terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Leonel Fadigas

 

nasci na Maiorga, filho e neto de operário, vai para setenta anos, estudei lá, em Alcobaça e em Leiria, donde segui para Lisboa para ingressar no Instituto Superior de Agronomia. Aqui me licenciei em arquitetura paisagista e, mais tarde, em agronomia. Passei pela Câmara Municipal de Lisboa, onde fiz o meu estágio de fim de curso e onde comecei a trabalhar como arquiteto paisagista.Depois foi o serviço militar. Casei, fui para Moçambique como oficial do Serviço Cartográfico do Exército, e estive, antes e depois do 25 de abril. A seguir foi a profissão liberal, o ensino, em várias escolas e universidades, mas especialmente na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa; e também em Itália. De um avô herdei o gosto pela política e, de outro, pela terra. A associação de estudantes, a escrita nos jornais, o Juvenil do Diário de Lisboa, a herança familiar republicana e a certeza de que era possível mudar o país que tínhamos levaram-me, cedo a dedicar à política parte do meu tempo. Da CEUD ao Partido Socialista foi um passo breve; e depois a Assembleia Municipal de Alcobaça e a Assembleia da República. Da terra mantinha-se o que era a matriz agrícola que era o meu chão e que a arquitetura paisagista alargava para outros espaços e preocupações. Do urbanismo ao território. Com passagens pela Câmara Municipal de Lisboa, como técnico, responsável por um gabinete de planeamento, assessor da presidência; mas também pela de Santarém, coordenando o gabinete de planeamento, pela de Cascais como assessor e pela Ambelis, a agência para a modernização económica de Lisboa, como presidente. O urbanismo e o território nas suas aplicações práticas e diversas que a profissão liberal também mantém e estimula. Uma comenda dada pelo Rei de Espanha homenageou o trabalho de promoção de investimentos em Lisboa e a promoção da sua economia. Mas o ensino sempre. O doutoramento, a agregação, a investigação como condição do fazer. Os livros como registo e interpretação de experiências. Nos intervalos, as viagens, os livros, os amigos, as conversas. O tempo repartido entre Lisboa e Alcobaça e por onde a imaginação nos leva. No centro de tudo a família. Mulher, uma filha, arquiteta, dois netos que aprendem o que lhes ensinam e estudam o que a sua curiosidade estimula para irem mais além”.

 

Sem comentários: