quarta-feira, 23 de março de 2022

ARRAIAIS NOS CAPUCHOS (arredores de Alcobaça), SANTOS POPULARES E W. BECKFORD

 

ARRAIAIS NOS CAPUCHOS (arredores de Alcobaça), SANTOS POPULARES

E

W. BECKFORD

 

A população nesse difícil ano de 1890 aderiu, sem distinção de posses, classes ou credos políticos, e com entusiasmo, à Romaria do Senhor dos Aflitos, que se realiza no início de junho, nos Capuchos (Évora de Alcobaça). A festividade começou no sábado, com uma fogueira a preparar o dia seguinte, onde iria atuar, como cabeça de cartaz, a Filarmónica Alcobacense. A missa ao meio-dia, foi celebrada com a presença de muitos fiéis. Ao Evangelho, subiu ao púlpito o pequenino, gordinho e insinuante Prior da Freguesia que, com a sua palavra “elegante e empolgante”, marcou um ponto alto da festividade. Sim, a componente religiosa das festas era importante para os alcobacenses, mesmo republicanos neste caso salvo raras exceções.

A missa acabou. A saída, a Filarmónica executou no adro alguns trechos de sabor popular, findos os quais, se dirigiu com garbo, maestro na dianteira, para o arraial. Deu-se então início ao assalto aos farnéis, este sim, um dos melhores, mais saborosos e aguardados números do dia. Cada um, escolheu os melhores pontos para abancar, se possível sob a copa hospitaleira de árvores corpulentas, ou estirou-se pela relva que começava a despontar e livrava da dureza da terra ressequida. As viandas saltaram das puceiras e dos cestos de vime, espalharam-se pelas toalhas e mesas que encheram, numa azáfama digna de valentes exploradores, acompanhadas por uns goles alentadores de um tinto espesso, escuro e forte que saía alegremente e sem cerimónia dos sempre prontos odres de borracha, para as sempre prontas gargantas. À medida que iam chegando mais romeiros, o arraial aumentava de animação. A música continuava a soar, pelo que a dança naturalmente irrompeu. Nada havia capaz de vencer o ardor dos moços e dos menos moços alcobacenses, pelo que a alegria se estampou nos rostos corados e ofegantes. O garrido das toiletes femininas conferia um tom atraente e inconfundível à primavera que se aproximava rapidamente do verão.

O dia não é eterno, e daí a pouco o arraial naturalmente voltou ao silêncio, povoado apenas pelo rumorejar dos freixos, sob cujas copas frondosas se havia verificado a gostosa refrega. No próximo ano cá estaremos de novo

Poesia, dirão os circunspetos leitores de 2022. Sem dúvida, mas o que é a vida sem poesia, mesmo em tempo económica e politicamente difíceis?

Por romarias como esta, ainda perpassava o quadro, aliás nada poético, que W. Beckford descreveu com severidade, “gente torcicolada, infecta, arrastando-se, mostrando as chagas, lado a lado com famílias alegres e bem alimentadas. Eram cegos, aleijados, chaguentos, leprosos, sem nojo uns dos outros. Pedia-se tudo, desde um seio materno, até a borla de um caixão. Esses desgraçados eram, por vezes, controlados por empresários que os mostravam como os ciganos ao urso nas ruas citadinas”.

Era raro o alcobacense que não se comovia perante um destes mendigos, e quanto mais feliz e confiante se sentia, mais era capaz de ajudar.

 

Para os Santos Populares, o negociante de suínos António Feliciano Machado, de Chiqueda, organizou na horta ao lado da sua casa um baile campestre, animado por um velhote, tocador de concertina, habitual nestes eventos, pago com 3 garrafões de vinho tinto e 1 de aguardente, que ali mesmo começou a consumir por conta, e se prolongou até às primeiras horas da madrugada. A iniciativa teve tanto êxito, apesar de uma briga entre duas vizinhas por causa de o marido de uma requestar a outra, que o Machado a repetiu na noite de Santo António, agora com a novidade de uma iluminação à veneziana. Em mesas corridas, serviu-se vinho, sardinha assada que se esgotou rapidamente, acompanhada de pão tipo caseiro da Vestiaria, e café.

