FLEMING
DE OLIVEIRA
-A ORQUESTRA TÍPICA E CORAL DE ALCOBAÇA E
O SEU TEMPO
-Maria de Lurdes Resende e a Canção Alcobaça, Belo Marques, Alves Coelho (Filho)
e Silva Tavares
ALCOBAÇA-2020
FICHA:
Fleming
de Oliveira
-TÍTULO:
-A ORQUESTRA TÍPICA E CORAL DE ALCOBAÇA E O SEU TEMPO
-Maria de Lurdes Resende e a Canção Alcobaça, Belo Marques, Alves Coelho
(Filho) e Silva Tavares
-SECRETARIADO:
Mariana Anselmo
-1.ª
EDIÇÃO DIGITAL-2020
-RESERVADOS OS DIREITOS CONFORME
LEGISLAÇÃO EM VIGOR.
-É PROIBIDA A REPRODUÇÂO TOTAL OU PARCIAL
SEM AURORIZAÇÃO DO AUTOR
O AUTOR
Fernando
José Ferreira Fleming de Oliveira, nasceu no Porto, em 22 de fevereiro de 1945.
Licenciou-se pela
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 15 de novembro de 1969.
Foi Delegado do
Procurador da República em várias comarcas.
Prestou Serviço
Militar na Guiné.
Vive e trabalha em Alcobaça como Advogado, desde 1974.
Eleito, em listas do
PSD, foi substituto Legal/Vice-Presidente da CMA (1976), Presidente da
Assembleia Municipal de Alcobaça (1980), Deputado à Assembleia da República
(1980) e Deputado Municipal (1984).
Foi fundador, e autor dos estatutos de
algumas importantes entidades do Concelho de Alcobaça, seu advogado e
cofundador do PSD/Leiria e Alcobaça.
Colabora regularmente
em jornais e revistas, realiza palestras e conferências sobre temas históricos
e faz crítica literária.
OUTRAS OBRAS
– LEVANTE-SE O RÉU
A difícil e honrosa arte de ser advogado de barra, na província
– DOM MAUR OCHERIL, W. BECFORD E A COZINHA DE ALCOBAÇA
Tradução do original francês, com comentários e notas
– RUMO À CIDADANIA (I)
Apontamentos de teoria política/Usalcoa
– RUMO À CIDADANIA (II)
Apontamentos de teoria política/Usalcoa
– NO TEMPO DE D. PEDRO, Dª. INÊS E OUTROS
Histórias e lendas que o tempo não apagou
– NO TEMPO DO MATA FRADES,
VISCONDE DE SEABRA E OUTROS
A guerra civil, o mosteiro e o furto dos códices alcobacenses
– NO TEMPO DE REIS, REPUBLICANOS & OUTROS
A I República em Alcobaça e Portugal
– NO TEMPO DE SALAZAR, CAETANO E OUTROS
Alcobaça e Portugal
– NO TEMPO DE SOARES, CUNHAL E OUTROS
O PREC também passou por Alcobaça
– NO TEMPO DE PESSOAS IMPORTANTES
COMO NÓS
50 anos da história de Alcobaça contada através de pessoas
– NO TEMPO DOS SUBMARINOS NAZIS NA COSTA PORTUGUESA
– NO TEMPO DOS BOERES EM PORTUGAL
Caldas da Rainha, Alcobaça, Peniche, Tomar, Abrantes e S. Julião
da Barra
RESUMO:
A ORQUESTRA TÍPICA e CORAL de ALCOBAÇA, foi um exemplar caso de sucesso
local e nacional, na década de 1960. Composta apenas por amadores beneficiou da
colaboração desinteressada e estreita de personalidades relevantes no meio
artístico e musical, como os Maestros Alves Coelho (Filho) e Belo Marques,
Poeta Silva Tavares e a cançonetista Maria de Lurdes Resende, que popularizou a
Canção Alcobaça. O seu repertório era música do Cancioneiro Popular Português e
peças expressamente compostas para si. Com o desaparecimento de algumas
daquelas personalidades, a ORQUESTRA não conseguiu resistir e acabou, deixando
muitas e boas recordações que aqui vamos lembrar, com a colaboração de alguns
elementos vivos ou seus descendentes.
ABSTRACT:
THE TYPICAL ORCHESTRA and ALCOBAÇA CORAL, was an exemplary case of local
and national success in the 1960s. Composed only by amateurs, it benefited from
the close and disinterested collaboration of relevant personalities in the
artistic and musical environment, such as Maestros Alves Coelho (Filho) and
Belo Marques, Poeta Silva Tavares and the songwriter Maria de Lurdes Resende,
who popularized the Alcobaça Song.
His repertoire was music by Cancioneiro Popular Português and pieces expressly
composed for him. With the disappearance of some of those personalities,
ORCHESTRA was unable to resist and ended, leaving many good memories that we
will remember here, with the collaboration of some living elements or their
descendants.
CAP. I
ERA UMA
VEZ...
A
|
ideia do criar em Alcobaça uma Orquestra Típica terá nascido numa noite
de maio de 1956, quando veio atuar à vila, a Orquestra Típica e Coral de Rio
Maior. Para Alcobaça, o objetivo seria a recolha, divulgação e preservação
da música tradicional portuguesa, com enfoque se possível na região, através de
um agrupamento amador constituído por uma orquestra de instrumentos
tradicionais e eventualmente um coro. Foi tal o
interesse suscitado que, como decorre de O Alcoa [1],
confirmado por José António Crespo [2]
e Fernando Manuel Zeferino [3],
Couto de Pinho iniciou diligências com vista a organizar uma semelhante.
Convidado para vir a Alcobaça o Maestro António Gavino [4]
que, já havia criado agrupamentos semelhantes em Santarém [5]
e Rio Maior, no dia 11 de novembro de
1956, sentaram-se na última mesa, do lado esquerdo de quem entra no Café Restaurante
Trindade, além de Couto de Pinho e António Gavino, os alcobacenses Manuel Tomás
Correia, Fernando Manuel Zeferino [6],
Leite Rodrigues e Francisco Ramos André [7],
isto é, as pessoas a quem a vila ficará a dever a criação da Orquestra Típica e
depois Coral de Alcobaça/O.T.C.A..
Foi este
o momento tido mais tarde, como o fundador de um agrupamento de características
populares, composto por dedicados e apaixonados artistas, na maioria sem
formação musical, que atingiu rapidamente muito interessantes e surpreendentes momentos
e foi embaixador de Alcobaça no País, durante cerca de 10 anos. Como resultado dessa reunião de pouco
mais de uma hora, iniciada sem programa e unicamente como troca de impressões,
o maestro Gavino marcou para a terça-feira seguinte, o primeiro ensaio. Ninguém
poderia fazer ideia do impacto que a iniciativa iria assumir em termos sociais
e musicais a nível local e a nível nacional. Reuniram-se os elementos fundadores na sede do Rancho do Alcoa, com o
maestro Gavino que se fez acompanhar de dois violões baixos da Orquestra de Rio
Maior. Aquele, daí em diante, passou a ensaiar duas vezes por semana. Não
recebia honorários (como se verá referido de novo por Fernando Manuel Zeferino),
e deslocava-se de Rio Maior aonde vivia, utilizando a boleia ou mesmo
camionetas de carga, para não sobrecarregar a coletividade ou a sua bolsa. As
primeiras despesas foram suportadas pelos fundadores [8],
entre outros os que na tarde de 11 de novembro, se sentaram à mesa do
restaurante. Tempos depois, ainda na euforia inicial, foi pensado mandar fazer um tampo de
mármore com uma inscrição alusiva, na última mesa do lado esquerdo de quem
entra no Restaurante Trindade. Para tal, foi solicitada a boa vontade do
proprietário Alfredo Trindade, que subscreveu a sugestão, e da sociedade
arrendatária, que nada disse. Porém a ideia acabou por não vingar. Mais de 60
anos decorridos fica aqui esta recordação.
Correndo
a notícia da intenção de criar uma Orquestra Típica, não tardaram de pronto os
que profetizaram o fracasso. Apesar das dificuldades de quem não possui fundos e,
portanto, partia do nada, os ensaios começaram ao ritmo de dois por semana, na
sala do Rancho ou na sede da Banda e o número dos executantes foi crescendo com
a adesão de músicos nos arredores, que muitas vezes a pé se apresentavam
irmanados, na mesma vontade. Foram muitas as caminhadas para a Banda e Rancho.
Quantas vezes o Fernando Manuel Zeferino foi de motorizada à Vestiaria buscar o
acordeão que trazia com fenomenais equilíbrios? E quantas depois de levarem à
Lameira o acordeonista Luís Domingues Lopes, houve às tantas da noite que subir
a ladeira do hospital, empurrando furgoneta? Recordações!
Foi
admitido efetuar ensaios gerais fora da vila, nos arredores, com entradas
pagas. Todavia, foram encontradas insuperáveis dificuldades, pois o ensaio
geral acarretava despesas de adaptação e ornamentação do recinto, na maior
parte das vezes ao ar livre, nada conveniente para uma boa audição. Não
obstante a modalidade de ensaio geral ser uma boa propaganda, a ideia
abandonada.
O
C.A.A.C. foi criado por Alvará do Governo Civil de Leiria, de 5 de agosto de
1957, sendo a sede inicial uma dependência da casa do radiologista, Dr. José
Nascimento e Sousa, que a cedeu gratuitamente. Foram seus fundadores Francisco Ramos André, Fernando
Manuel Zeferino, José António Leite Pacheco Rodrigues e José Couto de Pinho, e
contou com a colaboração de António Gavino. Em 1959, o C.A.A.C. transferiu-se para a Rua Alexandre Herculano, após
se ter fundido com Associação Recreativa Alcobacense que ali tinha a sede.
Legalizada a associação e
dispondo de estatutos, passou a haver possibilidade de apelar a ajudas
oficiais, nomeadamente da Câmara Municipal. Fernando Manuel Zeferino [9]
informou que os primeiros diretores foram
os Srs. Eng.º João Brito, Camilo M. Bento, Abel Santos, José Sineiro Canha e
eu, como Diretor da Secção da Orquestra.
A O.T.
era apenas uma secção do C.A.A.C., mas como veremos veio a atingir maior
notoriedade do que a associação mãe. De facto, a O.T. absorvia por completo, as
atenções da Direção do C.A.A.C. e quando aquela acabou arrastou este.
Com 15 anos, Maria Fernanda M.
Duarte carcereiro [10],
sem saber uma nota de música, entrou como contralto [11]
para o coral (após uma brevíssima avaliação por António Gavino), pois tinha umas
amigas que lhe diziam que o ambiente era agradável, apesar de haver menos
rapazes que raparigas. Já pertencera ao Rancho
do Alcoa e aos Serranitos. Havia
completado a 4ª. classe, trabalhava na Casa Espanhola (à Pissarra) com um
salário muito pequeno, estabelecimento que vendia chapéus e guarda chuvas. Em
Alcobaça não havia diversões, salvo cinema duas vezes por semana, e o ordenado
não lhe permitia mais extravagâncias, que um bailarico animado por concertina
ou acordeão. O seu horizonte era muito restrito e pouco conhecia para além da
Nazaré, pelo que a O.T.C. era a hipótese de ver um mundo que supunha glamoroso
e divertido.
Segundo Fernando Manuel Zeferino [12]
entre
os executantes, há-os das mais variadas profissões, desde estudantes até
carpinteiros, passando pelos bancários, serralheiros, empregados de comércio,
etc. As idades são também diferentes, porquanto o mais novo tem 14 anos e o
mais idoso 64. Cerca de 30% dos instrumentos são já propriedade do Círculo.
CAP.II
-PORTUGAL (E
ALCOBAÇA) NA DÉCADA DE 1960-
-A EMIGRAÇÃO PARA A EUROPA-
O
|
Brasil foi durante largos anos, o principal destino
de emigrantes portugueses e manteve essa posição até inícios de década de 1960.
Não obstante dedicarmos aqui uma atenção especial à emigração para França, têm
cabimento umas breves notas sobre a emigração para este destino. A
característica geral da emigração para França residiu no ritmo de crescimento
que apresentou, ou seja, de umas poucas centenas em 1950, passou para bastante
mais de 100 000, vinte anos mais tarde.
Durante
as décadas de 1960 a 1980, Portugal sofreu reestruturações sociais, graças a
este fluxo emigratório. Algumas das suas causas prendem-se com o opaco regime
vigente, a pobreza congénita e as dificuldades de emprego especialmente nas
zonas rurais e suburbanas, obrigando muitos portugueses e alcobacenses a
procurar melhores condições de vida na Europa, Venezuela, E.U.A ou Brasil,
assim como nas províncias ultramarinas. O movimento nos anos de 1950,
especialmente para o Brasil e América, foi substituído pela emigração europeia.
A partir de 1963, as saídas para França ultrapassaram as do Brasil, pois desde
a década de 1950 a reconstrução da Europa exigia muita mão-de-obra, havia a
proximidade geográfica, a facilidade em atravessar as fronteiras, normalmente
através dos Pirenéus, a possibilidade de manter contacto próximo com as
origens, já que os emigrantes vinham de férias, e a esperança de com as
poupanças fruto de duro trabalho, poderem gozar reforma na casa que tinham
mandado construir na Terra. O desenvolvimento económico dos países mais
desenvolvidos do norte e centro da Europa e abertura do mercado de trabalho,
apelava assim aos emigrantes a rumarem para fora.
Foram
milhares os portugueses, e muitos alcobacenses que entre finais dos anos de
1950 e início dos anos de 1970, passaram a salto as fronteiras para chegar a
França ou outros destinos, recorrendo a angariadores, passadores, e depositários
do dinheiro da viagem. Os passadores que se dedicavam a esta atividade faziam-na
como negócio, embora também os houvesse que a faziam de forma mais ou menos
pontual, para melhorarem a vida, uma vez
que era serviço pago. O papel dos intermediários, mesmo na emigração clandestina,
inseriu-se em ações de sobrevivência de uma população que vivia com muitas carências,
que viabilizou a mulheres saírem do muito fechado ambiente doméstico e a jovens
uma escolaridade que lhes era inacessível.
Havia várias formas
de fazer o pagamento, como recordam João (…) e mulher F (…) que foram a salto
para França, de onde regressaram reformados e com algum pecúlio decorrente da
exploração de um restaurante [13].
Como outros, utilizaram o sistema da fotografia
rasgada, em que uma parte do dinheiro era entregue no início da viagem e a
outra quando o emigrante enviasse uma carta a dizer que chegou ao destino,
inserindo metade de uma fotografia para que em Portugal a pessoa que ia pagar a
colasse com a outra metade que tinha guardado. Esta forma de transação, acabava
por conferir alguma segurança ao emigrante sobre uma viagem incerta, pois havia
uma boa possibilidade de ser intercetado, preso e ter de voltar para trás.
Abílio (…), hoje (2020) com 72 anos, chegou
a salto à gare de Hendaia/França, em meados da década de 1960, com a mulher
grávida de seis meses e sem saber que rumo deviam tomar, tendo encontrado
conhecidos foram para o leste de França. Aí entregaram-nos a um indivíduo das
redondezas da terra que os ajudaram, embora obrigados a pagar-lhe o aluguer das
camas, o que acharam imoral e nunca esqueceram.
José (…), diz que foi obrigado a pôr-se a
milhas por ter sido apanhado com o Avante
nas mãos, acabando por ficar por França onde foi operário, mecânico,
sindicalista (não comunista), e correspondente de um jornal o que fazia
gostosamente,pois os jornais locais eram um dos grandes elos de ligação entre e
com os emigrantes.
Marinho (…), enquanto esteve em França
assinava O Alcoa, mas cancelou a
assinatura quando regressou, pois passou
a saber das notícias ao vivo. O Alcoa e outros jornais locais têm perdido muitos
assinantes cuja ligação à terra se vem esvanecendo e não se transmite aos
filhos que muito pouco contactos mantêm com a terra dos pais.
A emigração,
é uma enorme história de alegrias e sofrimentos, de partidas e chegadas. Em
Alcobaça a sua imagem também era uma presença constante. Partia-se para
descobrir novas terras e gentes, mas, principalmente, para trabalhar e melhorar
a condição social. De carro, camioneta ou a pé, por estradas secundárias,
montes ou ribeiras, quase sempre de noite, com uma mala de cartão assim foram
muitos portugueses e alguns alcobacenses, que registamos. Era uma saída, para
que a vida não fosse mais a mesma, para contrariar o destino, para vencer a
miséria do trabalho à jorna ou na fábrica. Muitos não conseguiram emprego,
alguns foram enganados por passadores sem escrúpulos, outros viveram vidas de
que se envergonhavam de contar (e em Portugal recusariam), alguns tiveram sucesso
e voltavam a Portugal nas vacances,
em carros luzidios e bonitos (se necessário alugados, pois há que manter as aparências…),
para reabastecer a alma.
Os
emigrantes que davam o salto, eram perseguidos pela Guarda Fiscal no campo, em
inspeções persecutórias aos autocarros ou automóveis. Eram agentes do Estado
que fazia satisfeito as contas com o que enviavam para as famílias, velhos,
mulheres e crianças, que esperavam a ajuda para enfrentar a vida difícil que
tinha expulsado os entes queridos.
O
Professor Vitorino Magalhães Godinho considerou a emigração uma constante estrutural da demografia
portuguesa, cujo volume de saídas atingiu números sem precedentes, entre
meados do século XIX e a década de 1970 do século XX. E mesmo que esse tipo de
fluxo se tenha atenuado ou alterado, subsiste a diáspora portuguesa, com mais
de 4,5 milhões de nacionais e luso-descendentes, espalhados por cinco
continentes, avivada pelas remessas que continuam a chegar, pelas comunicações
telefónicas, televisivas ou meramente postais, pelas visitas de saudade que
animam e transformam o verão de tantos lugares de Portugal. Se é verdade que
Portugal se transformou, no início dos anos de 1990, num país de imigrantes,
não é menos verdade que continua a ser um país de emigrantes. Afinal, todos têm
os tios da América, os irmãos do Brasil, os primos da França, do Luxemburgo, da
Alemanha ou os amigos da Inglaterra. Se nos nossos dias, a emigração assume um
carácter bem menos estrutural na demografia portuguesa, ela continua a marcar o
imaginário coletivo. Entre finais dos anos de 1950 e início dos anos de 1970,
mais de um milhão e meio de portugueses abandonaram o país. A França que foi o
destino dominante, passou a ser uma referência nesta história. Transporta-nos
do Portugal de Salazar, Caetano e outros, politicamente fechado e marcadamente
rural (mesmo nas zonas suburbanas), onde a transição para uma economia moderna
não conseguia criar um número suficiente de empregos, para o destino francês
onde a expansão económica exigia o recrutamento de trabalhadores para funções
pouco qualificadas na indústria transformadora, na construção civil ou no
emprego doméstico (as concierges).
As
experiências da emigração clandestina, o funcionamento das redes de
recrutamento baseadas em conterrâneos com mais ou menos escrúpulos, as
dificuldades de alojamento e a mobilidade social das mulheres migrantes, estão
bem presentes na memória de muitos compatriotas e em particular alcobacenses. A
seguir à Guerra, a reconstrução europeia fez-se com base em políticas de
recrutamento ativo de trabalhadores do sul da Europa, pelo que as portas se
abriram à emigração. O atraso de Portugal, os entraves à modernização da
agricultura, o início da guerra de África e o rê endurecimento político do
regime, empurraram para fora do país, os camponeses e suburbanos sem
perspetivas e cansados de uma vida de miséria. Em apenas 10 anos mais de um
milhão e meio de pessoas saiu. Dessas, perto de um milhão foi para a França. A
salto, atravessavam a Espanha e os Pirenéus e instalavam-se nos bairros de
lata, os bidonville da cintura de
Paris, de que Champinhy foi um triste exemplo. Os emigrantes eram provenientes,
na sua grande maioria, do Norte e Centro de Portugal, pois era nestas áreas que
existindo o minifúndio, se concentrava a maioria da população rural.
Inicialmente a emigração foi composta por homens e só posteriormente a mulher
passou a assumir um papel relevante ao ir para o estrangeiro. A partir dos anos
de 1960, famílias inteiras rumaram à Europa, conferindo à emigração, um
carácter mais duradouro, nalguns casos mesmo definitivo. De França mandavam
saudosas cartas, muitas delas escritas por um compadre que sabia algumas letras
e onde se metiam alguns francos para ajudar a família, até esta se puder ir
juntar. O campo ficou com pouco pessoal, e os patrões tiveram de começar a
pagar outros salários. A emigração dos anos de 1960, transformou aldeias que se
passaram a vestir e falar à francesa, a maior parte do ano se encontravam a
sonhar com o regresso dos emigrantes que traziam agitação, azáfama, alegria,
algum dinheiro no Natal e no Verão. Estes queriam aproveitar o curto período de
férias para casar, batizar os filhos (valorizavam ainda as práticas
religiosas), ir a festas e ver a família.
A
entrada de Portugal na C.E.E. facilitou a vida dos emigrantes, que se
enraizaram nas terras de acolhimento. As casas ficam vazias durante o ano, a
terra, enfim, vai desertificando. Hoje, muitos não querem regressar, mesmo os
mais velhos, apesar das saudades como portugueses de sete costados, pois sentem
que, ao fim de tantos anos, também pertencem aquela terra. Lá tiveram filhos,
netos, a integração na estranja.
-A GUERRA EM ÁFRICA-
O
início deste período da vida nacional ocorreu em Angola, ao que se diz a 15 de Março de 1961, na zona que viria a ser conhecida por Zona Sublevada do
Norte, correspondente aos distritos do Zaire, Uíje e Quanza-Norte. O
Estado Novo nunca reconheceu a existência de uma guerra, considerando que os
movimentos independentistas eram só terroristas e que os territórios não eram
colónias, mas províncias e parte integrante de um Portugal do Minho a Timor. Durante
muito tempo, muito da população portuguesa, graças à censura, viveu na ilusão de que em África, não havia uma
guerra, mas apenas ataques de terroristas mancomunados com potências
estrangeiras. Com ou sem auto-de-fé, a vida
social e cultural portuguesa poucas vezes deixou de permanecer controlada e
bloqueada pela censura, bem como de outros afrontamentos à Liberdade de
Expressão e de Pensamento.
Internamente, o governo agia
junto dos militares e população em geral reforçando-lhes o moral, transmitindo
a ideia de que o combate era uma causa justa, socorrendo-se da exaltação
patriótica e nacionalista. No início do conflito, Portugal não estava
preparado, ao nível social e legislativo, para prestar apoio em caso de morte ou
ferimento dos militares e suas famílias. Foram criados a Secção Feminina
da Cruz Vermelha e o Movimento Nacional Feminino, este por iniciativa de Cecília
Supico Pinto,
apoiado por
Salazar e pela Conferência
de S. Vicente de Paulo.
Maria Raquel Guerra Ribeiro de Almeida, da Benedita,
integrou o Movimento Nacional Feminino, onde teve papel meritório. Na Vila de Alcobaça,
a sede do M.F.N. era em casa de Alberto Neves Hipólito onde se faziam as
reuniões, se tratavam dos contactos com África e se expediam encomendas. Podem-se
referir, entre outras senhoras do M.N.F., Maria Fernanda Reis Oliveira e Joana/
Joaninha Ferro.
Encontrou acolhimento no concelho de Alcobaça a campanha levada
a efeito pelo M.N.F para angariação de fundos com vista ao Natal do Soldado
Português de 1963 e que rendeu a quantia de 10.600$00 tanto mais que muito
poucas famílias não tinham filhos em África. Integrada na campanha realizou-se
no dia 16 de dezembro uma missa por intenção dos militares em serviço no
Ultramar, à qual assistiram numerosas familiares dos soldados. A Filarmónica
Maiorguense colaborou nesta iniciativa.
Exm.ª Comissão Concelhia do Movimento Nacional Feminino
Alcobaça:
Encontra-se a
Sociedade Filarmónica Maiorguense, com sede em Maiorga (Alcobaça), em reorganização
e, como é natural, com absoluta necessidade de adquirir fundos. Para isso, tem
levado a efeito alguns bailes.
Não obstante o
aparente aspeto festivo que atravessa, não esquece aqueles que por Portugal, e
consequentemente por todos nós, se batem no nosso Ultramar. Sem embargo das
nossas muitas dificuldades e necessidades, não quis ficar indiferente às várias
Campanhas que esse Movimento, bem como a Cruz Vermelha e outras entidades, têm
levado a efeito a favor do Soldado Português.
Assim, e com o nosso
propósito anunciado com antecedência como se prova com o programa anexo,
realizámos na nossa Sede uma festa, cujo lucro importou em 1.290$00 (mil
duzentos e noventa escudos).
É esta importância
que, temos a honra de remeter a V. Exª, agradecendo que a mesma seja, única e
exclusivamente, utilizada em benefício do Soldado Português em serviço no
Ultramar.
Apresentando a V.
Ex.ª os protestos da nossa muita consideração, subscrevemo-nos,
Pela Comissão
Organizadora:
Manuel Sousa Oliveira, Mário Pereira Lopes, José Ferreira
Matias, José dos Santos Alexandre e Joaquim de Sousa Matias [14].
A Guerra de África,
foi motivo de emigração/fuga de alguns portugueses em idade militar. O fenómeno dos faltosos cruzou-se
com o da emigração, sendo que uma boa parte destes jovens não estavam apenas a
fugir da guerra, mas também da falta de perspetivas, ou seja, a guerra era por
si mais uma motivação para emigrar.
Luís (…), quarenta e
tais anos depois, diz que recusou o serviço militar e a mobilização não tanto
pelo facto de reconhecer a legitimidade dos povos africanos à independência,
porque embora eu tivesse essa consciência, não era bastante para justificar de
todo desertar das Forças Armadas.
E
acrescentou que não queria combater por
uma causa que não achava justa. Por outro lado, não via com bons olhos um conflito que tinha deixado marcas nos meus
amigos que tinham ido para a guerra. Nunca foi político, mas esta era uma guerra que não fazia sentido para si e grupo de amigos. Não por uma
tomada de posição política, mas porque de
um modo geral, os jovens tinham anseios de liberdade.
A questão dos desertores ainda divide a sociedade portuguesa, quer ao nível
político, da sociedade e das famílias, porque o desertor, em termos militares,
é um marginal.
Os jovens empenhados
politicamente no P.C. eram aconselhados a não fugirem, porque a luta ideológica
fazia-se dentro dos quartéis.
-A BANDA DE ALCOBAÇA-
A Banda
de Alcobaça, que renasceu há anos [15],
foi fundada por Eurico Pereira de Araújo Rosa [16],
João Sanches da Silva, Alberto Rodrigo Aurélio, Artur Rodrigues de Oliveira,
António Martins Marques, José dos Santos Calçada, Estevão Soares Prudêncio e Joaquim Silvério de Carvalho, segundo
reza a história, no dia 19 de março de 1920. Inicialmente era composta por
cerca de vinte alunos. A Banda de Alcobaça que surgiu depois de desaparecidas
em 1912 a Filarmónica Alcobacense e a Real Fanfarra (1900-1912 e que só
utilizava metais), nunca teve vida fácil, trajava à maruja, na tradição da Real
Fanfarra, e desfilava garbosamente perante o agrado dos conterrâneos e
realizava frequentes espetáculos.
-A SOCIEDADE
FILARMÓNICA DE PATAIAS-
A
15 de Julho do ano de 1877, foi fundada a Sociedade Filarmónica de Pataias que
permaneceu com esse nome até 31 de maio de 1958, em que passou a chamar-se
Sociedade Filarmónica Recreativa Pataiense. Foi na década de 1950 que se pensou
na construção de sede própria, sendo lançada a primeira pedra a 1 de janeiro de
1957 e inaugurada a 12 de julho de 1959. Nesse período a Banda foi composta
apenas por executantes locais, passando alguns deles a maestros e só mais tarde
foi contratado um maestro não natural de Pataias, reformado do exército pelo
que aquela passou a tocar mais peças de compositores provenientes da área
militar. Entre 1969 e 1971, por falta de músicos e de dirigentes a Sociedade
sofreu um interregno. Em 1977, promoveu-se a celebração do seu centenário,
tendo sido efetuada uma reportagem pela R.T.P. com o jornalista Fernando Pessa [17].
Com a criação da Escola de Música houve uma maior afluência de jovens, alguns
dos quais frequentavam o Conservatório. No campo cultural, a Sociedade acolheu
grupos de contradanças com atuações, nomeadamente nos desfiles de Carnaval [18].
-A BANDA
FILARMÓNICA VESTIARIENSE-
Na
Vestiaria foi fundada a 1 de junho de 1906, a Banda Filarmónica Vestiariense
Monsenhor José Cacella, por dissidentes da Real Fanfarra de Alcobaça. O nome
presta homenagem o pároco da freguesia que foi regente da banda entre 1908 e
1910, sendo sua a iniciativa da construção da coletividade. Teve como primeiro
maestro José Filipe e, mais tarde, o filho Joaquim Filipe, aos quais sucederam
outros salientando-se Marques Figueiredo que impulsionou a fundação da escola
de música, constituída, na sua maioria, por elementos masculinos. Inicialmente,
a Banda era composta por doze músicos, contando atualmente mais de quarenta,
muitos dos quais femininos. Em 1961, obteve um ponto alto do seu historial ao
posicionar-se no primeiro lugar da terceira categoria do Concurso Nacional de
Bandas. Sob a orientação do capitão Hélio Luís Salsinha Murcho, chefe da Banda
da Força Aérea Portuguesa, internacionalizou-se, em 1993, em França, na Côte
d'Azur. Usa uma farda composta por casaco, calça, gravata e boné azuis-escuros
e camisa branca, para os homens. As senhoras, vestem saia, casaco, gravata e
chapéu azuis-escuros e blusa branca.
-A SOCIEDADE
FILARMÓNICA TURQUELENSE-
A Sociedade Filarmónica Turquelense, foi fundada em 1 de
dezembro de 1913. Embora a ideia tenha nascido da vontade de vários
turquelenses, foi José Diogo Ribeiro [19]
quem proporcionou os meios, comprando o instrumental da Real Fanfarra de
Alcobaça extinta por essa altura, cedendo espaço no seu celeiro para os
primeiros ensaios e incentivando o filho Cláudio Ribeiro e o sacristão Joaquim Paulo a ministrarem aulas de música,
que redundaram na primeira apresentação pública em 1 de dezembro de 1914. Desde janeiro de 2016, com o Maestro Samuel Pascoal, a
Filarmónica Turquelense, tem vivenciado uma fase de renovação e acompanhamento
das novas tendências musicais, mantendo uma escola de música com um corpo docente ativo.
-A SOCIEDADE FILARMÓMICA MAIORGUENSE-
A Sociedade
Filarmónica Maiorguense, apresentou-se pela primeira vez em público no dia 1 de
janeiro de 1884. De então para cá, participou em milhares de Festas/Arraiais
Populares, Encontros de Bandas, Touradas e Concertos, dentro e fora do país.
Entre os locais por onde passou, destacam-se Paris e a Côte D'Azur e, em
Portugal, entre outras, as cidades de Lisboa, Tarouca, Almeirim, Azeitão. A
Banda teve como grande Presidente e impulsionador António Barbosa Guerra [20]
e como maestro Joaquim Fernando Caineta [21].
Grande parte dos elementos tem apenas a formação musical que adquiriram na
escola de música. Contudo, há os que estudam no Conservatório, são professores
de música, maestros, havendo até quem toque na Banda da Força Aérea.
