sexta-feira, 7 de maio de 2010

REI D. CARLOS I, VITORINO FROIS, JOSÉ TANGANHO E CONCHITA CITRON. O CÃO DE ÁGUA PORTUGUÊS E VASCO BENSAÚDE (antes de Barack Obama levar um para a Casa

NO TEMPO DE SALAZAR, CAETANO E OUTROS
REI D. CARLOS I, VITORINO FROIS, JOSÉ TANGANHO E CONCHITA CITRON.
O CÃO DE ÁGUA PORTUGUÊS E VASCO BENSAÚDE (antes de Barack Obama levar um para a Casa Branca)


Vitorino de Avelar Fróis, natural e residente em Alfeizerão, abastado proprietário rural da Quinta Nova de S. José, agricultor e criador de gado bravo, foi nos primeiros anos do século XX, um dos mais distintos e famosos cavaleiros tauromáquicos do País, mestre dos cavaleiros portugueses.
Pessoa muito estimada, de fino trato e bem relacionada, era das relações do Rei D. Carlos que o chegou a visitar mais que uma vez Alfeizerão e ali fazer piqueniques, com uma personalidade vincada, algo marialva e extravagante, de farto bigode retorcido e bem apessoado, tinha a fama, embora não saibamos se o proveito, de ser um apreciador do belo sexo, pertenceu a uma família de cavaleiros tauromáquicos profissionais, tal como seu pai, embora este não tivesse atingido tanta projecção.

Extravagante?
Fróis tinha na sua ganaderia um touro que começou a ser amestrado logo à nascença. Quando havia visitas na quinta e Vitorino Fróis as queria impressionar, avisava que tinha uma surpresa, mas que para isso, seria em absoluto necessário que todos se mantivessem tão calados e sossegados, quanto possível. Então mandava o animal entrar na sala, seguro por umas cordas, por mera precaução, por dois empregados, a fim de dar a volta à mesa.
Os convidados ficavam estupefactos, assustados nalguns casos, e as senhoras davam gritinhos histéricos. Na verdade, em termos de corpulência e cor, nada distinguia esse animal de qualquer outro bravo toiro de lide.

D. Carlos está, segundo se diz, associado à receita do Pão de Ló de Alfeizerão. A história conta-se em breves palavras. Diz-se que este cartão de visita da doçaria do Oeste, foi criado a partir de um erro de fabrico, no final do século XIX, aquando de uma visita de D. Carlos a S. Martinho do Porto e a Alfeizerão. Parece que uma das empregadas estava tão nervosa com a visita real, que tirou o pão-de-ló antes do tempo habitual de cozedura. Mas afinal, o resultado foi que o erro, ficou melhor que o original. A receita teria sido foi levada para a antiga vila piscatória de Alfeizerão pelas religiosas do Mosteiro de Cós, a variante feminina dos monges cistercienses de Alcobaça. Apesar da antiguidade da receita, a fama só veio no início do século XX, com a utilização de S. Martinho do Porto como estância de férias para as classes altas e de todos os que paravam em Alfeizerão, sito na antiga estrada Porto-Lisboa.

Fróis, como recorda o saudoso José Tempero, costumava dizer eu não morro, nem que me matem, faleceu por alturas de 1938 e encontra-se sepultado em Alfeizerão.
Exibicionista?
Preparou a sua última morada, de uma forma meticulosa e com antecedência. Como tinha muitos pinhais, mandou atempadamente cortar o seu melhor pinheiro, que em seguida foi serrado em pranchas, para fazer um caixão à precisa medida. Antigamente, os caixões não eram de tamanho standart, indo o cangalheiro a casa colher as medidas do defunto. As tábuas do futuro caixão, encontravam-se guardadas num armazém/palheiro da quinta, ao lado de uma lápide em mármore com o nome, data de nascimento e, em aberto, a data do falecimento. Esta lápide ainda existe no cemitério de Alfeizerão.

O cavaleiro dos anos cinquenta, João Branco Núncio (alcunhado o Califa de Alcácer), muito mais tarde, numa entrevista em que lhe foi perguntado o que pensava do toureio, a cavalo, respondeu que, vejo-o como uma manifestação artística que, pelas suas dificuldades e emoções, nos prende e apaixona até ao mais fundo da nossa alma.
-Encontra alguma explicação para a sua aficion?
-Creio que em parte a minha aficion, ao toiro, teve o seu início nas faenas da amancia, dos bois bravos, para o trabalho. Além disso a leitura da revista La Lídia, que meu avô materno assinava, também não é estranha ao facto.
-Quais as diferenças e semelhanças, entre o toureio montado e o apeado?
-Fundamentalmente não lhe vejo diferença, acho até que as regras básicas que os regem são as mesmas.
-O seu modo característico de tourear foi inspirado por alguém?
-Dediquei atenção a todos os toureiros que vi, mas, muito em especial, ao Sr. Vitorino Fróis que executava o toureio de maneira diferente. Aquilo que vi aos outros tentei aproximá-lo mais do toureio a pé, não esquecendo que, apesar de estarmos a cavalo, há necessidade absoluta de saber interpretar o toiro.