 

Para alguns alcobacenses, haveria de ser recordada durante bastante tempo a noite que se seguiu, festejando o S. João, dada a animação de foguetes, fogos de bengala e de rua. Para o sucesso, foi decisiva a atuação o Grupo Musical Ferreira Penteado, que a partir dez da noite, percorreu diversas ruas, tendo chegado por volta da meia-noite à Fonte Nova, onde tocou para rapazes e raparigas, que dançaram com entusiasmo. Depois veio até ao Rossio, onde no coreto executou “mimosas composições”, cujo desempenho lhe valeu palmas e pedidos de bis. Por volta das duas da madrugada, o Grupo Musical FP despediu-se ao som do seu hino, pelo que os retardatários, começaram a recolher a casa.  Amanhã é dia de trabalho.

 

No dia 24, ainda se realizou no arraial dos Capuchos, a festa de S. João. Mais uma vez, e como se esperava foi boa a concorrência popular, mas à cautela para manter a ordem, e nos moldes habituais, foi destacada uma força de cavalaria, comandada pelo estimado, o turquelense Alf. José Guedes. No recinto, havia mesas com refrigerantes e barracas de comes e bebes, que fizeram regular o negócio, animado pela Filarmónica Alcobacense, que se houve “plausivelmente”, apesar de desfalcada de três importantes elementos.

 

 

Tempos muito censurados

 


TEMPOS MUITO CENSURADOS

TEMPOS MUITO CENSURADOS



O livro pode ser adquirido via flemingdeoliveira@gmail. com ou 962925444, sendo enviado sem portes acrescidos.






TEMPOS MUITO CENSURADOS

TEMPOS MUITO CENSURADOS

 

Lancei em fevereiro de 2022 TEMPOS MUITO CENSURADOS.

Ao que me tem chegado, tem sido bastante apreciado, tanto por parte da Igreja, como de pessoas de vários quadrantes político-ideológico.

Segue uma pequena ideia do seu conteúdo.

 

A História que aqui se apresenta num livro didático e não confessional por onde desfilam personagens e factos que a marcaram, visa um público generalista, pelo que esse foi o maior problema dado que não podia ter notas de rodapé de compactas vinte linhas, mas as necessárias para contextualizar ou identificar fontes.

A liberdade de expressão, tão natural hoje em dia em Portugal, faz esquecer alguns dos instrumentos mais pesados da nossa história, como a Censura e a Repressão.

O Santo Ofício foi das instituições com maior impacto no quadro de muitos séculos da sociedade portuguesa, cuja atuação marcou, de forma indelével, o espaço social e cultural do Antigo Regime ao exercer uma censura moral, política e religiosa.

A Inquisição em Portugal – e aqui faremos uma incursão pelo Brasil –, monumento de perene e abominável reminiscência, é um desses instrumentos que para reivindicação do bom nome português deve imprescritivelmente ser tratado com inteireza.

Não somos nós, passados 200 anos sobre a extinção, os primeiros a irrogar aos inquisidores as barbaridades contra as quais a natureza se revolta. Foram já alguns homens desses tempos, mesmo ligados à Religião, com a descrição das ações criminosas.

 

Com o Estado Novo, a censura foi muitas vezes aplicada com manha e rudeza, outras com habilidade e arrogância. Para a justificar, estiveram disponíveis histórias inventadas, inverosímeis juízos e desajeitados conceitos. O vexame, o opróbrio, a prisão, o exílio, se não a morte, atingiram muitos cidadãos e famílias, tendo havido casos que nem a verdade ou a justiça lhes foram consentidas. A censura e a repressão para além de tentarem abafar a contestação popular, visaram moldar o pensamento em conformidade com os valores e interesses do regime, com o alegado pretexto do bem comum.