-AS NOSSAS BANDAS-
As bandas
de música são um fenómeno indissociável da cultura popular portuguesa. A O.T.C.
não queria ficar de fora, não receava meças na música popular que pretendia
fazer, outrossim marcar presença e deixar marca em Alcobaça, já que não havia a
sua Banda. Nos últimos dois séculos, as bandas de música através das respetivas
escolas, foram os conservatórios populares, responsáveis pela preservação dum
importante património e pela elevação da cultura musical de um povo que desta
forma teve acesso a um bem artístico e musical de uma qualidade acima da média
e, mormente a um repertório constituído por obras, que por vezes eram
originalmente compostas para formações orquestrais e que não estavam ao alcance
das bandas filarmónicas. Essas obras, uma vez sujeitas a arranjos e transcrições
adequadas, permitiram a sua execução pelas formações de carácter filarmónico. O
povo de Alcobaça estimava sua velha Banda, o orgulho da terra, uma vaidade
assumida, que ia do jornaleiro ao lavrador, passando pelo comerciante, a
doméstica e a criançada. Era a nossa
Banda que não tinha igual num raio de vinte léguas. Muitas saudades havia da
Banda quando abalava pela rua, tocando vibrantemente. O povo seguia atrás, numa
pândega procissão de tangos, rumbas, passe dobles ou valsas, de cintilantes e
garbosos instrumentos amarelos, a correr a terra por entre um foguetório de
contentamento, até assentar a pauta. Não havia procissão que se preze sem uma
banda e não havia festa grande sem banda. Era uma delícia, um regalo para os
sentidos, ver a banda passar e tocar com os músicos aprumados e bem vestidos,
coordenados pelo um maestro vaidoso. Nas festas populares, sempre que havia
mais do que uma banda, era comum organizar-se despique no coreto, em que cada
uma procura tocar melhor que a outra e colher mais aplausos. Uma
das lembranças fortes de alguns alcobacenses mais idosos, é o coreto, um
exemplar talvez não muito interessante, mas que dominava a praça fronteiriça ao
Mosteiro. Esta praça, além dos nomes que assumiu sucessivamente, conforme as
circunstâncias foi, bastante alterada com intervenções mais ou menos felizes e
o coreto já não está há muitos anos, desde meados dos anos trinta, graças a
decisão (pouco feliz) de Manuel Carolino [22]. Foram muitos os concertos que ali
ocorreram com as bandas da Cela (do maestro Melro, entretanto extinta),
Vestiaria, Pataias, Maiorga e Alcobaça, com o seu reportório de qualidade, que
incluía música clássica, árias de óperas, além das marchas e peças populares de
raiz mais ou menos folclórica. As pessoas ocupavam o espaço fronteiriço
imediato, onde havia vários choupos, as famílias passeavam e algumas levavam
mesmo cadeiras, para assistirem mais comodamente ao espetáculo [23].
Hoje a
Banda de Música tem instrumentos, práticas e repertório bastante elaborado, que
conquista públicos e lhe permite um bom padrão de qualidade, e concretizá-la em
festivais e competições internacionais e menos no espaço romaria, ainda que
este continue a ser o espaço performativo privilegiado. Em contexto de
concerto, o repertório é, de uma forma geral, mais livre e menos condicionado
por questões religiosas ou pelas características do arraial popular. Esta
realidade inserida no princípio de que, uma instituição artística pode e deve
ciclicamente articular-se com os outros géneros e áreas musicais como a música
popular tradicional, a música pop,
o jazz, a eletroacústica, a multimédia, a dança, o teatro, a pintura ou a
poesia, está a proporcionar a ocorrência em quantidade e qualidade de
variadíssimos espetáculos musicais.
-A CENSURA E ZECA AFONSO-
O regime
protagonizado por Salazar, menos feroz e menos espetacular que os congéneres
europeus, foi, porém, mais longo (1933-1974) e não menos castrador quanto ao
desenvolvimento económico, social e cultural. Salvo momentos de exceção
limitados no tempo, predominou uma atitude de isolamento em relação às
correntes que, a nível internacional, iam fazendo a modernidade. Os casos
(excecionais) de artistas emigrados ou momentos de abertura, se pontualmente
permitiram alguma atualização e revitalização do meio cultural e artístico em
sentido estrito, não alteraram o panorama geral caracterizado pelo baixo nível de
formação escolar, a desinformação da opinião pública, o conservadorismo da
cultura oficial.
A censura em Portugal, ao longo do século XX, foi muitas
vezes aplicada com manha e rudeza, outras com habilidade e arrogância. Para a
justificar, estiveram disponíveis alguns intérpretes, histórias se necessário
inverosímeis, juízos e desajeitados conceitos. O vexame, o opróbrio, a prisão,
o exílio, se não a morte, atingiram muitos cidadãos e famílias, tendo havido
casos que nem a verdade ou a justiça lhes foram alguma vez consentidas. Isto
aliás, foi tanto aplicável ao Regime, como a certos sectores da oposição. A
censura constituiu arma de excelência de Salazar e Caetano para abafar, se
possível à nascença, veleidades de contestação ou denúncia sérias. A Censura, o
Exame Prévio concretamente, foi um elo que assentava num aparelho repressivo
vasto e tentacular com o S.P.N./S.N.I., a L.P., a M.P. (masculina e feminina),
a Obra das Mães para Educação Nacional/ O.M.E.N. (cujo objetivo consistia em
preparar as gerações femininas para os seus deveres maternais, domésticos e
sociais, promover a habilitação das mães para a educação familiar e para o
embelezamento da vida, desenvolver o gosto nas filhas pelos trabalhos
domésticos, contribuir para a educação nacionalista da juventude), a F.N.A.T.,
o Conselho Permanente da Ação Escolar e principalmente a P.I.D.E./D.G.S.
O Estado
Novo provocou o surgimento de uma literatura combativa, comprometida com a
vida, com a brutalidade, que a censura tentou abafar. Apesar da censura não se
aplicar previamente, aos livros,
estes eram apreendidos, retirados do mercado e os seus autores ou editores
sujeitos penalizações. Foi o que aconteceu com Aquilino Ribeiro, um beirão de Terras do Demo, tão manso
quanto bárbaro, terno quanto feroz, fradesco, libertário e citadino [24].
Ferreira
de Castro, senhor de espírito crítico e independente, tanto na vida como na literatura,
emigrou com doze anos para o Brasil, tendo trabalhado como seringueiro na
Amazónia, e depois como periodista. Porque escreveu sobre muito sobre o que
viveu, fez em A Selva uma descrição
das duras condições de vida dos trabalhadores rurais, sendo por isso
considerado um arauto do neorrealismo português.
Além de
Ferreira de Castro, impõe-se referir escritores como Alves Redol, autor de Esteiros, dedicado aos homens que nunca foram meninos, Gaibéus e Barranco de Cegos, bem como Manuel da Fonseca, que escreveu Cerromaior e Seara de Vento, empenhados em transmitir uma visão marxista da vida
e entrar na discussão de problemas próprios dos extratos sociais portugueses
mais desfavorecidos, o que não colhia os favores do Regime. Mas, claro, há mais
autores que merecem destaque.
O
desenvolvimento de vias de comunicação ao longo do século XX, tornou alguns
escritores familiares do grande público, o que não ficou diretamente associado
ao aumento da produção literária e hábitos de leitura. Em Alcobaça havia apenas
uma livraria, embora dedicada aos livros escolares.
Vitorino
Nemésio foi um caso exemplar, com as intervenções televisivas a partir de 1969,
no Se Bem Me Lembro, um programa de
muitas e variadas conversas, por um apaixonado da palavra e da memória. A TV
popularizou-o mais do que a literatura. Poeta, romancista e ensaísta, deixou
vincado na sua obra, a origem açoriana e um grande sentido de valoração das
tradições populares. Mau Tempo no Canal, reflete a consciência de um escritor
fisicamente ausente da terra natal, mas que recorre a ela como tema inesgotável
da verve.
Fernando
Namora, médico de formação académica e profissão, escreveu Retalhos da Vida de um Médico, relatando dentro de um espírito neorrealista,
as experiências sofridas, dramáticas e poéticas vividas no interior (atrasado) do País. A reflexão sobre a natureza humana, foi
o grande tema da produção de Vergílio Ferreira, exemplo claro do
existencialismo português. Graças a uma interessante adaptação ao cinema, Manhã Submersa, veio a tornar-se, talvez
por isso, um êxito editorial, muito depois da sua publicação 1944.
J.
Cardoso Pires, deixou as suas preocupações sociais e políticas muito críticas
do salazarismo, numa literatura influenciada pelos grandes mestres contistas
norte-americanos, como E. A. Poe, E. Hemingway ou Mellville, sendo considerado
um dos melhores prosadores e contadores de histórias da literatura portuguesa
contemporânea. O Delfim e O Dinossauro Excelentíssimo revelam uma
oposição manifesta e acutilante ao Estado Novo, obtendo grande sucesso
literário a Balada da Praia dos Cães,
Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, a
propósito de um caso ocorrido no seio da oposição, nos anos de 1960.
Sofia de
Mello Breyner Andresen, começou a carreira literária voltada para o universo infanto-juvenil,
mas a partir dos anos de 1960, começou a manifestar a oposição ao Regime e a
situações de injustiça social. Hoje em dia é uma personalidade de referência na
literatura portuguesa do século XX.
Alexandre
Herculano havia escrito que, onde quer
que apareça a censura, onde quer que se aninhe esta irmã gémea da Inquisição,
há uma quebra nos foros da independência do homem, há uma insolência do passado
contra a dignidade social da geração presente. Seja para o que for, a censura é
um impossível político. A
censura não se limitou a amordaçar a literatura, a imprensa escrita, pois
esteve presente no teatro, no cinema, na televisão, na rádio/música, nas artes
plásticas. A censura para além de tentar abafar a contestação popular, visou
moldar o pensamento dos portugueses em conformidade com os valores e interesses
do Regime, com o pretexto do Bem Nacional e Comum. Aquilino Ribeiro foi um caso
entre muitos outros[FdO1] .
Por
esta altura não houve produção literária em Alcobaça suscetível de especial menção
[25].
O Alcoa era praticamente o único
espaço onde se pulicava alguma coisa, sem prejuízo de ter de respeitar os
ditames da censura [26].
O jornal, sob a direção de Mário Vazão, foi o grande elo entre a Terra, os militares no Ultramar e os
emigrantes. Aqueles ao logo de 13 anos enviaram cartas ao jornal que depois as
publicava contando as saudades da namorada, dos sabores da casa da mãe ou avó,
o seu sentido de Missão e recebiam de volta notícias do seu lugar e as
importantes minudências do quotidiano.
Enquanto
estavam na ribalta e cantavam em Alcobaça, nos Montes, Maiorga ou Valado de
Frades, na R.T.P., em Serões para Trabalhadores ou mesmo na Eurovisão, artistas
populares como António Calvário [27], Artur Garcia, Simone de Oliveira,
Madalena Iglésias, Gina Maria ou Eugénia Lima, no mundo do espetáculo do lado
de lá do Atlântico impunham-se estrelas como Sinatra, Ella Fitzgerald, Bing
Crosby ou Louis Armstrong.
Poeta,
cantor e compositor, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos/Zeca Afonso, nasceu a 2 de agosto de
1929, e faleceu a 23 de fevereiro de 1987.
Em
Alcobaça, lecionou na Escola Técnica, onde não passou totalmente desapercebido,
embora não como cantor ou político contestatário.
António
Carvalho Gerardo [28], a propósito do seu falecimento,
sublinhou que a impressão que ainda
retemos é de amizade e boa companhia. Deu-me francês. Não digo que era o melhor
dos professores, mas era, sem dúvida, aquele que melhor nos compreendia.
Adélia
Faria Borda, a quem Zeca Afonso deu
aulas de português no então 2º. ano, recordou que, ele era muito nosso amigo e compreensivo. Às vezes, achávamo-lo
estranho na maneira de ser e de dizer as coisas. Só mais tarde nos viemos a
aperceber do seu verdadeiro valor.
Jorge
Barros [29]
referiu que, sei que ele apreciou a
experiência aqui vivida, o contacto com as dificuldades dos estudantes
noturnos, muitos dos quais vinham, de bicicleta, da Benedita e de Turquel, para
frequentarem as aulas.
José
Manuel Almeida não foi seu aluno, mas conheceu-o de perto, cimentando-se entre
ambos uma relação amizade. Conheci-o no
Café do Isidro ou arredores. Ele estava hospedado na Pensão Faustino, éramos da
mesma idade e convivemos muito. Chegou a passar alguns serões em minha casa,
ouvindo música clássica, e, quando saiu de Alcobaça, deixou lá muitos livros,
que mais tarde veio buscar. E evocando: Nós
e outros amigos juntávamo-nos ao pé do Correio e por ali ficávamos, à conversa,
até altas horas. Por brincadeira, chegámos a pensar em pedir ao Artur Carolino
que lá mandasse pôr um toldo para nos resguardar. Na altura, o Zeca atravessava
uma fase de transição. Já não era o boémio de Coimbra, revelava-se cada vez
mais o artista preocupado e interventor que mais tarde conhecemos. Em 1974,
a convite de Pessanha Gonçalves [30] veio a Alcobaça atuar numa sala da Ala
Norte do Mosteiro, numa ação de propaganda da L.U.A.R., onde estiveram
presentes Camilo Mortágua e Palma Inácio e cerca de 30 assistentes. Agora podia-se
fazer política, cantar sem receio.
-HISTÓRIA DE UMA
CONCERTINA/ACORDEÃO-
Nunca
soube a ler uma pauta de música, mas lá na terra alguns ainda recordam a desenvoltura
com que António Lopes, o Toni do Acordeão, retirava do acordeão e da concertina
as melodias das músicas, que marcaram o seu tempo e o seu meio. Aprendeu de
ouvido, pois começou muito novo a observar os músicos nos bailes, desfolhadas
ou adiafas e, de regresso a casa, com a música no ouvido, não conseguia dormir
enquanto não reproduzisse os números, tal e qual os tinha ouvido. Era tal a
facilidade com que aprendia, que o pai nunca o deixou ir estudar música com o
Leandro. Porque é que tu vais aprender,
se tu consegues tocar só de ouvido?
Ao
longo de mais de sessenta anos, Toni do Acordeão integrou grupos de música
popular. Era presença assídua em bailaricos e festarolas. Nas noites de sábado,
havia bailes familiares em adegas, animados pela música de uma concertina ou
acordeão, e o Toni sempre que podia lá estava. Dizia ter assistido a um concerto
de concertina que o marcou, interpretado a solo por uma artista muito conhecida
e popular da rádio, Eugénia Lima, na adega do Dr. A. P. de Magalhães, sede da Associação
Recreativa Montense. Nunca soube dizer em que altura lhe nasceu o gosto pela música.
Dizia apenas que nasceu com ele, que não perdia um baile e acompanhava de perto
a atuação dos acordeonistas que habitualmente os animavam, tocando as modas do
tempo. Pelo facto de os pais não terem posses para lhe comprar um instrumento,
foi trabalhar como resineiro para a zona de Pataias e aí andei a carregar madeira e a levá-la para a serração. E conseguiu
comprar uma concertina.
Ao
longo da vida comprou uma meia dúzia de instrumentos que os filhos guardam e um
deles, de vez em quando, toca nas festas da família. Um desses instrumentos é
uma concertina, que consta ter sido adquirida a um herdeiro de instrumentista. Naquele tempo, a gente começava o baile às
nove da noite e ia até ao sol nascer. Era a noite inteira. Às vezes vinha o
padeiro fazia-se café, a gente comia um courato e depois seguia para o
trabalho. Inicialmente eu não ganhava nada, nem dava para o conserto das
concertinas. Por isso, a dada altura, eu tive de dizer que assim não dava e
comecei a ganhar qualquer coisita para tabaco.
Sendo
habitualmente o único animador dos bailaricos, Toni tocava sem que tivesse
oportunidade para dançar, pelo que quando passou a ter buço, fez uma combinação
com outro acordeonista. Animavam os bailes e alternavam-se nas atuações.
Enquanto um tocava e cantava, o outro dançava ou namoriscava.
CAP.III
-A O.T.C.
GANHA ESTATUTO-
N
|
o Cineteatro, a 1 de maio de 1957, pelas 22h, encontrando-se o Círculo
Alcobacense de Arte e Cultura/C.A.A.C. ainda em formação, realizou-se a
apresentação da O.T. com 30 elementos sob a regência de António Gavino, perante
um público ansioso. Marcaram presença os locutores escalabitanos Joaquim
Campos, Carlos Mendes e Neto de Almeida, que recitaram poemas, bem como
cantores (amadores) Maria de Lurdes Feliciana, de Rio Maior, os irmãos Olegário
e Valdemar do Nascimento, de Alcobaça [31].
Olegário
José do Nascimento (i933-14.8.2009), conhecido entre os amigos como Galhito, alcunha que vem de Olegarito e depois Galhito, esteve emigrado na Alemanha entre 1966 e 1975 e lá como cá
nunca estabilizou. Nos últimos tempos a mulher confecionava em casa bolos para
ele vender. No resto do tempo cantava o fado (era um simpático fadista, como se dizia). Valdemar, mais novo
que o irmão, era guarda-livros em Leiria.
De acordo
com os anunciados propósitos do C.A.A.C., este espetáculo inseriu-se no intuito de dar a conhecer aos seus
conterrâneos os fins para que foi criado e ainda prestar assistência ao
Hospital da Misericórdia desta vila e obter alguns fundos para a sua
organização [32].
Os
bilhetes encontravam-se à venda no cineteatro e no estabelecimento comercial de
João Rodrigues Leitão, tendo esgotado de pronto, apesar de não serem baratos [33].
A entrada era reservada a indivíduos maiores de 12 anos, fora autorizada pela
censura e feita a advertência que se o
espetáculo tiver de ser interrompido por motivo imprevisto, a Empresa não é
obrigada restituir a importância dos bilhetes.
Crespo contava
que no intervalo havia lágrimas nos olhos
dos que cansados tinham dado tudo para que a Orquestra Típica fosse uma realidade
e também nos olhos de quantos se recordavam
com saudade em Alcobaça da sua Banda, da sua Fanfarra, da Tuna dos Caixeiros,
da Orquestra de Salão [34].
No sarau apresentou-se
o Grupo Infantil de Danças Regionais de
Santarém, sob a direção de Celestino Graça, a que o público dispensou
especial receção, pelo à vontade e graciosidade demonstrada. Os contactos entre
Celestino Graça [35] e a O.T.C. decorriam das estreitas relações
que mantinha com António Gavino. Silva Tavares teve uma chamada especial, sendo
ovacionado pelo público que em pé, lhe quis tributar o agradecimento pelo que
já tinha feito em prol da terra.
Segundo O
Século [36],
não podemos deixar de fazer o nosso
reparo aos obstáculos que são criados em Alcobaça às iniciativas de carácter
artístico, e que afinal partem de pessoas que tudo deviam fazer para o evitar.
O
Comércio do Porto [37],
preferiu salientar o jovem e dinâmico
alcobacense Couto Pinho pela criação do
Círculo Alcobacense de Arte e Cultura.
Muitos desconhecem
que, além da canção Alcobaça, existe
uma outra, com o nome de Velha Alcobaça,
também da autoria de Silva Tavares e Belo Marques, destinada a tenor. Sendo
bastante difícil, foi algumas vezes interpretada por José António, Fernando
Serafim [38] e outros. Esta peça, que jamais teve o sucesso e a divulgação da canção Alcobaça dadas as características menos
populares, foi, interpretada na festa de homenagem, realizada em Alcobaça a
Maria de Lurdes Resende em 20 de novembro. José António Crespo, guardião de memórias,
deixou um espólio notável, no qual a filha Fátima encontrou a letra:
Na pedra branca esculpida // Do
Mosteiro de Alcobaça // Vive a beleza e a vida // Da História da nossa raça.
E na pedra rendilhada // Desse
tão velho Mosteiro, // Vive a obra agigantada // De D. Afonso I.
Tens velha Alcobaça // Um altar resplandecente,
// Um padrão de raça // Para mostrares a toda a gente // Tens p’ra seres mais
bela // Um sorriso p’ra quem passa.
Os anos passam correndo // Sobre
esta Terra feliz, // E a Terra lá está dizendo // Aquilo que a história diz.
E p’ra ser bem Português // É sacrário esse Mosteiro // Dos amores da
linda Inês // E de D. Pedro I.
Maria
Luísa Dionísio uma das referências da O.T.C., ainda conhecida carinhosamente
como Luisinha Doce, revela que terá
ouvido dizer que Belo Marques perante a impossibilidade de Cidália Meireles colaborar
com a Orquestra Típica e Coral de Alcobaça, tomou a iniciativa de convidar
Maria de Lourdes Resende. É esta a versão que corria no grupo, embora não seja
correta Seja como for, Alcobaça, talvez
a composição mais conhecida de Belo Marques, que eio a ter sucesso com Maria de Lourdes Resende, data talvez de 1946 e nada teve a ver com a O.T.C.
Em
outubro de 1946, realizaram-se em Alcobaça os Jogos Florais da E.N., com uma cerimónia
de encerramento em que na I PARTE se procedeu à declamação das poesias
premiadas e entrega de prémios. O primeiro prémio em Poesia Alusiva a Alcobaça
foi atribuído a Emídio Velasco Martins. Na III Parte, atuaram o Conjunto Irmãs
Meireles, O Quarteto Masculino da E.N., O Quarteto Feminino da E.N, a Orquestra
Sinfónica Popular (dirigida por Frederico de Freitas), a Orquestra Típica
Portuguesa (dirigida por Belo Marques) que apresentou Alcoa, interpretada por José António, Os Marialvas, por Maria Clara e Alcobaça,
ainda na voz de Cidália Meireles [39].
O comunista
alcobacense Albino Serrano recordou em A Hora da Libertação [40],
uma situação de perigo passada no dia
quatro, ou antes, de quatro para cinco de Outubro de 1946, quando se realizaram
os Jogos Florais, no Refeitório do Mosteiro, com a presença de António Ferro,
alto dignitário do regime fascista. Eu não estava muito interessado em assistir
ao espetáculo, mas, à última hora e já com a casa cheia alguém ofereceu a mim e ao meu irmão, que estava comigo, bilhetes de
ingresso no recinto. Entrámos e acomodamo-nos como pudemos. O espetáculo ia prosseguindo
normalmente quando, precisamente à meia noite, se ouviram vários estampidos, de
tal modo fortes que até parecia que estavam e rebentar bombas ali na praça,
mesmo ao lado. Logo a seguir notámos grande movimentação de alguns funcionários
da Administração do Concelho, ligados à Secção Policial, e ainda os habituais
bufos que se encontravam a assistir ao espetáculo e acto contínuo se dirigiram
apressadamente para a saída (…). Não
sabia exatamente o que se estava a passar lá fora (…) Entretanto os estampidos continuavam a ouvir-se e eu não sabia o que
havia de fazer: se sair rapidamente, aproveitando a confusão, ou se ficar e
aguardar os acontecimentos. A primeira hipótese parecia-me mais sensata, embora
um pouco perigosa pois não imaginava o que poderia encontrar lá fora. Mas
afinal o que era que estava a acontecer na rua? Viemos a saber que os
estampidos, que ouvíramos lá dentro, eram o resultado duma salva de morteiros
deitados no Castelo, assinalando mais um aniversário do Cinco de Outubro, os
quais, ao rebentarem provocavam dentro do Refeitório do Mosteiro, onde decorria
a festa, um eco de tal modo intenso, que levou a maior parte das pessoas a
pensar que estava a rebentar bombas na praça (…). O autor deste incidente foi Serafim Amaral que, munido de uma
autorização do Governo Civil de Leiria, festejava a implantação da República [41].
Belo
Marques contava que o sucesso de Alcobaça lhe pagou a casa que construiu
em Sobral de Monte Agraço. Alcobaça passou a fazer parte obrigatória do
repertório de Maria de Lourdes Resende, e de artistas como Francisco José, no
auge da fama e no Brasil. Mas foi Maria de Lurdes Resende, quem se veio a
revelar como a grande intérprete de Alcobaça,
um êxito em Portugal e além-fronteiras. Revelou esta que, quando se
estreou na E.N. em 1945, uma vizinha disse-lhe que ontem na telefonia por volta das dez e tal, ouvi-a nas Variedades da E.N.
Como jovem e estreante, ficou à espera que a senhora concretizasse a ideia.
Não se aflija. Já tenho ouvido na
Rádio quem cante bem pior que você.
Maria
de Lourdes Resende evoluiu, e ao fim de muito pouco tempo, apenas no timbre lembrava
a menina do Barreiro, pois vencendo nervos, complexos, desilusões e intrigas
conquistou lugar na História, com Alcobaça,
Morena, Renúncia, Manhã na Aldeia.
Da Rádio foi para a TV, Teatro e Revista, cada
vez mais talentosa, mais perfeita e mais artista. À impertinente vizinha
responderíamos simplesmente: É verdade, mas
ninguém canta melhor Alcobaça.
Angariados os primeiros sócios, começou a ser
montada a estrutura do Círculo Alcobacense de Arte e Cultura. A primeira Direção
foi composta pelo Engº. Agrónomo João de Sousa e Brito [42],
Camilo Marques Bento, José Sineiro Canha e Fernando Manuel Zeferino.
O número
de associados do C.A.A.C. em 1962/1963 segundo Crespo era de cerca de 500, com
uma quotização mensal reduzida, que não dava para despesas, o que era motivo de
constante preocupação por parte da direção, mas cujo diferencial era suportado
por um subsídio camarário mensal, algumas ofertas (sem esquecer dos diretores)
e magras receitas de espetáculos. O sucesso acarretou problemas de
funcionamento e o maior foi o C.A.A.C., não ter instalações para a O.T.C
ensaiar, o que implicou que as reuniões da Direção, em dias de ensaio, tivessem
de ser efetuadas fora da sede. A sala da sede era insuficiente para juntar
coral e orquestra, pelo que os ensaios eram feitos separadamente. Crespo recordou
que chegou a haver um projeto para construção de uma sede, mas não dinheiro
para aquisição de terreno e que foi debatida uma proposta da Câmara, então sob
a presidência de J. Junqueiro para construir o edifício em terreno que ficaria
a pertencer ao património municipal. Inviável! [43]. O sonho, enfim, não se concretizou, e os esforços do C.A.A.C. centraram-se
em promover a O.T.C. Os ensaios passaram a ocorrer num anexo à casa do Dr.
Nascimento e Sousa, num primeiro andar junto à Igreja da Conceição, cujo soalho
se encontrava muito esburacado, em risco de ruir ou de se entalarem os sapatos.
Através dele, chegava o odor das batatas e outros géneros guardados. Foi neste
cenário, conhecido como a Casa das
Batatas que foi gravado o primeiro disco, pela equipa técnica da Casa
Editora Valentim de Carvalho. Segundo, Maria Luísa Dionísio e Rosa Maria
Coelho, acabou por ser este o melhor estúdio, aonde se fizeram gravações. Para
o efeito, foram colocadas barreiras na rua, para impedir o trânsito automóvel e
evitar ruídos indesejáveis. Depois de deixar o anexo da casa do Dr. Nascimento
e Sousa, a O.T.C. passou a utilizar uma antiga garagem de automóveis, na conhecida
como Rua da Svena, com muito poucas condições e depois uma sala junto ao
Tribunal, sito na ala norte do Mosteiro, aonde também, foi gravado um disco. O
grande defeito desta sala era ser gélida no Inverno.
Em breve passaram
a correr na vila versos, parodiando Alcobaça,
a propósito do estado do Rio Baça que tinha, como hoje, um pequeno caudal, e
que exalava um cheiro nauseabundo. Junto à ponte da Rua David da Fonseca foi
colocada pela Câmara Municipal uma placa durante muito tempo proibindo os
vazadouros, aliás sem grande sucesso. Os versos eram: Quem passa por Alcobaça // E vai visitar o Baça//Apanha tal pitaça //
Que nunca mais por lá passa. Há cerca de 80 anos, o rio Baça constituía um
enorme depósito de detritos em putrefação e encontrava-se ainda a descoberto [44].
Em 4 de
Agosto de 1957, a O.T. com os seus elementos nervosos por falta de experiência
e conscientes do momento, foi atuar em Ourém, na Praça Mouzinho de Albuquerque,
integrada nas festas de Nª. Srª. da Piedade (primeiro fim de semana de Agosto) [45],
num evento que se prolongou por duas horas, e que o público premiou. Era o
início de futuros sucessos.
O
Notícias de Ourem [46],
sublinhou a Orquestra Típica de Alcobaça,
organização recente, mas que já se afirma brilhantíssima e de grandes
possibilidades futuras.
Em setembro, a O.T. apresentou-se
em Leiria no parque da cidade no recinto da verbena do Orfeão. Perante numerosa assistência, tocou
vários números alguns cantados por Lurdes Feliciano, e pelos irmãos Valdemar e
Olegário do Nascimento. Todos foram calorosamente aplaudidos, constituindo uma surpresa o alto nível
musical e o valor dos seus vocalistas,
que atuaram com grande brilhantismo, tendo bisado o Cavaquinho Vadio [47].
Ao intervalo, acompanhada pelos diretores do Orfeão, uma menina ofereceu uma fita
para o estandarte da Orquestra, tendo Sousa e Brito agradecido e recordado o
percurso do Orfeão de Leiria e do seu Grupo Cénico, que várias vezes se
exibiram em Alcobaça em beneficência e solidariedade. Na segunda parte, participaram Anita Guerreiro [48],
Margarida Amaral [49]
e Pedro Solnado [50],
que percorriam palcos do país e eram
ouvidos na E.N..
O
Mensageiro [51],
destacou Miguel Elias [52]
que agradeceu
a preciosíssima colaboração da jovem, mas já grande, Orquestra Típica de
Alcobaça, aquela Vila Sempre Nobre e Amiga.
A 10
desse mês, a O.T.C. que por princípio nunca recusava convites, deslocou-se a S.
Martinho do Porto, em favor Colónia Balnear Infantil da Vestiaria, num
espetáculo em que participaram Maria de Lurdes Resende [53],
Maria de Lurdes Feliciano, Valdemar do Nascimento e Olegário do Nascimento [54].
A Canção de S. Martinho então interpretada,
encontra-se esquecida, mas graças a José António Crespo recorda-se a letra:
Numa curva do caminho // De
Alcobaça-Alfeizerão, // Surge ao longe S. Martinho // Qual fantástica visão.
E, a quem de longe passa // nunca
mais sai da lembrança // S. Martinho e a sua graça// de brinquedo de criança.
(ESTRIBILHO)
Como filtrado por um véu// de tule,
// O sol que seduz // Tomba do Céu. // E num afago// Enche de luz // A linda
concha azul // Onde um mar parece um lago.
E, do Facho, São Martinho // Não
tem rival // É, a todos, o brinquinho // Das praias de Portugal.
S. Martinho, os teus encantos //Não
se podem descrever // Pois, são tantos, tantos, tantos // Que é melhor ver para
crer.
(ESTRIBILHO)
(…)
O médico
Dr. Rafael Gagliardini Graça [55],
Presidente da Junta de Turismo, proferiu palavras de agradecimento a Silva
Tavares, que foi chamado ao palco.
Ainda em
23 de setembro, a O.T. deslocou-se a Óbidos, para atuar em favor da Santa Casa
da Misericórdia, e em que participaram Vasco Santana[56]
e outros artistas de renome e foram apresentados os números de revista em
exibição no Parque Mayer O Doente, A Ameaça, A Sonâmbula e O Exame do Meu
Menino.