João Núncio deu, um importante contributo, para a divulgação da corrida de touros à portuguesa, no estrangeiro.
É sabido que os touros na Europa são lidados em Espanha, Portugal e no Sul de França.
Por alturas de 1966, João Núncio foi convidado a fazer uma corrida na praça de Bayonne, o que fez montando o famoso Quo Vadis. Segundo reza a história, foi a primeira corrida à portuguesa, realizada em França. Posteriormente, muitos cavaleiros, toureiros e forcados portugueses actuaram em praças francesas.

Afinal, o contributo de Vitorino Frois em João Branco Núncio, foi relevante no sentido de este transformar o toureiro a cavalo em Portugal e no estrangeiro. O seu descendente, José Luís Núncio Fragoso opinou que nos inícios do século XX, dá-se a reposição da sorte de caras, por força de uma actuação de Vitorino Fróis, ante touros da ganadaria do Rei D. Carlos, num momento em que se tenta impor o touro puro para toureio equestre.

Touros puros eram aqueles que nunca haviam sido corridos. Ora, se um touro já foi toureado, na vez seguinte, já percebe o que vai acontecer, e então o toureiro tem de jogar às escondidas com ele.
Sobre Vitorino Fróis, o crítico A. Vasco Lucas escreveu em 1995, ao que supomos nessa linha de entendimento, que (…) o toureio a cavalo poderá dividir-se em duas partes distintas, ou seja, antes e depois de João Núncio, pois foi o génio deste que marcou a grande viragem da tauromaquia equestre, transportando para esta os conceitos e regras da revolução belmontina operada no toureio apeado. Assim antes do Califa de Alcácer, os touros eram lidados sem apuros técnicos, corridos a dar a cova e farpeados sem o aguentar e o carregar das sortes, nem o domínio e tempo das investidas. Logo foi com com a concepção nuncista, ténue e anteriormente vislumbrada por Vitorino Fróis, que surgiu o tourear de caras, única sorte onde existem todos os tempos de toureio (…).

A relação de Vitorino Fróis com a casa real e o Rei D. Carlos advinha também do interesse de ambos pela Festa Brava. A ganadaria da Casa de Bragança estava situada no Alentejo, aonde Vitorino Fróis ia por vezes e a manada, no ano de 1901, que pastava em Ameixieira, era composta por 75 cabeças. As vacas eram oriundas de uma ganadaria espanhola e das ganadarias portuguesas de Máximo Falcão e Emílio Infante da Câmara. O primeiro semental, segundo José Tanganho, foi o toiro Caraça, com ferro Infante da Câmara, que foi lidado em praça, por Vitorino Fróis, e foi depois corrido mais 10 vezes, facto espantoso pois, normalmente, hoje em dia é ponto de honra (não sabemos mesmo se de lei) que nenhum touro pode ser lidado mais que uma vez. Este animal veio a ser pegado de caras por D. Carlos, num festival taurino na sua herdade, onde foram convidados vários dos seus amigos como Simão da Veiga (pai), Conde de Arnoso, José Calazans (forcado), Duarte Pinto Coelho, Theodoro Gonçalves, Vitorino Fróis e Alfredo Marreca.

Conta-se (há quem como António Guerra, da Maiorga, diga que é lenda) que no auge da fama, Vitorino Fróis foi fazer uma corrida a Espanha, o que aliás acontecia com regularidade, estimulada pela tradicional rivalidade entre portugueses e espanhóis, bem como pela respectiva aficion.
Antes do início da corrida, o seu encarregado dos cavalos, veio comunicar-lhe que tinha visto um indivíduo, às escondidas, a aguçar com uma grosa, os chifres do toiro que lhe saira na sorte para lidar. Perante isto, Fróis ordenou ao empregado que fosse, de pronto, comprar duas navalhas de ponta e mola e que depois, também sem que ninguém o visse, as amarrasse abertas nos cornos do boi. Quando o corpulento e negro animal de quinhentos e muitos quilos, entrou a babar-se na arena e o público se apercebeu da situação, entrou como que em histeria. Vitorino Fróis saiu-se muito bem, sem que as pontas das navalhas tocassem ainda que ao de leve o cavalo, pelo que no fim da lide, foi na boa tradição tauromáquica espanhola, levado da arena em ombros.