 







terça-feira, 8 de março de 2022

TERMAS E PRAIA

 

TERMAS  E PRAIA 

 

A Câmara Municipal de Alcobaça, em inícios de 1890, aprovou a compra que o vereador J. Almeida e Silva fez de uma caldeira para os “Banhos da Piedade”, e registou, com apreço, a sua oferta para proceder e dirigir o respetivo assentamento.

Os Banhos da Piedade situam-se a cerca de dois quilómetros da vila, logo adiante à então Fábrica Fiação e Tecidos. O percurso, como se dizia empoladamente a publicidade nos jornais e na Farmácia Campeão, efetuava-se “entre uma verdura opulenta e sem tréguas dos montes de elevada estatura ou das planícies estendendo-se até onde a vista alcança, sendo um enlevo de que os olhos não despregam”. Mas, verdade seja dita, a estrada era muito má, e excelente para revolver o estômago…

 

As águas da Piedade gozavam, assegurava-se, de uma antiga e merecida fama, pois as suas qualidades terapêuticas, têm a recomendá-las uma larga e sólida reputação, dados os inúmeros casos em que provaram a eficácia em padecimentos como a dispepsia, escrófula (infeção nos gânglios linfáticos ou linfonodos submandibular e cervical), gota, reumatismo ou afeções uterinas, sem olvidar as manifestações hepáticas, úlceras atónitas, congestões, bem como inflamações do fígado e baço.

A esposa do conhecido comerciante alcobacense Júlio dos Santos Henriques, ao fim de cerca de dois meses de tratamentos aos achaques de dispepsia começou a sentir-se muito melhor, o que anunciou com satisfação a familiares e amigas que passaram a frequentar os banhos.

O Ten. Cor. João Serra Conceição, do quartel de Alcobaça, também frequentou os Banhos da Piedade para aliviar uma doença de fígado que bastante o apoquentava, o que levou que alguns dos seus colegas e subordinados os viessem a utilizar com proveito.

 

Os Banhos da Piedade não entravam em competição com os de mar. Os objetivos eram bem diferentes.

O hábito de ir a banhos de mar começou a desenvolver-se a partir da segunda metade do século XIX. Ramalho Ortigão escreveu que a questão “era um simples pretexto para a peregrinação das famílias alegres em sítios frescos”. A partir desta altura percebeu-se a importância de banhos e sol, como instrumento de prevenção e tratamento de certas maleitas, bem como o papel retemperador do espírito e corpo, tanto para adultos como para crianças. De acordo com o mesmo autor, “a praia, assim considerada é um claustro, um templo, onde se pratica uma religião, onde todas as mães se deveriam devotar fervorosamente durante alguns meses do ano ao futuro, que não é mais que a compleição, o temperamento, a energia e o vigor dos filhos. (…) As crianças regressam mais crescidas, mais pesadas, mais fortes, e as mulheres mais dignas, mais saudáveis, mais novas e mais belas”. (…)

No Oeste, a praia de banhos por excelência  era a Nazaré, sem prejuízo de alguns veraneantes fazerem piqueniques na Foz do Arelho/Lagoa de Óbidos e S. Martinho do Porto, ou na frescura de Tornada, aonde se deslocavam de comboio.

Chegado o Outono, terminada a época de banhos, a família regressava a casa e à rotina do dia-a-dia, até ao próximo ano, esperado ansiosamente.

 

Touros em Alcobaça

 

TOUROS EM ALCOBAÇA

 

Os interesses da generalidade dos alcobacenses não se reduziam aos assuntos da política e às dificuldades do quotidiano. As feiras, romarias, touradas, circos, concertos da banda e outros divertimentos ocupavam um espaço importante nas disponibilidades populares.

Em agosto de 1909, havia grande entusiasmo pela realização de uma corrida de touros, a realizar na praça da Vila, e na qual um aficionado da Golegã irá montar um dos cornúpetos. Contrariamente ao que seria de esperar, pois não fora anunciado, e para satisfazer vários pedidos de amigos e admiradores, o vereador a cavaleiro Vitorino Froes, também participou nesta corrida de touros, sendo muito aplaudido.