Nesse mês, a O.T.C. voltou a
exibir-se em Alcobaça e segundo o Jornal de Leiria [57], como já sucedera,
quando da sua estreia, o agrado foi total. Os aplausos tributados devem servir
de incentivo a todos os componentes da orquestra e aos seus dirigentes. Oxalá
que o Círculo, possa, em breve, ampliar a sua ação, organizando um grupo cénico
e, se possível for, um corpo coral, ficando, desta maneira, com possibilidades
de ampliar os programas dos seus espetáculos e de melhor servir a cultura
alcobacense. A propósito dos espetáculos aqui realizados pelo Círculo
Alcobacense de Arte e Cultura, desejamos fazer um reparo: Tendo esta
coletividade, como o seu próprio nome indica, uma finalidade cultural,
parece-nos descabido o abuso das anedotas, algumas sem espírito, contadas ao
público nos intervalos da atuação da orquestra.
A 20 de
Novembro pelas 21,30h realizou-se com a lotação esgotada como era habitual, espetáculo com a colaboração da Rainha da
Rádio Portuguesa e genial intérprete da Canção Alcobaça, Maria de Lurdes
Resende, a simpática artista que no País e no Estrangeiro com a sua voz de
sonho, tão alto tem elevado o nome e a graça da nossa terra [58].
Maria de
Lurdes Resende fez-se acompanhar à guitarra e viola, pelos seus acompanhadores do costume. Por sua vez, a O.T. apresentou
números de expressiva riqueza folclórica a
comprovar a inspiração do grande maestro António Gavino [59].
Terminado o espetáculo, foi servido um copo-de-água, a que assistiram o
Presidente da Câmara Joaquim Carvalho, o presidente do C.A.A.C. Engº Sousa e Brito
e o Pd. João de Sousa, Pároco do Bárrio [60]
que agradeceram e elogiaram a atuação dos artistas.
A música e a O.T.C. eram muito importantes na vida
de cada um dos componentes.As músicas interpretadas, ainda hoje estão
associadas a memórias e lembranças, de maneira que têm o poder de transportar
para um passado importante ou significativo. Vamos aqui recordar algumas letras,
aliás simples e de rima fácil, facultadas por Fátima Crespo, a partir do
espólio do pai.
-ROMARIA-Letra
de João Nobre:
Quem queira dançar bem o vira // Não
pense abraçar seu par // Que nas suas voltas, quem gira// É sempre de braços no
ar.
O vira não se dança a dois // Quem
queira abraçar… Só depois // E ninguém se queixa da sorte // Pois tudo ali é
natural… // Como a Romaria do Norte // Não há de certo em Portugal.
Dei voltas sem conta // No vira, ao
dançar // E não fiquei tonta de tanto rodar! // Pois não me incomoda girar //
Eu já vi a cabeça à roda, se a tenho é por ti,
(Andante)
Vai-se a noite, vem o dia // E tudo
ali terminou // Acabou-se a Romaria, mas a saudade ficou // Com ela também uma
“sp’rança” // De vermos ainda arraiais // Em[FdO2] que a gente nunca se cansa // E o vira não acaba mais.
-A
FEIRA-Música de António Gavino e Letra (para ser interpretada com sotaque
supostamente nazareno) de Alberto Goucha:
Com mê fato dominguêro // Vim de
casal e mais três… // Ó mê irmão que é padêro // Ó mê burro e o Inês.
E na fêra d’encontrões // Que levê no
meu corpinho // Perdi todos os botões // De mê fato tão novinho.
É ai, ai, ai, ai, ai// É ai, ai é ai
No carrocel é que é // Dez tostões
uma voltinha // Nem me tinha já de pé// Tanta volta dê à pinha.
Mas gostê e não lamento // O dinheiro
que gastava //Quis levar o jumento // Sé pra’ver o qu’aquilo dava.
Ó ai, ai, etc, etc.
Logo naquele momento disse Ó Inês ao
acase // Olha lá traz o jumento// Que um a mais não faz casê.
E a bruxa leu as sinas // Disse Ó
Inês em segrede // Há-de ter oito meninas // Deixe lá, não tenha mede.
À fêra não volto mais // Enquanto
tiver maneira // Não vês outros que voltais // Oiçam o reste da histeria.
Deus quis assim, nós também //
Casamos e o Inês // A bruxa falara bem // Meninas só faltam três.
-SINOS
Quando repicam os sinos // Num tom de
mágoa pungente // A minh’alma coitadinha// Aos seus acordes divinos// Pulsa,
chora, vibra e sente// Uma tristeza infinita.
Cantam avé-marias // Fazem mil preces
a Deus // Num badalar doloroso // Que da terra as fantasias // Erguem súplicas
aos céus // Num recente amor fervoroso.
(Refrão…
)
Os sinos da minha aldeia // Não
cessam de repicar // Ou é menino que nasce // Tlim, tlão // Ou noivos que vão
casar// Tlim, tlão.
A 6 de dezembro, a O.T.C. apresentou-se
no Teatro Pinheiro Chagas/Caldas da Rainha, num espetáculo organizado pela Secção Feminina da
Conferência de S. Vicente de Paulo, em benefício dos pobrezinhos da cidade, conjuntamente
com a artista Margarida Amaral [61],
e o Conjunto Vocal 4 de Espadas entre outros. Abriu o espetáculo a Orquestra Típica que, apresentou Abertura, Janelas Floridas, Alcoa, Zé Maria,
A Pena, O Corridinho da Sorte, A Menina de Sinal e Cavaquinho Vadio, especialmente saudado [62].
Tanto os números da Orquestra como os de Maria de Lurdes Feliciano, e os
tenores Valdemar do Nascimento e Olegário do Nascimento foram muito apreciados.
A 2ª. parte iniciou-se com Nóbrega e Sousa ao piano, as artistas Maria Marise,
Margarida Amaral e o tenor Américo Lima. Maria Marise a pedido do público cantou
Por causa de um Beijo, Casete em Canadá e Lisboa à Noite, com uma voz melodiosa, educada, dando ao canto a expressão do seu temperamento artístico, Margarida
Amaral, interpretou Lábios de Mel, Adoro o Meu Menino e Caldas da Rainha [63].
O tenor Américo Lima, com bom volume de
voz e sentido musical interpretou Chitarra
Romana, La Hespanhola e Maria de Santa Fé, que colheu fortíssimo
aplauso e empolgou o público.
A 3ª. parte foi de
novo preenchida com a O.T.C. que interpretou Corridinho do Algarve, Desde
que Partiste, Marcha Alentejana, Noites de Luar, Maria Laura, Aldeia Minhota [64]
e Alcobaça. Os locutores Carlos Mendes
e Neto de Almeida foram apreciados, pela alegria (por vezes exagerada o que
motivou alguns reparos) que comunicaram ao espetáculo. No final, uma menina
ofereceu ao Engº. Sousa Brito, um laço comemorativo para colocar no estandarte.
Este, depois de agradecer a gentileza, afirmou o prazer com que Alcobaça,
através da sua Orquestra, veio a Caldas da Rainha, no 30º. aniversário da
elevação a cidade [65],
colaborar numa obra de assistência de alto valor educativo e formativo.
Terminado o espetáculo as Vicentinas,
dirigidas pelas Senhoras Dª. Maria Montês e Dª. Deolinda de Almeida ofereceram,
no Posto de Turismo, uma ceia aos componentes da Orquestra e artistas da E.N.,
tendo estes últimos tocado e cantado á vontade alguns números. A Conferência de
S. Vicente de Paulo, pediu através da sua Presidente Senhora de Manuel Coelho,
que por intermédio do Gazeta das Caldas tornasse pública a gratidão do Organismo de beneficência que dirige, tento ao Círculo
Cultural de Alcobaça como ao Maestro António Gavino, aos artistas que tão
gentilmente colaboraram no encantador espetáculo, e a todas as pessoas que de
qualquer modo na sua realização colaboraram, quer adquirindo bilhetes, quer
prestando serviços, quer ainda deixando de receber alguma coisa que lhes fosse
devido.
O C.A.A.C.
continuava a organizar-se e a crescer, embora a Orquestra Típica fosse a grande
referência e, em 23 de dezembro de 1957, reuniu-se em Assembleia Geral para
apreciação e aprovação das contas, bem como a eleição dos corpos sociais, que
ficaram assim constituídos:
Assembleia
Geral: Presidente-Joaquim Augusto de Carvalho, Vice-Presidente-Pd. João de
Sousa, Secretários-João Telmo Carvalho e Maia, e Raul Gameiro. Conselho Fiscal:
Presidente-Francisco Trindade Rodrigues, Vice-Presidente-Filipe Lopes Ramos,
Secretário-Afonso da Cruz Franco.
Direção: Presidente-Sousa
e Brito, Secretário-Abel dos Santos, Tesoureiro-Camilo Marques Bento.
Nessa
ocasião foi eleito por aclamação sócio de mérito/Honorário, José Couto Pinho,
entretanto falecido.
Quando a
O.T. começou a atuar não dispunha de estandarte. Para colmatar a falta, Maria
de Lurdes de Jesus, solicitou donativos para comprar o material necessário. Era
costume que a entidade que convidava o grupo oferecesse, durante uma pausa no
espetáculo, uma fita para colocar no estandarte. Este veio a ser feito em cetim
branco, bordado por Maria Luísa Pestana, com elementos que correspondem a uma
decomposição do emblema do C.A.A.C. A partir daqui a O.T. nunca mais saiu sem estandarte,
que passou a colecionar um número significativo de fitas. O estandarte, extinto
o grupo, foi guardado pela Junta Freguesia de Alcobaça, que ainda o conserva [66].
Em 1958
a O.T.C. deslocou-se a Beja, Anadia, Abrantes, Águeda, Mira d’Aire e Moita do
Ribatejo.
Maria Luísa
recorda que num espetáculo realizado em Beja, em dia de muito calor e vento,
tiveram que sair de Alcobaça em duas camionetes com bastante antecedência. A
certa altura do percurso, Maria Luísa Dionísio e outros, viram passar uma ruidosa sombra por cima da camionete.
O que estava a acontecer, tanto mais que se seguiu um barulho estranho [67] ? Parado o autocarro, constatou-se que
se havia solto o estrado, espalhado na estrada e sem hipóteses de conserto. À
noite, a O.T. atuou com uns mais altos e
outros mais baixos.
A 26 de
Maio de 1958, a
O.T. realizou um espetáculo comemorativo
do seu primeiro aniversário, no qual se usaram pela primeira vez os seus
trajes, e participaram Maria de Lurdes Resende que cantou com orquestra, e acompanhada
pelos acompanhadores Liberto Conde na
viola baixa [68]
e Francisco Perez [69],
e ainda o Trio Ribalta, em voga [70].
A convite
do Círculo Cultural Scalabitano, a O,T. deslocou-se a Santarém a 10 de Janeiro
de 1959. Respigando o Correio do Ribatejo [71],
de Santarém, esteve presente numerosa
assistência, e que (…) após a
execução do apontamento musical de
abertura e as palavras de apresentação do conhecido amador sr. Nuno Neto de
Almeida, em cena aberta, o sr. Dr. Ginestal Machado saudou os visitantes,
lembrando a ação de António Gavino, como primeiro regente e componente do grupo
de fundadores da Orquestra Típica
Scalabitana, a visita desta orquestra e do Orfeão Scalabitano à Nobre Vila do
Alcoa, oferecendo lembranças à Direção do Círculo Alcobacense de Arte e
Cultura, ao regente António Gavino e à vocalista Lurdes Feliciano. O sr. Mário
Rodrigues, como diretor e componente da nossa Orquestra Típica, ofertou o
característico barrete verde ribatejano ao sr. Fernando Miranda, o mais velho
dos elementos do agrupamento alcobacense. (…) A O.T. atuou nas duas partes do espetáculo, com um pequeno intervalo. O
apresentador, soube cativar a assistência, que aliás não regateou aplausos à
O.T., que teve de bisar alguns números, no meio de um entusiasmo que atingiu
quase o aspeto apoteótico.
Carlos
Oliveira, avaliando o desempenho da O.T.C. afirmou que se apresentou bastante equilibrada, revelando grande disciplina e
completo domínio diretivo do seu regente, sabendo dar-nos música
verdadeiramente regionalista, sem exageros ou pretensões de grande execução. Mas
lastimou o traje, um pouco triste, à moda
serrana da região de Alcobaça, e não possa dar uma garrida e gritante mancha de
cor e alegria como o da nossa Orquestra Típica. Findo o espetáculo
seguiu-se uma ceia, tendo usado da palavra o Dr. Ginestal Machado [72] e Belo Marques, que trocaram saudações
e prometeram novas colaborações.
A 4 de
Julho de 1959, a
O.T.C. deslocou-se ao Pavilhão dos Desportos/Lisboa, para um Serão para
Trabalhadores, organizado pela E.N. em colaboração com a Fundação Nacional para
a Alegria no Trabalho/FNAT. Era o tempo do nacional cançonetismo. Este tipo de música
ligeira, tinha nascido na década de 1930, com autores,
compositores e maestros reputados que faziam a autoria e composição de canções
que retratavam os valores ditos tradicionais, os ideais e princípios do Estado Novo, ou seja a exaltação da vida no campo, da Pátria, dos
costumes da vida nas cidades (a pequena burguesia) e nos campos, o folclore, o
nacionalismo, o conformismo imposto sobre a ordem natural das coisas (entenda-se
estratificação social), amores desesperados e desencontrados, fados antigos e o
que pudesse contentar o poder.
Em 21 de maio
de 1960, na comemoração do terceiro aniversário do C.A.A.C., realizou-se um
sarau no Cineteatro de Alcobaça, em que se apresentou pela primeira vez em
público, o Grupo de Cantares Folclóricos
[73],
pois o C.A.A.C. na ânsia de atingir os
fins que se propôs realizar, não se poupa a esforços na criação de novos
agrupamentos que honrem as tradições da nossa terra. Antes de ter coral, a
O.T. atuava com solistas convidados [74].
No tempo de António Gavino como maestro, as apresentações contavam com a
colaboração (graciosa) dos locutores Carlos Mendes e Neto de Almeida, seus
amigos [75].
A O.T. começava por interpretar Alcobaça,
enquanto aqueles em fundo, recitavam um poema de Silva Tavares dedicado a
Alcobaça, que anos mais tarde foi dedicado pelo autor à memória do Dr. José
Nascimento e Sousa [76].
Colaborou
nesta apresentação o Grupo Jograis de Santarém, constituído por Carlos Mendes,
Nuno Neto de Almeida, António Cacho e Vergílio Barreira. A imprensa local [77] e a regional, muito concretamente o Região de Leiria [78],
deu destaque a este espetáculo
apelando para a necessidade de os alcobacenses que ainda não são sócios do
Círculo, se inscrevam, dando desse modo o seu apoio moral e material a uma coletividade
cultural que deve merecer o maior interesse e cujo progresso depende, como é óbvio,
do auxílio que lhe possa prestar.
Como
solistas apresentaram-se Maria de Lurdes Feliciano, com a graça e à vontade habitual, bem como pela primeira vez Maria
de Fátima Modesto e Gilberto Coutinho, que prometem
enriquecer a orquestra com bom canto, pois possuem bom timbre e modelação de
voz, mas acusam ainda o receio de enfrentar a plateia [79].
A O.T.C.
foi convidada a participar em 2 de outubro de 1960, na sessão de inauguração do
1º. Festival/Exposição do Vinho Português, do Bombarral, no Teatro Eduardo
Brasão.
António Gavino realizou o último espetáculo
como regente da O.T.C, em 25 de março de 1961, pois foi viver para Lourenço
Marques para reger a Orquestra da Rádio Club de Lourenço Marques, estação que
lançou a cançonetista e fadista Alexandra [80].
Colaborou neste espetáculo [81], o Grupo Jograis de Santarém. A Gavino
sucedeu Alves Coelho (Filho) [82]
que conferiu ao agrupamento maior dinamismo, e a consagração nacional. Francisco
Ramos André referindo-se a
Alves Coelho (filho), fê-lo nos moldes seguintes [83]:
Maestro a quem cabe presentemente a
responsabilidade da direção técnica do conjunto, deve-se, além do esforço no
aperfeiçoamento, uma parte da projeção ultimamente atingida em face dos seus
vastos conhecimentos nos meios artísticos do país.
Assegurava
Francisco Ramos André, que perdurou na memória dos que tiveram oportunidade de
assistir, o primeiro Recital da Orquestra Típica de Alcobaça, sob a regência do
Maestro Alves Coelho (filho), a 4 de Novembro de 1961 em que colaboraram, Gina
Maria, Madalena Iglésias, Maria Cândida, Maria do Espírito Santo, Artur Garcia
e o locutor Henrique Mendes. Dª. Graciete de Vasconcelos, esposa de Alves
Coelho (filho)e acordeonista, apresentou uma seleção da opereta Viúva Alegre. Com a sala decorada com chitas de
Alcobaça e superlotada, as palmas e bravos sucederam-se a premiar o nível
atingido pela música popular portuguesa através da O.T.C., o estilo e a
personalidade das vozes conhecidas e queridas, apresentadas com humor e
espírito. A associarem-se ao evento estiveram presentes, Silva Tavares e esposa
Dª. Albertina Tavares. A crítica salientou na atuação da Orquestra Típica, as
interpretações de Senhora do Almurtão (Cancioneiro
Popular), Cancioneiro (Alves Coelho e
Avelino de Sousa), e Cantigas de Portugal
(Rapsódia de Alves Coelho (filho) [84]. Terminado o espetáculo, foi oferecida uma ceia, no
Restaurante Corações Unidos [85].
Aos brindes falaram o Dr. Amílcar de Magalhães [86],
Maestro Alves Coelho (Filho), Joaquim A. Carvalho e a fechar, para agradecer as
homenagens prestadas, o autor da letra de Alcobaça.
A 16 de dezembro,
perante o sucesso do dia 4 e antecipando o Natal, realizou-se nova apresentação
da Orquestra Típica. A primeira e segunda partes foram preenchidas com a O.T.C.
e a terceira com a colaboração graciosa
de consagrados artistas da rádio e da televisão [87].
A partir daqui, a
O.T.C. ganhou estatuto e passou a colaborar com a E.N., nos Serões para
Trabalhadores, transmitidos em direto, a realizar espetáculos na R.T.P., aonde
se deslocou, pela primeira vez, a 14 de maio de 1961, e mais quatro vezes no
ano seguinte, e a fazer gravações. Lembra
Maria Luísa Dionísio que, alguns convites
tinham de ser recusados, uma vez que eram necessários por vezes 2 autocarros
para transportar a formação do grupo, instrumentos incluídos e que uma solista num rosto emoldurado por um chapéu de abas,
um lenço tombado sobre os ombros, com graciosidade, iniciava o
espetáculo a cantar, Os provérbios e
rifões // Enraizados na nossa raça, // Atravessam gerações // Na linda loiça de
Alcobaça.
O coro
respondia, Alcobaça, // Podes crer que
tenho apreço, // Por tudo quanto é progresso, // Mas o antigo não passa.
Alcobaça, // Nesse teu Mosteiro
velho // Bem velhinho, existe um espelho // No valor da nossa raça.
Com
canções de carácter popular, no espírito e moda do tempo que cumpria, se
inseria e a que não fugia, a O.T.C, apresentou-se no TVClube, com intenção de levar aos nossos espectadores um
conjunto de bom nível e oferecer-lhes um programa variado, aliciante, de
características diferentes, muito próprias [88].
Belo
Marques, tinha ascendentes na Batalha, os avós por parte da mãe que foram
portageiros (?) na ponte velha, onde passava a antiga EN1 [89].
Contou a
Maria Luísa Dionísio, que sua mãe que se encontrava grávida, numa visita que
fez aos pais, que viviam na dita ponte, acabou por dar ali á luz. Belo Marques,
portanto, nasceu na Ponte da Batalha/Ponte da Boitaca ou Boutaca.
Era tanto
o entusiasmo de Alves Coelho (Filho) que, grande parte dos contactos com vista
a espetáculos, eram de sua iniciativa. A esposa, D. Graciete, que tinha curso
superior de música, tocava acordeão. O trabalho dos ensaios era repartido pelo
casal, a esposa a ensaiar o coral, o marido a orquestra. Alves Coelho (Filho) e
mulher vinham de verão ou inverno, com bom ou mau tempo, duas vezes por semana
de Lisboa, aonde regressavam terminado o ensaio, pois só raramente ficavam em
Alcobaça a dormir a convite de elementos do grupo.
Maria
Luísa Dionísio, como solista, primeiro soprano, e filha do Diretor/Tesoureiro
José Dionísio dos Santos, sentia que tinha obrigações especiais, não direitos,
como manter a voz em bom nível, que tanto quando se recorda nunca lhe falhou.
Figura de destaque no grupo coral, nele entrou com 18 anos, numa altura em que
já trabalhava em Alcobaça como empregada de balcão. Contando consigo, houve um
período em que, no grupo coral, havia nada menos que 12 Marias. Ao mesmo tempo,
assegurava a boa apresentação do estandarte, e a das camisas e fardas dos
instrumentistas. Quando os espetáculos se realizavam em Alcobaça, tinha também
como Rosa Maria Coelho e outros, a tarefa de coordenar o arranjo da sala, de
modo a não haver repetições na decoração, não obstante ser quase sempre
inspirada nas chitas tradicionais. Todavia, num espetáculo realizado por
alturas de maio foi decidido, para variar, fazer uma decoração à base de cestos
em palha, os quais foram decorados com giestas apanhadas na serra. Maria Luísa
Dionísio recorda, um espetáculo realizado no Cineteatro que coincidiu com o seu
dia de aniversário, pelo que para não perturbar e distrair os demais elementos
ou o Maestro, resolveu não dizer nada a ninguém. Antes do espetáculo, Alves
Coelho (filho) foi jantar a casa de seus pais, mas com a preocupação de ter tudo
em condições para a noite, que apenas no dia seguinte os lembrou do aniversário
[90].
Eram cerca de 50 os elementos que
compunham a O.T.C, distribuídos pelos vários naipes e os instrumentistas. Não
havia ensaiadores de naipes competindo ao maestro faze-los separadamente e
quando adequado juntava-os todos [91].
Segundo Francisco Ramos André em 1961[92]
Já
efetuámos mais de 500 ensaios, tendo os componentes percorrido muitas centenas
de quilómetros, com grande sacrifício, pois há alguns que vivem nos arredores.
A partir de certa altura começou a colaborar com a
O.T.C., o alcobacense António Jorge Moreira Serafim, excelente intérprete de
oboé, que vivia em Lisboa, irmão do tenor Fernando Serafim. António Serafim,
era primeiro oboé na Orquestra Sinfónica Nacional, na Orquestra Gulbenkian e na
Banda da Força Aérea. Na O.T.C, atuava (graciosamente), e quando necessário era
substituído, por Leal Calqueiro, que vinha do Seixal e pertencia à Orquestra do Timbre aí sedeada. Na
O.T.C., os aplausos, uma ceia, um ramo de flores ou uma saída, eram suficientes
para recompensa. Os seus componentes, sacrificavam-se para ocorrer às
necessidades da coletividade ainda que em dia de trabalho, se necessário com algum
prejuízo deste e eram todos residentes na região de Alcobaça. Alguns recordam o
António Bolola, da Maiorga, flautista
jovial, que tinha dificuldade em encontrar o caminho da casa depois de uma ceia
bem regada [93].
A parte instrumental, era composta por 8 bandolins, 4 guitarras, 6 violas, 1
flauta, 1 oboé, 3 clarinetes, 2 violões, 2 bandoletas, 2 acordeões e 1 bateria.
O baterista, era o taxista Acácio/Serol
[94]
pai das 5 Marias que atuavam no coro e
mais uma a tocar bandolim. Mas este não era o único caso, pois havia um outro
em situação parecida, o da família de José Teopisto. O coro era constituído por
raparigas em geral solteiras, e homens, muitos deles casados. Entre todos,
havia as mais variadas profissões, como estudantes, carpinteiros, serralheiros,
empregados de comércio, bancários e donas de casa, segundo os dados de 1961/62
fornecidos por J. Crespo. As meninas deslocavam-se para os ensaios ou
regressavam a casa na companhia das mães, pais ou irmãos. Sós, nunca. Ao longo
dos anos estabeleceram-se alguns namoricos (poucos), que terminaram no altar.
Estes namoricos tanto ajudaram a sedimentar, como a fragmentar o grupo,
especialmente no caso de casamento.
A vestimenta do grupo deveu-se a sugestões do
Professor Joaquim Vieira Natividade e esposa Dª. Irene Sá [95].
Conforme Fernando Manuel
Zeferino, deve-se ao Sr. Prof. Dr. Vieira Natividade, que o
adaptou do trajo rico usado outrora pelos habitantes da região alcobacense [96].
Maria Luísa Dionísio, que ainda conserva a sua
farda, e Rosa Coelho referem que nos primeiros tempos, por falta de verba, os
homens usavam calça preta e camisa branca, enquanto as senhoras uma saia preta
e camisa branca. Em ambos os sexos, no lado esquerdo da camisa encontrava-se
bordado o emblema da O.T.C., inspirado no do C.A.A.C. Na Orquestra, aonde
inicialmente não havia intérpretes femininos, os homens usavam o fato tradicional
da região da Serra dos Candeeiros, que consistia numa calça castanha escura
tipo serrobeco [97],
camisa branca lisa, colarinho e punhos bordados a azul e vermelho, cinta preta
e jaqueta castanha clara. Quando houve subsídios, os fatos da O.T.C. passaram a
ser iguais e fornecidos por esta. A vestimenta, originária da Serra, era muito
usual na região de Alcobaça, com exceção de Valado de Frades, sujeita à
influência da Nazaré. Quando um elemento do grupo saía tinha de devolver o
fardamento, salvo se quisesse comprá-lo. Maria Fernanda quando saiu [98]
devolveu o seu, pois não tinha condições para ficar com ele. A entrada de elementos femininos para a
Orquestra foi, em parte, devida ao facto de a esposa de Alves Coelho (Filho), Dª.
Graciete, nela tocar acordeão. As roupas femininas eram confecionadas pelas
modistas Olga Simões Vasco e Marília Silva e as masculinas por Quim alfaiate, na Rua Miguel Bombarda [99].
Os anos
de ouro da O.T.C. decorreram, na década de 1960, com os presidentes Engº Sousa
e Brito e Dr. Amílcar P. de Magalhães.
José
António Crespo e Maria Luísa recordaram um Serão para Trabalhadores no Pavilhão
dos Desportos (atualmente Carlos Lopes), a 16 de março de 1961, organizado pela
E.N., transmitido em direto, em colaboração com a F.N.A.T. e dedicado ao Grupo
Desportivo da Companhia dos Telefones. Colaboraram na primeira parte, o
conjunto muito em voga de Jorge Machado, Natércia da Conceição, os artistas cabo-verdianos
Fernando e José Queijas, bem como os cançonetistas Elsa Vilar, Alberto Ramos [100] e Maria Amélia Canossa [101].
De acordo
com a organização, haveria músicas
tristes ou alegres, os fados de Lisboa que todas as noites nascem sem pedirem
licença a ninguém. Basta que uma guitarra se encontre ao lado de uma viola e
que a presença de uma castiça cantadeira se interponha entre ambas, para que os
fados surjam e Malhoa esteja presente com a sua mágica paleta. A segunda parte
foi preenchida com a O.T.C. após cum breve intervalo, para alguns momentos
humorísticos de José Viana [102]. Era intenção propalada tanto pela E.N., como pela F.N.A.T., o propósito de apresentarem nestes Serões,
as Orquestras e Conjuntos da nossa terra que possuam verdadeira categoria [103].
Em
entrevista [104],
Francisco Ramos André informou que a O.T.C. a partir da primeira
exibição, fizemos em 1957 nove espetáculos em várias localidades, entre as
quais Vila Nova de Ourém, Leiria, Óbidos e Caldas da Rainha. No ano de 1958
quatro e em 1959 oito, com relevo para as audições na exigente e conhecedora
Santarém e no Pavilhão dos Desportos em Lisboa, transmitida pela Emissora. No
ano passado mais sete apresentações e no ano corrente já vamos em cinco
exibições, duas das quais na Televisão e uma na Emissora.
Cumpre
recordar o Recital de Solidariedade,
de 3 de abril de 1962 em Alcobaça também a
favor dos pobrezinhos, com a colaboração da Orquestra Ligeira da E.N. e os imprescindíveis Alice Amaro [105],
António Calvário [106],
Artur Garcia [107],
Gina Maria [108],
Guilherme Kjölner [109],
Madalena Iglésias [110],
Mara Abrantes [111],
Maria Candal [112],
Maria Marise [113],
Simone de Oliveira[114],
Teresa Paula [115] e Trio Harmonia [116].
As virtuosas senhoras que compunham a organização, obtiveram donativos em
géneros alimentares e roupas, pelo que muito satisfeitas admitiram fazer no ano
seguinte outro evento beneficente.
No
sábado, 4 de novembro seguinte, a O T.C.[117]
fez um Recital no Cineteatro da vila, convidando artistas da Rádio e R.T.P.
Este espetáculo foi tão bem-sucedido, que no dia 16 de dezembro pré-anunciando
o Natal se repetiu, com a presença dos mesmos artistas (Madalena Iglésias,
Artur Garcia, Maria do Espírito Santo [118])
e ainda de Graça Maria Rosado [119],
Mariette Pessanha [120].
Gina Maria estaria presente se o avião
que a trouxer de os Açores chegar a Lisboa, a tempo de depois se deslocar para Alcobaça.
Gina
Maria afinal esteve presente, pois o avião chegou a tempo de se fazer
transportar de táxi o que muito satisfez os alcobacenses que lhe tributaram
calorosa receção.
O Dr.
Amílcar Magalhães foi entre 1961 e 1963, Presidente da Direção do C.A.A.C.[121],
sucedendo ao Eng º. Sousa e Brito. Fizeram parte da Direção, José Crespo
(secretário-geral), Manuel Lemos Pereira da Silva (secretário adjunto) [122],
José Dionísio dos Santos (tesoureiro) e Leopoldino dos Santos (vogal).
Crespo
gostava de sublinhar, no que é seguido por Maria Luísa Dionísio, Maria Fernanda
e outros, que o ambiente do grupo neste tempo era muito bom, sem prejuízo de
problemas (pontuais) facilmente sanados, decorrentes de cada um pretender dar o
melhor, todos sentiam uma grande solidariedade entre si, ajudavam-se no fia a
dia e davam poucas faltas. Os diretores não enjeitavam colaborar na organização
do espetáculo, arrumando, levantando cadeiras e mesas, preparando o palco, a
cena ou a instalação elétrica ou suportando mesmo alguns encargos não
reembolsados.
No dia 11
de fevereiro de 1962, a
O.T.C. com Maria Luísa Dionísio, Maria
do Rosário, Maria de Lourdes, José Teopisto, Olegário José e Valdemar do Nascimento,
como solistas, apresentou-se em Montes, na sede da Associação que funcionava
numa Adega do Dr. Magalhães. O edifício que foi sede da Associação Recreativa
Montense até 1968, com exceção da zona dos depósitos aéreos e subterrâneos, era
em chão térreo. Montava-se um palco com pano de cena, um pequeno bar onde se
serviam rissóis, copos de branco ou tinto e pirolitos, colocavam-se bancos e
cadeiras, bem como uma instalação sonora emprestada por um eletricista com loja
à Pissarra. Na segunda parte do espetáculo dos Montes (para maiores de 6 anos),
apresentado por A. Canário, cujo ingresso não era barato, pois as cadeiras
custavam 12$00 e o peão 7$50, participaram ainda Artur Garcia e Graça Maria
Rosado. A casa estava superlotada, houve pessoas que ficaram à porta, e José
Crespo recorda, para além do sucesso da apresentação, uma ceia oferecida pelo
Dr. Amílcar Magalhães [123].