Perante tamanho arreganho, Fróis foi convidado por um grupo de aficionados para um jantar de homenagem.
Estando já todos à mesa, um empregado negro abeirou-se dele e disse-lhe subtilmente que não jantasse, porque corria o risco de ser envenenado… Fróis arranjou uma desculpa qualquer, e já não assistiu ao jantar. No dia seguinte, convenceu o negro a ir morar para a quinta de Alfeizerão e, ao mesmo tempo, comunicou à família e empregados, entre os quais o feitor António Tempero Junior (pai de José Tempero) que aquele iria por lá ficar enquanto quisesse, com direito a cama, mesa e roupa lavada. E assim foi durante alguns anos até que acabou por regressar à sua terra.

Quando o feitor Tempero, cessou funções na Quinta Nova de S. José para se dedicar ao comércio e agricultura, foi sucedido por José Bernardo Tanganho, que granjeou alguma fama como cavaleiro tauromáquico, e especialmente depois de vencer, em Outubro de 1925, o Circuito Hípico de Portugal, uma volta a Portugal a cavalo, prova muito dura, montado no Favorito, aonde participaram 45 concorrentes, dos quais apenas 3 não eram militares. Como foi isso? Numa entrevista de Tanganho, nos anos sessenta, ao Século Ilustrado contou que, estava eu um dia nas Caldas da Rainha, com o tenente-coronal José Mousinho…José Mousinho, (…, era genro de Vitorino Fróis, que foi o nosso primeiro mestre do toreio a cavalo. Creio que ainda era da família do Mousinho de Albuquerque… Bom. Estávamos nós a tomar café na barraca de um judeu qualquer, quando vimos passar a cavalo o capitão Silva Dias. Vejo-o todos os dias-disse eu-Que é que ele anda a fazer?Anda a treinar o cavalo para o raid-explicou-me o José Mousinho. Qual raid?! A volta a Portugal a cavalo. Cá para mim, resolvi logo. -Também vou entrar nisso. Tenho uma égua que não há quem possa com a vida dela. Era a égua de uma tipóia de aluguer que eu me governava. Mas toda a gente me queria tirar aquilo da cabeça: -Tu és doido? Os militares andam a treinar os cavalos há três meses e já só faltam quinze dias…
E prosseguiu: Agarrei no animal e, sem parar, fui com ele das Caldas a Alcobaça, Nazaré, S. Martinho, Foz do Arelho, Peniche…Mas acabei por desistir da égua, quando vi que ela tinha uma assentadura. Nessa altura, quando viram que eu tencionava mesmo levar a minha por diante, apareceram-me várias pessoas a oferecer cavalos. Escolhi o do lavrador António Joaquim, do Cartaxo, um cavalo que andava também engatado a uma charrette, e levei-o das Caldas à Foz do Arelho. Quando lá cheguei, fiquei uns dez ou doze dias em exercícios: amarrava o cavalo a uma bateira e punha-o a fazer força para ganhar pulmão.

O País vibrou com o raid que sde disputou, durou dezoito dias, sob sol e chuva, umas vezes a pé, outras a cavalo montado. Inicialmente passou desapercebido, mas aos poucos foi criando interesse pela rivalidade entre o capitão Rogério Tavares e o civil José Tanganho. Afirmava-se, que o civil estava a dar água pela barba ao militar. Sob aplausos frenéticos das pesoas por onde passava, percorreu as quatro partidas de Portugal (do Minho ao Algarve). Rompi três pares de botas em dezoito dias… Andava dez metros a cavalo e vinte a pé, para o animal se aguentar. E percorria 100, 150 e até 250 quilómetros por dia, sem horário fixo. Alguns casos que aconteceram durante a prova, foram curiosos e ficaram registados. Na etapa Odemira-Monchique, que deveria ser através da serra, o guia, que devia acompanhar os concorrentes, não conhecia o caminho, pelo que andaram perdidos, até darem com o casebre de um pastor. O percurso de Moncorvo a Bragança foi feito debaixo de um autêntico dilúvio. Em Arcos de Valdevez, não havia cavalariças, nem ração, mas isso foi devido a razões políticas. Ao chegar a Vila Franca de Xira, o meu cavalo o Favorito começou a fraquejar e houve quem me desse uma garrafa de vinho do Porto para o animal beber e arribar (isto é uma sopa de cavalo cansado). O cavalo bebeu e passados alguns metros estava com uma grande bebedeira…E para ali vim eu, com o cavalo a curti-la…Tive de o trazer à mão e foi assim que o capitão Rogério Tavares chegou a Lisboa em primeiro lugar, isto é, à minha frente.

