NO
TEMPO DE PESSOAS “IMPORTANTES” COMO NÓS
50
Anos da História de Alcobaça Contada através de Pessoas
Araújo,
Jorge Gonçalves de, era filho de Eurico Pereira de Araújo Rosa
(ao tempo Presidente da Câmara e propagandista da República. Veja-se Fleming de Oliveira, in No Tempo de
Reis, Republicanos & Outros) e de Maria Cristina Gonçalves de Araújo,
dos quais foi o terceiro filho.
Casou em 1953 com Ilda Alves de Araújo, com quem teve um
único filho Jorge, que é médico.
Fez a Escolaridade Básica em Alcobaça, a que se seguiram
estudos de teor comercial.
Gostava de conviver com as locais elites do seu tempo, no
Café Bau ou no Clube Alcobacense.
Ingressou como ajudante com 14 anos na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Alcobaça, em 1930, na qual durante
alguns anos foi o único funcionário, instituição especialmente orientada para o
apoio à agricultura, aí permanecendo durante 55 anos e percorrendo a hierarquia
até chegar a chefe de serviços e a Diretor. Já com colaboradores, continuou a
assumir a maior parte do trabalho.
Depois de 25 de abril
de 1974l, a disputa pelo controlo da CCAM desgastou-o bastante, apesar de
sempre ter sido democrata, como esclareceu o
filho. Após a fase conturbada dos primeiros tempos da democracia/pós 25 de Abril, seguiram-se mudanças importantes na
atividade das Caixas Agrícolas, com destaque para a movimentação de
capitais, equiparação a outros bancos no apoio às atividades económicas, pelo que já idoso, e sem saúde, não pode mais
dar o apoio necessário e que desejava.
Participou na comissão loca/Alcobaça de apoio à candidatura
de Norton de Matos, e embora atento e interessado, nunca mais teve intervenção
política, pois como dizia, gostava de ser
independente, até a nível laboral.
Convidado para um cargo superior na Crisal, por parte do
amigo António Raposo de Magalhães, recusou, permanecendo no discreto lugar que
exercia na CCAM.
Para melhorar a sua condição económica, teve um
estabelecimento comercial dedicado à agricultura na Rua Frei António Brandão,
bem como se dedicou à agropecuária.
-Tinha como hobbies
a caça, a pesca e a fotografia.
Relutantemente
abandonou o seu lugar na CCAM/Alcobaça com 69 anos, vindo a falecer em 23 de março de 2001 no
Hospital de Leiria, aos 84 anos.
-Nasceu em Alcobaça a 15 de abril de 1916.
Araújo, Jorge Miguel Alves de, filho único de Jorge Gonçalves de Araújo e de Ilda Alves de
Araújo, nascido em Alcobaça a 11 de junho de 1954, frequentou nesta localidade,
o Jardim Escola João de Deus, a Escola Primária e o 1º. e 2º. anos do Ensino
Secundário, transitando para a Nazaré, onde completou os restantes anos no
Externato D. Fuas Roupinho.
Casou com Zita Tinta Lourenço de Araújo (de Turquel) em 1977,
com quem tem uma filha e doi netos.
Admitido à Universidade, frequentou a Faculdade de Medicina
de Lisboa e depois a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de
Lisboa, onde concluiu o Curso de Medicina em 1978 e Curso Superior de Medicina
Legal em 1991.
Efetuou Formação Específica em Exercício entre 1990 e 1991,
adquirindo o grau de Especialista em Medicina Geral e Familiar.
Exerceu a maior parte da atividade profissional no Concelho
de Alcobaça de 1979 a 2011, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde no Centro de
Saúde de Alcobaça e no respetivo Hospital.
Foi Autoridade Sanitária Substituto do Concelho de Alcobaça
de 1986 a 1990, perito Médico da Comarca de Alcobaça e mais tarde do Gabinete
de Medicina Legal de Leiria de 1988 a 2011.
Desenvolve medicina privada desde 2012, na Clínica de
Stª. Maria e Centro Hospitalar de S. Francisco, ambos em Alcobaça, no Centro
Hospitalar da Confraria Nª. Sª. de Nazaré, no Centro Neuro Oftalmológico em
Lisboa, no Solar de Sª. Marta/Calvaria, e no Centro de Diálise de Gaeiras
– Davita/Óbidos.
Como atividades extra profissionais, destaca que foi
Vice-presidente da Irmandade Nª Sª. da Conceição, sócio gerente da Clínica de
Stª Maria e colaborador com algumas publicações regionais no âmbito da cultura,
arte e pintura.
Pintor amador, recebeu aulas de aguarela de Armando Tavares
Alves Martins, frequentou curso de gravura e serigrafia no Museu Malhoa,
patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, e participou em várias
exposições coletivas em Alcobaça e Leiria.
Como colecionador, tem-se dedicado ao estudo e aquisição de
peças de cerâmica de boa qualidade, especialmente a tradicional de Alcobaça.
-Segundo o próprio as
raízes foram determinantes na sua conduta.