A adega/sala de espetáculo fora afanosamente preparada durante cerca de 15
dias, o chão térreo arranjado, limpa de ervas a zona envolvente e preparados
uns precários sanitários. O pessoal agrícola do Dr. Magalhães não recusou
colaboração. A instalação sonora foi especialmente cuidada, pois os artistas lisboetas
eram exigentes e muito caprichosos [124].
Também
ali decorreram sessões de fados castiços e por lá passaram, apesar das
insuficiências de eletricidade, António Calvário, Simone de Oliveira, Madalena
Iglésias ou Gina Maria. O
fornecimento generalizado de luz elétrica no concelho de Alcobaça começou
tardiamente, mais propriamente na segunda metade séc. XX. Até aí, os
alcobacenses de Évora, Turquel, Maiorga, Montes, Alfeizerão ou os serranos,
usavam para iluminação, candeias de azeite, candeeiros de petróleo, lanternas e
petromaxes. As candeias de azeite eram de lata e possuíam um bico, que
suportava uma torcida, feita de um pouco de pano. Produziam uma luz fraca, eram
leves e penduravam-se num prego ou num local à mão. Nos lagares e adegas,
usava-se preferencialmente uma candeia de azeite de maior volume, com quatro
bicos e torcidas. Os alunos estudavam em casa à luz de candeeiros a petróleo,
tal como as senhoras faziam malha, costura ou a lide da casa. Os candeeiros a
petróleo eram geralmente de vidro. Alguns tinham um pé alto, como se vê com
alguns com finalidade meramente decorativa. As torcidas vendiam-se na
mercearia, drogaria e estabelecimentos semelhantes. Para acender um candeeiro a
petróleo, retirava-se a chaminé e chegava-se à torcida um fósforo. Para apagar
o candeeiro, levantava-se a chaminé e apagava-se a chama com um sopro. Nas
casas havia suportes para os candeeiros, colocados estrategicamente como na mesa-de-cabeceira
do quarto de dormir, na mesa de refeição ou ao pé do lume. Havia candeeiros
apropriados para a rua ou em palheiros munidos de uma pega para transporte. As
charretes tinham lanternas redondas. A eletricidade não esteve de todo ausente
do Concelho de Alcobaça até à II Guerra e alguns anos seguintes. Havia
lanternas elétricas, as foxes para iluminar o caminho. Em noites sem lua, os
caminhos rurais eram percorridos, em completa escuridão. No entanto, as pessoas
tinham uma espécie de instinto inato que lhes permitiam pôr sempre o pé, no
sítio certo e seguir os percursos corretos.
As
aldeias tornaram-se paisagens deprimentes. Os novos abandonaram a casa dos pais
para construir a crédito uma nos terrenos agrícolas de que viveram os
antepassados, enquanto a terra só passou a ser valorizada pelas suas
potencialidades de construção. A cultura mudou?
Não.
Só se transferiu da aldeia para a cidade. No século XX, especialmente depois do
último quartel, o mundo rural transformou-se radicalmente, sem que Alcobaça se
tivesse revelado exceção. Nessa altura, o País ainda produzia mais de metade do
que comia, havia um certo equilíbrio entre o mundo rural e a cidade. A
crescente urbanização, o desenvolvimento da indústria, a modernização da
agricultura e o êxodo rural fizeram desaparecer formas de vida ancestrais. Hoje
produz-se um quarto do que se gasta à mesa, desmantelou-se uma cultura e sabores
que demoraram gerações a construir [125].
De acordo
com a Plateia [126],
a homenagem a Silva Tavares e à O.T.C, realizada em Alcobaça, constituiu uma parada dos melhores artistas da Rádio e TV
nacionais, e uma orquestra da categoria que é a de Tavares Belo. Uma casa cheia
e um público ansioso que, não regateou aplausos quando Fernando Correia, alegre
e comunicativo locutor da E.N, anunciou o início do espetáculo.
Na
primeira parte, Silva Tavares, foi alvo duma significativa ovação quando se
acabou de ouvir Alcobaça. Fernando
Correia [127]
e Artur Peres apresentaram na segunda parte, Gina Maria, Domingos Marques [128],
Trio Harmonia, Cristina Maria e Alice Amaro, acompanhados pela Orquestra de
Tavares Belo [129].
Na terceira parte, foram chamados ao palco, o homenageado, o Maestro Eduardo
Loureiro, chefe da Secção de Música Ligeira da E.N.[130],
os Maestros Melo Pereira, chefe da Secção de Música Ligeira da R.T.P., Belo
Marques e um representante da Editora Valentim de Carvalho. Subiram ainda ao
palco, o presidente da CMA, Jaime Horácio Junqueiro e Vereadores, bem como, o
Presidente do C.A.A.C ., Dr. Amílcar Magalhães
Jaime
Junqueiro dirigindo-se a Silva Tavares enfatizou que, temos Vª. Ex.ª como filho de Alcobaça, pois esta vila é como uma pátria
para a qual corre sempre que pode. No seguimento desta intervenção entregou
o diploma que o torna filho adotivo e cidadão de Alcobaça.
O Dr. Magalhães,
elogiou as pessoas e a ação de Belo Marques e Silva Tavares, tendo este dito
que eu gosto de Alcobaça, como gosto
daquilo que gosto. Gosto da minha mulher, porque gosto. Em seguida,
recordou a história de Alcobaça, e a
sua criação original [131].
Quem
cantou pela primeira vez Alcobaça,
foi Cidália Meireles, que tendo ido trabalhar para o Brasil, cedeu o lugar a
Maria de Lurdes Resende que canta desde que se lembra, como em 1957 contou à revista
Flama. Assim que nasceu, começou a berrar, tarefa a que se dedicou
durante o primeiro ano de vida, para grande desespero e insónia dos pais. Ao
crescer, ganhou a convicção de que um dia seria cantora profissional, talvez
até de ópera. Os pais opuseram-se com veemência e só aos 18 anos se estreou em
palco, embora com o nome de Maria de Lurdes, porque Resende era o nome da
família que a tinha contrariado na sua ambição. Maria de Lurdes Resende, ganhou popularidade ao serviço das
cantigas. Alcunhada gentilmente de A Feia
Bonita, deu a resposta adequada, popularizando a cantiga A Feia [132].
Alcobaça foi um grande êxito, em
Portugal e além-fronteiras e passou a fazer parte obrigatória do seu repertório
[133],
e mesmo de outros artistas.
Num gesto, que sensibilizou os presentes, Silva
Tavares, abraçou na pessoa do Presidente da Câmara a vila de Alcobaça, após o
que atuaram Maria Marise, Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, a brasileira
Mara Abrantes e conjunto de guitarras de Raul Nery [134],
todos acompanhados pela Orquestra de Tavares Belo. A O.T.C., ofereceu aos
participantes do espetáculo, que o foram a título gracioso, uma lembrança a
testemunhar e a agradecer o contributo de cada um e todos, para o êxito do
evento.
A 23 a 27 de julho de 1962,
decorreu em Lisboa o XIX Congresso da União Internacional dos Advogados /Union Internationale des Avocats. Inscreveram-se 286 juristas,
representando os seguintes países: Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica,
Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda,
Inglaterra, Irão, Israel, Itália, Jugoslávia, Líbano, Luxemburgo, Portugal, Síria,
Suíça e Turquia. Os temas gerais versados no Congresso, politicamente inócuos, foram
O advogado e a vida económica o O problema da defesa dos direitos e dos
interesses das minorias dos sócios nas sociedades comerciais. Foi Presidente deste Congresso, o Professor Doutor
Adelino Palma Carlos [135].
Da Comissão Executiva fizeram parte António Madeira Pinto (vice-presidente do Conselho Superior
da Ordem dos Advogados, como Secretário
Geral), José de Magalhães Godinho [136],
José Maria Gaspar [137] e Vasco da Gama Fernandes [138]. O Advogado e Presidente do C.A.A.C,
Dr. Amílcar P. de Magalhães, convidou a O.T.C. a fazer uma apresentação antes
do almoço que se realizou no Mosteiro de Alcobaça, a 25 de julho [139].
Nesse ano, a 27 de outubro, a O.T.C. deslocou-se à
sede da Academia de Santo Amaro [140],
para uma apresentação de responsabilidade em que participaram Graça Maria,
Artur Garcia e José Nobre, com locução de Pedro Moutinho, que nunca dispensava uma
orquídea branca na lapela do casaco [141].
Para esta apresentação realizaram-se ensaios extras e algumas meninas estavam
tão nervosas que não jantaram para poderem comer
uma gemada a fim de aclarar a voz. O final ocorreu em ambiente de apoteose.
Durante algum tempo esta deslocação foi tida como um dos grandes momentos do
grupo. O ano de 1962 foi provavelmente no conjunto o de maior sucesso da O.T.C.
Em janeiro de 1963, realizou-se Alcobaça, um espetáculo
estilo Melodias de Sempre.
Colaboraram
(graciosamente como corrente), Artur Garcia, Madalena Iglésias, Mara Abrantes,
Maria Marise, Gina Maria, Elsa Vilar [142],
Maria Fernanda Soares [143],
Domingos Abrantes [144],
o Grupo Coral e Instrumental Melodias de
Sempre [145],
acompanhado por António de Melo ao piano [146].
A locução esteve a cargo de Fialho de Gouveia [147],
Fernando Correia e Henrique Mendes. Os artistas utilizaram guarda-roupa cedido
por Anahory, figurinista das revistas do Parque Mayer. A O.T.C., executou o seu tradicional
programa, que recebeu fortes e prolongados aplausos. O Coral, já creditado pelas suas vozes e harmonia dos naipes, também se
distinguiu pelo valor dos solistas, merecendo com inteira justiça as palmas com
que o distinguiram. Do programa, “Cantigas de Portugal” e “Senhora do Almurtão”
merecem lugar destacado pela beleza musical e valor do conjunto. Após a 1ª.
e 2ª. partes, preenchidas com a Orquestra Típica e Coral, teve lugar terceira parte com Francisco António, Maria
Marise e Alice Amaro, que cantaram números conhecidos que o público aplaudiu
com prolongadas salvas de palmas. Durante os intervalos e para os mesmos fins
de beneficência, foi leiloada a poesia manuscrita de Silva Tavares Faz bem sem olhar a quem, escrita para
esta festa pelo poeta, sempre pronto a
proteger os pobres. Fernando Correia apresentou o evento, tornando-o equilibrado
com algumas anedotas e comentários, com peso e medida, que o público saboreou e
aplaudiu [148].
No ano de 1963, a O.T.C. realizou um espetáculo na
Maiorga (com Maria da Glória e Eugénia Maria), outro em Valado de Frades (com
Maria Fernanda Soares e Artur Garcia) e gravou um disco na Casa Valentim de
Carvalho, não nos seus estúdios, mas em Alcobaça. A primeira audição deste
disco a 23 de Março, constituiu um momento emocionante na sede do C.A.A.C. e
foi reservada aos diretores, componentes da O.T.C. e poucos convidados. Foi instalado
um gira discos emprestado, fez-se silêncio e perante a reação muito positiva [149],
logo se pensou gravar outro a curto prazo, como forma de angariar receitas.
Nessa tarde foram vendidos uns 15 discos. Rosa Maria ainda guarda um, mas já
não o ouve há muito [150],
tal como Ana Maria de Magalhães (Fleming
de Oliveira). Alguns foram enviados para o Brasil, Estados Unidos, França e 3
para militares a prestar serviço em África, mas a gravação não se consumou como
sucesso comercial.
A gravação de discos era mais uma questão de prestígio (que muito emocionava o
agrupamento), do que forma de angariar receitas. Mesmo nos espetáculos a venda
era reduzida.
Na engalenada
alameda de entrada na Quinta da Cova da Onça, promovido pelo C.A.A.C.,
realizaram-se em 1963 os festejos dos Santos Populares. Ali funcionou uma quermesse
com barracas de tômbola de panelas e tachos, de ginjinha, de rifas, de
comes-e-bebes (com serviço de amêijoa, frango no espeto, sardinha assada, etc.),
bem como barracas dos mais variados artigos, onde predominavam a louça de
fabricação alcobacense. A O.T.C. marcou presença na última noite. A R.T.P. veio
filmar o espaço da Cova da Onça, onde estavam a decorrer as festas, para
utilizar num programa que a O.T.C. veio a apresentar em direto [151].
Desde o Stº. António, que ali se vinham a realizar festejos, nos quais se
exibiram, além de consagrados artistas, o Orfeão da Sociedade Central de
Cervejas, sob a regência de Alves Coelho (Filho). Mas foi a noite de S. Pedro,
que se revelou especialmente notável, uma noite chuvosa e ventosa nada
agradável, que começou pelas 22h, com a exibição do Rancho Folclórico Mar Alto. Um grande momento da noite consistiu na
apresentação de Há Mercado em Alcobaça.
Maria
do Rosário da Silva, nasceu em
Alcobaça, a 6 de outubro de 1942. Possuidora de voz de contralto, com 18 anos,
integrou a O.T.C. onde foi solista, interpretando O Mangerico, de Alves Coelho (Filho). Com Olegário do Nascimento
fazia dueto, interpretando Os Serranos.
O Mangerico foi apresentado no dia de
Stº. António, num programa da R.T.P. Depois foi, e com enorme sucesso,
apresentado na Cova da Onça. O Mangerico
foi dedicado por Alves Coelho (Filho), a sua esposa Dª. Graciette, pois cada
verso era iniciado com uma letra do nome desta, como esclareceu Maria do
Rosário que forneceu a letra. Gosto
de ver toda a gente, // Rua abaixo
aos tropeções, // A ver a marcha
contente, // Com arquinhos e balões.
Imensas
luzes e cor, // E fácil de decorar,
// Toda a gente tem de cor, // Trovas singelas de amor, // E fáceis de decorar.
Os
resultados dos santos populares foram inferiores ao que seria de esperar. O
público compareceu regularmente, sendo as noites de maior receita, as duas
primeiras e a última. O estado do tempo não permitiu que os festejos tivessem
maior luzimento. Feitas as contas, a receita foi diminuta, pois foram grandes tanto
as despesas de adaptação do local como o nível dos espetáculos.
As
relações entre Dª Graciette e Eugénia Lima, ambas acordeonistas de mérito, não
eram ao que corria as melhores. A título de
curiosidade refira-se que aos 13 anos, o pai tentou inscrever a filha Eugénia no
Conservatório de Lisboa, mas os responsáveis disseram-lhe que o acordeão não tinha entrada naquela
instituição. O acordeão que esta
considerava melhor, foi oferecido ao Santuário de Fátima, dias antes da sua
morte a 4 de abril de 2014 em Rio Maior. Eugénia Lima foi homenageada a 28 de
janeiro de 1990, na Maiorga, numa iniciativa da Sociedade Filarmónica
Maiorguense que, aproveitando a comemoração dos 65 anos de carreira da artista,
lhe quis agradecer o apoio e amizade que dedicou à localidade.
As despesas da O.T.C.
eram grandes pelo que a Camara Municipal passou a contribuir com 6000Esc no
início do ano, mais 6000Esc no segundo semestre. Também colaboravam o Governo
Civil de Leiria, a Fundação Gulbenkian, o Banco Raposo de Magalhães, o Rotary
Clube de Alcobaça e por vezes os corpos sociais. Sobre a questão financeira,
Fernando Manuel Zeferino havia contado em 1961 numa entrevista a O Alcoa que eram os próprios elementos fundadores
que despendiam as importâncias necessárias para conserto de instrumentos, para
pagamento de transportes do Maestro e executantes e muitas outras despesas. O
Sr. Gavino apenas começou a vencer ordenado depois da primeira apresentação a
público, que se deu em 1 de Maio de 1957. Cada um de nós adiantou enormes
quantias pois, como podem verificar neste balancete, durante o tempo em que
trabalhou a Comissão Organizadora, movimentos 59.344§50. Não sabemos onde e
como obtivemos esta enorme verba.
Em 1964,
os festejos dos Santos Populares realizaram-se na cerca do Asilo da Fundação
Maria e Oliveira com Maria Fernanda Soares e Artur Garcia [152]
Fernanda Pacheco, Luís Piçarra [153]
e Gina Maria [154],
Margarida Amaral, Fernanda Pádua [155],
Lina Maria, Max [156]
Carlos do Nascimento [157],
e Simone de Oliveira [158].
Alcobaça tem
// um mercado original // Pois que toda gente que aqui vem // Vai a dizer bem,
//Nunca diz mal.
Vende-se
de tudo // Que é antigo e que é moderno, //Tecidos de chita e de veludo // E
frutas do verão, em pleno Inverno.
Se depois
chegar, // Em passando o nono mês // Um bebé bonito p’ra alegrar, // Terá que
comprar // Mas para três… // E depois virá o tal dia que é preciso // Ensinar
aquilo que ouviu já//Para que o rapaz tenha juízo…
Só nos
prende // Um pormenor //Não se vende //Aqui amor…
(Estribilho)
Quem
quiser // Escolher// A mulher // P’ra viver, //E pensar // Vida sã //Para o lar
// De amanhã, // Só precisa comprar // Valiosos bragais, // E depois … // É
casar, // Nada mais!
A O.T.C.
recebeu no dia 14 de dezembro de 1963, a Orquestra Típica Albicastrense. O agrupamento alcobacense organizou
uma caravana automóvel, que esperou os visitantes no limite do concelho e os
acompanhou ao edifício da Câmara Municipal, onde a chegada foi festejada com
foguetes e música pela Filarmónica Vestiariense [159].
Segundo o
Reconquista [160],
a caravana albicastrense, esperada em
Aljubarrota por mais de uma dezena de carros, apesar da chuva que persistentemente
caía, foi a escoltada até ao largo fronteiro ao edifício dos Paços do Concelho, onde foi recebida pelo Senhor
Presidente da Câmara Municipal, pela digníssima vereação, direções do Centro
Alcobacense de Arte e Cultura, da Orquestra Típica de Alcobaça, etc., e por
muito povo que ali acorreu ao ouvir a salva de morteiros e as girândolas de
foguetes que foram deitados.
A banda
de música, em frente aos Paços do Concelho executou alguns números musicais. Recebida pelo Presidente do
Município, dirigiu-se a comitiva para o salão nobre, onde apresentaram
cumprimentos os representantes da Orquestra Típica Albicastrense Dr. Leal
Freire, Visconde do Alcaide e Tenente Manuel Dias Caetano. À noite, o sarau do Cineteatro começou com a exibição
da O.T.C., seguida pela Orquestra Típica Albicastrense e, finalmente, um acto
de variedades, em que atuaram Artur Garcia e Simone de Oliveira, bem como, os
locutores Henrique Mendes [161]
e Leite Pereira [162].
No final [163],
foi servido o opíparo copo de água no
Restaurante Bau aos tos elementos que tomaram parte no sarau, tão abundante e
variado que, no fim apesar de se encontrarem presentes mais de 150 pessoas (…) dir-se-ia que estava intacto. As
meninas da O.T.C. desdobraram-se a solicitar às senhoras de Alcobaça, que
oferecessem um prato, quente ou frio.
Luisinha Doce estava tão cansada, que durante a
ceia, o que mais lhe apeteceu foi sentar-se, ficar quieta, esticar as pernas,
fechar os olhos e… descansar.
Com Dª.
Celeste, proprietária do Restaurante Corações Unidos, havia sempre
disponibilidade para que quando algum artista tivesse que jantar antes do espetáculo,
ou ficar para o dia seguinte, o fizesse em sua casa em condições especiais. É
de realçar a colaboração da população de Alcobaça, quando se realizavam espetáculos
no Cineteatro, com a presença de artistas de fora e de nomeada, os quais se
deslocavam em geral graciosamente, e a convite do maestro Alves Coelho (Filho).
A finalidade, usual, era angariar fundos, para uma determinada obra e aqueles
colaboravam. A propósito da deslocação da Orquestra Típica Albicastrense, o
Jornal do Fundão [164],
destacou o calor da assistência na sala
repleta de assistentes, a receção e boas vindas calorosas daquelas gentes onde
a arte não morreu, ao contrário do que se passa em Castelo Branco, cuja
população dá pouco apoio à sua Orquestra Típica. João da Gardunha [165],
lastimou como foi chocante, doloroso
mesmo, verificar a indiferença com que a cidade (Castelo Branco) acolheu o espetáculo anual da Orquestra
Típica Albicastrense que lhe foi dedicado. E foi tanto mais notória essa
impressão dolorosa, porque, apenas dois dias antes a mesma O.T.A., após uma receção
grandiosa e inenarrável na vila de Alcobaça, culminou essa visita com uma atuação
que perdurará através o espaço e o tempo na memória daqueles que a ela tiveram
a dita de assistir, tal o nível a que se alcandorou, devido ao brio dos seus
dedicados componentes.
Segundo o
República [166],
a O. T. C. não precisa de apresentações,
é mais do que conhecida no país e apreciada pelas suas exibições no programa da
RTP-Melodias de Sempre.
A O.T.C. deslocou-se
à Figueira da Foz a 7 de novembro de 1964, para cumprir um contrato com o
Casino, aonde alcançou êxito perante um salão cheio, fez uma dedicatória à
cidade anfitriã e a Maria Clara [167]
intérprete da Canção da Figueira. Recorde-se
a letra:
Rainha do mar português //
Figueira // Que tem mais azul todo o mar // Figueira //A serra onde tu te revês
// Figueira // Parece um milagre a passar // Figueira.
O mar // de bravura // E altura
// Sem par, // Sorri na Figueira da Foz. // O mar // que não pode // Nem pede
// Lugar, // Sorri na Figueira da Foz. // O mar // que por vezes // Revezes nos
traz // Sorri na Figueira da Foz. // Se o mundo quiser // Conhecer // Sonho e
paz //Que venha à Figueira.
Esta apresentação, talvez o ponto
alto do ano, implicou uma preparação especialmente cuidada e deixou
imperecíveis recordações em Maria Fernanda carcereiro
que ficou extasiada com o ambiente totalmente estranho (onde noutras
circunstancias não tinha entrada), até pela ceia que se seguiu. À Figueira da
Foz deslocaram-se familiares e amigos para em conjunto viverem um momento que
reputavam relevante na vida do agrupamento. Este espetáculo em nada desmereceu do
de Oeiras. Em ambos os casos houve a satisfação de ver correspondido o esforço
ao resultado [168].Tendo bisado várias canções e
alcançado notável êxito, a OTC foi felicitada pela capacidade artística
evidenciada e concretamente o Maestro Alves Coelho (Filho), demonstrando que orquestras puramente amadoras, podem
proporcionar espetáculos de alto nível, quando o esforço de conjunto resultar
proficiente, fruto duma íntima cooperação. A satisfação demonstrada pelo
Casino Peninsular, deixou antever a possibilidade de um contrato para o ano
seguinte, o que teria agrado muito, mas não veio a acontecer.
O C.A.A.C.[169],
organizou um almoço de confraternização, onde estiveram presentes o Chefe dos
Serviços Musicais da E.N., Alves Coelho (Filho) e esposa. Após o almoço usaram
da palavra o presidente Fernando Neves Raposo de Magalhães [170],
Fernando Afonso Ramos e Raul dos Reis Gameiro [171].
Na
direção presidida por F. Raposo de Magalhães sublinha-se a presença muito ativa
e útil de António Rosa. Este que faleceu em 3 de abril de 2020 aos 93 anos, era
figura muito estimada e que marcou concretamente também a Associação de Defesa
e Valorização do Património Cultural da Região de Alcobaça. Apaixonado pelo
património e pela arte (sem esquecer a música por isso se interessou pela
O.T.C.), deu um forte contributo aquela instituição ao longo de mais de duas
décadas. A História da ADEPA jamais
poderá ser escrita sem si, testemunhou um elemento da Direção, considerando
que António Rosa, organizou cerca de duas centenas de visitas culturais a
Portugal e Espanha e, marcou fortemente a
vida desta instituição, dos alcobacences e de todos os que o rodeavam. António
Rosa foi homenageado pela ADEPA atenta a dedicação,
trabalho e amizade, em abril de 2017, num almoço surpresa que reuniu cerca
de 200 pessoas. Também colaborou com outras instituições de Alcobaça.
Em
colaboração com a E.N. e a F.N.A.T., em maio de 1965, a O.T.C. participou num
Serão para Trabalhadores [172],
no Liceu Camões-Lisboa, dedicado ao pessoal da Soponata, em que atuaram a
Orquestra Ligeira da E.N., sob a regência de Tavares Belo, o Conjunto Quatro de
Espadas [173],
Isabel Fontes e Ivone de Andrade [174],
Artur Garcia, Coro Misto da E.N. e Orquestra e Simone de Oliveira. A primeira parte do nosso tradicional Serão
caracteriza-se por um belo desfile de melodias, impondo mais uma vez, o bom
gosto dos nossos compositores. O lugar aos novos será preenchido pela rubrica
de revelações, Novos Artistas, testemunho claro do incentivo que a EN
proporciona aos esperançosos cançonetistas que procuram, ansiosamente, o rumo
da consagração. Saliente-se, ainda, a intervenção do Coro Misto que sublinhará,
acompanhado da Orquestra Ligeira da EN, dirigida por Tavares Belo, a
inesquecível melodia de Raul Ferrão Abril em Portugal. Momento de beleza
musical estará também a cargo do Coro Feminino, revivendo a já famosa página de
Tavares Belo Dois Tempos de Jazz. Na segunda parte, atuou a O.T.C., no intuito
de variar os elencos destes tão populares passatempos recreativos, organizados
pela EN em colaboração com a FNAT, mais uma vez depois de tantos êxitos
colhidos, volta à ribalta artística do nosso Serão para Trabalhadores, o Coral
de Alcobaça, que tanto tem contribuído para a divulgação do rico folclore
português. Além do conjunto vocal associa-se o relevo musical da sua conhecida
Orquestra Típica. Este conjunto, bem como o Coral são dirigidos por Alves
Coelho (Filho) e todas as suas interpretações obedecem a um seletivo reportório
de melodias, onde está presente a alma do povo nos seus cantares e desgarradas.
Na noite
de 22 de maio de 1965, a
O.T.C. participou num Sarau organizado pelo Grupo
de Instrução Popular da Amoreira/Costa do Sol. Era o fruto da bem sucedida deslocação
a Oeiras. Segundo o Jornal Costa do Sol [175],
foi uma notável façanha a presença da
O.T.C., que se deslocou gentilmente à Amoreira, conjuntamente com a artista
de Cascais, Natalina José [176].
Alves Coelho (Filho) sublinhou ser constituída por amadores, gente simples e rude que ganha o seu pão cavando os
campos. Segundo o jornal, único senão foi não ter prolongado um pouco a exibição, para dar ainda mais provas do
merecimento.
Maria Luísa Dionísio e Maria Fernanda recordam um espetáculo
no Reformatório Central de Lisboa Padre António Oliveira, aonde Alves Coelho (Filho)
era professor de música. No
Reformatório, havia oficinas de variadas atividades, como carpintaria,
serralharia, tipografia ou cartonagem, pelo que houve a gentileza por parte da
organização em oferecer a cada membro da O.T.C., um bloco encadernado com a
dedicatória Recordação do Reformatório de Caxias. Apreciados foram tanto estes blocos-notas
que passaram a ser utilizados, para registo das letras ou pautas de música.
No espetáculo da O.T.C. em Alcobaça, no dia 13 de janeiro
de 1968, dia de aniversário de Rosa Maria Coelho (a quem nos camarins cantaram
os parabéns), na primeira parte exibiram-se os ranchos folclóricos de Celestino
Graça, Grupo Infantil de Dança Regional de Santarém, Grupo Académico de Danças
Ribatejanas, Rancho Folclórico do Bairro de Santarém. A O.T.C. apresentou-se
sob a regência do maestro fundador, António Gavino que se encontrava de férias,
vindo de Moçambique.
A 17 de maio de 1969, com Alves Coelho (Filho) o
C.A.A.C. para comemorar o seu 12º. aniversário, realizou um Sarau, onde
colaboraram, a nossa querida Maria de
Lurdes Resende, intérprete inolvidável da Canção de Alcobaça e Libânia
Feiteira, a grande revelação da arte de declamar.
No dia seguinte, o C.A.A.C. organizou pelas 14h um
torneio de tiro aos pratos, colocando em disputa 2 meias libras de ouro. Ao mesmo
tempo [177],
houve um torneio para amadores, para
aqueles que nunca atiraram aos pratos.
Pouco depois, a O.T.C. foi convidada pela R.T.P. a
fim de participar no programa transmitido (em direto) a partir do Teatro
Variedades, bem como em um outro no Pavilhão dos Desportos, onde atuaram também
as Orquestras Típicas de Santarém, Castelo Branco e Estremoz, transmitido em
direto pela R.T.P., que finalizou com uma atuação conjunta das 4 Orquestras,
dirigidas pelo Maestro Melo Pereira.
Alves Coelho (filho) não iria reger a OTC por muito
mais tempo.
Silva
Tavares, foi um amigo de Alcobaça, com quem mantinha uma forte ligação afetiva,
frequentava com assiduidade e considerava como a sua segunda terra. Recuperou
nas Termas de Piedade, após uma grave doença, como referirá adiante Simões
Muller. O Café Restaurante Bau era um dos seus pousos habituais para conviver e
mesmo trabalhar. Diz-se que aí escreveu muita poesia. Por testamento de 1969,
veio a legar alguns bens à CMAlcobaça, como os seus retratos de autoria de
Luciano dos Santos (óleo) [178],
de Eduardo Malta (lápis) [179],
de José Contente (pastel) [180],
livros de que foi autor, numerados, assinados ou por si rubricados, as pastas
que utilizava profissionalmente, um cofre em mármore contendo terra do quintal
da casa natal em Estremoz, uma máscara em bronze do seu amigo, poeta brasileiro
Olegário Mariano [181]
e uma luxuosa encadernação de O Cardeal
Cerejeira, da autoria do Pd. Moreira das Neves, na qual existia dedicatória
do purpurado. Mas também legou à Biblioteca Municipal de Estremoz mais de uma
dezena de manuscritos, um bronze, uma tela e as insígnias das suas
condecorações. Embora haja quem não confira grande relevância à sua obra para o
Fado, pode dizer-se que foi poeta com
alma fadista. Amália Rodrigues cantou dele Ceu da Minha Rua, Elogio do
Xaile ou Que Deus me Perdoe e
Alfredo Marceneiro A Casa da Marquinhas,
Mariquinhas 50 Anos Depois e Fado da Balada.
Em 1970,
realizou-se no Teatro Monumental/Lisboa uma festa de homenagem a Maria de
Lurdes Resende, comemorativa dos seus 25 anos de vida artística e organizada
por um grupo de colegas, cuja receita foi destinada à Liga Portuguesa contra o
Cancro (delegação do Sul). Presidiu Américo Tomás, que condecorou a artista,
tendo Alcobaça comparecido em massa, através da Câmara Municipal, Santa Casa da
Misericórdia, Orquestra Típica, Bombeiros, Ginásio Clube de Alcobaça e Grémio
do Comércio. Todos presentes (incluindo Belo Marques que leu uma saudação [182]),
para expressar quanto a apreciavam e lhe estavam gratos.