No dia da chegada a Lisboa, apesar da chuva miudinha que caía, os caminhos que levavam ao Pote de Água tinham grande movimento, bem como o Campo Grande. Ao passar um grupo de cavaleiros que constituíam a guarda avançada, dizia-se que era o capitão Tavares que iria ganhar. Quando este passou, o povo ficou em silêncio, ninguém queria acreditar. Nessa altura José Tanganho vinha ainda a cerca de 7 quilómetros, a pé, com o cavalo pela mão, consolado por um grupo de apoiantes, que davam vivas ao que consideravam ser o vencedor moral. Quando finalmente chegou ao Campo Grande, dois bombeiros quiseram oferecer a Tanganho um cálice de porto, mas o multidão desvairada ao ver fardas gritava: Não bebas que te querem envenenar. Acontece que tendo o cavalo Emir, pertença do capitão Tavares, morrido durante a noite, ao que se diz por cansaço, Tanganho sagrou-se vencedor do raid pois, ficou à frente nas provas finais do Jockey Club (trote e saltos de sebes). Foi o delírio no meio. O público invadiu a pista do Jockey Club, levou Tanganho em triunfo, organizou um grandioso cortejo até à Câmara Municipal onde estava preparada uma recepção para consagração dos vencedores e entrega de prémios A classificação final ficou assim ordenada :1º)- José Tanganho; 2º)- Ten. Brandão de Brito; 3º)- Cap. Silva Dias.

Daí em diante, Tanganho foi contratado para se exibir no Coliseu de Lisboa e Palácio de Cristal, do Porto, ganhando por cada exibição o cachet de vinte mil escudos, quantia muitíssimo elevada (milionária?) para a época.

A 8 de Outubro, Castello Lopes estreou, no cinema Condes, O Bicho da Serra de Sintra, filme de Artur Costa de Macedo (também director de fotografia) e João de Sousa Fonseca (argumentista e protagonista), para Sociedade do Turismo de Sintra. Em complemento projectou-se, Touradas Portuguesas, com os distintos artistas cavaleiros Simão da Veiga (Filho), D. Ruy da Câmara, António Luís Lopes e José Tanganho.
No dia 16 de Novembro, o Cinema Tivoli, em Lisboa, estriou o documentário de actualidade, Circuito Hípico de Portugal.
Por insistências de Vitorino Fróis, Tanganho veio a tomar alternativa como cavaleiro tauromáquico, em 1926, no Campo Pequeno. Durante algum tempo, onde se exibia, meninas prendadas tocavam ou cantavam a Marcha do Tanganho, cuja letra dizia: O Tanganho leva o cavalo e o cavalo leva o Tanganho e das janelas enfeitadas nalgumas vezes com garridas colgaduras, despejavam sobre o herói bandejas e açafates de pétalas. Por instâncias da mulher, abandonou a tauromaquia ao fim de algum tempo, regressando a Caldas da Rainha, de onde era natural.

Tanganho, ainda foi preparador de cavalos, da conhecida e graciosa cavaleira tauromáquica Conchita Citron nascida no Chile, embora por muitos considerada peruana, dado neste país ter vivido desde muito nova, e que nos anos cinquenta atingiu notoriedade em Portugal e frequentou Alfeizerão com assiduidade. Conchita Citron também deixou marca, entre nós, como a criadora do cão de água português, raça em vias de extinção. Cochita Citron veio para a Europa para tourear em Espanha, o que lhe não foi permitido pelo franquismo por ser mulher.
Tanganho, depois de ter estado a trabalhar durante cerca de dez anos em Moçambique, faleceu na casa de David Ribeiro Teles, no Ribatejo, no Monte do Biscainho, a 12 de Fevereiro de 1968. No dia seguinte, o jornal O Século publicou a notícia na secção de necrologia, além de lhe ter dedicado uma página de homenagem.

