sexta-feira, 4 de janeiro de 2019




CAPÍTULO V

UMA VIDA MUITO INSALUBRE






É difícil imaginar como se vivia nos submarinos alemães da II Guerra. Admito mesmo que de acordo com certas regras hoje em dia tidas como fundamentais, isso seria talvez impossível.
  A vida a bordo foi descrita por alguns que sobreviveram à Guerra, no mínimo, como insalubre.
  Dentro de um casco pressurizado com a forma aproximada de um charuto um tanto quanto frágil (e de tanques de lastro responsáveis pela submersão ou emersão), apenas o capitão tinha direito a uma acomodação individual. O restante pessoal, muito jovem e em muitos casos voluntários dado o prestígio e a aura romântica da missão, tinha de se mexer entre tubos, torpedos, aparelhos medidores e equipamentos, para comer, operar as máquinas e até mesmo fazer suas necessidades fisiológicas. Assim descobriram rapidamente que a rotina nada era romântica, mas uma mescla de aborrecimento e claustrofobia, a que se juntavam momentos de enorme terror e depressão.
  No meio de tantas privações e disciplina (era imperioso evitar discussões, p.e.), poderia imaginar-se que os que serviam nos submarinos, encaravam a missão como um grande sacrifício. Errado!!! como apurei. Nos primeiros anos da Guerra, criou-se a lenda da eficácia da Kriegsmarine, graças os inúmeros afundamentos de navios dos Aliados, o que entusiasmava a população.
  O interior era muitíssimo compacto, um pesadelo para os claustrofóbicos. Os tripulantes compartilhavam beliches desdobáveis, que eram fechados quando não utilizados, para não ocupar espaço. Comiam em pequenas mesas, desdobráveis, sentados no beliche de baixo.
  O submarino estava tão ocupado pelos torpedos, que os homens mal podiam andar em pé ou mesmo mexer-se. A rotina da manutenção dos torpedos era interrompida apenas pela da arrumação das camas, mesas e pequena toilette. O Comandante possuía uma cama também desdobrável, porém resguardada por uma cortina fina e que permitia o acesso ao compartimento em frente, onde se encontrava o rádio, instrumento vital.
  Em situação de perigo tinha tudo de funcionar em sincronia. Na iminência de ataque, preparação ou execução, cada um sabia a sua missão, eram precisas poucas palavras e as que provinham do comandante eram cumpridas com rigor.
  Como os U-Boat não possuíam ventilação interna, os tripulantes eram obrigados a andar com passos leves e a não fazer muito esforço físico, pois, do contrário, corriam o risco de consumir o limitado oxigénio disponível. As instalações sanitárias eram mais que precárias, do tamanho de uma pequena cabine telefónica. A viver naquele espaço, utilizava-se uma boa quantidade da Água de Colónia Kolibri e loções, para dissimular a pesada atmosfera e os odores (inclusivamente corporais). Estes barcos contavam apenas com uma sanita para toda a tripulação, pelo que havia um caderno em que era escrito o nome de quem a usava. Dessa maneira, quando cheia, sabia-se o responsável, que devia encargar-se de a esvaziar.
  Sabendo-se como era a limitação de espaço, para guardar alimentos (quase todos eram enlatados), este compartimento era também usado para esse fim. Sendo a água um bem especialmente racionado e controlado, não era permitido tomar banho, pelo que se encorajava o crescimento da barba, mas não do cabelo. O cabelo e barba sofriam muito com a mistura de óleo e graxa. O vaso de guerra exalava em geral um forte cheiro a óleo que se mistura com o da comida.
  A tripulação só dispunha em regra de roupa militar, que aliás se sujava facilmente.
  O tripulante de um submarino tinha de aprender a dividir os escassos metros quadrados, com muito mais gente do que quem não vive debaixo de água. Além do aperto de dormir num quase caixão, os tripulantes tinham de se acostumar à prática do beliche quente, deitar-se numa cama que acabou de ser usada por outro. Os submarinos eram armas de guerra e locais de trabalho. Apenas uma cortina fina, quando havia, separava quem dormia de quem trabalhava. Salvo quando submerso o submarino balouçava e sacudia fortemente, pelo que era normal os movimentos da tripulação implicarem apoio.
  Adaptar-se à vida em ambiente tão reduzido, aprender a não adoecer, e ter de dividir tudo com todas as pessoas, requeria uma personalidade especial. Os naturalmente mais organizados adaptavam-se muito melhor do que os que são bagunceiros. O primeiro conselho dado a quem iria integrar a tripulação dos U-Boat e compartilhar um pequeno espaço, era que organização e limpeza (além do mais por questão de saúde, pois os medicamentos disponíveis eram os mais básicos) são fundamentais.  Intervenções mais complexas, nem pensar, pois raramente havia médico.
  Mesmo assim, e depois da guerra, alguns antigos marinheiros, não obstante a derrota e com a passagem à vida civil, sentiam nostalgia. Sinto saudade.
  Um U-Boat era movido por motores Diesel, que precisavam do ar da superfície e funcionando recarregavam as baterias que alimentavam os motores elétricos que o movimentavam quando submerso, pelo menos quatro horas por dia. Nesse meio tempo, era grande o risco de ser atacado por aviões inimigos, algo comum no final do conflito, quando os Aliados lograram desenvolver um sistema de radar centimétrico que reduziria drasticamente o poder dos U-Boat.
  Os momentos mais tensos aconteciam quando todos tinham de permanecer imóveis e em silêncio, no fundo do oceano, intentando escapar ao sonar dos barcos inimigos, ou quando alguém falecia e era lançado ao mar, após um breve ofício religioso a cargo do comandante.
  Não me foi possível apurar, salvo a existência de alguns enlatados como leite em pó, queijo e raros frescos abastecidos na costa, como era a alimentação a bordo dos submarinos como o UB-963. Um submarino como o UB-534, de maiores dimensões, para uma tripulação de 52 militares, quando saía para o mar, levava cerca de 18 ton. de mantimentos, especialmente os enlatados, nomeadamente conservas portuguesas, leite em pó e água.
  A II Guerra ajudou de forma significativa à retoma da indústria conserveira. Portugal beneficiou do facto de ser dos poucos países com a produção a funcionar. A Ramirez forneceu a Cruz Vermelha e exportava para mercados como a Bélgica, Reino Unido ou Alemanha.
  Em agosto de 2009, o Expresso publicou um artigo em que se referia que por isso, a Fábrica (Ramirez) não estranhou um telefonema do seu agente em Hamburgo, no início dos anos de 1950, dando conta que tinham na sua posse três latas muito especiais. Eram conservas de sardinha em azeite que tinham sido recolhidas do bunker de Hitler. Meses depois, a família decidiu prová-las, verificando que estavam em perfeito estado de conservação.
  Em 1938, os maiores compradores das conservas portuguesas eram as partes em futuro conflito. Entre a década de 1930 e 1940, a indústria atingiu talvez o seu exponente a nível económico. No final da Guerra e mesmo na década de 1950, as perspetivas continuavam a ser boas, a pesca era abundante e a indústria conserveira não tinha dificuldades em vender as suas conservas. No entanto o consumo interno aumentou muito e a sardinha na lota passou a ser valorizada, criando isto problemas às fábricas que passaram assim a ter mais um concorrente. Ao comprarem o peixe caro, o custo da fabricação tonava-se mais elevado, o que não lhes permita competir com os preços praticados nos mercados estrangeiros, impedindo-os de vender a produção que confecionavam. Esta situação teve como consequência o demorado escoamento do produto, o que criou muitos problemas aos fabricantes, passando estes por grandes dificuldades económicas.








 

















CAPÍTULO IV

NADOU SEIS QUILÓMETROS NOS AÇORES ATÉ CHEGAR A TERRA.




Os destroços do submarino alemão UB-581, foram encontrados a cerca de 900 metros de profundidade no Mar dos Açores por uma equipa de investigadores da Fundação Rebikoff-Niggeler.
  No dia 2 de fevereiro de 1942, ocorreu um combate entre submarinos alemães e navios da marinha de guerra britânica, ao largo da Ilha do Pico. Um submersível acabou por se afundar, tendo sido encontrado 75 anos depois, a mais de 800 metros de profundidade. Trata-se do maior achado arqueológico português a tal profundidade. A investigação já contava com 15 anos de trabalho e só em 2016, com a ajuda de um avançado submersível científico, foi possível aos investigadores Joachim e Kristen Jackobens, da Fundação Rebikoff Niggeler, confirmar a localização dos destroços do U-581.
  Kirsten e Joachim Jakobsen, investigadores da Fundação Rebikoff-Niggeler, conseguiram verificar a posição dos destroços do submarino através do sonar LULA 1000 (veja-se foto adiante) um submersível tripulado capaz de mergulhar até 1000 metros de profundidade, usado para investigação a grandes profundidades. A descoberta foi feita no dia 13 de setembro de 2016. O naufrágio do submarino encontra-se a sul da Ponta de São Mateus na ilha do Pico/Açores, afirmou Kirsten Jakobsen, que conjuntamente com o marido Joachim Jakobsen, encontrou os destroços do submarino. 
  Kristen Jakobsen, que vive há anos no Faial, adiantou que o UB-581 foi afundado a 2 de fevereiro de 1942 pela própria tripulação junto à Ilha do Pico, após ter sido perseguido e atacado pelo navio inglês HMS Westcott.
  O naufrágio transformou-se num autêntico recife de coral de águas frias. Está a 870 metros de profundidade e é uma oportunidade para estudo científico grande, porque foi colonizada por corais, sobretudo esponjas, referiu Kristen Jakobsen, sublinhando que estamos perante ecossistemas vulneráveis dos quais se sabe ainda muito pouco sobre as taxas de crescimento.
  Numa primeira fase, decorrida entre março e setembro de 2016, a equipa da Fundação Rebikoff-Niggeler localizou o sítio dos destroços do U-581, primeiro estudando os relatórios sobre o afundamento e, a seguir, usando equipamentos de alta tecnologia, incluindo métodos de deteção remota com sonar multifeixe e sonar de varrimento lateral.
  Em comunicado, a Fundação Rebikoff-Niggeler explicou que Kirsten e Joachim Jakobsen verificaram a posição dos destroços do submarino utilizando o submersível tripulado LULA1000 e que a prospeção decorreu com a devida autorização da Direção Regional da Cultura do Governo Regional dos Açores.
  Usámos tecnologias acústicas remotas para a busca e, devido à grande vigia panorâmica do nosso submersível, conseguimos encontrar visualmente o naufrágio, precisou Joachim Jakobsen.
  Para Kristen Jakobsen, que desenvolve com o marido tecnologia para investigação subaquática do meio marinho profundo, o facto de os destroços estarem no fundo do mar é por si só uma razão de proteção e salvaguarda deste património, que vai agora ser estudado no seu âmbito histórico, social e também do ponto de vista da biologia marinha.
  A Fundação Rebikoff-Niggeler é uma instituição de utilidade pública com sede na ilha do Faial. Opera o único submersível tripulado de investigação existente em Portugal, o LULA1000, com capacidade para mergulhar até 1000 metros de profundidade, com uma tripulação de três pessoas.
  Além dos projetos de investigação científica e mapeamento de habitats do mar profundo, o LULA1000 tem sido utilizado para realizar filmagens para documentários, em canais como a BBC, a National Geographic e outros.
 