Maria de Lurdes Resende nunca misturou as funções maternais e
a vida artística. Cada uma no seu lugar. Por isso, foi uma mãe extremosa, e que
o digam as filhas Paula Helena e a Isabel Alexandre.
O
apreço a Maria de Lourdes Resende era muito e de há muito. Em 26 de novembro de
1951, no seguimento de um espetáculo no S. Luís/Lisboa, Silva Tavares enviou-lhe
um bilhete, que esta sempre guardou carinhosamente, onde manifestava orgulho por ter contribuído para a revelação
da sua linda voz aos microfones da E.N. e pela sua intervenção em Cantigas Que
Já Cantei e Mais Cantigas neste memorável S. Luís [183].
CAP. IV
-MARIA DE LURDES RESENDE
E
OUTROS-
Em 1995, Maria de Lurdes Resende foi
alvo de uma expressiva homenagem em Alcobaça. Pelas 14h realizou-se uma concentração
no Largo do Mosteiro, e cerca de três quartos de hora depois, chegou a homenageada
que, sentiu o calor dos aplausos dos
alcobacenses.
Seguidamente
organizou-se um cortejo no qual se integraram o grupo das Majoretes, a Banda de
Alcobaça e populares, que desfilaram em direção à Câmara. Sempre que há festa
em Alcobaça, as senhoras têm o (bom) costume/gosto de colocar vistosas colchas
à janela (sem esquecer as chitas de Alcobaça), pelo que nesse sábado 29 de
abril, foi um dia para ver as janelas a
transbordar de cor e alegria.
Miguel
Guerra [184]
deu as boas vindas à homenageada que assinou o Livro de Honra do Município e numa
breve alocução disse que se sente alcobacense [185] pois a aceitação do público move-me e faz-me pensar que nasci aqui.
Onde
quer que atuasse, Alcobaça era número
obrigatório. Quanta vez terá sido pedido e repetido?
Há quem me conheça melhor por Maria
de Lourdes d’Alcobaça, do que por Maria de Lourdes Resende! Seria, pois, uma
tremenda ingratidão não terminar a minha longa permanência nos palcos, em
Alcobaça. Para mim é altamente gratificante verificar como sou querida nesta
terra, cujas belezas nunca me cansei de cantar.
Em seguida o cortejo
dirigiu-se para a rua a que foi dado o nome Maria de Lurdes Resende, que liga
às ruas Belo Marques e Silva Tavares. Junto à placa toponímica, o Presidente da
Assembleia de Freguesia, Engº. Eduardo Vieira Coelho [186]
recordou a emoção que sentiu quando, numa manhã de domingo de 1968 a prestar
serviço militar em Moçambique, ouviu referir Alcobaça e Maria de Lurdes
Resende.
Sensibilizada por em cada alcobacense ter um amigo, disse
que agora já podem mandar-me para a minha
rua. Que hei-de dizer? Que estou muito feliz! Só um povo maravilhoso como é o
de Alcobaça me poderia proporcionar esta alegria. Um abraço de gratidão a todos
os alcobacenses.
À
noite, o cineteatro decorado com chitas de Alcobaça, estava repleto por um
público atento e participativo, que ora escutava em silêncio, ora rebentava em
aplausos com que mostrava a satisfação e a sintonia com os artistas que fizeram história. A abrir a sessão, Orlando Pedrosa de
Carvalho [187]
com uma intervenção fluente e poética,
lembrou nomes notáveis da história de Alcobaça, onde enquadrou a excecional voz
de Maria de Lurdes Resende. Atuaram a Banda de Alcobaça sob a batuta do jovem
maestro Pedro Marques, o grupo de música popular alcobacense Dois Rios, que
brindou o público com dois temas inéditos a incluir no próximo CD, Maria José
Valério, Arlindo de Carvalho, Alice Amaro, Mariete Pessanha, e Margarida
Amaral. A primeira parte finalizou com a entrega de presentes à homenageada, em
tal quantidade e expressividade que a levaram a exclamar parece que estou no Natal. A apresentação esteve a cargo de Artur
Agostinho [188]
que referindo-se a Maria de Lurdes Resende afirmou que é um emblema da música Portuguesa, Fernando Pessa, Igrejas Caeiro [189],
Etelvina Lopes de Almeida [190],
Isabel Wolmar [191]
que sublinhou que orgulhamo-nos da vossa
terra, pois sabem amar os artistas. Armando Marques Ferreira [192]
e Eugénia Maria [193],
em conjunto dirigiram-se ao público com um Boa
noite, poeta Silva Tavares! Boa noite maestro Belo Marques! Boa noite Maria de
Lurdes Resende! Boa noite Alcobaça! Não se limitaram a fazer um cumprimento
de circunstância, resumiram o sentido da festa. Na homenagem à intérprete,
tinham de estar o autor da letra, o compositor da música e a vila inspiradora
da canção que correu mundo e não se esquece facilmente. Depois do intervalo, sob a direção
de Jorge Machado atuaram artistas como Trio Diana, Matilde e Carlos Mendonça,
seguidos de Alice Amaro, Gina Maria, António Alvarinho, Margarida Amaral,
Fernanda Baptista, Maria José Valério [194],
Paulo Alexandre [195],
Maria Abrantes, Mariette Pessanha, Lina Maria, Deolinda Rodrigues [196],
Júlia Babo [197],
Alexandra, Simone de Oliveira, Anita Guerreiro, Maria Dulce e Carlos Guilherme [198].
No final veio a apoteose com abraços, lágrimas, sorrisos e mais ofertas, sendo depois
das 3h da manhã que o pano desceu.
No
espetáculo, foram lidas mensagens de Manuel Frexes, Subsecretário de Estado da
Cultura, do Pd. Horácio Correia, da Moviplay, e um telegrama a partir de
Barcelona enviado por Madalena Iglésias.
O
Noticias de Loures destacou: Senhora
grande a cantar // cantigas que o Povo entende // É Portugal a vibrar // A
nossa Lurdes Resende. Que Deus de saber profundo // A proteja e a todos nós! //
P’ra mesmo no outro mundo // Ouvirmos a sua voz.
Igrejas
Caeiro, notou as não mensagens da RTP, da
Rádio Difusão Portuguesa e da Rádio Clube Português, que não chegaram, e a quem
a artista tanto deu, mas hão-de chegar um dia, pois preocupam-se com as telenovelas…
A Câmara
Municipal de Alcobaça decidiu que autores
e intérprete passaram a ser vizinhos na geografia da vila, mercê da atribuição
dos seus nomes a três artérias da parte alta da Gafa.
A Banda
de Alcobaça na sua lembrança, consignou que vão
passando as águas dos rios. Na ponte para o futuro, fica a voz a cantar
Alcobaça…
A
finalizar, artistas e convidados subiram ao palco onde foram brindados com um
ramo de flores, com a Banda de Alcobaça a tocar Alcobaça e artistas e público a cantaram em uníssono.
A
partir daqui, começaram as saudades. Quem melhor que um poeta, é capaz de
transmitir o que os corações sentem no momento da despedida?
Saudades! Ânsias… coração magoado… //
E os olhos soltam lágrimas, chorando, // E as lágrimas subtis vão suavizando //
O nó que, na garganta, está formado.
Toda a ventura de se ter amado, // Nossos
lábios febris, sempre cantando, // Nossas almas viris sempre sonhando, // Serão
visões, um dia, no passado.
E as nossas almas, pálidas,
velhinhas, // Voarão num voo convulso de andorinhas // Aos tempos que não
tornam a volver.
Ao longe! Ao longe, ó trágicas
verdades! // Pois já me sinto cheio de saudades //Só de pensar que um dia as
hei-de ter.
Segundo o Voz de Alcobaça [199] pôr
de pé uma festa como a que Alcobaça distinguiu Maria Lurdes Resende, não foi
tarefa fácil. Se muito boa gente o reconhecerá, até por experiência própria, em
iniciativas de índole semelhante, outros há, todavia, que por nunca terem feito
nada por ninguém, nem mesmo pela terra que os viu nascer, embora recomendem que
se deve de dar sentido à palavra bairrismo, ignoram completamente os cuidados e
as preocupações exigidas pela complexidade da organização. Apesar de todas as
dificuldades que os tempos atuais apresentam, os mesmos 8 alcobacenses que, em
1987, concretizaram o agradecimento público ao Maestro Belo Marques,
constituíram-se de novo, em Comissão, para igual procedimento a Maria de Lurdes
Resende. Para isso contaram com o apoio condicional da Autarquia Alcobacense e
com a prescindível colaboração do empresário António Fortuna, um amigo que
tenha aberto sempre a sua porta quando Alcobaça a ela bate. E sem obrigação
nenhuma, acrescente-se!
Para a
posterioridade, aqui ficam os nomes dos mentores desta festiva jornada:
António Sanches S.
Branco,
Francisco Oliveira
Ramos André,
Joaquim Matias
Ferreira,
José António Crespo,
osé N. Patrício
Lemos da Silva,
Manuel de Lemos
Pereira da Silva,
Orlando Pedrosa de
Carvalho
Raúl dos Reis
Gameiro
Muitos foram os autores que compuseram/escreveram para Maria
de Lurdes Resende. Correndo o risco de se esquecerem nomes relevantes, podem-se
destacar Nóbrega e Sousa, Jerónimo Bragança, Sousa Freitas, António José,
Fernando Carvalho, Carlos Ruas, Duarte Pestana, Zélia Rosa Pinto, Dinis Manuel,
José Mesquita, Ferrer Trindade, Graciete de Vasconcelos. Para estes e outros,
Maria de Lurdes Resende teve já em 1963, palavras de reconhecimento: Sem boas canções, dificilmente poderá
assistir-se ao triunfo de um cançonetista, por isso não posso esquecer os que
arrancaram à sua inspiração, sem dúvida um dom de Deus, as belas melodias que
tenho interpretado. A todos devo uma palavra de agradecimento muito sincero.
Permitam-me uma citação especial a Belo Marques. Para além do que compôs, foi
ele quem mais me ensinou ao longo dos primeiros anos da minha carreira
artística.
-SILVA TAVARES-
Silva Tavares foi objeto de
homenagem póstuma em Alcobaça, em 24 de junho de 1972 [200],
com a presença do Presidente da Câmara Tarcísio Trindade [201],
vereadores, o presidente da Junta
Distrital de Leiria, o Deputado Amílcar Magalhães, representantes da E.N. e R.T.P.,
David Mourão Ferreira (em representação da Sociedade de Escritores e
Compositores Teatrais), o escritor e amigo pessoal Adolfo Simões Müller [202],
o Presidente da Câmara de Estremoz [203],
e a viúva Dª. Albertina
Ramos Silva Tavares, diretores dos estabelecimentos de ensino particular e
oficial do Concelho, representantes da imprensa regional e nacional, etc..
Presentes com os seus estandartes, apresentaram-se as Filarmónicas da Maiorga e
da Vestiaria, Grupo Desportivo Pataiense, Bombeiros Voluntários de Alcobaça e
de S. Martinho do Porto, Grémio do Comércio de Alcobaça, Sindicato Nacional da
Indústria Têxtil, Ginásio Clube de Alcobaça e do C.A.A.C. Depois da intervenção
institucional de Tarcísio Trindade, usou da palavra Adolfo Simões Müller [204].Finda
a cerimónia, foi descerrada uma lápide com o nome do homenageado na rua a que
foi dado o seu nome, no então chamado bairro das Casas da Caixa de Previdência [205].
-BELO
MARQUES-
Cerca de
um mês antes do falecimento de Silva Tavares, Belo Marques foi também objeto de
uma homenagem em Alcobaça. Figura
representativa de uma época da música portuguesa (cujo
epicentro de prólogo residiu na E.N.,
quando foi inaugurado o Serão para Trabalhadores), Belo Marques faleceu no dia 27 de
março de 1987, em Sobral de Monte Agraço, onde vivia retirado dos palcos [206]. A sua verdadeira atividade profissional como
se referiu supra começou em 1918, ao tocar a bordo dos paquetes das carreiras
da Europa, Brasil e Argentina, o que fez durante onze anos. Radicou-se, em
seguida, em Lisboa onde obteve os primeiros êxitos como maestro e compositor,
após o que foi para Moçambique. Em Lourenço Marques, diretor do Rádio Clube de
Moçambique, organizou várias orquestras e um orfeão. Ao regressar a Lisboa fez
parte da E.N. criando a Orquestra Típica
Portuguesa, um êxito
no género, contando por sucessos cada
apresentação em que acompanhou os artistas em voga como Calvário, Artur
Garcia [207],
Simone, Madalena Iglésias, a Orquestra de Salão
e os Quarteto e Sexteto de Música Clássica. Entre as inúmeras suas composições destacam-se
Alcobaça e A
Feia, dedicada esta a Maria de Lurdes Resende. Dirigiu no Teatro Nacional de São Carlos, que contou
com a presença do Presidente da Republica Óscar Fragoso Carmona, a Orquestra
Sinfónica Nacional que executou a sua Fantasia
Negra (a partir de temas africanos), que despertou interesse pela
originalidade. No funeral incorporou-se uma representação de Alcobaça.
-SERAFIM CHAMUSCA-
Em measdos de 1969, Alves Coelho (filho) abandonou a
O.T.C, por motivos nunca devidamente explicados para fora, sendo substituído
por Serafim Nunes Chamusca.
Chamusca
nasceu em Nespereira/Lousada a 4 de janeiro de 1901, onde iniciou os estudos
musicais com 11 anos, sob a direção do pai.
Entre 1964 e 1967 foi Maestro da Banda da Maiorga e professor de música
(canto coral) [208] na Escola Técnica de Alcobaça/E.T.A., falecendo a 31
de julho de 1969. A sua passagem pela O.T.C., foi curtíssima e nada relevante,
desde logo pelo carisma de Alves Coelho (filho) pelo que a saída deste acelerou
o fim que Chamusca não conseguiu evitar.
Em 11 de Maio de 2014 a Sociedade Filarmónica
Maiorguense levou a cabo uma homenagem nacional ao Maestro e Compositor
Serafim Nunes Chamusca. A Câmara Municipal de Alcobaça, associando-se à homenagem,
recebeu os convidados oficiais nos Paços do Concelho, estando presentes o
secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier e o secretário de
Estado do Orçamento, Hélder Reis. Apesar da sua curta passagem pela Maiorga, é
considerado um importante elemento no desenvolvimento musical da Filarmónica Maiorguense
da música no concelho de Alcobaça, pois com uma vida dedicada á música filarmónica,
deixou um vasto conjunto de composições e arranjos.
As
grandes referências da O.T.C. iam desaparecendo, envelhecendo ou afastando-se
e o agrupamento, sem capacidade de renovação, começou a passar por
dificuldades cada vez maiores. Os ensaios eram pouco frequentados, por vezes
entrecortados com discussões fúteis, pelo que por falta de condições não se
aceitavam os convites que, ainda iam surgindo.
O grupo
definhava rapidamente sem capacidade reação e o 25 de Abril aproximava-se.
|
CAP.V
O
P.R.E.C. TAMBÉM PASSOU POR ALCOBAÇA
-ELEIÇÕES NO C.A.A.C.-
Com o 25
de abril de 1974 criou-se um marco entre um antes e um depois. Em termos
políticos, o que era identificado com o antigo regime passou a ser rotulado de
direita, reacionário. Despojadas de cidadania política, as elites comprometidas
com o regime deposto (como Presidentes de Câmara ou cargos na Administração de
nomeação política) sofreram a primeira vaga do processo de saneamento. As
estruturas paramilitares e de repressão foram de pronto desmanteladas (L.P.,
M.P., P.I.D.E.), os respetivos dirigentes encarcerados e os barões do salazarismo
levados ao exilio.
Liquidadas as elites de primeiro plano, o campo dos opositores , alegados ou supostos
opositores à Revolução, rumou para as figuras de segundo plano, imunes das
repercussões da justiça transicional vindas de quadrantes como área nacional-católica
ou a ligada/conformada com o Salazarismo ou o Império, mais que ao regime em
si.
Alguns autores conferem pouca atenção
à importância dos movimentos sociais como elemento importante para a
compreensão do processo revolucionário português. Trata-se de algo que ocupa
posição secundária em narrativas que privilegiam os aspetos políticos, através
dos atores militares e partidários. Outros relevam a espontaneidade do
movimento popular no dia 25 de Abril, o que terá contribuído para a imediata sensação
de força expressa pelo golpe. Assim se explicaria a correlação entre a explosão
popular e a legitimidade da atuação militar, pois após terem sido aclamados os
militares passaram a demonstrar relutância em contrariar qualquer movimentação
popular. A legitimidade de ação do M.F.A. passou a confundir-se com o processo
de transformação da sociedade, de modo que o movimento militar se tornou
autoridade referenciada popularmente para intervir na resolução dos diversos
problemas.
O C.A.A.C. também não ficou imune a movimentos
populares de saneamento e assalto ao poder que ocorreram por Alcobaça [209].
Assim sendo, impunha-se substituir os corpos sociais por outros conforme os
princípios e objetivos da sociedade socialista,
pelo que foram marcadas eleições para 20 de dezembro de 1974.A lista candidata,
aliás única, apresentou-se aos sócios (muito poucos os antigos e poucos que se
inscreveram para o efeito) e ao público do modo seguinte:
PREÂMBULO
Tendo em conta as novas perspetivas
que surgiram para a vida cultural do país e, portanto, para as associações de
carácter cultural e artístico, um grupo de alcobacenses entrou em contacto com
alguns elementos da última direção eleita, dando-lhe conta da sua vontade de
ver de novo aberto a todos o CAAC.
Não tendo sido levantados quaisquer
problemas pelos referidos dirigentes, foi-nos facultada a chave da Sede.
Encarregámo-nos em primeiro lugar da limpeza das diversas salas e na
constituição de um grupo de colaboradores, que se propôs reunir semanalmente
para discutir as realizações a levar a efeito, bem como a reestruturação do
CAAC.
Assim surgiram como primeiras
realizações:
1-Exposição sobre a luta dos povos
das colónias, na Sede.
3-Participação do Círculo com um
pavilhão na feira de S. Bernardo, onde esteve a exposição atrás referida.
4-Torneio de ping-pong aberto a todas
as pessoas, tendo-se inscrito 45 concorrentes de todas as idades.
5-Banca de venda de livros.
6-A Sede tem funcionado todas as
noites com os jogos (xadrez, damas e ping-pong), além de livros para todas as
idades.
PROGRAMA
Em
vias de realização a curto prazo:
-Um torneio de Damas.
-Uma gincana infantil.
-Passagem de filmes para crianças e
uma tarde de pintura para crianças até aos 12 anos.
-UM MURAL-
A União das
Freguesias de Alcobaça e Vestiaria/U.F.A.V. decidiu celebrar os cinco anos de
existência [211]
memorizando Maria de Lurdes Resende
com um painel de arte urbana na fachada lateral de um prédio. Maria de Lurdes Resende faz parte da nossa identidade e levou o nosso
concelho mundo fora, pois não há quem não conheça a canção, defendeu Isabel
Fonseca. A pintura foi iniciada no dia em que
a autarquia assinalou o aniversário (27 de outubro de 2018) e passados cinco
dias, o mural da autoria de Daniel Eime [212],
estava pronto.
O artista
aceitou o desafio de transformar uma
fotografia de Maria de Lurdes Resende numa pintura, sem que perdesse a
identidade. É um painel exuberante pela criatividade e pela sua dimensão.
Na
impossibilidade de estar presente, Maria de Lurdes Resende com 91 anos, enviou
uma carta à U.F.A.V.. Não imaginam como
estou feliz com esta vossa homenagem, Alcobaça é a minha terra do coração e
também a canção que estará sempre ligada à minha carreira e à minha vida. Curiosamente a canção que se tornaria um
exlibris não foi feita para mim, mas para a Cidália Meireles que a estreou no
espetáculo Jogos Florais de Alcobaça nos anos 1940. Entretanto a Cidália foi
para o Brasil e nunca mais voltou a cantá-la. E felizmente o seu autor, o
maestro Belo Marques deu-me a canção. A partir daí nunca mais deixei de a
cantar, levei Alcobaça comigo ao longo de 50 anos para todo o País e por todo o
mundo e ai de mim que não a cantasse, era imediatamente reclamada, pedida e
exigida. Mas não era um sacrifício para mim, pelo contrário. Mesmo quando não
fazia parte do alinhamento do programa, eu adorava incluí-la porque sempre foi uma
das minhas preferidas também. O
impacto da música de Alcobaça na minha carreira foi imensurável, como
imensurável é o carinho que tenho por esta cidade e pelos seus habitantes que
sempre me receberam tão bem e sempre me deram tanto. Trago-vos sempre no meu
coração e não podia ficar mais sensibilizada com mais esta homenagem desta
terra e do seu povo por quem só recebi carinho e amor”, acrescentou, deixando a
promessa de ir ver ao vivo o mural, porque quem passa por Alcobaça não passa
sem cá voltar.
O Alcoa porém publicou
! que, em conversa com o jornal, a intérprete do tema Quem passa por Alcobaça
agradeceu e manifestou-se feliz pela homenagem. Maria de Lurdes Resende
declarou que, “embora seja do Barreiro, Alcobaça é a minha segunda casa”.
Isabel Resende, filha da cantora, reforçou o facto de a mãe ficar muito
sensibilizada com todas as homenagens que recebeu de Alcobaça e recordou os
tempos de criança, em que a cidade de Alcobaça sempre foi um lugar especial.
Sendo
que quem passa por Alcobaça, não passa sem voltar, agora também passa para ver
este painel de arte urbana.
Era mais que justo ter
esta iniciativa pois, nenhum outro teve ou tem o alcance da música interpretada
por Maria de Lurdes Resende,
referiu Isabel Fonseca, no final da sessão da Assembleia de Freguesia (extraordinária),
que antecedeu a inauguração do painel.
Os
grupos que integraram a 5ª. edição do Festival
in Jazz de Alcobaça, foram desafiados pela União das Freguesias de Alcobaça
e Vestiaria a interpretar Alcobaça numa versão jazz. Assim, Pedro
Nobre Quinteto, South River Jazz Band, Big Band Lisbon Swingers e a Orquestra
Ligeira da Sociedade Filarmónica Vestiariense, apresentaram versões jazzísticas
de Alcobaça. O festival decorreu em
26 e 27 de outubro de 2018 entre a Biblioteca Municipal, o Cineteatro e a
Sociedade Filarmónica Vestiariense [213].
[2] Crespo possuía um
bom espólio com recortes de notícias em jornais, fotografias e outras
recordações, que a filha Fátima mantém e facultou
-José António Crespo, nasceu a 23 de
janeiro de 1926 em Leiria. Vindo viver para Alcobaça com cerca de 2 anos, a sua
primeira profissão foi barbeiro, aliás durante poucos meses, pois passou a
empregado da Resinagem Nacional, Ld.ª, onde esteve 9 anos. Crespo, foi
Presidente da Junta de Freguesia de Alcobaça durante 3 mandatos consecutivos,
eleito em lista do P.S.D.. Também foi correspondente do Diário de Notícias e
Comércio do Porto até à eliminação dos correspondentes e responsável pela
secção desportiva de O Alcoa. Dirigiu a Revista O Campista, do Clube de
Campismo e Caravanismo de Alcobaça, foi Diretor do Clube de Natação de Alcobaça,
da Orquestra Típica e Coral de Alcobaça (onde não atuava), da (renascida) Banda
de Alcobaça, dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça, do C.E.E.R.I.A., da
A.D.E.P.A., cofundador e diretor do Cister Sport da Alcobaça e do Ginásio Clube
de Alcobaça durante 15 anos. Colaborou nas Comemorações dos 100 anos do Hospital de Alcobaça,
com a Liga Portuguesa contra o Cancro, a Comissão de Elevação de Alcobaça a
Cidade onde desempenhou papel muito relevante, e pertenceu à comissão de
homenagem a Belo Marques e Maria de Lurdes Resende. Era pessoa generosa e como
dizia gostava muito de trabalhar em prol de Alcobaça. Apreciava especialmente o
campismo, para o que tinha uma caravana que utilizava de verão e inverno no
País e Espanha. Colecionava compulsivamente jornais, revistas, fotografias,
sendo uma grande preocupação a sua arrumação.
[3] De acordo com Fernando
Manuel Zeferino em meados de 1956, o Coral de Rio Maior visitou-nos e
proporcionou-nos uma ótima audição no nosso Teatro, por iniciativa do saudoso
alcobacense José Coito de Pinho, ao tempo residente naquela vila. O Coito de
Pinho adoeceu entretanto, e regressou a Alcobaça. Falava constantemente na
hipótese de se criar aqui uma Orquestra e, de tal modo nos galvanizou, que
combinámos a vinda, a título experimental, do Maestro Gavino. Este senhor veio
e, antes mesmo de estudar as possibilidades de fundar um agrupamento, marcou
logo o primeiro ensaio nessa semana, precisamente em 13 de Novembro de 1956. E
o que é curioso é que, nessa noite e com somente 23 elementos a Sala do Rancho
do Alcoa ouviu música, embora deficiente.
[4] António Máximo
Gavino Simões do Couto nasceu a 18 de abril de 1923, na Golegã. Fundou e
dirigiu a Orquestra Típica Scalabitana,
a Orquestra Típica de Alcobaça, a Orquestra Típica do Rádio Clube de Moçambique,
sendo até aos últimos dias regente da Orquestra
Típica de Rio Maior. Criou a Marcha
Ribatejana, para além de outras composições. Foi diversas vezes homenageado
pelo seu contributo na valorização da música popular, nomeadamente pela Câmara
Municipal de Santarém que lhe outorgou o título de Scalabitano Ilustre. Faleceu a 21 de junho de 2005.
[5] A Orquestra Típica
de Santarém formou-se em 1946, mas foi em março de 1947 que se integrou no Orfeão Scalabitano, como uma das suas
secções. António Gavino, músico amador e autodidata, de 23 anos, foi o seu
fundador. Criador da Marcha Ribatejana,
António Gavino imprimiu à orquestra um cunho pessoal, tendo conseguido a
continuidade da música popular e regional do Ribatejo.
[6]
Fernando Manuel Zeferino Santos, intérprete de Guitarra Portuguesa, vivia na
Av. João de Deus-Alcobaça, trabalhava no Grémio dos Comerciantes de Alcobaça
(rua Miguel Bombarda) e faleceu em 1964, de doença prolongada. Foi um dos
grandes entusiastas da criação e implantação da Orquestra Típica, a quem
dedicou muito do seu tempo e disponibilidade. Possuía uma excelente voz e era
um fadista de qualidade, ombreando com os melhores de Portugal. Pessoa muito
bem-disposta e sociável, apreciava os convívios boémios, que frequentemente se
prolongavam pela noite e, eventualmente lhe terão agravado a saúde.
-Francisco
Zeferino Santos, seu filho, em entrevista a 16 de abril de 2020, facultou o
espólio fotográfico que o pai deixou, que oportunamente se publicará
[7] Francisco Oliveira Ramos
André,
nasceu na Maiorga em 12 de fevereiro de 1928 e faleceu com a 28 de outubro de
2014. Foi Técnico Oficial de Contas e fez parte de quase todas as instituições
e associações do Concelho de Alcobaça, algumas das quais como fundador tal como
a O.T. onde tocava viola
-Num
acidente de viação, quando se deslocava a Lisboa ao serviço do Corpo de
Escuteiros de Alcobaça de que era chefe, numa camioneta emprestada pela Câmara
Municipal, com uma avaria que o motorista desconhecia, os seus três ocupantes
ficaram feridos, sendo Francisco André o mais grave. O braço ficou esmagado
tendo por isso de lhe ser amputado o braço. Isto causou-lhe enorme mágoa e
implicou uma forte alteração na sua forma de estar na vida.
-Era
um colecionador compulsivo dizendo que tinha cerca de 6000 fotografias e
centenas de recortes de jornais, espólio que a viúva conserva e facultou.
-Fleming
de Oliveira in, No Tempo de Pessoas
Importantes como Nós.
[8] Os diretores da
O.T.C., foram suportando do seu bolso algumas despesas, tal o empenho no sucesso
da causa, como se irá referir de novo,
[9] O Alcoa.
[10] Manuel
Neves
Duarte, conhecido localmente por Manuel Carcereiro,
pai de Maria Fernanda foi o último guarda da prisão comarcã de Alcobaça. Quando
esta encerrou, foi para Leiria, como guarda dos Serviços Prisionais onde
terminou a carreira, em 1980, aos 60 anos de idade.
-As cadeias das comarcas estavam
entregues a um funcionário privativo, o carcereiro, sob a fiscalização do
magistrado do Ministério Público que, por inerência legal, exercia as funções
de diretor.
-Decreto de extinção das cadeias de comarca-Decreto-Lei
n.º 49040
[11] Desconhecia o que
isso significava, portanto, a razão porque fora catalogada dessa forma.
[12] O Alcoa 1961.
[13] O restaurante não
servia apenas pratos portugueses, mas um dos seus sucessos eram o leitão à bairrada e o bacalhau à brás.
[15] A Banda de Alcobaça retomou atividade em janeiro de
1985, graças ao empenho de um grupo de Alcobacenses que criou uma escola de
música. Esta veio a dar resultados positivos, pois desde então a Banda de
Alcobaça tem vindo a afirmar-se no panorama musical português devido ao
repertório executado, mais próximo de uma orquestra de sopros ou mesmo de uma
banda sinfónica do que de uma banda filarmónica tradicional, e à qualidade dos
seus jovens músicos, que foram concluindo a sua formação musical. A
qualidade musical atingida e a constante procura de repertório novo e
desafiante, longe da sonoridade filarmónica tradicional, culmina na utilização
de cordas na sua formação e na alteração da sua denominação para Banda
Sinfónica de Alcobaça.
-O Coro da (renovada) Banda
de Alcobaça, formado em 2013, veio colmatar uma lacuna na oferta musical do
concelho, constituindo uma oportunidade de várias gerações se encontrarem e
partilharem experiências, vivências e, acima de tudo, a música coral. Este
agrupamento apresenta um repertório bastante variado, percorrendo um alargado
espectro musical e temporal que vai da música sacra à música tradicional
portuguesa e a temas contemporâneos de música popular. O Coro da Banda de
Alcobaça tem realizado inúmeros concertos. Participou na apresentação da ópera
“Romeu e Julieta”, de Charles Gounod no Cistermúsica
2016. Em 2017 levou a vários palcos do concelho de Alcobaça e com grande
sucesso um projeto conjunto com a Banda da Sociedade Filarmónica Maiorguense
onde se destacam Musicais de referência, como Porgy and Bess/Gershwin, Os
Miseráveis/Schönberg e “West Side Story”/Bernstein.
[16] Presidente da
Comissão Executiva da Câmara Municipal de Alcobaça, durante a I República.
Eurico Pereira de Araújo Rosa/E.A., ainda estudante, começou a destacar-se
através da participação em círculos político-republicanos de Alcobaça, bem como
pela escrita em o Semana Alcobacense,
onde redigia editoriais, artigos e os versos Remoques, sob o pseudónimo de X, ao lado de Pereira Zagallo, Afonso
Ferreira, Raúl Proença ou Bernardo Villa-Nova, o que lhe era facilitado por
também ser tipógrafo, circunstância que lhe permitia compor os textos que
redigia.
-Foi avô paterno do médico Jorge G.
Araújo.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros, No Tempo de Reis, Republicanos & Outros
e No Tempo dos Bóeres em Portugal.
[17] Depois da notoriedade granjeada enquanto repórter na B.B.C.,
realizou a primeira emissão em direto da R.T.P., em 7 de Março de 1957, na Feira Popular de Lisboa.
Entrou para os quadros da RTP apenas a 1 de janeiro de 1976, já com 74 anos. A
expressão “E esta, hein?” veio a marcar a sua carreira como repórter
televisivo. A expressão surgiu como substituto dos palavrões que tinha vontade
de dizer quando denunciava situações menos agradáveis do quotidiano do país. Neste
contexto, era por vezes criticado por privilegiar nas suas sátiras os políticos
cuja ideologia não partilhava, poupando em geral os que pudessem ser conotados
com a esquerda. Reformou-se em 1995, com 93 anos de idade. Fernando Pessa
morreu a 29 de abril de 2002, em Lisboa, poucos dias depois de completar cem
anos.
[18] José Teodoro,
diretor da Sociedade Filarmónica Recreativa Pataiense.
[19] Nasceu em Turquel em 23 de maio de 1850, e aí faleceu, em
10 de novembro de 1943. Foi professor primário em Turquel e depois, quando, em
1882, o comendador Pedro José de Oliveira fundou a escola do Vimeiro, foi José
Diogo Ribeiro regê-la a convite do fundador. Revelou-se um notável pedagogo e
revelou também o seu valor em trabalhos arqueológicos, folclóricos, etnográficos
e morais.
-Publicou: Memórias de Turquel, 1908; A Arvore; Turquel Folclórico
(Superstições, Usos, Costumes, contos, linguagem popular, crenças e medicina
popular), 1927; Aditamento às
Memórias de Turquel, 1930; O Código
de Civilidade, 1933 e 1936; Segundo
Aditamento às Memórias de Turquel, 1941.
-Escreveu para vários jornais e revistas, assim como colaborou em obras de
outros autores.
[20] António
Barbosa
Guerra,
nasceu em Coz, no seio de uma família de agricultores. Para além de agricultor,
foi empresário do comércio de carnes e da restauração nos anos de 1960 e início
de 1970, no Café Trindade/Alcobaça. Com sensibilidade e voluntarismo, teve
intensa atividade na vertente social, sendo importante o contributo para a
criação da Creche da Maiorga, a Orquestra Típica e Coral da Maiorga, o
acompanhamento da Sociedade Filarmónica Maiorguense e a intervenção como
Presidente do Grémio das Associações de Comerciantes de Carne. Foi Vereador da
Câmara Municipal de Alcobaça (1982, pela AD, em representação do PPD/PSD).
[21] Natural de Azeitão, iniciou a
atividade musical com 7 anos. Foi professor de Educação Musical no Ciclo
Preparatório e dirigiu as bandas da Maiorga, Santiago do Cacém e o Coral de
Azeitão. Anteriormente, passou pela Banda Militar, pela Banda da Armada, tendo
feito parte de orquestras ligeiras de teatro, rádio e televisão.
[22] Intransigente
defensor do Estado Novo, foi Administrador do Concelho, Presidente da Comissão
Administrativa Municipal, Presidente da Câmara. Exerceu funções autárquicas
durante dezassete anos, em períodos críticos, e de forma por vezes controversa
e férrea, criando amigos e inimigos.
[23] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e
Outros.
[24] Urbano Tavares
Rodrigues.
[25] Costa, Alberto
Bernardes da, futuro político socialista (Ministro da Administração Interna do XIII Governo Constitucional, chefiado por António Guterres), publicava poesia em O Alcoa e aí assinava uma coluna, onde fazia crítica.
-É natural de Évora de Alcobaça, onde
nasceu em 16 de agosto de 1947.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Pessoas Importantes como Nós
[26] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros.
[27] Oração foi a canção
que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1964, que teve lugar
em Copenhaga a 21 de março
de 1964 interpretada em português por António
Calvário.
Esta foi a estreia de Portugal no concurso e
consequentemente a primeira vez que foi ouvida a língua portuguesa naquele
festival.
[28] Voz de Alcobaça. Gerardo era conhecido como o Grande Carola.
[29] António Jorge Pinto
da Costa Barros, é mais conhecido por Jorge Barros. Como autor ou coautor está ligado a dezenas de livros na sua
maioria com a chancela de editoras bem conhecidas nos quais o seu conceito de
fotografia é sublinhado.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Pessoas Importantes como Nós.
[30] Agostinho
Pessanha Gonçalves, nasceu a 29 de dezembro de 1946, em Cinfães. Licenciado em
Direito pela Universidade de Coimbra, fez estágio para advocacia com José
Henriques Vareda, Advogado em Leiria e apoiante da CDE. Pessanha Gonçalves, por
sugestão (política?) do patrono, abriu escritório em Alcobaça. Imediatamente ao
25 de Abril de 1974, fez parte do grupo que tomou de assalto a Câmara Municipal de Alcobaça, ao abrigo da legitimidade
revolucionária, e assumiu-se como vereador.
-Fleming
de Oliveira in, No Tempo de Soares Cunhal
e Outros e No Tempo de Pessoas
Importantes como Nós.
[31] Estes irmãos, ambos
tenores, assumiram-se como das grandes referências da O.T.C.
-Segundo JERO, no dia em que foi aprovada a
candidatura portuguesa do Fado à Lista Representativa do Património Cultural
Imaterial da Humanidade, veio de imediato à sua memória o alcobacense Olegário
do Nascimento, falecido num acidente de viação no dia 14 do mês de agosto de
2009. À sua maneira, o Galhito foi o
melhor fadista alcobacense de todos os tempos. No texto que lhe dedicou aquando
do falecimento, publicado em O Alc o em 27 de agosto de 2009 referiu: “Nos bons velhos tempos de solista da Orquestra
Típica de Alcobaça (juntamente com o seu irmão Valdemar) na regência do Maestro
António Gavino acumulou sucessos. Seguiu-se a sua fase fadista com múltiplas
apresentações e outros tantos êxitos pessoais, sem as devidas compensações
materiais. Faltou-lhe então um golpe de asa e uma mão amiga para lhe abrir as
portas certas do mundo do fado. Com o seu modo desprendido e pouco interesseiro
que o caracterizava, o Galhito. também não terá lutado o que devia e terá passado
ao lado de uma grande carreira de fadista. Depois emigrou por longos anos para
a Alemanha, onde trabalhou duramente e…não fez fortuna. Quando regressou
dedicou-se a outras vidas. Era um homem íntegro, amigo do seu amigo, que não
nasceu para ser rico. Contentava-se com pouco e viveu à sua maneira.
-O filho facultou fotografias, que
serão publicadas com uma eventual edição em papel.
[33] Camarotes e
frizas:75$00: 1ª. plateia:17$50; 2ª. plateia:15$00; 3ª. plateia:12$50; 4ª.
plateia 10$00; 1º. Balcão: Fila B e C: 15$00; 1º. Balcão: Fila D e E 12$50; 2º.
Balcão 7$00; 3º. Balcão 6$50.
[34] Esta orquestra não era
propriamente de dança e dela fizeram parte, entre outros, Mercedes Campeão, ao
piano, e Joaquim Calçada, ao rabecão.
-J. António Crespo.
[35] Grande defensor do folclore ribatejano e considerado
um dos grandes etnólogos do País, Celestino Graça promoveu estudos das
tradições, usos e costumes do Ribatejo. Para preservar o folclore ribatejano
fundou e dirigiu o agrupamento Pescadores do Tejo (1955), o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém (Grainho
e Fontainhas, em 1956), o Grupo Infantil de Danças Regionais de
Santarém (1956) e o Grupo Académico de Danças Ribatejanas (1957).
Faleceu em Santarém, em 24 de Outubro de 1975,
aos 61 anos.
[36] Edição de 4 de maio de 1957, socorrendo-se
o não identificado articulista, não sabemos de que fonte.
[37] Edição de 9 de maio de 1957, em notícia não
assinada, porventura de J. Crespo, o correspondente em Alcobaça.
[38] Fernando Serafim nasceu em Alcobaça em
1933, filho de José Serafim conhecido possuidor de talento vocal sendo até
conhecido por José Canta Bem.
Concluiu o Curso de Canto no Conservatório Nacional e foi bolseiro da Fundação
Calouste Gulbenkian, em Itália, onde estudou técnica vocal. Logo
depois foi para a reputada Alcademea Mozart/Salzburg onde estudou 2 anos,
com uma bolsa do Instituto para a Alta Cultura. A sua carreira como
concertista, contou com a colaboração, muito próxima, de Fernando Lopes Graça.
[39] Voz de Alcobaça in, Suplemento Especial, dedicado a Maria de Lurdes
Resende.
- A estreia da canção
acontecera em Alcobaça, durante um espetáculo a favor da Misericórdia,
[40] Edição do
PCP/Alcobaça.
-Texto
policopiado facultado por Altino do Couto Ribeiro.
-Albino
Serrano trazia consigo muita propaganda clandestina.
[41] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros.
[42] Depois da II Guerra surgiu
em Alcobaça o semanário O Alcoa, mais
propriamente em 27 de Dezembro de 1945, tendo como Diretor o Engº. Agrónomo
João Maria Sousa e Brito, então com 35 anos (nasceu a 24 de junho de 2010). A
partir de 1948, o Pe. Manuel José Vitorino assumiu-se como seu Administrador,
enquanto Sousa e Brito passou a acumular as funções de Diretor e Editor até
falecer em 1962. Foi o primeiro Diretor da E.T.A./Escola Técnica de Alcobaça.
Muito popular, prestável, comunicativo e com espírito associativo, pertenceu a
inúmeras instituições, como os Bombeiros e Hospital da Misericórdia, nestes
dois casos presidente da A.G.. Gostava de frequentar o Restaurante Bau da parte
da tarde mesmo para trabalhar. Conta Mário Vazão que o conheceu muito bem e à
respetiva família, que foi o Engº. Sousa
e Brito quem lhe deu o primeiro emprego na secretaria da E.T.A., com o ordenado
de 20$00 por dia e que este escrevia e falava muito bem, qualidades que
explicam o convite para dirigir O Alcoa.
-Não
sendo natural de Alcobaça, aqui se encontrava há três décadas quando faleceu em
circunstâncias nunca bem esclarecidas.
[43] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros.
-Jaime
Junqueiro, foi um muito discreto presidente do município e, segundo dizia,
nunca compreendeu as razões da sua exoneração ao fim de dois mandatos, em que
pouco mais fez que inaugurar algumas obras projetadas anteriormente, receber
Juscelino Kubitschek de Oliveira, os Príncipes de Mónaco e por duas vezes
Américo Tomás. De facto, embora não por ele, Alcobaça estava no mapa e nenhuma
visita de prestígio passava por Portugal sem visitar Alcobaça. A indicação do
seu nome surpreendeu a população de Alcobaça, mas não os afetos à U.N. e embora
sabendo-se que a sua nomeação pelo Governador Civil Olímpio Duarte Alves tenha
sido provisória, por interina, o certo é que ficou até 1969. Soube-se que no
final dos primeiros quatro anos da sua presidência, devolveu verbas poupadas em
obras que não foram realizadas. Depois de deixar a Presidência da Câmara Municipal
em 1969, mandou fazer cartões-de-visita onde estava escrito Ex-Presidente da Câmara de Alcobaça.
Começou a sua vida profissional em Alcobaça, como Fiscal da Comissão Reguladora
das Moagens de Ramas. Depois foi secretário do Grémio da Lavoura, em cujo
organismo chegou a gerente. Fez parte da Comissão Concelhia de Alcobaça da U.N.
Faleceu em abril de 1972.
-A
tomada de posse de J. Junqueiro no Governo Civil de Leiria teve a presença dos
principais dirigentes distritais da U. N. e outros afetos ao regime. Lidos e
assinados os autos de posse, o Governador Civil de Leiria fez o elogio do novo
presidente da Câmara, que sempre se mostrou disposto a todos os sacrifícios
durante a sua nomeação interina. Referiu-se também com palavras elogiosas ao
Dr. José Nunes Franco, que, apesar dos afazeres da sua vida profissional, como
médico, aceitou a vice-presidência da Câmara. Em seguida o Dr. Aníbal Correia,
em nome da U.N., disse do verdadeiro
nacionalismo dos empossados que através dos mais variados e elevados cargos,
deram provas da maior dedicação e frutuoso trabalho. O Capitão Silva
Mendes, depois de recordar as dificuldades no desempenho de tão espinhosos
cargos, lembrou a ação notável do antigo presidente J. A. de Carvalho e disse estar seguro que os empossados continuariam
a obra em curso e promoveriam outras bem e progresso de Alcobaça. Também o
Pe. Luís da Costa, Vigário e Pároco de Alcobaça, disse conhecer de há muitos
anos os empossados e a consideração de
que gozavam no concelho.
-O Alcoa.
-Fleming
de Oliveira in, No Tempo de Salazar,
Caetano e Outros.
-JERO.
[44] J. Crespo.
[45] Nossa Senhora da
Piedade é o coração do concelho.
[47] O Mensageiro.
[48] Anita Guerreiro, nome artístico de Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali (Lisboa, 13 de novembro de 1936)
começou a carreira profissional de cantora aos 16 anos, como candidata ao Tribunal da Canção, embora cantasse
desde muito pequena na escola e na coletividade Sport Clube do Intendente. Foi
madrinha de várias marchas populares em Lisboa/Stº. António.
[49] Mais conhecida por
fazer parte do Coro Feminino da E.N., o que lhe conferia popularidade e
reconhecimento e menos por ser intérprete individual.
[50] A ideia de criar uma Casa do Artista foi trazida do
Brasil por Pedro Solnado, sobrinho do ator Raul
Solnado.
[52] Miguel Elias foi
Presidente da direção entre 1966 e 1968. Comerciante foi também elemento da
direção do Ateneu Desportivo de Leiria.
[53] Maria de Lurdes Resende
interpretou, apela primeira vez, a Canção de S. Martinho, com letra de Silva
Tavares e música de António Gavino.
[54] Entre os irmãos
Olegário, Valdemar e o maestro havia um código utilizado nos espetáculos quando
aqueles se apercebiam que o público se encontrava mais desatento. Eles estavam
virados para o público e o maestro de costas. Assim, perante a constatação, mandavam-lhe
uma mensagem para alterar o repertório para peças mais vibrantes.
-J.
Crespo.
-JERO.
[55] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros.
-Rafael
Barata Gagliardini,
nasceu na Madeira, veio para o continente com 5 anos, sendo o segundo de 11
irmãos. Estudou e formou-se eme Medicina no Porto, com alta classificação.
Depois de ter estado a trabalhar em Lisboa, foi efetuar uma especialização em
Paris. Casado em 1930, fixou residência em Lisboa, aí abriu consultório. Aos 25
anos, Graça foi a São Martinho do Porto passar férias com a família. Na
ocasião, o médico residente da vila, Dr. Acácio, encontrava-se doente (aliás em
breve faleceu) e, ao saber da presença de um colega, pediu-lhe colaboração.
Gagliardini Graça prontificou-se, e começando a assistir os doentes por lá se
veio a radicar. Faleceu em 25 de março de 1982.
[56] Vasco António
Rodrigues Sant'Ana (Lisboa, 28 de Janeiro de 1898-Caneças, 13 de Junho de 1958),
mais conhecido como Vasco Santana,
foi um dos maiores atores de cinema e
teatro portugueses.
[57] 3 de outubro de 1957.
[58] O Alcoa.
[59] Idem.
-Joaquim
Augusto de Carvalho natural de Ílhavo, veio para Alcobaça na década
de 1930. Foi fundador da Crisal e Presidente do Clube Desportivo Comércio e Indústria de
Alcobaça. No mandato de Júlio Biel, foi vereador e Presidente da Comissão
Municipal de Turismo. Tomou posse como Presidente da Câmara a 9 de Outubro de
1953. O seu mandato, fortemente ligado à aplicação do II Plano de
Fomento, permitiu-lhe investir em várias frentes, nomeadamente,
na eletrificação. As visitas internacionais também marcaram o seu mandato como aconteceu com Hailé Selassié, Imperador da Etiópia, a Princesa
Margarida,
de Inglaterra, e a Rainha Isabel II, de Inglaterra. Esta última
visita
impulsionou a grande transformação da Praça
Oliveira Salazar, de onde foi retirado o Edifício do Jardim-Escola João de Deus
Ramos.
-O Pd. João de Sousa, nasceu no Bárrio, a 29 de dezembro de 1925. Na história recente do
Bárrio, o Pd. João de Sousa foi uma figura incontornável, polémica, o que lhe
acarretou dissabores, como refere Orlando Pereira, antigo Presidente da Junta
do Bárrio e que com ele muito privou. Ativo e enérgico, por vezes em excesso,
nada havia ou se fazia no Bárrio e arredores em que não participasse ou
opinasse. A sua influência, inclusivamente política, chegou a Alcobaça, onde
foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia. A sua grande obra (material) foi a
construção da Igreja Nova, que demorou alguns anos. O Pd. João de Sousa, foi
responsável pela construção da Casa Paroquial e o grande impulsionador do Círio
do Bárrio, que em agosto de cada ano, em jeito de procissão e liderado por um
juiz com bandeira, muito concorrida, onde não faltava banda de música, ia até
Santa Suzana de Landal (Caldas da Rainha), onde era recebido festivamente. Em
1959, com os seus 34 anos, o Pd. João de Sousa, veio a ser transferido para a
Paróquia de Odivelas. Todavia vinha com alguma regularidade ao Bárrio, celebrar
a missa dominical, altura em que a igreja se enchia, pois era um excelente
orador/pregador. A Junta de Freguesia na comemoração do cinquentenário da
Igreja Nova, prestou-lhe em 13 de julho de 1997 homenagem com a construção de
um monumento da autoria de Fernando Pedro (escultor e músico, natural do Bárrio
vivia na Benedita, há vários anos. Faleceu em dezembro de 2919 com 74 anos.
Como compositor musical foi autor do sucesso Mulher da Nazaré). Pregador notável, a sua ação alastrou em defesa
da terra e da população em favor da qual desenvolveu uma ação notável. Contudo
nos últimos anos em que esteve à frente dos destinos da paróquia do Bárrio,
viveu incompreensões. O Pd. João de
Sousa, faleceu em Lisboa em 29 de novembro de 2003 e encontra-se sepultado na
sua terra.
-Embora
tenha sido Pároco no Bárrio durante pouco tempo, deixou marcas ainda
recordadas.
[61] Intérprete da Canção das Caldas, música da autoria de
Nóbrega e Sousa. Elemento do Coro Feminino da E.N., fez parte
do Quarteto Feminino, da mesma Estação. Também solista da Orquestra Típica Portuguesa, foi cantora na rádio e televisão, com
vários discos gravados.
[62] Não nos foi possível
recuperar as pautas e letras.
[63] Letra de Moreira da
Câmara e música de Nóbrega e Sousa.
[64] Não nos foi possível
recuperar as pautas e letras.
[65] Caldas da Rainha foi
elevada a cidade a 26 de agosto de 1927.
-A presença da O.T.C.
inseriu-se numa iniciativa que pretendeu exaltar os valores de grandeza de uma
terra que viu recompensado o seu desenvolvimento económico, cultural e social
com a atribuição, por decreto de 1927, do estatuto de
cidade.
-Caldas
da Rainha ascendeu ao lugar de única cidade da Estremadura, depois de Lisboa e
Setúbal.
[66] U.F.A.V.
[67] J. A. Crespo.
[68] Violista meritório
que acompanhou os principais fadistas portugueses e com quem gravou discos.
[69] Francisco Perez Andión nasceu em Vigo
a 12 de fevereiro de 1932. Aos 12 anos mudou-se para Lisboa onde a família
tinha dois restaurantes. Tomou contacto com o fado na Adega Perez de seu avô,
mais tarde herdada por seu pai e que tomou o nome de Retiro Andaluz. Os poetas Henrique
Rêgo e Francisco Radamanto, os fadistas Fernanda Maria, Júlio Vieitas, Júlio
Proença e João Maria dos Anjos foram os primeiros com quem fez amizade e
acompanhou. Aos 19 anos estreou-se como violista profissional na “Parreirinha
de Alfama”. Ao longo da carreira acompanhou os grandes nomes do fado, tanto em
Portugal como em digressões no estrangeiro. Berta Cardoso, Alberto Ribeiro,
Fernando Maurício, Celeste Rodrigues, Fernando Farinha, Teresa Tarouca, Maria
de Lurdes Resende, Hélder Moutinho, Julieta Estrela, Mariza, Alfredo
Marceneiro, Amália Rodrigues, Maria Amélia Proença, Mafalda Arnauth, Camané são
alguns dos que acompanhou. Faleceu a 27 de novembro de 2004
[72] Presidente da Câmara
e descendente de António Ginestal de Machado este que, entre outras funções, foi deputado, Ministro da Instrução Pública e Presidente do Ministério
durante a Primeira República.
[74] Maria Luísa Dionísio.
[76] Natural de Alcobaça, o Dr. José Nascimento e
Sousa dedicou grande parte da sua vida ao exercício da medicina, em que se
licenciara em Coimbra. A sua afinidade com o Estado Novo, levou-o, em 1942, a assumir a
Presidência da Comissão Concelhia de Alcobaça da União Nacional e, quatro anos
mais tarde, a Presidência da Câmara Municipal.
-Fleming de
Oliveira in, No Tempo de Salazar, Caetano
e Outros.
[79] O Alcoa.
[80] Maria José Canhoto nasceu em 25 de Abril de 1950 na Soalheira/Fundão. Optou inicialmente pelo nome Marizé mudando depois para o
nome artístico Alexandra. Esteve em Moçambique onde cantava
na Rádio Clube de
Moçambique como Maria José Canhoto. Como Marizé colaborou com o
Man Matos Trio, regressando a Portugal em 1976.
[82]Alberto Alves Coelho
(Alves Coelho, Filho) seguindo as pisadas do pai (João Rodrigues Alves Coelho),
maestro e compositor, foi autor de interessantes temas de música popular.
Escreveu também poesia. Ficou muito ligado a Alcobaça onde foi maestro da O.T.C.,
e como dizia, se sentia muito bem. Maria Luísa, Maria Fernanda e
Rosa Maria Coelho salientam a afabilidade e o dinamismo de Alves Coelho
(Filho), que por vezes se exprimia de forma temperamental, mas que não era mais
que fruto da ansiedade de obter bons resultados.
-Alves Coelho (Filho) e mulher foram, aliás,
padrinhos de casamento de Maria da Graça Coelho, irmã de Rosa Maria, casamento
que teve de ser adiado pelo facto de a O.T.C. ter nesse dia um compromisso com
a R.T.P., transmitido em direto.
Ver adiante.
(Ficou muito ligado a
[83] Francisco Ramos
André in, O Alcoa.
[84] Idem.
[85] O frango
na púcara, o bacalhau à Corações Unidos e os filetes de pescada, eram
especialidades deste restaurante.
[86] Sogro de Fleming de
Oliveira.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros e No Tempo de Pessoas Importantes como Nós.
-Amílcar Pereira de Magalhães nasceu a
22 de setembro de 1909 no lugar de Porto do Carro/Leiria, no seio de uma
família de agricultores. A devido tempo, com os pais a viver em pontualmente
Coimbra (o pai foi archeiro na
Universidade), depois de ter estudado no Liceu de Leiria, licenciou-se em 1936
na Faculdade de Direito, tendo como colegas de curso e amigos (Dr. Henrique
Trindade Ferreira, de Alcobaça, seu companheiro de casa), os Drs. Fernando Maia
de Carvalho, Manuel Casanova, Antão Santos da Cunha e José Guilherme Melo e
Castro, sendo este quem vindo a Alcobaça por indicação de Marcelo Caetano, lhe
fez convite para as eleições de 1969 para a Assembleia Nacional, onde fez parte
da Comissão de Obras Públicas e Comunicações. Apoiante do regime nunca fez
parte da U.N., embora em 1969 tenha concorrido na versão caetanista pré-A.N.P..
Era um distinto e exemplar advogado à moda antiga, embora com pouco ar de
tribuno. Pessoa de temperamento aparentemente frio, cristão, mas não
praticante, prezava o estilo da oratória do Dr. Salazar. Foi membro do Conselho
Municipal de Alcobaça, Presidente do Grémio da Lavoura de Alcobaça e Vogal da
Direção da Federação da Lavoura da Província da Estremadura, Presidente do
C.A.A.C./Círculo Alcobacense de Arte e Cultura, numa altura de especial pujança
desta instituição e da Orquestra Típica e Coral. Amílcar Magalhães era do tempo
em que, uma frase bem elaborada, escrita ou falada, correspondia a uma pessoa
de educação e cultura humanista, onde os clássicos não tinham desaparecido dos vícios de leitura ou dos manuais
escolares. Tendo sobrevivido à revolução do 25 de abril, poucas vezes dividiu
redutoramente o mundo português em esquerdas e direitas. Apreciava, em Salazar
a capacidade intelectual e de mestre jurista, e condescendia com o seu dedo em
riste apontado ao ouvinte ou interlocutor, para vincar a ideia. Todavia, não
aceitou que essa oratória ou a praxis política, por mais bonitas ou empolgantes que fossem as intervenções
ou palavras, fundamentasse um pretexto de violentar o cidadão. Dadas as suas
origens no campo, compreendia bem a mentalidade da sua gente e tinha-a bastante
em conta, na vida profissional. Faleceu a 21 de fevereiro de 1982.
[87] Idem.
[88] Idem.
[89] Reveja-se supra.
-A família de José Ramos Belo Costa Marques du
Boutac (Batalha, 25 de janeiro de 1898/Sobral de Monte Agraço, 27 de março de 1987) em 2013 doou o seu espólio ao Arquivo Distrital de Leiria.
-Não apuramos se Boutac apelido que consta de seu nome, decorre de ter
nascido na Ponte do Boutaca/Batalha.
-A construção da Ponte da Boutaca, nome associado a uma
propriedade de Mestre Boutaca no local, teve início em 1862, como testemunha a
gravação num marco colocado na valeta da estrada que, de norte para sul, dá
acesso à ponte.
[90] Este incidente foi
contado entrecortado com melancolia e sorrisos.
[91] Maria Fernanda carcereiro.
[92] Francisco Ramos
André,
[93] Crespo, Maria
Fernanda e Francisco R. André.
[94] Acácio, vulgo Serol, nasceu em Alcobaça, a 16 de maio
de 1920, foi motorista de praça, homem em geral bem-disposto e que, segundo os
amigos, vivia com otimismo. Fez parte do corpo de Bombeiros Voluntários de
Alcobaça, foi músico na Banda de Alcobaça, componente do Rancho do Alcoa e
baterista na O.T.C. Constituiu alguns conjuntos de música ligeira que atuavam
em bailes e festas populares da região. Dizia que, uma vez, foi preso por ofender a religião (estava a cantar à
porta da igreja uma música revolucionária e proibida, o que lhe valeu passar
uma noite no Posto da P.S.P., tinha pena de não ter casado de noite, para ninguém o ver. Pertenceu à Banda do Mestre Arnesto como membro
honorário. Faleceu a 7 de fevereiro de 1999.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Pessoas Importantes como Nós.
[95] Joaquim Vieira Natividade, (1899-1968) foi figura
cimeira entre os silvicultores europeus do século XX. Nascido em Alcobaça,
formou-se no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, em Engenharia Agrónoma
(1922) e Engenharia Silvícola (1929). Em Londres e em Coimbra especializou-se em
genética e citologia tendo, mais tarde, fundado e dirigido o Departamento de
Pomologia da Estação Agronómica Nacional, o Centro Nacional de Estudos e
Fomento da Fruticultura e a Estação de Experimentação Florestal. Entre 1930 e
1950, Natividade foi diretor da Estação Experimental do Sobreiro, em Alcobaça.
O seu trabalho assumiu um papel fulcral na construção e consolidação da
investigação florestal, em Portugal. Ficou também conhecido pelos seus
trabalhos na área da fruticultura tendo publicado mais de uma centena de
estudos científicos. Em fevereiro de 1968, inaugurou a Estação Nacional de
Fruticultura em Alcobaça, tendo falecido em novembro seguinte.
-Irene de Sá Natividade, mais conhecida como Irene Sá, nasceu
no Porto em 28 de novembro de 1900 e faleceu a 15 de julho de 1995 em Alcobaça.
A partir dos 3 anos viveu em Alcobaça, e cedo manifestou tendências artísticas
que mais tarde, como esposa do Prof. J. Vieira Natividade (com quem casou em
1923), iria desenvolver em convívio artístico-literário com personalidades de
relevo, como Afonso Lopes Vieira, Alberto de Sousa e Sousa Lopes. Em 1916,
começou a pintar aguarela e óleo. Dedicou-se à cerâmica, a partir de 1925.A
pintura e a tapeçaria de Irene Sá Natividade foram admiradas em várias
exposições e exaltadas pelas críticas mais exigentes. Em 1951, realizou a sua
primeira exposição em Alcobaça. Um ano mais tarde, seis das suas mais ricas e
belas tapeçarias foram expostas no Secretariado Nacional da Informação/S.N.I..
Em 1954, expôs no Porto. Anos depois, uma das salas do Museu José Malhoa, em
Caldas da Rainha, foi emoldurada por uma das melhores coleções de tapeçaria
vista na cidade. Encontra-se representada com duas aguarelas, na sala II do
Museu de José Malhoa. Outras obras, encontram-se em instituições públicas e
coleções privadas.
-Fleming de Oliveira in, No
Tempo de Pessoas Importantes como Nós.
[96] Fernando M. Zeferino
in, O Alcoa.
[98] Teve de abandonar a
O.T.C. pois não podia conciliar o trabalho na Casa Espanhola com o apoio ao pai
Manuel Duarte carcereiro que ficara
doente.
[99] José Alberto Simões
Vasco.
[100] Alberto Ramos nasceu em 1930 e gozou de popularidade
em finais da década de 1950 e nos inícios da década de 1960 e cujo percurso
musical, à semelhança de outros cançonetistas do seu tempo, se eclipsou de
forma abrupta durante a década de 1960. Da sua discografia, destaca-se no
seu primeiro disco de 1959, Beijinho Doce,
com acompanhamento do Conjunto de Hélder Reis
[101] Maria Amélia Canossa nasceu em 1933 no Porto. Após ser considerada Princesa da Rádio 1951, e
Rainha da Rádio 1952, depressa se tornou
Rainha do Estádio das Antas, como intérprete da marcha e do hino do F.C.
Porto, ainda hoje ouvido no início de cada jogo do clube, já mesmo no Estádio
do Dragão. Nasci numa família portista e
cresci vindo ao futebol com os meus pais, com o meu avô. Sempre fui portista.
Quando foi preciso concluir o Estádio das Antas e me pediram ajuda, fazendo
espetáculos, entreguei-me ao F.C.Porto como artista e colaboradora. Com as
festas pró-estádio das Antas cantava a marcha, de João Manuel e Carlos Dias.
Quando o estádio ficou pronto, achei-o tão bonito e surgiu o hino (gravado em
31 de março de 1952) que ainda está aí cheio de força e para durar.
[102] José Viana, começou por desenhar e pintar. Chegou a
cenógrafo, encenador, autor, cantor, compositor, mas foi como ator que se
tornou mais conhecido, sobretudo na revista e televisão. O primeiro emprego que
teve, foi como retocador de gravura. Ainda como pintor, em 1947, integrou a 2ª.
