que foi o 25 de Abril, libertando Portugal e a sua juventude de um regime político cinzento, autoritário e retrógrado, sem capacidade política de evoluir num universo civilizado, registando como uma das conquistas essenciais daquela revolução o epílogo do redundante conflito bélico e civilizacional que durante mais de uma década atormentara Portugal.

 

                                               

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Rui Rasquilho apresenta livro no Museu do Vinho-Alcobaça

 

Rui Rasquilho apresenta livro no

Museu do Vinho

 

No dia 10 de fevereiro, no Museu do Vinho ocorreu um evento, onde Rui Rasquilho apresentou a sua obra "A Estrada - Um Caminho sem Fim". Este livro é uma compilação de textos, conferências, prefácios e ensaios que abrangem um período de aproximadamente 60 anos. Além disso, inclui uma variedade de poesias, entrevistas e textos sobre o próprio autor, oferecendo uma visão abrangente da sua obra e personalidade.

Juntamente com o lançamento do livro, foi inaugurada uma exposição de arte popular de Marrocos e do Brasil, que faz parte do acervo do autor e da sua Mulher, visto que Rui Rasquilho foi concelheiro cultural de Portugal.

A apresentação do livro foi marcada pela presença de um público numeroso, que se mostrou interessado durante todo o evento. O editor Carlos Fernandes da "Hora de Ler", introduziu a obra, enquanto o autor compartilhava as suas experiências e ideias com a audiência.

 

Inês Santos