  O UB-581 muito semelhante ao UB-693[1], foi um dos três submarinos destacados para afundar o britânico Llangibby Castle, danificado pelo torpedo de um submarino alemão. Mas a presença de três navios da Royal Navy tornou-o num alvo e seria afinal o destroier britânico HMS Westcott a fazer o ataque que o destruiu.
  Durante uma ação de espionagem noturna no porto da Horta, o submarino foi descoberto e perseguido pelo HMS Westcott que lançou várias cargas de profundidade, de modo a provocaram ondas de choque que fraturaram o casco, fazendo com que a água entrasse para o seu interior.
  O submarino foi abrigado a emergir, acabando por ser abandonado pela tripulação e auto afundado. O submarino foi assim ao fundo na madrugada de 2 de fevereiro de 1942. Quatro homens morreram e 41 sobreviveram.
  No momento da captura, o Tenente Werner Pfeifer, então com 29 anos (veja-se foto adiante), comandante do U- 581, protestou contra o que considerava um naufrágio ilegal, uma vez que o submarino tinha sido atacado e afundado, em águas neutras. O comandante dos destroieres britânicos analisou a queixa e concluiu que o U-581 havia sido afundado fora da zona de três milhas e rejeitou o pedido de Pfeifer para entregar os alemães às autoridades portuguesas.
  Um dos oficiais do U-581, Walter Sitek, nadou seis quilómetros para chegar a terra. Foi repatriado para a Alemanha através da Espanha (neutra) e sobreviveu à guerra[2].
  Em 2012, Wolfgang Pohl, o último sobrevivente da tripulação do U-581 que se afundara em fevereiro de 1942, de visita aos Açores, onde vinha com frequência para homenagear os camaradas, falou dos dias fatídicos da guerra. A entrevista foi emitida na Rádio Montanha, no dia 28 de setembro de 2012 e constitui, provavelmente, o derradeiro testemunho do último homem que navegara no submarino alemão. Pohl faleceu em 2016.
  O Governo dos Açores anunciou em setembro de 2017 que pretende classificar como património arqueológico subaquático, a zona onde este submarino se afundou, em 1942.
  A Direção Regional da Cultura e a Direção Regional dos Assuntos do Mar vão avançar com esta classificação, pelo seu valor histórico e cultural e também pelo seu valor científico, pois que os organismos que se fixaram no costado do submarino, devem ser estudados. 
 
  O UB-707 (tipo VIIC) foi provavelmente a primeira vítima dos aviões britânicos que operavam a partir das Base das Lajes, depois dos britânicos terem obtido autorização para montarem uma estrutura militar nos Açores.  O UB-707, comandado pelo Oberleutnant zur See Gunter Gretschel (nasc. a 26 de outubro de 1914 em Scheibe, Glatz, Silesia) e com 51 homens a bordo que faleceram, operou nas águas do Atlântico durante a II Guerra, onde afundou dois navios, antes de ser atacado a 9 de novembro de 1943, na posição 40.31 N e 20.17 W. Os destroços não foram localizados, muito menos explorados, pois são considerados como cemitério militar.
 