Outro atrativo irresistível, pelo menos assim anunciavam os cartazes distribuídos pela Vila, era a presença do famoso Monas, que irá lidar com bandarilhas alguns dos bichos propostos ao castigo dos arrojados turistas. Não deixava de ser um chamariz, o acessível preço das entradas, 240 reis para o sol e 160 reis para a sombra, bem como de 1$000 reis para os camarotes. 

Em agosto de 1922, realizou-se na Praça de Touros de Alcobaça com muito público, entre o qual se distinguiam bastantes senhoras e cavalheiros que vieram da Nazaré, uma vacada com dez animais de um ganadeiro de Almeirim, na qual tomaram parte amadores de Alcobaça e de Torres Novas. Antes do espetáculo, houve alguma confusão entre o público, pois a organização não assegurou o respeito pela marcação dos lugares, especialmente os da sombra. As vacas, embora maltratadas uma delas parecia sofrer de uma pata, permitiram um aceitável trabalho por parte dos amadores da lide apeada, o que já não aconteceu com o do cavaleiro Roberto Cunha, porque as vacas que lhe saíram, não se prestavam para a lide a cavalo e fugiam. Isto motivou protestos do público e do cavaleiro, que anunciou depois de espetáculo, numa taberna da Vila onde se reuniu com uns amigos, que não voltava a tourear em Alcobaça, se as vacas não fossem previamente sorteadas.

Por sua vez, o cavaleiro amador Arnaldo Valério, de Torres Novas, teve azar, pois a sua nervosa montada, chocou com uma vaca, caiu sobre ela e matou-a, a qual veio a ser adquirida por José Pereira da Silva Rino, para distribuir a carne pelo Hospital, Asilo de Infância Desvalida e pobres indicados pelo regedor.

Os bandarilheiros que vieram da Benedita, bastante novos e com pouca prática, mostraram apenas que eram valentes, o que lhes valeu a simpatia do público, enquanto os de fora, também amadores, agradaram e receberam ovação. Dos forcados de Torres Novas, salientaram-se quatro, pois os restantes apesar da vontade de fazer boa figura, não o conseguiram, tendo um deles ficado ferido no rosto e numa clavícula. Assistido no Hospital, teve alta antes do jantar, a tempo de ir confraternizar com amigos.

 

Em setembro, realizou-se outra corrida de touros, tendo como cabeça de cartaz o amador caldense, António Emílio Geraldes Quelhas, que envergava uma vistosa casaca à portuguesa. A Comissão que explorava a Praça de Touros de Alcobaça, tornou público, a devido tempo, através da imprensa, cartazes afixados na Praça, no escritório de Manuel Carolino e estabelecimento de Abílio da Silva Ramalho, onde se vendiam os bilhetes de ingresso que, desta vez, garantia os lugares, de modo a evitar que os compradores de bilhetes de sol fossem para a sombra.

 

Esteve animada e concorrida a feira anual de S. Simão, para que contribuiu o esplêndido tempo de novembro, embora frio. Fizeram-se importantes transações, tanto em gado, como em diversos artigos de comércio como louças. Vendeu-se grande quantidade de castanha e frutos secos. No Rossio, achava-se montada uma barraca de fantoches proveniente de Leiria, que deve ter feito bom negócio, especialmente pela afluência da pequenada. A vacada, deixou satisfeitos os aficionados do costume. Enfim, foi uma feira cheia, muito do agrado dos alcobacenses, onde não faltou a endiabrada batota à custa de incautos, apesar de atenta vigilância policial.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

O REGICÍDIO E ALCOBAÇA

 

 

O REGICÍDIO E ALCOBAÇA

 


 

 