Exposição Geral de Artes Plásticas, organizada pelo Movimento de União
Democrática/M.U.D., onde a polícia política lhe confiscou alguns quadros
“impertinentes”. O ator/pintor ficaria também conhecido pela sua faceta
política, que o levou a filiar-se no PCP, opção nunca compreendida pela maioria. Isso nunca o impediu de ter acesso
à TV e a um público diversificado.
-A 1 de Maio de 1975,
os Bombeiros Voluntários de Alcobaça, comemoraram os seus 87 anos, pelo que
organizaram um vasto programa que abrangia uma romagem ao cemitério, projeção
de filmes, baile, almoço-convívio, homenagens, apresentação de uma nova
ambulância e variedades. Ao fim e ao cabo, à escala de Alcobaça, expressavam-se
as contradições de um processo que nesse dia teve o seu ponto mais elevado no
Estádio 1º. de Maio, em Lisboa. Ao cair da tarde, em Alcobaça, lambidas algumas
feridas de uns mimos e com os ânimos mais serenados, houve um espetáculo de
variedades com um José Viana muito comprometido virulento e cáustico, livre das
peias de qualquer censura. José Viana morreu em janeiro de 2003, vítima de um
acidente de viação em Lisboa.
-Em Alcobaça, terra muito
conservadora, não colhia especial aceitação nem no tempo dio PREC.
[103] O Alcoa 1961.
[104] Francisco Ramos
André in O Alcoa.
[105] Incidentalmente
fadista, é sobretudo lembrada pelas interpretações de marchas. De inconfundível
cabeleira loura, nasceu em Lisboa em 1936. Alice Amaro conquistou um público
fiel ao longo dos anos de 1960, cativado pelo modo alegre e desinibido como
atuava.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros.
-Ver adiante.
[108] Gina Maria pode dizer pouco ao público de hoje, mas
quem estava atento à canção nacional nas décadas de 1960 e 1970 recorda-a como
uma das vozes que mais popularizou o reportório de matriz folclórica.
.
[109] Cantor lírico,
nasceu em Lisboa, a 15-02-1911, onde faleceu a 6-12-1984. Guilherme Kjölner
atuou em quase todos os palcos nacionais e muitos estrangeiros. Em 21 de
Novembro de 1975, constituiu o ponto final da sua carreira, que durou 46 anos e
que foi a mais longa que algum artista lírico português teve.
[110] Madalena Lucília Iglésias do
Vale de Oliveira Portugal (Lisboa, 24
de outubro de 1939 / Barcelona, 16
de janeiro de 2018), venceu o Festival R.T.P. da Canção1966 com “Ele e Ela”.
A par de Simone de Oliveira, e Calvário tornou-se numa das vozes mais
relevantes do chamado nacional-cançonetismo que dominou na década de 1960.
-Casou em 1972,
abandonou a carreira artística e foi viver para a Venezuela.
Grávida de oito meses, ainda fez um programa na Televisão Venezuelana, mas deixou de atuar até os filhos terem cinco
anos. Depois, voltou a atuar esporadicamente na televisão venezuelana para
fazer um programa. Em 1987, mudou-se para Barcelona, aonde viveu até falecer
com 78 anos.
-What Happened to Madalena Iglésias?, foi um grande êxito, criado
por Filipe La Féria em 1989. Em 1989, Filipe La Féria
apresentou na Casa da Comédia aquele musical tendo por base a rivalidade
entre Madalena e Simone de Oliveira.
-Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros
e No Tempo de Pessoas Importantes como
Nós.
[111] Mara Abrantes, nasceu no Rio de Janeiro a 31 de Maio de 1934. Cantora de sucesso e atriz radicou-se em Portugal em 1958. Foi presença assídua na E.N.,
R.T.P. e espetáculos por todo o País durante a década de 1960.
[112] Começou a cantar no Candal/Gaia e foi aí que nasceu o seu nome artístico.
Uma vez que era conhecida como a Miúda do
Candal, mais tarde, já em Lisboa decidiu adotar o nome Maria Candal.
Cantou em concursos, e atuou ao lado Amália Rodrigues. Mas não se ficou só
pela música pois fez teatro amador.
[113] Maria Marize, teve uma carreira com cerca de quinze
anos, desde a viragem da década de 1950 até inícios de 1970, pouco antes da sua
prematura morte. Em termos discográficos, a quase totalidade dos seus registos
situou-se na primeira metade dos anos de 1960. Em meados da década de
1960, participará no programa de grande sucesso da RTP, Melodias de Sempre em que Jorge Alves mostrava as vozes do momento
a interpretar repertório do passado. Maria Marize fazia aí um dueto de sucesso
com Artur Garcia.
[114]
Fleming de Oliveira in, No Tempo de
Salazar, Caetano e Outros e No Tempo
de Pessoas Importantes como Nós.
[115] Maria TERESA Ramos
de PAULA Brito, nasceu em Lisboa a 23-10-1944 e faleceu a 7-11-2003. Foi uma
das primeiras vozes femininas a desenvolver uma carreira no âmbito da emergente
música pop. Estreou-se no início da década de 1960 na E.N. O seu primeiro
trabalho discográfico em1962, no qual é acompanhada pelo conjunto de Hélder
Martins, incluiu composições de música ligeira. Era uma cantora promissora
quando veio a Alcobaça.
[116] O Trio Harmonia veio a conquistar em 1969 o primeiro
lugar no Campeonato do Mundo de Harmónica Vocal em Zurique. Era composto por
Raúl de Figueiredo Mendes, Hermenegildo Francisco Mendes e José António dos
Santos Correia. Ainda ganhou por mais duas vezes este trofeu.
[118] Uma das boas
fadistas do seu tempo e atracão de revista que a par da voz castiça era
detentora de uma beleza que valorizava a participação no palco. Não imitou
ninguém e manteve sempre um estilo próprio. Nasceu em Lisboa
em 1938 e muito popular retirou-se da atividade artística prematura e voluntariamente.
[119] Não encontramos
dados artístico-biográficos referentes a esta artista.
[120] Nascida no Barreiro, cedo foi prestar provas na E. N. Mais tarde com Melodias de Sempre tornou-se artista
bastante popular, tendo efetuado inúmeros espetáculos de norte a sul, bem como
no estrangeiro nomeadamente Brasil e participou em festivais. Fez teatro de
Revista.
-O Dr. Magalhães tocava bandolim nas
reuniões familiares. A filha ainda conserva este instrumento.
[122] Fleming de Oliveira
in, No tempo de Soares, Cunhal e Outros
e No Tempo de Pessoas Importantes como
Nós.
-Manuel Lemos Pereira da Silva, Somel, nasceu a 27 de setembro de 1924
em Albergaria-a-Velha. Tendo chegado a Alcobaça em tenra idade, sentia-se alcobacense de alma e coração. Em rapaz,
fez parte do Rancho O Alcoa e ao longo de algumas dezenas de anos colaborou
graciosamente com O Alcoa, através de
pequenos apontamentos em que sob o anagrama Somel
chamava a atenção, para pequenos problemas da vila. A partir de 25 de abril,
começou a estar presente, discreta e pacientemente, em todas as sessões (à
segunda-feira de tarde) da Câmara Municipal, inicialmente sentado no espaço
reservado ao público (de vez em quando tomando breves apontamentos) e depois a
aproximar-se do executivo (Miguel Guerra, Fleming de Oliveira, José Rafael
Serralheiro, Mário Tanqueiro, Eduardo Vieira Coelho, Martiniano Rodrigues e
Manuel Ferreira Castelhano) e a emitir como que inadvertidamente, algumas
pequenas observações. Com o tempo, foi criando alguma familiaridade com a
vereação, passando a ser conhecido pelo Sétimo
Vereador (a vereação tinha 7 elementos presidente incluído) e, que por
vezes, levava algumas bolachinhas ou rebuçados, que distribuía sub-repticiamente
quando havia uma pausa. Manuel Lemos representou o Alcobaça Futebol Clube, foi
atleta e dirigente do Ginásio Clube de Alcobaça, integrou ainda os órgãos
diretivos da Banda de Alcobaça (antes e depois do seu ressurgimento) e da
O.T.C. em vários mandatos. Faleceu no dia 24 de agosto de 2014.
[123] A Direção veio a agradecer ao Dr. Amílcar
Pereira de Magalhães a despesa que este suportou no valor de 2500 escudos, com
a deslocação.
[124] José Crespo.
[125] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros.
-Foi lançada em 1 de abri de 195l. Era uma revista, com muitas fotografias a
preto-branco, e diversos artigos relacionados com o mundo do espetáculo
nacional e estrangeiro. Durante muito tempo, era uma das janelas onde era permitido contemplar, subtraídas das roupinhas
exteriores, as mais belas mulheres da música, cinema e televisão. A Plateia
teve grande sucesso, sobretudo nas primeiras duas décadas de publicação, mas
terminou em 1986.
[127] Fernando Lopes Adão Correia, nasceu
em Lisboa a 16 de julho de 1935. Iniciou carreira aos 19 anos na E.N.
onde atingiu a categoria de locutor de 1ª classe. Trabalhou no Record. colaborou com
a Rádio Comercial na secção de
desporto. Na TSF relatava jogos de futebol e animava o programa Bancada Central. Foi despedido da
T.S.F. quando assumiu o cargo de diretor do jornal gratuito Diário Desportivo, de que foi fundador e
o primeiro diretor. Passou para a Rádio
Clube onde
apresentou Lugar Cativo”. Na TVI foi apresentador do Contra Ataque e colaborou com a equipa da Rádio NFM onde voltou aos relatos e diariamente
apresentava as Conversas
de Café com
Carlos Dolbeth e a Bancada Nova. Retomou a
experiência na C.N.R. e Rádio Amália. Colabora com o
canal Sporting
TV e
com a T.V.I. Fez parte da estrutura de comunicação do Sporting, como porta-voz
de Bruno de Carvalho, o que não foi bem compreendido. É autor de livros sobre o
desporto e rádio
[128] Nascido no Alvito,
Domingos Filomeno Marques viveu em Beja até aos 18 anos, altura em que veio
para Lisboa cumprir o sonho de cantar. Depois de receber aulas de canto prestou
provas na E.N. em 1942, estreando-se um mês depois. A sua voz de tenor, de
notável timbre e agilidade, aliava-se a uma grande desenvoltura na
representação e a uma boa figura. Não admira que se torne protagonista em
operetas e musicais. Trabalhou em todos os teatros do Parque Mayer e no Teatro
Apolo. Teve igualmente atuações no Teatro Nacional de São Carlos, em pequenos
papéis com música de Ruy Coelho. As suas qualidades de ator e a sua figura
elegante levaram-no a ser ator em alguns filmes. Com o tempo desapareceram os
papéis para tenores e, após cumprir contrato de quatro anos no Maxime partiu para Angola onde,
confessadamente, viveu alguns dos melhores anos da sua vida. Em 1975 regressou
a Portugal.
-Notabilizou-se na área da música ligeira, tendo composto músicas para
artistas como Corina Freire, Beatriz Costa, Laura Alves, Alice
Amaro, Anita Guerreiro, Deolinda Rodrigues e Max, entre
outros, e ainda obras de cariz erudito (nomeadamente dois concertos para piano
e orquestra). Do seu vasto currículo como maestro, registe-se que dirigiu a
Orquestra da R.T.P. no 1º. Festival R.T.P. da Canção, em 1964, e que criou uma orquestra de jazz, Swing,
com êxito nos anos de 1940 e 1950. Durante anos seguidos até ao 25 de Abril de
1974, foi o dirigente e regente principal da Orquestra Ligeira da Emissora Nacional.
[130] O maestro e compositor Eduardo Loureiro
foi um prolífico e bem-sucedido compositor da música ligeira portuguesa dos
anos de 1950 e 1960, principalmente do modelo inserido no “aportuguesamento”
idealizado por António Ferro, e praticado na E.N. durante décadas. Este
“aportuguesamento” consistia em que maestros e compositores, concebessem música
ligeira de acordo com os ideais e princípios do Estado Novo, ou seja,
demonstrar e espelhar o ideário do Salazarismo, fosse o desprestígio da
riqueza, historietas de faca e alguidar sobre amores desencontrados, a
exaltação da cidade, vilas, aldeias e costumes portugueses. Eduardo Loureiro
foi uma das suas figuras principais e fulcrais, sendo responsável por alguns êxitos, entre eles Envergonhada, Menina Bem, São Pedro
de Muel ou A Filarmónica d’Aldeia,
celebrizada em 1991 por Maria de Lourdes Resende. No entanto, Eduardo Loureiro
ficou mais conhecido devido a decisões importantes e polémicas que tomou como
Diretor de Programas na E.N., e que modificaram o curso da nossa música, desde
a extinção da Orquestra Típica Portuguesa
e da Orquestra de Salão da E.N., para
atribuir exclusividade à Orquestra Ligeira, no campo da música popular.
[131] Cidália Meireles e
irmãs, Milita e Rosária demonstraram, desde muito jovens vocação artística
participando, no Porto, em recitais poéticos e coreográficos e em emissões
infantis. Com dezasseis anos, Cidália Meireles começou a cantar na E.N. Em
1943, formou o Trio Irmãs Meireles.
Este grupo especializou-se no folclore português, mas interpretava igualmente
canções românticas, boleros, foxtrotte e outras músicas. O trio foi
ensaiado e dirigido pelo maestro Tavares Belo que lhe fez vários arranjos para
cantar com orquestra, ou à capela. O grupo alcançou bastante êxito, e obteve em
1944, o primeiro prémio do concurso de Conjuntos Vocais, o primeiro de muitos
outros. Nas digressões pelo estrangeiro, fazia questão de se apresentar com
trajes típicos portugueses e interpretar músicas do folclore nacional.
-Reveja-se
supra.
[132] Chamam-te feia // Não te importes tudo mente // Não se discute o gosto
de ninguém, // A água pura mata a sede a muita gente // E ninguém sabe o gosto
que ela tem.
Deixa falar, mentir e
mal dizer // Que basta um meigo olhar // P’ra tudo desfazer. // Porque beleza
// É fugidia como a aurora // E poucos sabem onde ela mora.
Vou por fim tirar
afronta // Dessa tonta cabecita // E dizer à boca cheia // Mas que feia… tão
bonita!
Chamam-te feia //
Porque não sabem sentir // A formosura duma alma boa, // O mundo fala // Mas
não vê o teu sorrir // Só diz mentiras porque fala à tôa
O teu olhar // Tem
dentro um não sei quê, // Que nos faz meditar // Num livro que se lê. // Repara
ainda // Na camélia delicada // É muito linda // Mas não cheira // A nada.
Vou por fim tirar
afronta // Dessa tonta cabecita // E dizer à boca cheia // Mas que feia… tão
bonita.
[133] Com mais de 200 músicas gravadas, foi precisamente em Alcobaça que
Maria de Lourdes Resende foi homenageada por ocasião dos seus 50 anos de
carreira, num evento com vedetas contemporâneas, autores, compositores, amigos
e familiares e que decorreu no Cineteatro de Alcobaça no dia 29 de abril de
1995.
-Ver adiante.
-A União das Freguesias de Alcobaça e Vestiaria celebrou
cinco anos de existência, mas a prenda foi para Maria de Lurdes Resende, eternizada na fachada lateral de um
prédio, junto aos campos de ténis.
-Ver adiante.
[134] Como instrumentista acompanhou os nomes de referência até à década de
1980, entre os quais, Alfredo Marceneiro, Berta Cardoso, Hermínia Silva, Maria Teresa de Noronha, Amália Rodrigues, Fernando Farinha, Tristão da Silva, Maria Tereza Tarouca, Tony de Matos ou Carlos do Carmo.
[135] Informação da Ordem
dos Advogados/Conselho Geral.
-Adelino Hermitério da Palma Carlos (nasceu em Faro, 3 de Março de 1905 e faleceu em Lisboa, 25 de Outubro de 1992),
foi professor na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, advogado e político. Personalidade forte, foi primeiro-ministro do I Governo
Provisório entre 16 de Maio e 18 de Julho de 1974. Como 11º.
Bastonário da Ordem dos
Advogados Portugueses teve um importante papel na consolidação institucional
e na internacionalização daquela corporação. Foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano/G.O.L.
[136] José Maria Barbosa de Magalhães Godinho,
nasceu a 12
de Fevereiro de 1909 e faleceu a 25 de Março de 1994. Licenciado em Direito, foi advogado, Provedor
de Justiça
de 1976 a 1981, Vice-Presidente do Tribunal Constitucional de 1983 a 1989, Vogal do Conselho Superior da Magistratura, Delegado da Ordem
dos Advogados ao
Conselho da União Internacional dos Advogados e Presidente da Direção da
Associação para o Progresso do Direito.
[137] Professor na Faculdade de Direito de Lisboa.
[138] Vasco da Gama Fernandes, teve escritório de
Advogado num primeiro andar da Rua 16 de Outubro/Alcobaça, quase na esquina com
a Rua Alexandre Herculano. Em Alcobaça, a par da advocacia, que decorria com
sucesso, também teve escritórios em Leiria e Porto de Mós, frequentava os meios
intelectuais e da oposição. Deixando Alcobaça, radicou-se em Leiria, onde
desenvolveu grande atividade profissional, e colaborou em iniciativas
culturais. A sua ação política, caraterizou-se pela luta que desenvolveu, antes
e depois do 25 de abril, a favor da República, das liberdades públicas, do
socialismo em liberdade, da democracia, da tolerância, da cultura e da justiça
social. Manifestou-se sistemática e persistentemente contra as arbitrariedades
e totalitarismos, proferindo conferências, promovendo sessões comemorativas,
participando em programas de rádio e televisão ou colaborando nos jornais,
escrevendo centenas de artigos e crónicas, desempenhando funções em várias
associações cívicas e políticas. Pertenceu ao grupo dos fundadores do P.S., na
clandestinidade. Foi eleito, por Leiria, pelo Partido Socialista, Deputado à
Assembleia Constituinte de 1976, de que foi Vice-Presidente, o primeiro
Presidente da Assembleia da República depois do 25 de Abril, tendo-o sido por
unanimidade de todos os partidos, e reeleito para um segundo mandato.
Presidente da Assembleia da República, aceitou encabeçar a lista do P.S. à
Assembleia Municipal de Alcobaça e embora as listas do PPD e CDS tivessem em
conjunto mais votos do que a soma das restantes, conseguiu ser eleito contra
Gonçalves Sapinho, após manipulação/compra de um voto. Todavia, Vasco da Gama
Fernandes em breve veio a pedir a demissão. Membro da Maçonaria, faleceu em Lisboa
em 9 de agosto de 1991
-Fleming
de Oliveira in, No Tempo de Soares,
Cunhal e Outros e No Tempo de Pessoas
Importantes como Nós.
[139] Chegou-nos via J. Crespo a ementa
do almoço, realizado no Restaurante Corações Unidos: Acepipes, Linguados à
Beneditina, Frangos na Púcara à Fradesca, Lampreia de Ovos à Mosteiro, Frutas
de Alcobaça e Café. Os vinhos, bem como a aguardente velhíssima eram JEM.
Também foi servida Ginja de Alcobaça.
-Durante a visita aos Mosteiros
de Alcobaça e Batalha, bem como ao Castelo de Leiria, fizeram breves palestras,
respetivamente, o Professor Joaquim Vieira Natividade, Dr. Pais d’Almeida e
Arquiteto Camilo Korrodi. Nesse dia, os congressistas deslocaram-se à Nazaré
onde assistiram a um programa de folclore, Batalha e Leiria, em cujo jardim
Municipal lhes foi servido um chá e atuou o Orfeão de Leiria.
[140] Academia de Santo Amaro é uma das
mais antigas e prestigiadas coletividades de cultura, recreio e desporto, da
freguesia de Alcântara, que, embora só fundada em 10/03/1946, é resultado da
fusão, das 3 coletividades, já com pergaminhos, do Alto de Santo Amaro:
Sociedade Filarmónica Esperança e Harmonia (fundada em 01/01/1865); Sociedade
Filarmónica Alunos e Harmonia (fundada em 17/02/1868) e Grupo Dramático e
Musical Apolo (fundado em 01/07/1915).
-Pedro Moutinho morreu com 80 anos. Membro
de uma geração de grandes locutores como Artur Agostinho, Fernando Pessa, Maria
Leonor (com quem foi casado), Curado Ribeiro ou Igrejas Caeiro, Pedro Moutinho
trabalhou durante 34 anos na E.N. e colaborou na R.T.P. durante 12. Era tido
como divertido, brincalhão e com uma enorme capacidade de improviso, pelo são
muitas as histórias por si protagonizadas na E.N. Salazarista confesso, Pedro
Moutinho orgulhava-se de uma vez ter
apertado a mão a Oliveira Salazar. Embora afirmasse nunca ter dado pela
censura, nunca ter sentido a presença dos fiscais dos programas, considerava
que a dimensão política e humana do Presidente do Conselho era tal, que ninguém
podia deixar de o respeitar. Reformado em 1976, Pedro Moutinho falava do 25 de
Abril como a tal data. Alguns amigos aconselharam-no a pedir a reforma, pelo
que receando o despedimento sem direito a indemnização, o locutor submeteu-se a
uma junta médica. Estávamos no período do
Vasco Gonçalves e não era de arriscar. Os médicos perceberam as razões da minha
reforma.
[142] Elsa Vilar foi Miss Portugal 1962, o que lhe valeu ser convidada para fazer parte
de elencos no Parque Mayer.
[143] Nascida em Lisboa, a 14 de maio de
1928, desde muito cedo se interessou pela música e revelou dotes vocais. Depois
de ter passado pela Rádio Graça prestou provas na E.N., perante os Maestros
Tavares Belo, António Melo e Belo Marques. Aceite, começou a trabalhar com o
maestro Belo Marques, que dirigia a Orquestra Típica Portuguesa, formando um
quarteto vocal feminino com Maria de Lurdes Resende, Maria Beatriz e Olga
Maria. A estreia de Maria Fernanda Soares como solista fez-se num dos Serões
para Trabalhadores, onde teve êxito. Mais tarde virá a fazer parte do Coro Feminino da Emissora Nacional, que
a ocupará durante muitos anos em paralelo com a sua carreira de solista. Mas
será presença assídua no programa da R.T.P. “Melodias de Sempre” e em operetas,
que lhe dão a oportunidade de exercitar a sua paixão pela representação, paixão
nunca emergente na sua vida de cançonetista, marcada por muitos sucessos.
[145] Com forma de revista, recordando temas um pouco
diferentes dos do yé-yé, surgiu Melodias
de Sempre, teve em Jorge Alves uma apresentação à altura. O programa, era
não só um grande espetáculo de televisão, mas um acontecimento consagrado pelo
público. Só assim se justifica ter estado no ar durante 9 anos, marcando a
década de 1960 no panorama televisivo português.
[146]
António Luís de Melo, pianista, maestro e compositor, nasceu em Lisboa a
2-7-1903 e faleceu a 17-5-1975. Em 1935 entrou para a E.N. como pianista, e ali
exerceu os cargos de Acompanhador, Diretor de Orquestras de Jazz, ligeiras,
etc. Para os programas da E.N., compôs músicas ligeiras para peças radiofónicas
que obtiveram êxito. Em 1936, convidado pelo Diário de Lisboa para musicar uma
poesia premiada no seu Concurso do Vinho
e da Uva, coube-lhe musicar versos de Rui Correia Leite, Vinhedos. Compôs para Canção de Lisboa uma canção para
quarteto vocal e música de fundo e canções para outros filmes. Para o bailarino
Francis compôs dois bailados para Orquestra Sinfónica. Fez parte do Gabinete de
Estudos Musicais da E.N. e da Direção da Sociedade de Escritores e Compositores
Teatrais Portugueses.
[147] Em 1968 participou no PBX na
R.R. Popularizado através da televisão, obteve reconhecimento com o Zip-Zip, o primeiro talk-show da televisão
portuguesa, gravado no Teatro Villaret, em que participavam
também Raul
Solnado e Carlos Cruz. Em 1970, após o fim do Zip-Zip, Fialho Gouveia e a
equipa do PBX, a que se
juntou Joaquim
Furtado,
integraram o Tempo Zip, primeiro na R.C.P., depois na R.R.
Aquando do 25
de Abril de 1974,
estava de serviço na R.T.P., com Fernando Balsinha, aquando da leitura
do comunicado do M.F.A. Faleceu em Outubro de 2004.
[148] O Alcoa.
[149] J. A. Crespo.
[150] Rosa Maria.
-A gravação de discos era mais uma
questão de prestígio (que muito emocionava o agrupamento), do que forma de
angariar receitas. Mesmo nos espetáculos a venda era reduzida.
[151] A fim de preparar
esta atuação na R.T.P., a O.T.C, teve de se apresentar logo de manhã nos
estúdios, conforme informa Maria Fernanda, tendo aí estado todo o dia.
[161] Henrique Mendes nasceu no bairro da Ajuda, em Lisboa.
Casado com a atriz Glória de Matos, apresentou muitos programas em Portugal.
-Embora considerado
galã português dos anos 1960, o apresentador viu a sua vida mudar a 25 de Abril
de 1974. Através do Expresso, soube que ia ser afastado dos ecrãs, o que acabou
por acontecer decorrido um ano, em que se manteve ao serviço da televisão, sem
fazer nada, mas a receber o ordenado que lhe competia. A situação era-lhe muito
penosa, por isso, tentou encontrar trabalho noutros locais. Sem o conseguir,
Henrique Mendes e Glória
de Matos,
emigraram para o Canadá, onde apresentou
noticiários e fez um programa para a comunidade lusa. Mais tarde, juntamente
com um amigo, fundou a rádio Asas do
Atlântico. Permaneceram no Canadá até 1979 quando o casal regressou a
Portugal por incentivo de Raul Solnado, tendo Henrique
Mendes sido nomeado diretor de programas da R.R. Aqui trabalhou durante mais 18
anos, dando voz a alguns programas, para além de outras funções. Foi à R.R.
que Emídio
Rangel,
diretor da SIC, o foi buscar. Foi o rosto de programas como Ponto de Encontro, Às duas por três e entrou em séries como Médico de Família. Em 2002, foi distinguido pelo Expresso como uma
das 25 figuras importantes do último quarto de século de Portugal e lançou o
livro Um Homem Sorri com Palavras Leves uma viagem pelas memórias de
um homem considerado por muitos um dos maiores comunicadores da televisão
portuguesa.
[162] Não conseguimos
identificar este profissional.
[163] A Reconquista, de Castelo Branco.
[165] Jornal do Fundão.
[167] Maria da Conceição Ferreira, com o nome artístico Maria Clara (ao que se dizia por ter voz
clara) nasceu em 5 de outubro de 1923 em Lisboa. Estreou-se
profissionalmente na opereta A Costureirinha da Sé, levada a cena em 1943 no Porto, da autoria de Arnaldo Leite e Heitor Campos Monteiro, com António Silva, Josefina Silva, Costinha e António Vilar. Após o casamento com o
catedrático Júlio Machado de Sousa Vaz (conhecido opositor do Estado Novo,
neto materno do antigo Presidente da República Bernardino Machado), foi viver para o Porto. Maria
Clara foi eleita Rainha da Rádio pelos leitores da revista Flama na
década de 1960. Participou em espetáculos do Serão para Trabalhadores. Fez digressões ao Brasil. A artista, cuja voz cristalina foi sempre elogiada pela
imprensa, teve alguns sucessos
como Figueira da Foz, Zé Aperta O Laço e Hás-de Voltar. Trabalhou no Teatro de Revista e ficou ligada às Marchas de
Lisboa, com destaque para a Marcha do
Centenário, em 1940. Deu voz à Canção
de Viana do Castelo, à Canção de
Esposende e à Canção de Faro. No
cinema participou em A Revolução de Maio, Três Espelhos e
nos filmes televisivos A Tia Engrácia e A Relíquia.
Maria Clara faleceu com 85 anos, a 1 de Setembro de 2009 no Porto.
[168] O Casino da Figueira
informou que não possui registos deste evento.
[169] O Alcoa, de 13 de fevereiro de 1965.
-Houve outras confraternizações e
bailaricos animados por um acordeão ou concertina uma vez com uma banda da
Vestiaria composta por 5 ou 6 elementos.
-Mara Fernanda.
174/175
Esclarece
que foi o sócio (na Cruz de Cristo, Ld.ª.) e amigo Raúl Gameiro quem o convidou
para presidir aos destinos do C.A.A.C./O.T.C. , em virtude de achar que a
Orquestra Típica era não só uma mais-valia para Alcobaça, como também um ótimo
agrupamento musical que valia a pena apoiar, que lutava com grandes
dificuldades financeiras o que obrigou a
que os próprios membros da direção contribuíssem por vezes com apoios em
dinheiro e teve de se demitir quando passou a viver maior parte do tempo em
Lisboa.
-Nasceu
em Lisboa, a 12 de outubro de 1937, no seio de uma família muito conhecida em
Alcobaça. Embora nunca tenha saído da Crisal/Atlantis durante os 53 anos que
ali trabalhou, integrou os corpos gerentes de outras empresas e instituições.
Em junho de 1974, integrado na lista de Francisco Pinto Balsemão, ganhou as
eleições para o Automóvel Club de Portugal. A Lista de Balsemão foi eleita com 75%
dos votos, naquilo que mais tarde se chamou a
primeira eleição livre depois do 25 de Abril. Ficou apenas um triénio,
atuando como Diretor/Secretário, porque não
tinha tempo para conciliar o trabalho na Crisal com as solicitações do A.C.P.
A partir do final da década de 1960, integrou o Conselho Fiscal da Macedo &
Coelho S.A., em que se manteve durante largos anos. Pouco tempo depois, foi
nomeado administrador da Sopursal-Soc. Industrial de Sal do Algarve. Mais tarde
passou a seu Presidente do Conselho de Administração, função que desempenhou
durante cerca de 13 anos, até à venda a uma multinacional. Foi ainda
administrador (não executivo) da Resinagem Nacional, S.A./Alcobaça, durante um
curto período. Na década de 1960, comprou 60% da Sociedade Automóveis Cruz de
Cristo, Ld.ª., de que seu pai tinha sido sócio fundador. Também se interessou
pela vida associativa de Alcobaça e foi presidente do C.A.A.C./O.T.C. e do
Clube Alcobacense, sucedendo a Amílcar Pereira de Magalhães. A Direção
presidida por Raposo de Magalhães, tinha como tesoureiro José Dionísio dos
Santos (pai de Maria Luísa Dionísio), secretário Manuel Alberto Tomás Correia e
vogais José Rodrigues Lucas, Manuel de Lemos Pereira da Silva (Somel), Joaquim
Leopoldino dos Santos, Joaquim Pedro Coelho, José António Crespo (que não
integrava o coro, nem a parte instrumental), Manuel Duarte Neves, Eduardo
Bajouco de Figueiredo, António da Silva Rosa, Sérgio Iglésias, Luís Filipe
Fernandes da Silva.
-Fleming
de Oliveira in, No Tempo de Pessoas
Importantes Como Nós.