  Até meados de 1941, os Açores estavam praticamente indefesos. No início de 1941, Portugal não tinha condições para se defender de um eventual ataque alemão ao seu território.
  Na eventualidade de isso acontecer, Salazar virou-se para a velha aliada. Portugal propôs à Inglaterra que fossem iniciadas conversações com vista a aperfeiçoar o seu plano de defesa. Se Portugal possuísse militares treinados, armamento e uma moderna aviação e se a Inglaterra se comprometesse a defender o território em caso de invasão, talvez isso fosse o suficiente para dissuadir Hitler de um ataque. Só em meados de abril, Portugal informou a Inglaterra que os planos elaborados entre os dois países para uma eventual defesa de Portugal continental não eram viáveis.
  A Inglaterra propôs a retirada do governo Português para os Açores, onde se estabeleceria a capital, sob escolta da Marinha Britânica, mal os Alemães passassem os Pirenéus. Isto implicaria preparar as infraestruturas necessárias para assegurar a defesa das ilhas e a Inglaterra comprometia-se a enviar armamento para a defesa antiaérea e no auxílio na construção e ampliação de pistas de aviação no arquipélago
  O que a Inglaterra não disse, é que tinha o intuito de utilizar essas infraestruturas, no caso de perder Gibraltar.
  Salazar discordou. A retirada do governo para os Açores só se justificaria após um ataque alemão a Portugal, pois a entrada dos alemães em Espanha ou mesmo a tomada de Gibraltar não implicaria a perda de neutralidade portuguesa.
  Os ingleses não pretendiam intervir na Península, embora soubessem que Portugal possuía um exército com apenas uma divisão operacional, mal treinada e mal armada, sem hipótese de oferecer resistência.
  Fizeram vagas promessas de envio de armamento e insistiram ser essencial defender os Açores. 
  Pediram o envio de técnicos (à paisana) para estudar as instalações das ilhas (Açores, Madeira e Cabo Verde). Salazar recusou alegando que a sua presença seria detetada e poderia ser considerada uma provocação.
  Salazar não acreditava na vitória dos Ingleses na guerra pelo que tentou jogar com a neutralidade.
  Os Açores não dispunham de cobertura aérea, embora uma pequena força de aviões de reconhecimento com base no arquipélago, fosse o bastante para aumentar a eficácia do dispositivo de defesa. Efetivamente, os únicos hidroaviões que existem no nosso país não podiam permanecer nas ilhas por não haverem instalações adequadas.
  Impaciente com as recusas e delongas de Salazar, a Inglaterra elaborou planos de ocupação dos Açores e a 23 de abril de 1941, Churchill mandou preparar dois batalhões para ocupar o arquipélago bem como Cabo Verde e convidou Roosevelt a enviar uma esquadra aos Açores para ajudar no seu patrulhamento. Roosevelt recusou dizendo que não ser possível o envio da esquadra, mas os EUA apoiavam a ocupação militar dos arquipélagos, embora fosse necessário fornecer garantias de retirada no final do conflito, pois os Açores fazem parte do hemisfério ocidental e a opinião pública americana é muito sensível aos acontecimentos nessa zona.
  A partir de abril de 1941, o Exército Português reforçou o seu contingente nas ilhas. Em maio de 1941, foram enviadas para os Açores unidades antiaéreas no navio Lima e tropas de engenharia no navio Carvalho Araújo.
  O Maj. Humberto Delgado foi encarregado de acompanhar os trabalhos da implementação da pista nas Lajes. Abriu-se uma pista de terra batida e ergueram-se armazéns. No início de maio de 1941, após as vitórias alemãs na Grécia e na Cirenaica, e admitindo-se a queda da França e a perda do norte de África, Roosevelt ordenou que três navios de guerra e alguns aviões deixassem Pearl Harbour e se juntassem à esquadra americana no Atlântico e englobou as ilhas espanholas (Canárias) e portuguesas (Açores e Madeira) na Doutrina Monroe (que protege os interesses americanos permitindo-lhes uma intervenção na Europa).
  A 22 de maio, Roosevelt ordenou que se prepare a Marinha para ocupar os Açores, com um pré-aviso de 30 dias.
  Sem consultar Churchill acerca do arquipélago português, a 27 de maio de 1941, o Presidente Americano fez o discurso onde afirmou que a guerra se aproxima do hemisfério ocidental e que os EUA têm de controlar o Atlântico.
  O principal receio dos EUA consistia no caso das possessões portuguesas caírem em poder dos alemães. Com a posse dos Açores e de Cabo Verde, os alemães controlariam as principais rotas comercias do Sul do Atlântico e, no caso de aí estabeleceram bases militares, constituiriam uma ameaça ao hemisfério ocidental. Assim, os EUA não podiam deixar de considerar qualquer ação alemã nas ilhas portuguesas como o início das hostilidades contra o seu próprio território. O Presidente disse ainda que as tropas americanas estavam a ser colocadas em posições estratégicas e que não hesitaria em recorrer à força, se os seus interesses e defesa estivessem a ser colocados em risco. Nunca se referiu, porém, à soberania portuguesa sobre as Ilhas.
  Em inícios de junho, Churchill, transmitiu a Roosevelt que com o decorrer favorável das conversações entre Portugal e a Grã-Bretanha onde ficou definido que a defesa dos Açores será reforçada, possivelmente seria possível chegar a um acordo diplomático a curto prazo para a ocupação do arquipélago. Porém, independentemente da decisão de Salazar, temos de obter o controle das ilhas, no que a cooperação dos EUA será inestimável.
  A 8 de julho, Salazar recebeu uma carta do Presidente Roosevelt a garantir a integridade das ilhas. Mas Salazar não se mostrou convencido, e a sua já desconfiança em relação aos Americanos aumentou a partir daqui.
 Foi então que Salazar pediu a Carmona para se deslocar aos Açores de modo a ali afirmar a soberania portuguesa. Carmona durante a visita proferiu a enfática frase Aqui é Portugal, claramente indicativa da linha política nacional.
 No fim do ano de 1941, Churchill defendia junto dos americanos que não deviam ser tomadas quaisquer iniciativas em relação às ilhas atlânticas a não ser que a Península Ibérica fosse invadida e a Espanha permitisse a ocupação germânica.
  Os britânicos asseguravam ao Presidente Roosevelt que a amizade luso-britânica era firme e que as defesas das ilhas tinham sido aumentadas ao máximo, sendo que apenas uma questão de até que Portugal se juntasse aos aliados.
  Com base nestas garantias, o plano norte-americano para a ocupação dos Açores foi temporariamente posto de lado.
  Poucos dias antes da entrada em vigor do acordo, oficialmente anunciado em Londres e Lisboa a 12 de outubro, os cidadãos dos países do Eixo foram retirados dos Açores.
  A Grã-Bretanha e os EUA chamavam à zona dos Açores Azores Gap, Black Hole ou Black Pit, por ser uma zona onde os U-boats atacavam sistematicamente os comboios de navios aliados vindos dos Estados Unidos para a Europa e Norte de África.
  Só nos primeiros cinco meses de 1943, os Aliados perderam 365 navios.
  Os Açores encontravam-se numa localização estratégica da máxima importância para ambas as fações em conflito[3].




