Vasco Bensaúde foi um homem discreto, embora muito rico, e criador de cães, registados todavia em nome do filho Filipe e como tal apresentados em exposições. A certa altura, tomou conhecimento da existência de uma bem sucedida criadora de perdigueiros portugueses, Conchita Citron, que havia casado com o aristocrata português, D. Francisco Castelo Branco. Esta, impedida pelas leis espanholas de ser matadora de touros, tornou-se cavaleira tauromáquica, e veio viver para Portugal.
Bem sucedidos foram os seus perdigueiros portugueses, que criava na quinta situada na margem sul do Tejo, a Quinta do Índio (reminiscências da sua origem?). Um dia Bensaúde, convidou Conchita Citron e marido para almoçar, onde lhe fez a oferta de ficar com o seu canil, como herança. Conchita nunca mais viu Vasco Bensaúde, nem os seus cães. Bensáude veio a morrer em Agosto de 1967 e mais tarde, a família contactou-a para vir buscar (reclamar) a herança. Assim, Conchita Citron, levou os 14 cães do canil Algarbiorum, de Bensaúde, para a Quinta do Índio, juntamente com os respectivos ficheiros.
Registou o seu novo canil, com o nome Al-Gharb Começou a criar e a apresentar os cães de água em exposições e concursos. Achava que os esforços de Vasco Bensáude na selecção, recuperação e preservação da raça, mereciam ser reconhecidos e considerando Portugal um país pobre de gente sem recursos para manter tão maravilhosos cães, recusava-se a vende-los para o mercado nacional, sendo apenas alguns oferecidos a pessoas de extrema confiança e jamais fêmeas. Bem relacionada no estrangeiro, começou uma campanha de publicidade junto de americanos ricos. Mas poucas fêmeas fugiram ao seu controle.

Com o 25 de Abril, algumas pessoas sairam do país e abandonaram as propriedades que eram ocupadas pelos trabalhadores e sindicatos. Foi o caso da Quinta do Índio, então com 32 cães de água nos canis. Muitos dos animais foram soltos ou fugiram e quando no fim do Verão de 1974, D. Francisco de Castelo Branco conseguiu ir á propriedade, restavam 15 cães, a maioria gravemente doente e com problemas de pele. Levou-os ao Canil Municipal de Lisboa para abate, mas segundo o enfermeiro Fernandes, alguns poderiam ser salvos, tendo-se assim recusado a abater 3.
D. Francisco Castelo Branco levou de volta esses 3 cães mas nunca mais ninguém soube deles.

Conchita Citron, portuguesa por casamento, pouco depois saiu do país com a família para o México, e não levou cão algum.

José Tanganho faleceu algo esquecido, mas não obstante o seu passamento foi objecto como se disse de algum destaque no jornal O Século, que lhe dedicou várias colunas e uma foto. De facto, haverá muitíssima gente, mesmo em Alfeizerão, que já não se recorda nem do nome de José Tanganho.

Só em 1970 vai surgir em Portugal a primeira mulher toureira (a pé) profissional, que aliás não fez grande carreira. Foi o caso de Ana Maria, natural de Azambuja, que ficou assim conhecida na arena, como Ana Maria d’Azambuja e que, com 16 anos, obteve a carteira profissional. Azambuja, é terra onde há bastantes aficionados e apreciadores da tourada, bem como a Tertúlia Tauromáquica Azambujense, sita numa antiga taberna, um museu vivo que comprova a aficcion do homem que um dia quis ser toureiro, mas o coração não me deixou, confessa com a mão no peito para reforçar a nota. Trata-se de António Salema, que colecciona na Tertúlia artefactos que dizem respeito à festa brava. Para alimentar a sua paixão, usou a energia a ensinar outros, como Ana Maria d’Azambuja. As fotos dos pupilos estão expostas a comprovar o carinho do mestre pelos seus discípulos, onde a de Pedrito de Portugal ocupa um lugar de destaque.

2 comentários:

Jorge Froes disse...

Caro Fleming de Oliveira

Chamo-me Jorge Vitorino Avelar Froes, sou bisneto de Vitorino Froes (faz este ano de 2012 150 anos que nasceu). Eu e alguns parentes estamos a coligir dados sobre este nosso bisa e da mulher, Julia Rino, e famílias, para uma possivel edição dum livro.
Será que nos pode ajudar com elementos que tenha disponíveis sobre o assunto?

Desde já lhe agradeço

Melhores Cumprimentos

Jorge Froes
jorgevfroes@gmail.com

ACAP Associação disse...

Caro Sr.,

A Associação do Cão de Água Português, sediada no Algarve, tem como sócios alguns criadores da raça que ainda detêm linhagens antigas do Cão de Água Português. Com o objectivo de criar uma cronologia e estudo histórico do CAP , a ACAP vem solicitar apoio a V.Exa. na pesquisa desta informação. Um muito obrigado e respeitosos cumprimentos.

Helder Ganhão
acap.geral@gmail.com