-Jornalismo político e panfletário
(Pe. José Agostinho de Macedo, SEC.XVIII)
INJÚRIAS
CÚPIDAS E PERSONALIZADAS-
Fleming
de Oliveira
Ao
falar de jornalismo político e panfletário, é impossível esquecer, o exemplo do
Pe. José Agostinho de Macedo, talvez o mais incontrolado e sabido caceteiro da
pena que houve em Portugal, que viveu no virar do século XVIII (um dos mestres
de Frei Fortunato de S. Boaventura), que fundou jornais e folhetos de que se
chegaram a tirar quatro mil exemplares!!!
Frade,
veio a ser expulso alegadamente por devassidão da sua congregação.
Segundo
regista a pequena história, apresentava-se em público de batina desabotoada, de
ventas largas cheias de rapé, munido de um bordão que gostava de desandar (apesar
do seu físico ossudo e grande), dava murros violentos no balcão gorduroso da taberna
e agitava Lisboa com a fama de vida boémia e desbragada. Vivia (amancebado
assim se dizia antigamente) com uma freira de Odivelas.
Depois
de provocar e empanturrar Bocage (que também andava perdido), com um indigesto
amontoado de vulgaridades panfletárias, este respondeu-lhe (…) Epístolas, Sonetos//Odes, Canções,
Metamorfoses…//Na frente põe o teu nome, e estou vingado.
Quando
morreu em 1831, deixou saudades, pois o Povo sentiu pelos seus nervos, falou pela sua boca. O povo,
reconhecia-se retratado na sua figura de padre a arrastar-se pelas portarias de
conventos, casas senhoriais ou vielas mal frequentadas de Lisboa, ébrio de
cólera e muitas vezes de vinho.
E o povo,
não obstante esse comportamento tido por licencioso, encontrou nele a franqueza
e desinteresse (salvo talvez a cobiça da popularidade), dos que não tendo
vergonha, têm o mundo por si.
Viveu como
mendigo. Nas suas arremetidas havia ódios, fruto de antagonismos antigos,
fundados e viscerais. Os papéis, folhetos e jornais que produziu, não se
inseriam numa comédia pretensamente civilizada, como as de hoje para prazer de
um público de camarote ou de TV. As injúrias e as ofensas, pagavam-se com
bengaladas, facadas ou tiros.
Posso
dizer que se existe algum paralelismo entre o espírito panfletário de o Voz de
Alcobaça (no tempo do Estado Novo até ser encerrado) e o Pe. Agostinho de
Macedo, reside tão só no facto de as injúrias inflamantes, os epítetos obscenos
de Mário Sá, e as verduras de Vasco da Gama Fernandes ou Lameiras de
Figueiredo, dirigirem-se preferencialmente a instituições, como a Igreja ou a
Monarquia, ou ao poder anti república. Hoje, são personalizadas cupidamente em
A ou B, pessoas eventualmente incómodas, mas com quem nos cruzamos na rua e nos
sentamos em mesas contíguas do café.
NOTA-cfr. o nosso, NO TEMPO DE
SALAZAR, CAETANO E OUTROS
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