[1] O submarino foi lançado em 25 de setembro de 1940 nos estaleiros Blohm & Voss, Hamburgo, inicialmente com o número de jardim 557, e comissionado em 31 de julho de 1941 pelo Kapitänleutnant Werner Pfeifer.
  U 581, sob o comando de Werner Pfeifer, partiu de Kiel em 13.12.1941. O barco operou, durante a transferência para a França, no Atlântico Norte. Não poderia afundar ou danificar navios nesse empreendimento. Após 11 dias e 2.186 nm, o U 581 chegou a St. Nazaire em 24.12.1941.
  O U-Boat fazia parte de uma pequena flotilha que esperava a saída do porto da Horta de um navio transportando soldados, o Llangibby Castle, danificado seriamente pelo torpedo de um submarino alemão. Aquele navio tinha sido atingido na popa a 16 de janeiro de 1942 e, sem leme, refugiara-se nos Açores, aí fez reparações e esperou por escoltas que o acompanhassem até Gibraltar.
Dados recolhidos da List of all U-boat Commanders e da Lista de submarinos de maior sucesso da Kriegsmarine na Segunda Guerra Mundial.
[2] O HMS Westcott (D47) era um destroier da classe W do Almirantado da Marinha Real Britânica que serviu na II Guerra, desempenhou um papel antissubmarino e escoltou numerosos comboios do Atlântico e de Malta.
  Werner Pfeifer, comandante do submarino entre 31 de julho de 1941 e 2 de fevereiro de 1942, nasceu em 2 de maio de 1912 em Dresden e faleceu em 31 de maio de 1993 em Butenbock-Harz.  Seu pai era um professor em Hanover. Frequentou o Herschelschule (importante estabelecimento escolar) em Hanover e completou lá em março de 1931 o Abitur (o correspondente ao nosso ensino secundário). Em outubro de 1932 visitou o HNS em Neustadt. Até março de 1933, visitou o Städtische Höhere Handelsanstallt em Hanover, antes de entrar na Reichsmarine em abril de 1934, onde fez uma progressão normal.
O Kptlt. Werner Pfeifer foi feito prisioneiro de guerra em 2 de fevereiro de 1942 pelos britânicos, sendo libertado em 17 de julho de 1947.
  Dados recolhidos da List of all U-boat Commanders e Lista de submarinos de maior sucesso da Kriegsmarine na Segunda Guerra Mundial.
[3] O HMS Westcott (D47) era um destroier da classe W do Almirantado da Marinha Real Britânica que serviu na II Guerra, desempenhou um papel antissubmarino e escoltou numerosos comboios do Atlântico e de Malta.
  Werner Pfeifer, comandante do submarino entre 31 de julho de 1941 e 2 de fevereiro de 1942, nasceu em 2 de maio de 1912 em Dresden e faleceu em 31 de maio de 1993 em Butenbock-Harz.  Seu pai era um professor em Hanover. Frequentou o Herschelschule (importante estabelecimento escolar) em Hanover e completou lá em março de 1931 o Abitur (o correspondente ao nosso ensino secundário). Em outubro de 1932 visitou o HNS em Neustadt. Até março de 1933, visitou o Städtische Höhere Handelsanstallt em Hanover, antes de entrar na Reichsmarine em abril de 1934, onde fez uma progressão normal.
O Kptlt. Werner Pfeifer foi feito prisioneiro de guerra em 2 de fevereiro de 1942 pelos britânicos, sendo libertado em 17 de julho de 1947.
  Dados recolhidos da List of all U-boat Commanders e Lista de submarinos de maior sucesso da Kriegsmarine na Segunda Guerra Mundial.