A família real encontrava-se em Vila Viçosa, mas acontecimentos políticos levaram o Rei a antecipar o regresso a Lisboa. A comitiva régia chegou de comboio ao Barreiro para depois tomar o barco, desembarcando no Terreiro do Paço, por volta das 17 horas de 1 de fevereiro de 1908. Apesar do clima de enorme tensão, o Rei optou por se deslocar em carruagem aberta com reduzida escolta, com o objetivo de demonstrar normalidade. Enquanto a família real saudava os populares, a carruagem foi atingida por vários disparos. Um tiro de carabina atravessou o pescoço do Rei, que morreu imediatamente. Seguiram-se mais disparos, sendo que o Príncipe D. Luís Filipe ainda alvejou um dos atacantes, antes de ser atingido mortalmente. D. Amélia, de pé, defendia-se com um ramo de flores que lhe fora oferecido pouco antes, fustigando um dos atacantes que subira o estribo da carruagem, gritando Infames! Infames!, numa imagem que ficou marcada para a História. O Infante D. Manuel foi também atingido num braço. Dois dos regicidas,  Manuel Buíça e Alfredo Costa, foram mortos no local.

 

A notícia do atentado começou a circular em Alcobaça, apenas na manhã do dia seguinte/domingo 2 de Fevereiro, trazida por pessoas que chegavam de fora. Acolhida a princípio com as dúvidas, em breve pelas comunicações telegráficas  e depois pelos jornais foi-se adquirindo a certeza de terem sido assassinados a tiro o Rei e o Príncipe Herdeiro.

Era enorme a curiosidade em saber pormenores do acontecimento, pelo que quando chegaram os jornais de Lisboa a Valado de Frades, foram insuficientes para contentar as pessoas que os aguardavam numa numerosa fila, lendo-os sofregamente e nalguns casos até os revendendo.

Durante o dia, não se falou noutra coisa na rua, aguardando com impaciência os republicanos que se reuniam no Centro Republicano, os desenvolvimentos políticos, o que era espicaçado por fantasiosos boatos. Houve quem assegurasse a presença de uma esquadra inglesa de três navios, fundeada no Rio Tejo, para prevenir eventuais motins populares. A este boato, que não correu apenas em Alcobaça, responderam telegramas de Londres e Paris, publicados nos jornais de Lisboa no dia 4, e nos quais isso foi expressamente desmentido.

Na segunda-feira, estiveram encerradas a Recebedoria, Tribunal e outras repartições do Estado, hasteada a meio pau a Bandeira Nacional na Porta de Armas do Quartel e no edifício da Câmara Municipal. Várias pessoas vestiram de luto, os sinos da Igreja da Conceição, Igreja Nova, Igreja de Santo António ou Igreja da Misericórdia e do Mosteiro, dobraram a finados várias vezes por dia, e na Câmara foi aberto um Livro de Condolências, assinado por populares. Disse-se que houve mesmo dois republicanos que o assinaram.

 

Na sessão da Câmara Municipal, foi deliberado enviar ao camarista de serviço de D. Manuel, o telegrama: Muito rogo a V. Ex.ª se digne fazer constar em nome da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Alcobaça, a profunda mágoa que lhe causou o inqualificável atentado de que foram vítimas seu Augusto Pai e infeliz irmão e que em nome dos povos deste Concelho se protesta contra tal procedimento, ao que aquele respondeu, dando parte que o novo Rei agradecia as condolências enviadas.

 

A Alcobaça republicana, embora não tenha aplaudido o regicídio com garrafas de champanhe ou palmas, também não o repudiou expressamente. A sua postura, exprimindo o sentimento republicano mais radical, aliás expressa no Semana Alcobacense, decorria do sentimento que foi estranho e trágico o epílogo da triste aventura, que à História de Portugal, passou com o nome de Franquismo.

Isto era apregoado franca e pública pelos republicanos nas ruas, farmácias ou no Centro, num momento em que a sensação agora de alívio como diziam, lhes dava a impressão de acordar de um horroroso e agitado pesadelo, onde não era oprimir, censurar, mentir, perseguir, vexar e ludibriar que se governa o povo Português. No seu discurso de massas, embora se queixassem da falta de liberdade e da censura, os republicanos usavam uma linguagem e uma imprensa virulenta onde parecia não haver freios, como  o Semana Alcobacense.