segunda-feira, 14 de janeiro de 2019





NO TEMPO DE PESSOAS “IMPORTANTES” COMO NÓS
50 Anos da História de Alcobaça Contada através de Pessoas



Araújo, Jorge Gonçalves de, era filho de Eurico Pereira de Araújo Rosa (ao tempo Presidente da Câmara e propagandista da República. Veja-se Fleming de Oliveira, in No Tempo de Reis, Republicanos & Outros) e de Maria Cristina Gonçalves de Araújo, dos quais foi o terceiro filho.
Casou em 1953 com Ilda Alves de Araújo, com quem teve um único filho Jorge, que é médico.
Fez a Escolaridade Básica em Alcobaça, a que se seguiram estudos de teor comercial.
Gostava de conviver com as locais elites do seu tempo, no Café Bau ou no Clube Alcobacense.
Ingressou como ajudante com 14 anos na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Alcobaça, em 1930, na qual durante alguns anos foi o único funcionário, instituição especialmente orientada para o apoio à agricultura, aí permanecendo durante 55 anos e percorrendo a hierarquia até chegar a chefe de serviços e a Diretor. Já com colaboradores, continuou a assumir a maior parte do trabalho.
Depois de 25 de abril de 1974l, a disputa pelo controlo da CCAM desgastou-o bastante, apesar de sempre ter  sido democrata,  como esclareceu o filho. Após a fase conturbada dos primeiros tempos da democracia/pós 25 de  Abril, seguiram-se mudanças importantes na atividade das Caixas  Agrícolas, com destaque para  a movimentação de capitais, equiparação a outros bancos no apoio às atividades económicas, pelo que já idoso, e sem saúde, não pode mais dar o apoio necessário e que desejava.
Participou na comissão loca/Alcobaça de apoio à candidatura de Norton de Matos, e embora atento e interessado, nunca mais teve intervenção política, pois como dizia, gostava de ser independente, até a nível laboral.
Convidado para um cargo superior na Crisal, por parte do amigo António Raposo de Magalhães, recusou, permanecendo no discreto lugar que exercia na CCAM.
Para melhorar a sua condição económica, teve um estabelecimento comercial dedicado à agricultura na Rua Frei António Brandão, bem como se dedicou à agropecuária.
-Tinha como hobbies a caça, a pesca e a fotografia.
Relutantemente abandonou o seu lugar na CCAM/Alcobaça com 69 anos, vindo a falecer em 23 de março de 2001 no Hospital de Leiria, aos 84 anos.
-Nasceu em Alcobaça a 15 de abril de 1916.
Araújo, Jorge Miguel Alves de, filho único de Jorge Gonçalves de Araújo e de Ilda Alves de Araújo, nascido em Alcobaça a 11 de junho de 1954, frequentou nesta localidade, o Jardim Escola João de Deus, a Escola Primária e o 1º. e 2º. anos do Ensino Secundário, transitando para a Nazaré, onde completou os restantes anos no Externato D. Fuas Roupinho.
Casou com Zita Tinta Lourenço de Araújo (de Turquel) em 1977, com quem tem uma filha e doi netos.
Admitido à Universidade, frequentou a Faculdade de Medicina de Lisboa e depois a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde concluiu o Curso de Medicina em 1978 e Curso Superior de Medicina Legal em 1991.
Efetuou Formação Específica em Exercício entre 1990 e 1991, adquirindo o grau de Especialista em Medicina Geral e Familiar.
Exerceu a maior parte da atividade profissional no Concelho de Alcobaça de 1979 a 2011, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde no Centro de Saúde de Alcobaça e no respetivo Hospital.
Foi Autoridade Sanitária Substituto do Concelho de Alcobaça de 1986 a 1990, perito Médico da Comarca de Alcobaça e mais tarde do Gabinete de Medicina Legal de Leiria de 1988 a 2011.
Desenvolve medicina privada  desde 2012, na Clínica de Stª. Maria e Centro Hospitalar de S. Francisco, ambos em Alcobaça, no Centro Hospitalar da Confraria Nª. Sª. de Nazaré, no Centro Neuro Oftalmológico em Lisboa, no Solar de Sª. Marta/Calvaria, e no Centro de  Diálise de Gaeiras – Davita/Óbidos.
Como atividades extra profissionais, destaca que foi Vice-presidente da Irmandade Nª Sª. da Conceição, sócio gerente da Clínica de Stª Maria e colaborador com algumas publicações regionais no âmbito da cultura, arte e pintura.
Pintor amador, recebeu aulas de aguarela de Armando Tavares Alves Martins,  frequentou curso de gravura e serigrafia no Museu Malhoa, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, e participou em várias exposições coletivas em Alcobaça e Leiria.
Como colecionador, tem-se dedicado ao estudo e aquisição de peças de cerâmica de boa qualidade, especialmente a tradicional de Alcobaça.
-Segundo o próprio as raízes foram determinantes na sua conduta.
A vertente espiritual tão cara às mulheres da sua família (sobretudo materna) na componente católica, incide no respeito e amor ao próximo e na liberdade individual (valor paterno).