CAPÍTULO III
UM SUBMARINO NO CABO DO MUNDO





 Quando a Guerra acabou, muitas pessoas andaram pela baixa do Porto, fazendo o enterro de Hitler e a dando vivas aos Aliados, ante o nariz torcido de polícias e outras personalidades bem sinistras.
  Como depois das dificuldades vem muitas vezes a alegria, o fim da guerra transformou-se num momento de expectativa e otimismo, sem prejuízo de recriminação do Estado Novo.
  O júbilo e clima de contentamento foram rapidamente ofuscados no Porto pela repressão das forças do regime que não toleraram, como referi atrás, o que entenderam poder ser o fermento de transformações sociais.
  De facto, as manifestações tiveram um cunho de óbvia censura, daí que ao terceiro dia, o comando da PSP concentrou na atualmente denominada Praça Humberto Delgado um forte contingente policial, desenvolvendo cargas em formação cerrada, comandante à frente.
  As cargas de cavalaria da GNR do Quartel do Carmo, perseguiram populares mesmo em cima de passeios e não raro vezes as patas dos cavalos subiram as soleiras das portas dos cafés.
   Em breve, as manifestações estenderam-se a outros pontos das cidades do Porto e Matosinhos em que participaram o meu Pai, não obstante eu ter nascido há menos de 3 meses, e um amigo, assumindo o aspeto de um pacífico levantamento, não uma revolução.
  Seja como for, incomodado o Regime Corporativo, todavia sobreviveu. E como os problemas do pós-guerra, alteraram as relações dos Aliados e culminaram na guerra fria, as esperanças da cidade e do país seriam relegadas para os anos de 1970.
 
  Por essa altura, dia 3 de junho de 1945, a Guerra na Europa já tinha terminado há quase um mês, os tripulantes do submarino alemão UB-1277 chegaram a terra na praia de Angeiras Norte/Matosinhos, após um mês de fome, de frio e de silêncio, como disseram.
  Este lobo cinzento, tinha saído da Alemanha em 22 de abril de 1945 com o objetivo de navegar desde Bergen, através do estreito da Islândia rumo ao Atlântico e patrulhar a entrada do Canal da Mancha, mas duas semanas depois recebia a mensagem da rendição incondicional, navegar à superfície, e se dirigir ao porto aliado mais próximo.
  Era um submarino Tipo VIIC/41, mas nunca disparou um torpedo, não entrou em combate, já que se encontrou em missão de treino desde maio de 1944.
  O submarino havia navegado 42 dias debaixo de água, apenas com o turbo de ventilação à superfície, pois emergir poderia ser fatal[1].
  Apesar daquelas ordens, o Oblt. Peter-Ehrenreich Stever tomou a decisão de afundar o navio junto a Portugal e evitar que ficasse em mãos inimigas.
  Depois de abrirem as escotilhas e as janelas de ventilação, que permitiram a entrada de água no interior da unidade naval, em pequenos botes de borracha, os tripulantes desembarcaram na Praia de Angeiras. O comandante foi o último a abandonar a embarcação, como é da praxe e a Honra da Marinha e o submarino começou a afundar lentamente.
  A tripulação era composta por 45 homens, quatro dos quais eram oficiais (comandante, imediato, segundo imediato e oficial de máquinas) para além dos quatro sargentos e 37 marinheiros. A idade da tripulação deste submarino rondava entre os 18 e os 25 anos de idade, sendo o capitão o mais velho (25 anos). Peter-Ehrenreich Stever entregou-se com os seus subordinados ao Chefe do Posto de Guarda Fiscal de Angeiras, Rodolfo Mesquita que de imediato deu o alerta ao Instituto de Socorro a Náufragos/I.S.N./de Leixões.  
  A tripulação desembarcou ajudada por alguns pescadores e salva-vidas Carvalho de Araújo [2], do porto de Leixões, foi internada logo no Castelo de São José da Foz do Douro, e aí auxiliada pela comunidade alemã com roupas, tabaco, aguardente e alimentos. Esta era uma comunidade forte e solidária, sendo o Colégio Alemão um centro de convívio e de reforço da coesão política dos alemães que viviam no Porto. Um sargento conhecia a família bávara de um casal de alemães residentes no Porto que, por isso, o ajudou especialmente.
  Graças a esse marinheiro e aos esforços da Caritas, um menino austríaco, com os seus 8 ou 9 anos, cujo nome só recordo ser Fritz e suponho natural da zona de Linz, veio depois da Guerra, com muitos outros passar uns tempos Portugal, tendo ficado alojado em Miramar em casa de uns tios meus, que não tinham filhos e viviam ao lado da dos meus Pais. Portugal era o paraíso, não que assim o dissesse a mim, mas a minha Mãe, que falava alemão.
O pai, como muitos homens morrera na guerra. Inicialmente ficou perplexo como as casas semidestruídas que conhecia, deram lugar a outras que lhe pareciam enormes e muito bonitas e com a possibilidade de usar casa de banho, roupa nova, comer sem restrições coisas que desconhecia (queijo ou bananas), ou a que se desabituara (bifes) de tal maneira que ficava por vezes com dores de barriga, e a apanhar sol e tomar banhos de mar. Os meus tios ainda o tentaram convencer a ficar com eles, mas o Fritz não quis. Estava com saudades da mãe pelo que voltou de comboio à Áustria.
  Veio uma vez a Portugal e a Miramar por alturas de 1988, para visitar os meus tios, mas estes já haviam falecido. Disse que um dia iria voltar, o que não aconteceu e perdi o seu rasto.
 