[171] Raul Gameiro nasceu
a 26 de julho de 1921, em Argea/Torres Novas, tendo aí completado a instrução
primária. Começou a vida profissional a trabalhar para a C.P., no Entroncamento
e, em julho de 1946, veio para Alcobaça a fim de chefiar a central que efetuava
a ligação (transporte de mercadorias) à estação de caminho-de-ferro da CP em
Valado de Frades, propriedade da Sociedade de Automóveis Cruz de Cristo, Ld.ª.
de que veio a ser sócio. Sempre muito ativo, Raúl Gameiro pertenceu aos corpos
sociais de quase todas as instituições de Alcobaça, como o Ginásio, Grémio de
Comércio, CEERIA, Hospital da Misericórdia, Orquestra Típica, ADEPA, Banda de
Alcobaça, Associação de Chiqueda, Associação para o Desenvolvimento de
Alcobaça, Clube Rotário (refundado) e Bombeiros Voluntários. Também participou
nas comissões organizadoras de várias edições da Feira de S. Bernardo, na
Homenagem ao Maestro Belo Marques e à cantora Maria de Lurdes Resende, bem como
na Comissão Promotora da Elevação de Alcobaça a Cidade. Faleceu em 10 de junho
de 2016.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Pessoas Importantes Como Nós.
[172]
O Serão Cultural e Recreativo para
Trabalhadores, vulgo Serão para
Trabalhadores era programa radiofónico organizado pela E.N.,
em associação com a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho/F.N.A.T,
destinado a entreter os trabalhadores incutindo-lhes o ideário do Estado Novo.
Foi uma ideia de António Ferro, chefe do Secretariado
de Propaganda Nacional/S.N.I.. que surgiu em 1941, com programas de variedades
organizados pela E.N. para divulgar compositores e escritores e as graciosas vedetas da rádio. Com o
programa, a E.N. procurava entreter os trabalhadores e chamá-los para a obra do
Estado Novo. Foi o programa mais longevo da E.N., pois durou até 11 de maio de
1974.
[173] O Conjunto
4 de Espadas foi um quarteto vocal formado em 1958 por Américo Lima,
Fernando La Rua, Nuno de Almeida e Paulo Alexandre. Esteve alguns anos no ativo
e atuou ao lado de celebridades estrangeiras e nacionais como Luís Mariano,
Charles Aznavour, Louis Armstrong, Françoise Hardy, Sammy Davies Jr, Dalida,
Alice Amaro, Cauby Peixoto, Simone de Oliveira, António Calvário, Alberto
Cortez e Madalena Iglésias. Atuou nas mais importantes salas de espetáculos do
nosso país e estrangeiras.
[174] Tanto esta, como
Isabel Fontes, não conseguimos identificar.
[176] Natalina José
da Silva Soares, nasceu no Estoril, a 10 de Janeiro de 1939. Fez mais de 30 revistas, tournées como cantora e
atriz, sendo considerada a Melhor Atriz
de Revista-1987.
[177] O Alcoa.
[178] Luciano Pereira dos Santos (Setúbal, 25 de março de 1911/Lisboa, 13 de dezembro de 2006). Pintor muito
meritório realizou diversas exposições individuais em Portugal (Lisboa, Porto, Coimbra, Guimarães, Amarante, Alcobaça, Santo Tirso, Setúbal, etc.) e em Espanha (Madrid, Barcelona e Palma de Maiorca).
Em 1993, foi realizada exposição retrospetiva, pelo Instituto Português do
Património Arquitetónico e Arqueológico/Museu de Alcobaça, na Ala Sul do
Mosteiro. Em 2011, foram organizados, pela edilidade setubalense, vários
eventos e exposições comemorativos do centenário do seu nascimento.
-É
emblemático o quadro que se encontra exposto em lugar de destaque no edifício
da CMAlcobaça.
Fleming
de Oliveira in No Tempo de Pessoas Importantes
como Nós
[179] Eduardo Augusto d'Oliveira
Morais Melo Jorge Malta (Covilhã, 28 de outubro de 1900 / Óbidos 31 de maio de 1967). Na sua extensa galeria de retratos, figuram nomes como Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro, Augusto de Castro, Amália Rodrigues, Juan Belmonte e Manuel dos
Santos; e na política, como Oliveira
Salazar, Cardeal
Cerejeira, Getúlio Vargas ou o político
espanhol falangista José António
Primo de Rivera. A 31 de Maio de 1958 foi feito Oficial da Ordem
Militar de Sant'Iago da Espada. Foi diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, de 1959 a 1967. A sua nomeação foi muito contestada, incluindo
um abaixo-assinado, devido à sua assumida oposição à arte moderna. Era também
membro efetivo da Academia Nacional de Belas Artes e correspondente da Real
Academia de San Fernando de Madrid. Outra atividade de
Eduardo Malta foi a de escritor. Escreveu romances e contos e sobretudo livros
sobre a sua arte e porcelana de que era profundo conhecedor.
[180] José de Campos
Contente (Coimbra, 15 de Janeiro de 1907/Coimbra,
Abril de 1957). Existem trabalhos seus na Escola de Belas Artes de Parma,
Pinoteca do Rio de Janeiro e em muitos museus portugueses.
[181] Olegário Mariano Carneiro da
Cunha (Recife, 24 de março de 1889/ Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1958)
foi um poeta, político e diplomata brasileiro. Era primo do poeta Manuel Bandeira. Em 1918 foi representante do Brasil na Missão
Melo Franco, como secretário de embaixada na Bolívia. Foi deputado
à Assembleia Constituinte de 1934. Em 1937 ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, depois foi ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, em 1940; delegado da Academia
Brasileira de Letras na Conferência Interacadémica de Lisboa para o Acordo
Ortográfico de 1945; Embaixador do Brasil em Portugal entre 1953 e 1954.
Em 1938, em concurso foi eleito Príncipe
dos Poetas Brasileiros, em substituição de Alberto de Oliveira, detentor do título após a morte de Olavo Bilac. Ficou conhecido
como o Poeta das Cigarras, por causa de um de seus temas prediletos.
[182] Voz de Alcobaça .
-Exmºs Senhores.,
Ao receber o vosso
convite para dirigir musicalmente o espetáculo promovido pela Liga Portuguesa
contra o Cancro, logo aceitei com prazer a incumbência com aquele contentamento
que qualquer pessoa deve sentir quando se trata de ser útil ao seu semelhante.
Contente, ainda, por
me sentir mais ima vez em contacto com o nosso admirável público, do qual há
muito ando afastado, mas que sempre estimei, pela consciência e simpatia com
que acolhe qualquer artista, embora modesto como eu.
Estou velho, cansado
e… cada vez mais feio.
Ah, mas tenho agora
um amigo formidável! Um amigo tão amigo, tão intimo, que me faz estar a pronto
a morrer por ele, porque é ele somente que me alegra o coração. Pois bem: este
amigo é um velho baú, onde guardo infinitas recordações. Lá os encontro a
todos: cantores, cançonetistas e cantadores. Um grande molho de artistas dos
quais fui diretor e por eles dirigido algumas vezes. A música é isto. Há sempre
à volta do compositor, quer à mesa de trabalho, quer seguindo-lhe os passos,
milhares de colaboradores que, unidos por um só espirito, se conjugam num só
todo. Deixei passar esta baralhada. Queria eu dizer na minha que, ao abrir de
quando em quando o tal baú, cacifo das minhas saudades, não sei porquê encontro
sempre ao de cima Maria de Lourdes Resende.
Era menina e moça,
quando a conheci. Muito moça, muito menina e tão linda e humilde, tanto na fala
como no porte que logo me prendeu a atenção. Também reparei, pelos seus nulos
bens de fortuna, pertencer à minha família. Portanto, quem não é amigo dos seus
amigos, não é amigo de ninguém, segundo diz a sabedoria popular.
Ensinei lhe tudo o
que sabia e como podia. E escrevi para ela algumas melodias simples, procurando
dar força à sua própria fraqueza. Não foi preciso esforço algum para conseguir
êxito. Em breve a sua voz se tornou conhecida e o seu nome notado. O público,
esse justo e admirável elemento, esclarecido e vertical acabou por lhe fazer
justiça. Pela verdade devo dizer que para tal milagre a minha contribuição não
teve importância alguma. Os artistas nascem quando nascem e nunca qualquer
mestre poderá dizer com verdade ter feito algum. Quem acorda com fogo interior
e traz uma luz no peito, chega sempre onde quer chegar. Para tanto todos os
caminhos são bons, como são boas todas as veredas, embora por vezes tortuosas
por nos conduzirem até Deus.
Olhe, Lourdes
Resende, vou falar-lhe como grato amigo e seu admirador. Cante. Cante sempre
essa sua canção que lhe nasceu no peito, porque é portuguesa e veio do povo ao
qual você pertence. Como também ao povo pertence aquilo que o povo canta.
Música ligeira? Canção ligeira? Que importa?! Uma canção que brota da raiz da
terra, que nos foi berço, embora triste por vezes, já mais foi trôpega. Escute
a nossa gente. Ela é que sabe escolher os intervalos musicais, que melhor se
ajustam aos seus amores, às suas alegrias e também às suas mágoas e angústias.
Se você, Maria de Lourdes, por ventura for escolhida para representar Portugal
lá fora, não se deixe vencer pela pirotécnica nem por habilidades eletrónicas,
que nascem agora para morrer logo. Por certo que lá chegarão bonitas canções
para ouvir, mas poucas para escutar. Cante sem receio a sua canção e faça que
os outros escutem tudo quanto nós somos. No fim, se nada ganhou, nada perdeu.
Porque, com aquela gloriosa humildade que emprega quando canta, só nós temos a
ganhar. Creia que honrou sempre sem vergonha a terra que é sua e nossa. Já não
honra a sua terra aquele que a troca por alguma célula de valor. Este, só no
fim da vida, reparará que era falsa. Por mim não trocaria a Maria de Lourdes
Resende por qualquer arranha-céus musical.
Talvez que estas
minhas palavras indiquem apenas as birrazinhas de um velho. Se assim é,
valha-me Deus! Isto de ser músico e saber ou nada da música, corre hoje por
certos perigos e arrisca-se um homem a várias quedas no conceito de certos
senhores de arrebitadas orelhas, se não menos rebotadas línguas. Mas Maria de
Lourdes Resende, é uma senhora boa e compreensiva. Pela parte dela, estou certo
que poderei morrer na Paz do Senhor…
[183] Voz de Alcobaça em suplemento dedicado à artista e à festa de
homenagem.
[184] Miguel Martinho
Ferreira Guerra eleito nas eleições de 1976 nas listas do
PS, e tornou-se o primeiro presidente de Câmara de Alcobaça depois do 25 de
Abril. Antes, presidiu à Comissão Administrativa que geriu a autarquia até às
primeiras eleições autárquicas em dezembro de 1976. Miguel Guerra perdeu em
1979 as eleições para João Raposo de Magalhães (PSD/AD), mas em 1989 voltou a
conquistar a presidência da autarquia, que manteve até 1997.
-Fleming de Oliveira in No Tempo de Soares, Cunhal e Outros e No
Tempo de Pessoas Importantes como Nós.
[185] O Alcoa.
[186] Eduardo V. Vieira
Coelho nasceu a 23 de fevereiro de 1945 em Alcobaça. Iniciou a atividade
profissional na CP, que teve de interromper para prestar serviço militar em
Moçambique até 1971. Em 1973, regressou a Alcobaça, vindo a fazer parte da
SOLCOA como sócio até 1977. Embora o seu percurso académico tenha sido efetuado
fora de Alcobaça, manteve a esta uma forte ligação afetiva que o levou a
intervir cívica e socioeconomicamente. Foi sócio fundador da Interact, ADEPA,
Presidente da Direção do CEERIA, da Associação de Pais da Escola D. Pedro I, do
Rotary Club e membro da Loja Maçónica Gomes Freire/Leiria. Fez parte da
primeira Vereação da Câmara Municipal de Alcobaça, depois do 25 de abril,
eleito em lista do PS (embora tivesse militado antes no MDP/CDE), e cuja equipa
era composta por Miguel Guerra (Presidente-PS), Martiniano Rodrigues (PS),
Fleming de Oliveira (PSD) José Rafael Serralheiro (PSD), Mário Tanqueiro (PSD)
e Manuel Ferreira Castelhano (CDS). Também foi Presidente da Assembleia de
Freguesia de Alcobaça (eleito em lista do PS), durante um mandato. Faleceu em
2000.
-Região de Cister.
-Fleming
de Oliveira, No Tempo de Pessoas
Importantes como Nós.
[187] Nasceu em 20 de novembro
de 1926 e faleceu a 5 de abril de 2003.
-António
Balbino Caldeira escreveu em O Alcoa
um depoimento in memoriam.
-Fleming
de Oliveira, in No Tempo de Pessoas
Importantes como Nós.
[188] Artur Agostinho nasceu em 25 de dezembro de 1920. Os primeiros passos no éter foram dados em 1938 na Rádio Luz.
Seguiram-se Clube Radiofónico de Portugal, a Voz de Lisboa, a Rádio Peninsular
e a R.C.P.. Entrou para a E.N. em 1945. Fez parte do departamento
desportivo da R.R., nos anos de 1980, depois de ter sido
um dos mais brilhantes relatores desportivos de sempre aos microfones
da E.N. No cinema, participou em vários filmes de sucesso. Após o 25 de
Abril, por ter trabalhado como repórter em trabalhos com pessoas do antigo
regime, foi preso a 28 de setembro de 1974, ficando 3 meses em Caxias. Em
agosto de 1975 decidiu emigrar para o Rio de Janeiro, aonde esteve até 1981.
Artur Agostinho morreu a 22 de março de 2011, com 90 anos de idade.
[189] Igrejas Caeiro, nasceu a 18 de
agosto de 1917. Estreou-se como ator em 1940 no Teatro D. Maria II, de onde seria expulso, por causa das suas posições
políticas. Em 1940 entrou na E.N. onde chegaria a locutor de 1ª. classe
antes de em 1948, ser vítima de um saneamento político juntamente com uma
dezena de outros trabalhadores que só regressariam à estação estatal após
o 25 de Abril de 1974. Em 1954, veria as suas atividades profissionais
ligadas com os espetáculos públicos suspensas pelo Estado Novo, regressando
passados 5 anos ao teatro. Após o 25 de Abril foi Deputado pelo Partido Socialista à Assembleia Constituinte e depois à Assembleia da República. Entre 1976 e 1979, Igrejas Caeiro
foi Diretor de Programas da R.T.P. Regressando à política, foi Vereador da Câmara Municipal de Cascais durante o mandato de Helena Roseta, Comendador da Ordem da Liberdade a 9 de
Junho de 1995 e distinguido com a Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Oeiras. Em 2005 recebeu o Prémio de
Consagração de Carreira e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores. Morreu em Lisboa, aos 94 anos, em
19 de fevereiro de 2012.
[190] Etelvina Lopes de Almeida, nasceu no
dia 17 de março de 1916, tendo falecido com 88 anos, a 30 de abril de 2004.
Quando locutora na E.N., aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas,
talvez influenciada por Maria Lamas. Ligada a movimentos da oposição ao Estado
Novo foi afastada da E.N., só sendo reintegrada em 26 de julho de 1974, na
sequência da Revolução. Etelvina Lopes de Almeida, em 1969, fez parte da lista
de candidatos a deputados pela Comissão Eleitoral de Unidade Democrática.
Depois de Abril de 1974, foi deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido
Socialista e também à Assembleia da República. Na linha do seu interesse já
revelado na Assembleia da República, foi convidada a presidir em Estrasburgo a
uma sessão do Parlamento Europeu para os Idosos, em 1993, durante a qual foi
aprovada a Carta Europeia para os Idosos. Em 1995, foi agraciada pelo
Presidente Mário Soares com a Comenda da Ordem de Mérito que se destina a
galardoar atos ou serviços meritórios no exercício de quaisquer funções,
públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade.
[191] Maria Isabel Marques Silva,
nasceu em Lisboa a 21 de março de 1933 e faleceu a 21 de julho
de 2019. Conhecida por Isabel Wolmar, foi artista muito
conhecida do grande público por ter trabalhado para a rádio e RTP. Depois de
uma carreira na rádio, entrou para a RTP em
1961 como locutora, locutora de
continuidade e apresentadora de televisão. Em 1962 tornou-se repórter e pivot
do Telejornal e produtora nos
anos de 1970 e 1980. Saiu da RTP em 1989, mas regressou várias vezes nos anos
de 1990 para participar em programas de televisão. Nos últimos anos de vida
dedicou-se à literatura.
[192] Locutor da Rádio
Clube Português, autor do programa da manhã Talismã.
[193] Sobre esta locutora,
encontramos um saboroso apontamento
de Vera Lagoa, de 7 de fevereiro de 1968, a
propósito da sua homenagem por ter ganho um prémio da Casa da Imprensa. Da
coluna de mexericos sociais, retiramos uma frase: Eugénia estreou um vestido que a emagrecia imenso, de gola e punhos
brancos, que foi muito admirado. Na prosa, não sabemos qual o prémio que
ganhou, nem o programa, nem o produtor, mas ficamos a conhecer a impressão
causada pelo vestuário. Vera Lagoa, para além das opiniões políticas que
produziu num semanário que dirigiu muito posterior a esta data, foi o modelo de
comentário das revistas populares, de televisão e cor-de-rosa que existem hoje.
[194] Maria José Valério (Amadora, 6 de
Maio de 1933) é
conhecida pela sua dedicação ao Sporting e
por ser a intérprete da Marcha do
Sporting, adotada como hino do clube. O
tema foi reeditado em single quando
o Sporting conquistou o Campeonato
Nacional de futebol em 1999/2000, tendo chegado ao primeiro
lugar na tabela nacional de vendas.
-Uma das suas imagens
de marca é usar o cabelo pintado de verde.
-Estreou-se em 1952 na
E.N. Era sobrinha do maestro Frederico
Valério,
de quem gravou muitas canções. O seu nome foi ganhando projeção com temas como O Polícia Sinaleiro e ao atuar,
nos Serões para Trabalhadores ao lado de
artistas como Rui
de Mascarenhas, Gina Maria ou Paula Ribas. O seu maior sucesso
é Menina dos Telefones, de 1962, da
autoria de Manuel Paião e Eduardo Damas.
[195] Paulo
Alexandre, é nome
artístico artístico de Modesto
Pereira da Silva Santos (Vouzela, 16
de Fevereiro de 1931) é
reconhecido especialmente pelo sucesso do tema Verde Vinho de
1977, uma tradução e adaptação do Griechischer
Wein, de autoria de Udo
Jürgens e editado em 1974.
[196] Deolinda Rodrigues Veloso, nasceu em Lisboa a 31 de
dezembro de 1924, mas comemorava o seu aniversário a 1 de janeiro. Estreou-se
como profissional no Baía, ao Parque
Mayer e depois trabalhou noutras casas de espetáculo. Na Revista estreou-se no
Teatro Apolo com Cartaz da Mouraria”ao
lado de Hermínia Silva, Barroso Lopes e Costinha. Faleceu em outubro de 2015.
[197] Júlia Babo foi atriz, cantora e pintora.
Começou a cantar bastante jovem.
Interessou-se por outras artes como a pintura em cerâmica, tendo sido aluna de Lagoa
Henriques. Fez teatro e gravou discos com canções populares do norte
do país em que teve a colaboração do maestro Resende Dias. Os seus temas mais populares foram Ciranda Popular e O Arroz
Está Crú. Morreu em Lisboa, com 78 anos, a 9 de Junho de 2007.
[198] Carlos Guilherme,
nasceu em Lourenço
Marques, em
1945. Passou a infância e
juventude em Moçambique, onde frequentou o
Liceu e cumpriu o serviço
militar.
Lançou um single e foi consagrado Rei da
Rádio de Moçambique em 1970. O seu primeiro álbum, Canções de Amor, foi editado em 1990, onde evocava composições
famosas dos anos de 1940 e 1950. Um dos temas era Guitarra Toca Baixinho, popularizado entre nós por Francisco José. O álbum Histórias de amor, foi editado em
1991. Em 1993 lançou Canções em Português.
Em 1993 abriu a
Temporada Comemorativa dos 200 anos do São Carlos, cantando Eugene Onegin/Tchaikovsky. Estreou a ópera de
Alexandre Delgado, O Doido e a Morte em 1994, ano em que Lisboa foi Capital
Europeia da Cultura. Em Setembro de 1997 fez a sua estreia no papel de
Rodolfo em La
Bohème.
Em Macau cantou a parte de
tenor na Missa de Santa Cecília/Haydn. Em 1999, de regresso ao São Carlos, estreou-se no papel principal da
ópera La Borghesina/,
de Augusto
Machado,
e foi Mercúrio na opereta Orphée
aux enfers/Offenbach.
[199] 31.03, 1995
[200] Faleceu em 3 junho
de 1964, após prolongada e dolorosa doença, na sua residência, na Avenida
Infante Santo, 366-1º Esq. Contava 71 anos de idade.
[201] Foi Vereador da Câmara Municipal e Presidente Comissão Municipal de
Turismo, no mandato de Horácio J. Junqueiro, e com 37 anos designado Presidente
de Câmara funções que desempenhou de 7 de fevereiro de 1969 a 25 de abril de
1974 (18 de julho de 1974 é, porém, a data oficial do termo de funções),
Presidente de Direção do Ginásio Clube de Alcobaça (durante sete épocas) e dos
Bombeiros Voluntários, Diretor e Editor do jornal O Alcoa e Procurador ao Conselho Distrital e à Câmara Corporativa.
Sendo Presidente da Câmara, fundou em 1971 o Jornal de Alcobaça, que durou até ao 25 de abril de 1974. Faleceu em Lisboa,
aonde vivia, a 15 de março de 2011 perto de perfazer 80 anos, tendo nascido em
Alcobaça a 11 de setembro de 1931.
-Fleming de Oliveira in, No Tempo de Salazar, Caetano e Outros e No Tempo de Pessoas Importantes como Nós.
-Informações dos filhos.
[202] Quando (treze anos antes da doença que o
prostraria e para sempre nos roubaria o seu convívio inesquecível) Silva
Tavares teve uma crise gravíssima, de que viria, porém, a recompor-se
surpreendentemente, foi em Alcobaça, nesta terra maravilhosa, que ele veio
procurar – e encontrar – alívio para os seus males. Alívio no bálsamo dos ares
e na pureza das águas, no sortilégio da paisagem e dos monumentos, e no carinho
sem par dos amigos, desde os mais ilustres alcobacenses aos mais modestos mas
nem por isso menos admiráveis filhos desta terra.
Aqui vim passar, então,
alguns dias com ele, e sua Mulher, a srª D. Albertina Ramos Silva Tavares, na
esperança de que uma companhia afetuosa, alicerçada em tantos anos de
permanente e agradecido contacto, poderia contribuir, se não para o libertar do
mal que o afligia, pelo menos para restituir ao seu espírito perturbado um
pouco de confiança, base indispensável para uma possível recuperação.
Tive nessa altura
oportunidade de verificar, ou melhor, de confirmar como esta nobre e
formosíssima vila de Alcobaça, de tão esclarecidos pergaminhos, correspondia e
que ele testemunhava através das suas vindas frequentes e dos seus não menos
frequentes versos:
Quem passa por Alcobaça...
Aqui aprendi com ele a amar
também esta terra, na visita pachorrenta às suas ruas e às suas lojas (em
especial, às suas casas de antiguidades, de onde mal resistia a levar algumas);
às suas fábricas de louça tradicional e ao seu mercado rumoroso e vive como uma
colmeia:
Feira de S. Bernardo. Mês
de Agosto // Mastros, bandeiras, música, festões // E gente sã que deixa ler,
no rosto, // O que supõe guardar nos corações.
Como tudo é formoso,
delicado, // Cheio de novidade, encanto e graça, // Para o ingénuo povo,
endomingado, // Que hoje baixou à vila de Alcobaça...
Aos seus arredores e às
casas dos seus amigos; e, sobretudo, naturalmente, ao Mosteiro de pedras
venerandas com tantas histórias para
contar e que Silva Tavares conhecia e contava como poucos... E, num pulo até à
Batalha, lá ia não poucas vezes olhar o soneto que o Poeta dedicara ao Soldado
Desconhecido e que eu lera pela primeira vez numa edição de Albino Forjaz de
Sampaio, consagrada aos melhores sonetos portugueses:
Quem é? Quem foi?...
Anónimo, ignorado, // Morreu e a Morte o seu segredo encerra. // Tudo mistério,
desde o seu passado // Ao nome e aos
anos que pisou a terra.
Chorou-o alguém? Amava? Foi
amado? // Trevas tão densas nem o sol descerra // Sabe-se apenas que morreu
Soldado // Honrado a Pátria, pois morreu na guerra!
Quem quer que sejas,
ajoelha e reza. // Que importa o nome? A glória não despreza // Sublima, exalta
o anónimo guerreiro.
Não é esta a altura de
dedicar à obra de Silva Tavares o estudo crítico e atento que ela bem merece.
Nem eu seria, aliás, a pessoas mais indicada para o fazer.
Quero, entretanto, lembrar
que, numa nota despretensiosa que tive o prazer de escrever para o livro
antológico “Vigília de sombras” –Cinquenta anos de Poesia–, afirmei: “De uma
forma simplista –não há nada mais difícil do que classificar, arrumar, dividir
–pode repartir-se por dois grupos a obra poética de Silva Tavares: o dos livros
em que a redondilha atinge, como em Augusto Gil, as mais altas e luminosas
expressões; e o dos poemas onde a inspiração é talvez mais profunda e o
percurso mais longo, pois vem das próprias raízes da alma”.
Para ser, entretanto mais
preciso, fazia ainda alusão à fase inicial do poeta, que abrange, entre outros,
os livros “Luz poeirenta”, “Poemas de Olimpos” e “Claustros”, de carácter
acentuadamente simbolista, e uma outra, mais circunstancial mas nem por isso de
menos interesse, em que enfileiram obras como “Ronda de glória”, “Calendário de
Lisboa”, “Sagres”, etc.
Assim, Silva Tavares
aparece nas letras como sequaz do movimento simbolista que tivera em Eugénio de
Castro o seu corifeu em Portugal, para não tardar a enfileirar ao lado de
Fernando Pessoa e dos seus companheiros do “Orfeu”. Para mim, porém, a sua
verdadeira e mais alta dimensão poética encontra-se quando ele se integra na
linha tradicional da nossa poesia, quando, depois se aproxima do povo, o poeta
anónimo, para afinal conjugar a singeleza da expressão com a profundidade dos
conceitos.
Se me perguntassem quais os
seus livros mais belos, e não obstante o muito apreço que tenho pelas suas
redondilhas – e não falo agora no dramaturgo, no prosador, no homem de rádio,
em tudo quanto Silva Tavares foi nas letras portuguesas, e sempre com a maior
dignidade e o maior brilho – inclinar-me-ia sem hesitação para as obras da sua
última fase, iniciada talvez com “Sinceridade” e prosseguida com “Casa Vazia”,
“Viagem à minha infância” e “Verso e reverso”:
Eu também sou cavador. //
Também tenho a minha enxada,// Também rego com amor // A terra por mim cavada.
Também tenho o meu arado//
Na pena, que amo e bendigo! // E o papel é o chão lavrado // E as letras são grãos de trigo.
Noutro passo, também de
“Verso e reverso”, diz o Poeta:
Nunca protesto. Acho
bem // Sempre que alguém acentua, // Com
ar de vago desdém, // Que os poetas andam na lua...
O destino, Deus o traça. //
E o ser poeta é, no fundo, // Colher-se às vezes a graça //De não caber neste
mundo!
É curioso que Silva
Tavares, na curva da sua poesia, nos dá a imagem, tantas vezes repetida, dos
que, havendo partido de posições iconoclastas, atingem um ponto de serem visão,
de onde lhes é possível seguir, com sorridente ironia, os movimentos dos astros
que sobem:
Li algures que a Poesia, //
Cada vez mais transcendente, // Se libertou da folia // De entendê-la quem a
sente.
Se não é muito pedir, //
Gostaria de saber // Como é que pode sentir// Quem não consegue entender...
Noutro poema ainda – esse
do livro “Casa Vazia” – regressa ao tema da simplicidade na poesia:
Ora, por esse tema, não
havia // Motivo para crer que se viria
A pensar e a escrever como
ao presente. // Não: – a Poesia, para ser Poesia, // Tinha de assemelhar-se ao
transparente // Riacho de água corrente.
Silva Tavares não era um
poeta de caneta de tinta permanente. Era, antes, a pena de um poeta permanente.
-Adolfo Simões Müller nasceu em Lisboa
a 18 de Agosto de 1909 e
faleceu a 17 de Abril de 1989. Foi um escritor e jornalista, autor de livros
para o público juvenil, diretor do gabinete de estudos de programas da E.N. e
produtor de programas para a rádio, bem como o autor do primeiro folhetim de rádio As
Pupilas do Senhor Reitor.
[203] Jorge Costa de Sousa
Maldonado.
-Exerceu funções entre 22 de abril de
1971 e 18 de junho de 1974.
[204] O
Alcoa.
[205] Região de Cister.
[206] Região de Cister
-Fleming
de Oliveira in, No Tempo de Pessoas
Importantes como Nós.
Belo Marques, desde a
publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003 que é o topónimo da
Rua C da Malha 3 do Alto do Lumiar, artéria que liga a Rua General
Vasco Gonçalves à Avenida Carlos
Paredes, e assim integra o Bairro da Música criado no local pela
edilidade lisboeta desde então.
196 Artur Garcia
nasceu em 15 de abril de 1937, em Lisboa. Entrou para a E.N. em 1955 tendo
frequentado o Centro de Preparação de Artistas, onde se estreou ao lado de
nomes como Maria
de Fátima Bravo, Isabel Wolmar ou Simone
de Oliveira.
Em 1960 deixou o Centro de Preparação e ingressou nos quadros da E.N.
Participou no III Festival da Canção Portuguesa, realizado em 20 e 21 de Agosto
de 1961 no Casino da Figueira da Foz, com Canção do Passado, no primeiro Grande Prémio TV da Canção com Finalmente.
No Teatro estreou-se em 1965, no Teatro
Maria Vitória,
com a revista Todos Ao Mesmo.
Participou no Festival RTP da Canção de 1965 com Amor e Nasci, Sonhei, Cresci e Amei. Foi
eleito Rei da Rádio em 1967 e 1968 e
1969, e neste ano granjeou o título de
Príncipe do Espetáculo. Foi um dos grandes nomes do nacional-cançonetismo.
A partir daí participou com sucesso em festivais nacionais e no estrangeiro.
Após o 25 de Abril, diminuiu a atividade
artística e passou a ser proprietário de uma loja de discos. Em 1977 realizou
uma digressão, ao lado de Amália
Rodrigues,
pelos Estados Unidos e Canadá. Em 2005, no dia do
seu aniversário, assinalou os seus 50 anos de carreira com um espetáculo
no Fórum
Lisboa.
-Reveja-se supra.
[208] Aqui foi professor
de José Alberto Vasco que guarda dele, enquanto professor, boas recordações,
[209] Fleming de Oliveira
in, No Tempo de Soares, Cunhal e Outros.
O PREC também passou por Alcobaça.
[210] O Couraçado Potemkin é
um filme mudo soviético dirigido
por Serguei Eisenstein,
realizado em 1925, onde se presenta uma
versão dramatizada da rebelião ocorrida em 1905, em que os
tripulantes do navio de guerra Potemkin se
rebelaram contra os oficiais superiores.
- O filme esteve
proibido em Portugal até 1974.
[211] A União das Freguesias de Alcobaça e Vestiaria foi
constituída no ano de 2013, no âmbito da reorganização administrativa do
território (Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio e da Lei
nº 11-A/2013, de 28 de Janeiro), pela agregação das
antigas freguesias de Alcobaça e Vestiaria.
[212] Daniel Eimi nasceu
em 1986 em Caldas da Rainha. Dedica-se exclusivamente à pintura e arte urbana.
Começou por fazer graffiti, depois a utilizar autocolantes, cartazes e stencil.
[213] Região
de Cister.
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