A vertente material mais ligada à tradição paterna, valoriza os aspetos organizativos, economicistas, de preservação, de estabilidade e de progresso.
Estas encaixam nas tradições familiares, e das três religiões monoteístas, que foram os alicerces de Portugal e de Alcobaça.
A Islâmica, como decorre da heráldica da Família Araújo (simbolizada pela imagem de um mouro).
A Judaica, com o gosto pela preservação, crescimento material, organização, cultura e ciência.
A Cristã, com os valores tão vilipendiados, mas aqueles que ainda dão sentido à vida e ao trajeto do nosso país.
Nos contextos referidos, se move, com atividade principal de médico. Os tempos livres, dedica-os na medida do possível à família, à arte, à cultura, e ao colecionismo. Neste âmbito privilegia a região de Alcobaça,
Como médico na atividade pública como na privada, sempre se esforçou para dar satisfação aos legítimos interesses dos seus utentes, independentemente da condição social, religiosa, partidária, e de modo o menos mercantilista possível. Os serviços de saúde, como qualquer outra atividade assistencial, só faz sentido se "SERVIR", não deixando de ter em conta a dignidade do cliente e do prestador.
Socialmente, por hábito contraído na infância, manteve sempre alguma reserva, que permita a manutenção do respeito e reciprocidade do seu semelhante. Também por isso, a discrição de toda a sua vida, embora como qualquer pessoa, necessita de interação social.
Como homem preocupado com harmonização com o ambiente, gostava que a fauna e a flora prosperassem, e a nossa pegada fosse diminuída.
Jorge Araújo acrescentou:
Nascido numa das ruas mais antigas de Alcobaça, R. Nova de S. Bernardo, hoje R. Almirante Cândido dos Reis, no seio de uma família em tempos entrosada com os primórdios republicanos da autarquia , aproveitou o que de positivo encontrou nessa herança (ética, inquietude intelectual, desejo de progresso e liberdade) para acrescentar progressivamente valores conservadores que antecedem esse período revolucionário (respeito e preservação do passado e da natureza, a religião, da verdade, da compaixão).
A infância passada numa redoma familiar, deu lugar a uma adolescência mais exigente na Nazaré, onde o Externato D. Fuas Roupinho com sua tradição espartana, acrescentou as "ferramentas"  necessárias à passagem à vida universitária. Por sua vez, a Universidade inicialmente marcada pela novidade da instabilidade social e política, rapidamente passou à eficácia e estabilidade que viria a ser necessária na atividade profissional. 
A noção de responsabilidade mais interiorizada no ensino secundário na Nazaré, conduziu a que todos anos de ensino fossem concluídos com aproveitamento. A "redoma" da infância, os estudos desde a adolescência fora de Alcobaça, e parte da atividade profissional por um lado afastaram - no de algumas realidades de Alcobaça, mas não apagaram o forte afeto ao lugar que o viu nascer. A atividade profissional iniciada no Hospital de S.ª Maria, nos Serviços de Medicina IV dirigida pelo Prof. Fernando de Pádua, e na Clinica Cirúrgica do Prof. Coito, deu lugar ao Serviço Médico à periferia no Concelho de Alcobaça, extensão de Cós, e depois no SNS, em Aljubarrota, e na sede (Centro de Saúde de Alcobaça) até data da aposentação da função pública.
O âmbito do SNS, o exercício no Serviço de Urgência do Hospital de Alcobaça, por contingências da sua carreira e dos seus colegas, foi o Médico que mais horas lhe dedicou até ao fim da sua carreira, num local com uma afluência de utentes sobredimensionada para o número de profissionais, onde teve contacto com inúmeras patologias às quais se tinha de dar solução em muito pouco tempo. Esta prática, muito útil, foi em toda a sua vida profissional. 
Gostando de ser útil, procurou sempre dar acolhimento às solicitações do seu semelhante enquanto médico, considerando a melhor remuneração a obtenção de bons resultados profissionais, e o bem-estar dos que o procuravam.
A vida familiar proporcionou o conforto necessário, e os hobbies culturais foram o contraponto, a seu ver necessário, para compensar as realidades negativas que constituem as doenças e a morte. 
A frequência da Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, em Alcobaça na adolescência, e depois as bibliotecas de Lisboa onde estudava e consultou livros, nomeadamente naquela Fundação, foi muito útil na sua formação. 
Vem desde então, a admiração do milionário arménio que instituiu a Fundação, e foi um dos seus inspiradores como colecionista. Também será essa a génese de atividades que lhe dão muito gosto na fase da vida pós função pública, e que contemplaram pequenas incursões na escrita.
-Hoje em dia reparte o tempo entre Lisboa (ainda há avós em Portugal…) e Alcobaça. É filho do anterior refenciado.

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