  O U-Boat tinha ao todo 4 salva-vidas, cada qual para 10 homens. Os tripulantes ainda conseguiram trazer consigo alguns mantimentos, nomeadamente queijo que alguns pescadores nunca tinham provado e que os deixou admirados e gulosos, bem como roupas, binóculos e outros instrumentos.
  Os marinheiros tiveram ainda tempo de formar e cantar o Hino Alemão (pelo menos os pescadores assim o supuseram) e de pedir para beber alguma coisa, como cerveja.
  De Portugal foram enviados para Inglaterra onde permaneceram, como prisioneiros, durante cerca de 2 anos. 
  Evitaram, assim, ser capturados pelos soviéticos. Os soviéticos tomaram conta de Kiel. Entregarmo-nos aos russos era morte na certa. Argentina era muito longe, terá pensado o Oblt. Peter-Ehrenreich Stever avançando razões que justificam que o submarino, esteja afundado, mais precisamente, num sítio chamado Cabo do Mundo.
  Cerca de 40 anos depois, alguns tripulantes vieram a Portugal reviver o tempo que haviam passado e agradecer aos pescadores o apoio recebido, tendo mesmo uns dois ou três deles devolvido, na medida do possível, alguns coisas de vestir que na altura lhes foi emprestada. O alemão que havia levado uma samarra, na impossibilidade de a restituir, ofereceu um bom agasalho (kispo) ao proprietário, já velhote, mas ainda vivo.
  No regresso a Alemanha enviaram para Angeiras/ISN, como agradecimento, a foto oficial da tripulação do U-1277 que ali ainda é conservada.
   Durante alguns anos, a RFA pediu ao governo português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, licença para vir buscar o submarino. Apesar de o governo português nunca ter levantado objeções, isso nunca se concretizou sendo que a RFA tinha já contratado uma empresa especializada para proceder ao resgate.
  Na Estação do I.S.N/Angeiras, junto aos barcos de pesca, ainda existe uma das balsas, embora já em mau estado, que pertenceu ao submarino alemão. Parece feita em papel, mas salvou a vida a uns 12 marinheiros nessa manhã de 1945.
  Não obstante a tripulação se ter rendido, nunca comunicou concretamente a localização do submarino, o que só aconteceu no início dos anos de 1960, graças e mergulhadores, embora os pescadores há muito o suspeitavam, dado em certo local haver normalmente muito mais fanecas. Mas os pescadores guardaram segredo por causa da concorrência.
 
Ouvi várias vezes, em casa de meus Pais, falar do incidente com este submarino. A minha Mãe, estudara no Colégio Alemão, do Porto até 1939, pelo que conheceu várias famílias de alemães, nomeadamente a que deu especial assistência ao sargento.  Depois da Guerra o Colégio Alemão, do Porto, encerrou reabrindo em 1953, totalmente remodelado.
  Um amigo do meu Pai antigo colega da equipa de Hóquei em Campo, no Leixões, era um exímio nadador e apaixonado pela pesca desportiva que praticava com um pequeno barco a motor. Quando soube de um bom mar em Angeiras, onde havia mais fanecas que o habitual, passou a frequentá-lo, sem também espalhar a notícia.
  Em junho de 1945 poucas notícias saíram sobre este assunto. O Jornal de Notícias deu uma pequena notícia na primeira página (apenas 23 linhas) realçando que a tripulação fora salva por pescadores da zona. No dia seguinte, na página 4, deu conta do transporte da tripulação para Lisboa pelo contratorpedeiro Dão [3] (sendo 22h,30m) que veio ao Porto com esse objetivo.
  Hoje em dia os destroços do U-1277 não são mais que um interessante motivo para os mergulhadores. O casco do navio está coberto de milhares de pequenos peixes, congros (os maiores que se podem encontrar nestas águas), grandes polvos e uma maravilhosa comunidade de anémonas rosadas provenientes do Mar do Norte. Na torre, os mergulhadores apenas podem observar o casco de pressão, o periscópio e a escotilha sem tampa.
 