A vertente espiritual
tão cara às mulheres da sua família (sobretudo materna) na componente católica,
incide no respeito e amor ao próximo e na liberdade individual (valor paterno).
A vertente material
mais ligada à tradição paterna, valoriza os aspetos organizativos,
economicistas, de preservação, de estabilidade e de progresso.
Estas encaixam nas
tradições familiares, e das três religiões monoteístas, que foram os alicerces
de Portugal e de Alcobaça.
A Islâmica, como
decorre da heráldica da Família Araújo (simbolizada pela imagem de um mouro).
A Judaica, com o gosto
pela preservação, crescimento material, organização, cultura e ciência.
A Cristã, com os
valores tão vilipendiados, mas aqueles que ainda dão sentido à vida e ao
trajeto do nosso país.
Nos contextos
referidos, se move, com atividade principal de médico. Os tempos livres,
dedica-os na medida do possível à família, à arte, à cultura, e ao
colecionismo. Neste âmbito privilegia a região de Alcobaça,
Como médico na
atividade pública como na privada, sempre se esforçou para dar satisfação aos
legítimos interesses dos seus utentes, independentemente da condição social,
religiosa, partidária, e de modo o menos mercantilista possível. Os serviços de
saúde, como qualquer outra atividade assistencial, só faz sentido se
"SERVIR", não deixando de ter em conta a dignidade do cliente e do
prestador.
Socialmente, por
hábito contraído na infância, manteve sempre alguma reserva, que permita a
manutenção do respeito e reciprocidade do seu semelhante. Também por isso, a
discrição de toda a sua vida, embora como qualquer pessoa, necessita de
interação social.
Como homem preocupado
com harmonização com o ambiente, gostava que a fauna e a flora prosperassem, e
a nossa pegada fosse diminuída.
Jorge Araújo acrescentou:
Nascido numa
das ruas mais antigas de Alcobaça, R. Nova de S. Bernardo, hoje R. Almirante
Cândido dos Reis, no seio de uma família em tempos entrosada com os primórdios
republicanos da autarquia , aproveitou o que de positivo
encontrou nessa herança (ética, inquietude intelectual, desejo de
progresso e liberdade) para acrescentar progressivamente valores conservadores
que antecedem esse período revolucionário (respeito e preservação do passado e
da natureza, a religião, da verdade, da compaixão).
A infância
passada numa redoma familiar, deu lugar a uma adolescência mais exigente
na Nazaré, onde o Externato D. Fuas Roupinho com sua tradição espartana, acrescentou
as "ferramentas" necessárias à passagem à vida universitária.
Por sua vez, a Universidade inicialmente marcada pela novidade da
instabilidade social e política, rapidamente passou à eficácia e
estabilidade que viria a ser necessária na atividade profissional.
A noção de
responsabilidade mais interiorizada no ensino secundário na Nazaré,
conduziu a que todos anos de ensino fossem concluídos com
aproveitamento. A "redoma" da infância, os estudos desde a
adolescência fora de Alcobaça, e parte da atividade profissional por um lado
afastaram - no de algumas realidades de Alcobaça, mas não apagaram o forte
afeto ao lugar que o viu nascer. A atividade profissional iniciada no Hospital
de S.ª Maria, nos Serviços de Medicina IV dirigida pelo Prof. Fernando de
Pádua, e na Clinica Cirúrgica do Prof. Coito, deu lugar ao Serviço Médico
à periferia no Concelho de Alcobaça, extensão de Cós, e depois no
SNS, em Aljubarrota, e na sede (Centro de Saúde de Alcobaça) até data
da aposentação da função pública.
O âmbito do
SNS, o exercício no Serviço de Urgência do Hospital de
Alcobaça, por contingências da sua carreira e dos seus colegas,
foi o Médico que mais horas lhe dedicou até ao fim da sua
carreira, num local com uma afluência de utentes sobredimensionada para
o número de profissionais, onde teve contacto com inúmeras patologias às
quais se tinha de dar solução em muito pouco tempo. Esta prática, muito útil,
foi em toda a sua vida profissional.
Gostando de
ser útil, procurou sempre dar acolhimento às solicitações do seu
semelhante enquanto médico, considerando a melhor remuneração a
obtenção de bons resultados profissionais, e o bem-estar dos que o
procuravam.
A vida
familiar proporcionou o conforto necessário, e os hobbies culturais foram o
contraponto, a seu ver necessário, para compensar as realidades negativas
que constituem as doenças e a morte.
A frequência
da Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, em Alcobaça na
adolescência, e depois as bibliotecas de Lisboa onde estudava e consultou
livros, nomeadamente naquela Fundação, foi muito útil na sua
formação.
Vem desde
então, a admiração do milionário arménio que instituiu a Fundação, e
foi um dos seus inspiradores como colecionista. Também será essa a génese de
atividades que lhe dão muito gosto na fase da vida pós função pública, e que
contemplaram pequenas incursões na escrita.
-Hoje
em dia reparte o tempo entre Lisboa (ainda há avós em Portugal…) e Alcobaça. É
filho do anterior refenciado.
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