  Em 1945, a Grã-Bretanha detinha centenas de milhares de prisioneiros alemães no seu território, no Canadá, nos Estados Unidos e no Norte de África. No entanto, para usá-los como trabalho, o governo teria que tirá-los da proteção concedida pelas Convenções de Genebra. Assim, a Grã-Bretanha mudou o status dos seus prisioneiros de guerra para pessoal inimigo rendido.
    As Convenções de Genebra exigem que os prisioneiros de guerra sejam repatriados logo que as hostilidades cessem, mas a Grã-Bretanha creio que só em 1947 permitiu que o último dos alemães detidos voltasse ao seu país.
  Este acontecimento foi recordado pela SIC Notícias no programa Aqui Há História), TSF e numa peça de teatro, levada a cena em 2 de junho de 2015, na Praia do Funtão/ Matosinhos protagonizada por Rui Spranger, Laura Casano e Valeria Benigni, com encenação de Renzo Sicco e João Luiz (veja-se foto adiante).
  Rui Spranger sublinhou que, apesar de a peça se desenrolar no local onde se deu a rendição, não é uma recriação histórica do que aconteceu na Praia de Angeiras.
  Tem como personagens, o pai, um dos marinheiros que estava no submarino, e a filha que perdoa o pai por ser nazi. Rui Spranger interpretou o papel de alguém que não se arrepende do que fez na II Guerra.
   A peça U-Boat 1277, foi apresentada em Itália, encenada pelo italiano Renzo Sicco, produzida pela companhia Assemblea Teatro/ Turim, em coprodução com o Pé-de-Vento/Porto, com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos, e integrou o Festival de Teatro Contemporâneo de Ligúria/Génova.


[1]Fora construído em 1943, podia descer a 250m, percorrer 8.500 milhas a 10 nós e teve mais 90 iguais. O U-1277 tinha 67,23 metros de comprimento, 6,20 metros de pontal, 4,74 metros de boca e 9,95 metros de altura máxima. Utilizava dois dos quatros motores disponíveis que geravam uma força de 3200hp com velocidade máxima de 17,6 nós (superfície) e 7,6 nós quando (submerso) 
  Estava equipado com quatro tubos de lançamento de torpedos na proa, dois a bombordo e dois a estibordo (todos de 533mm), transportando um total de 14 torpedos. Possuía também, no exterior, artilharia antiaérea constituída por um canhão automático de 37mm e quatro metralhadoras de 20mm equipadas aos pares
  Angeiras Norte possui um areal muito extenso que prima pela ausência de formações rochosas, o que facilita um desembarque.
[2] Houve vários navios portugueses afetados com a denominação Carvalho Araújo.
O caça-minas português Augusto Castilho escoltava o navio mercante S. Miguel em 14 de outubro de 1918, quando este foi atacado pelo submarino alemão U-139. O caça-minas, sob o comando de Carvalho Araújo, tentou combater o poder de fogo superior do submarino e, finalmente, protegeu o S. Miguel interpondo-se entre ele e o navio atacante, e dando-lhe tempo para ficar fora do alcance deste. Após duas horas de combate, com as máquinas inutilizadas, o Augusto Castilho rendeu-se. O comandante Carvalho Araújo foi morto pelo último tiro do submarino.
   A partir desse momento, o submarino alemão registou os acontecimentos em filme (que não pude consultar), para sublinhar a humanidade dos vencedores. O médico alemão assistiu os feridos portugueses e estes puderam embarcar em dois pequenos salva-vidas que dois dias depois atingiram Santa Maria, nos Açores, com 35 sobreviventes. Um ferido sucumbiu durante a jornada.
  O filme mostra como marinheiros do submarino vão a bordo do caça-minas para retirar munições e mantimentos e como, depois, o afundaram detonando explosivos colocados a bordo e disparando contra o navio na linha de água. Os alemães homenagearam o comandante e outros tripulantes do Augusto Castilho mortos no combate, lançando-os ao mar envolvidos na bandeira portuguesa.
 
   Rodolfo Mesquita tem uma Rua em Angeiras com o seu nome.

   Durante a Guerra Peninsular, a 6 de Junho de 1808, o Sargento-mor Raimundo José Pinheiro ocupou o Castelo de S. João Batista da Foz, e, na madrugada seguinte, fez hastear a Bandeira das Quinas, primeiro ato de reação portuguesa contra a ocupação napoleónica.
  Perante a evolução das embarcações e da artilharia, progressivamente perdeu a função defensiva-militar, sendo utilizado como prisão.
  No século XX foi residência da poetisa Florbela Espanca, casada com um oficial da guarnição.
  Os Alemães foram para aí transferidos, pois tratava-se de uma unidade a cargo do Exército, com guarnição que os podia efetivamente vigiar. Foi entendido não alojar estes detidos conjuntamente com os militares presos no Presídio Militar do Porto.
  Informação do Comandante da Delegação do Norte do I.D.N., aí sediada.
[3] Em 8 de setembro de 1936, eclodiu nos navios Bartolomeu Dias, Afonso de Albuquerque bem como o Dão, fundeados no Tejo, uma sublevação de marinheiros.
  Na sua preparação tiveram papel determinante os comunistas e a Organização Revolucionária da Armada/ORA, com intensa intervenção política, num momento em que o fascismo procurava consolidar-se e a resistência democrática ganhava ímpeto.